{"id":1023,"date":"2021-06-24T15:15:37","date_gmt":"2021-06-24T19:15:37","guid":{"rendered":"https:\/\/jornalismo.ufms.br\/projetil\/?p=1023"},"modified":"2021-08-12T11:16:49","modified_gmt":"2021-08-12T15:16:49","slug":"a-arte-em-tempos-virtuais","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/a-arte-em-tempos-virtuais\/","title":{"rendered":"A arte em tempos virtuais"},"content":{"rendered":"\n<h4 class=\"has-text-align-center wp-block-heading\">Como a pandemia da Covid-19 acelerou os processos de digitaliza\u00e7\u00e3o da produ\u00e7\u00e3o e distribui\u00e7\u00e3o de conte\u00fado<\/h4>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center\"><span style=\"color:#e02828\" class=\"tadv-color\">Texto: Daniel Rockenbach | Waldir Rosa<\/span><\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator\"\/>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1000\" height=\"677\" src=\"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/06\/WhatsApp-Image-2021-06-23-at-16.36.00.jpeg\" alt=\"\" class=\"wp-image-1047\" srcset=\"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/06\/WhatsApp-Image-2021-06-23-at-16.36.00.jpeg 1000w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/06\/WhatsApp-Image-2021-06-23-at-16.36.00-300x203.jpeg 300w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/06\/WhatsApp-Image-2021-06-23-at-16.36.00-768x520.jpeg 768w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/06\/WhatsApp-Image-2021-06-23-at-16.36.00-400x271.jpeg 400w\" sizes=\"auto, (max-width: 1000px) 100vw, 1000px\" \/><figcaption>Arte: MARINA COZTA<\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p>A pandemia da Covid-19 alterou a rotina de todos e uma das categorias mais afetadas foi a classe art\u00edstica. Sem a possibilidade de realiza\u00e7\u00e3o de shows e eventos em tempos de isolamento social, atividades art\u00edsticas como o lan\u00e7amento de um livro, uma exposi\u00e7\u00e3o, pe\u00e7a de teatro ou show, foram extremamente prejudicadas. Em consequ\u00eancia disso houve uma queda brutal nos rendimentos, o que for\u00e7ou muitos a buscar alternativas para compensar as perdas e buscar novos p\u00fablicos.<\/p>\n\n\n\n<p>O <em>streaming<\/em>, transmiss\u00e3o em tempo real de \u00e1udio e v\u00eddeo da internet para um aparelho como celular, computador TV, e as <em>lives<\/em>, transmiss\u00f5es ao vivo pelas redes sociais, come\u00e7aram a surgir como alternativa para os m\u00fasicos que est\u00e3o entre os que mais sofreram com o cancelamento de shows e eventos em 2020. \u00c9 o caso de Gabriel Sater que viu seu planejamento de celebra\u00e7\u00e3o dos 20 anos de carreira ser drasticamente alterado com o cancelamento da turn\u00ea pelo Brasil e da festa de lan\u00e7amento do DVD comemorativo. Em levantamento interno feito pelo servi\u00e7o de <em>streaming<\/em> de m\u00fasica e <em>podcast<\/em> <em>Spotify<\/em>, no primeiro trimestre de 2020 ocorreu um aumento de 31% de assinaturas do servi\u00e7o em compara\u00e7\u00e3o ao mesmo per\u00edodo em 2019, totalizando 286 milh\u00f5es de assinantes.<\/p>\n\n\n\n<p>Acompanhando os acontecimentos, o m\u00fasico e produtor Gilson Esp\u00edndola percebeu que seu est\u00fadio poderia servir como canal para a produ\u00e7\u00e3o de conte\u00fado para <em>streaming<\/em> e <em>lives<\/em> e tratou de investir em equipamentos e estrutura para grava\u00e7\u00e3o e transmiss\u00e3o de shows. Gilson conta que a ideia das <a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/channel\/UCW1qHlWGF3Ep5NYP8aRiNLQ\/videos\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><em>lives<\/em><\/a> surgiu em fun\u00e7\u00e3o desse novo normal: \u201cN\u00e3o tem mais aglomera\u00e7\u00e3o, n\u00e3o tem mais show ao vivo, a gente come\u00e7ou a fazer essas produ\u00e7\u00f5es na internet. Comecei a direcionar o est\u00fadio para fazer <em>lives<\/em>. Estudei o <em>YouTube<\/em>, experimentei o <em>Facebook<\/em> no in\u00edcio, depois passei pro canal do <em>YouTube<\/em>\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Gilson Esp\u00edndola e Gabriel Sater j\u00e1 eram adeptos de plataformas digitais como <em>Deezer<\/em>, <em>Soundcloud<\/em> e <em>Spotify<\/em> para distribuir suas produ\u00e7\u00f5es musicais, al\u00e9m do <em>YouTube<\/em> e redes sociais para divulgar o trabalho. Para Gilson, no come\u00e7o parecia que o p\u00fablico que assistiria um show seu poderia ser o mesmo que acompanha <em>lives<\/em> de um nome de peso como Ivete Sangalo. No entanto, as redes sociais foram determinantes para decidir qual artista teria mais p\u00fablico, ou seja, um n\u00famero maior de visualiza\u00e7\u00f5es em suas <em>lives<\/em>. \u201cArtistas que j\u00e1 t\u00eam uma visibilidade na televis\u00e3o e no <em>streaming<\/em> continuam em vantagem\u201d, pontua.<\/p>\n\n\n\n<p><strong><span style=\"color:#ffffff\" class=\"tadv-color\">Sem aglomera\u00e7\u00e3o, sem shows<\/span><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Gabriel Sater tem carreira conhecida como ator e m\u00fasico. Depois de protagonizar novelas e um longa-metragem, o jovem artista ainda tem no v\u00ednculo com o pai, Almir Sater, um grande legado a manter. Para Gabriel, os efeitos da pandemia come\u00e7aram ap\u00f3s o retorno de uma turn\u00ea, em mar\u00e7o de 2020. \u201cQuando voltei da Nova Zel\u00e2ndia a pandemia estava acelerando muito e foi tudo cancelado, nossos shows, nossos trabalhos (\u2026). Era o ano que eu comemorava 20 anos de caminhada musical e com isso todo nosso empenho para o ano de 2020 foi por \u00e1gua abaixo. N\u00e3o podia viajar mais com a turn\u00ea de lan\u00e7amento de 20 anos, v\u00e1rios produtos seriam lan\u00e7ados, videoclipes oