No dicionário, a palavra projétil é definida como “todo objeto que se arremessa para matar ou ferir ou que obedece à força de uma projeção”. Na teoria do ímpeto, proposta pela primeira vez por Aristóteles, a continuação do movimento de um objeto arremessado depende da ação do agente que a produz. Este conceito da física é aplicável também a outro projétil, ou melhor, Projétil. Em sua centésima edição, o jornal laboratório do curso de Jornalismo da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul segue com projeções ininterruptas desde seu “lançamento”, em 1990.
Em quase 33 anos de história, o Projétil sobreviveu a sete presidentes, oito governadores e seis reitores. Ele resistiu às mudanças no jornalismo, à crise do impresso e às atualizações pedagógicas. Por ele passaram mais de 20 professores e cerca de mil jornalistas, é o segundo impresso mais antigo do MS ainda em circulação e um dos mais antigos jornais laboratório do Brasil. Não há jornalista formado pelo curso de Jornalismo da UFMS que não tenha passado pelo Projétil.
Lançado pouco mais de um ano após o início do curso, o Projétil se manteve de pé em meio à precariedade da infraestrutura que marcou a graduação e às tentativas de sucateamento do ensino superior público. Entre os momentos históricos, este jornal não parou nem durante a pandemia do Covid-19, mesmo que de forma remota e com todos os empecilhos. Sua continuidade, segundo a teoria do ímpeto, é reflexo de todos aqueles que o produziram ao longo do tempo.

Foto: Giovanna Leal Andrade
Em 2023, outra mudança diminuiu o número de edições anuais de duas para apenas uma. A alteração fez com que justo a turma responsável pela centésima edição fosse significativamente menor. As professoras reuniram, então, um grupo de estudantes dispostos a não deixar o Projétil parar. Com a prerrogativa da marca histórica, revisitamos temáticas relevantes de edições passadas, fazendo um levantamento histórico e reavaliação das informações e mensagens já publicadas neste jornal laboratório. Além de colaborações de egressos, antigos docentes e uma parceria inédita com a Revista Badaró.
Em uma dessas colaborações, o propositor do nome deste jornal fez uma provocação, indagando se não seria o momento de mudá-lo. Na visão da primeira turma, o nome refletia a vontade de acertar com precisão o centro da verdade. Porém, o caráter belicista implica diferentes interpretações, já que projétil pode significar muita coisa, até uma bala disparada para matar.
Realmente, projétil mata, mas Projétil é Projétil. Segundo o professor Edson Silva, “se for para mudar, é melhor pôr um ponto final e começar outro do zero”. Concluimos que não há necessidade nem de um e nem de outro. Talvez seja hora de adicionar uma nova palavra ao dicionário, com todo o significado que ela carrega para o jornalismo do MS: Projétil, assim mesmo, com P maiúsculo. Que na edição 200, daqui a 100 anos, se o jornalismo ainda for jornalismo e a ação dos agentes permitir o seu movimento contínuo, alguém possa novamente questionar, “Projétil. Ou não?”.
Boa leitura!