{"id":1020,"date":"2021-06-24T15:20:08","date_gmt":"2021-06-24T19:20:08","guid":{"rendered":"https:\/\/jornalismo.ufms.br\/projetil\/?p=1020"},"modified":"2021-06-24T16:26:48","modified_gmt":"2021-06-24T20:26:48","slug":"o-grande-irmao-e-a-amazon","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/o-grande-irmao-e-a-amazon\/","title":{"rendered":"O Grande Irm\u00e3o e a Amazon"},"content":{"rendered":"\n<p style=\"text-align: center;\"><span style=\"color: #ff0000;\">Texto: Daniel Rockenbach (drocken@gmail.com) | Waldir Rosa (waldir.rosa@uol.com.br)<\/span><br \/><span style=\"color: #ff0000;\">Arte: <a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/marinacozta\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">MARINA COZTA<\/a><\/span><\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator\"\/>\n\n\n\n<p>Em um pa\u00eds de contrastes sociais e com tantos iletrados, se vende muito pouco livro. Em levantamento feito pela pesquisa Retratos da Leitura no Brasil, entre 2015 e 2019 a porcentagem de leitores no pa\u00eds caiu de 56% para 52%. Entre os mais ricos, a porcentagem caiu de 76% para 67%. A m\u00e9dia de leitura do brasileiro \u00e9 de cinco livros por ano.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image is-style-rounded\"><figure class=\"aligncenter size-large is-resized\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/06\/WhatsApp-Image-2021-06-23-at-15.51.13.livrosNote.jpeg\" alt=\"\" class=\"wp-image-1040\" width=\"365\" height=\"355\" srcset=\"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/06\/WhatsApp-Image-2021-06-23-at-15.51.13.livrosNote.jpeg 790w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/06\/WhatsApp-Image-2021-06-23-at-15.51.13.livrosNote-300x292.jpeg 300w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/06\/WhatsApp-Image-2021-06-23-at-15.51.13.livrosNote-768x747.jpeg 768w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/06\/WhatsApp-Image-2021-06-23-at-15.51.13.livrosNote-400x389.jpeg 400w\" sizes=\"auto, (max-width: 365px) 100vw, 365px\" \/><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p>Uma navegada no site da Amazon e logo se nota uma s\u00e9rie de ofertas de 1984 de George Orwell. Uma busca pelo livro nesse espa\u00e7o virtual revela pelo menos uma dezena de edi\u00e7\u00f5es diferentes, grande parte devido ao fato de que, em 2021, a obra do autor entrou em dom\u00ednio p\u00fablico. A Amazon vende Orwell para todos os bolsos e p\u00fablicos mas seria assim se os livros tivessem livrarias como \u00fanica forma de comercializa\u00e7\u00e3o?<\/p>\n\n\n\n<p>Um papo com o autor, editor e livreiro Thiago Tizzot logo d\u00e1 a real: \u00e9 barato. Quando se corta a despesa de qualquer etapa da produ\u00e7\u00e3o do livro, o pre\u00e7o final se altera independente de onde se v\u00e1 vender o produto. No caso do direito do autor, os dez por cento fazem toda a diferen\u00e7a no custo. \u00c9 mais vantajoso republicar um cl\u00e1ssico que arriscar algo novo e o sistema da Amazon encoraja esse tipo de vis\u00e3o. Ao menos \u00e9 o que afirma o editor Sandro Gomes, mais conhecido no meio liter\u00e1rio como Lobo.<\/p>\n\n\n\n<p>O que importa \u00e9 ter um pre\u00e7o competitivo para negociar com a Amazon ou qualquer outra loja virtual disposta a comprar grandes estoques e vender barato. O que interessa s\u00e3o os n\u00fameros e as livrarias f\u00edsicas n\u00e3o d\u00e3o conta de competir com os descontos oferecidos pela concorr\u00eancia virtual. Na conversa com os editores Lobo e Tizzot ficou claro que a Amazon tem uma vantagem sobre outras lojas online brasileiras: eles cumprem os acertos. O que se combina com a multinacional, se recebe sem falta. Existe o risco de um dia a Amazon dominar o mercado e ditar as regras? Existe. Mas n\u00e3o seria esse o mesmo risco que as demais lojas virtuais tamb\u00e9m ofereciam?<\/p>\n\n\n\n<p>Antes da Amazon, a depend\u00eancia era das lojas virtuais brasileiras. E o que elas t\u00eam em comum? D\u00edvidas com as editoras. O saldo devedor teve de ser negociado em um prazo de at\u00e9 20 anos, com um desconto de 40% em certas situa\u00e7\u00f5es. Houve casos em que a d\u00edvida chegou a comprometer a sa\u00fade financeira da editora, a ponto de algumas encerrarem as atividades. At\u00e9 hoje algumas destas editoras ainda n\u00e3o se recuperaram do tombo. Ent\u00e3o como n\u00e3o sentir seguran\u00e7a numa Amazon? S\u00e3o poucas as alternativas.<\/p>\n\n\n\n<p>Tizzot tenta administrar sua livraria\/editora\/caf\u00e9 em Curitiba pensando no ambiente do livro, nos leitores. Quem entra ali pode provar um caf\u00e9 personalizado como o Chinaski baseado no personagem de Bukowski e ainda sair com boas dicas. Como livreiro que se preze, recebe os curiosos sempre com uma boa indica\u00e7\u00e3o. Para ele, o algoritmo da Amazon ainda \u00e9 incapaz de relacionar dicas como um Senhor das Moscas ou Laranja Mec\u00e2nica para um leitor do mang\u00e1 Akira. As indica\u00e7\u00f5es se restringem ao que outros usu\u00e1rios compraram ou livros do mesmo autor\/editora.<\/p>\n\n\n\n<p>O que pesa \u00e9 a diferen\u00e7a no pre\u00e7o de capa: Tizzot n\u00e3o pode cobrar menos que o pre\u00e7o estipulado pela editora uma vez que compra estoques pequenos. Como competir com uma gigante estrangeira que compra aos milhares e com descontos generosos? A Amazon em muitos casos assume o preju\u00edzo. Tizzot conta que j\u00e1 teve um livro de sua editora vendido pela Amazon por a 30% menos! O que sustenta uma opera\u00e7\u00e3o como essa? A ambi\u00e7\u00e3o de dominar o mercado.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter size-large is-resized\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/06\/WhatsApp-Image-2021-06-23-at-15.51.13.pct_.jpeg\" alt=\"\" class=\"wp-image-1042\" width=\"415\" height=\"177\" srcset=\"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/06\/WhatsApp-Image-2021-06-23-at-15.51.13.pct_.jpeg 800w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/06\/WhatsApp-Image-2021-06-23-at-15.51.13.pct_-300x129.jpeg 300w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/06\/WhatsApp-Image-2021-06-23-at-15.51.13.pct_-768x329.jpeg 768w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/06\/WhatsApp-Image-2021-06-23-at-15.51.13.pct_-400x172.jpeg 400w\" sizes=\"auto, (max-width: 415px) 100vw, 415px\" \/><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p>Talvez a multinacional n\u00e3o seja a vil\u00e3 da hist\u00f3ria como muitos gostam de colocar, mas a Amazon tem que ser entendida o quanto antes. Em conversa com assessores e editores que pediram para n\u00e3o serem identificados, descobrimos que a Amazon n\u00e3o tem um representante com o qual pud\u00e9ssemos conversar. Nenhum dos editores tem lidado diretamente com pessoas, e sim com um sistema informatizado. O algoritmo est\u00e1 substituindo at\u00e9 mesmo os intermedi\u00e1rios e tomando para si o papel de Grande Irm\u00e3o em uma situa\u00e7\u00e3o para l\u00e1 de orwelliana.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-buttons is-layout-flex wp-block-buttons-is-layout-flex\">\n<div class=\"wp-block-button\"><a class=\"wp-block-button__link\" href=\"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/projetil-96\/\">voltar para edi\u00e7\u00e3o 96<\/a><\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Texto: Daniel Rockenbach (drocken@gmail.com) | Waldir Rosa (waldir.rosa@uol.com.br)Arte: MARINA COZTA Em um pa\u00eds de contrastes sociais e com tantos iletrados, se vende muito pouco livro. 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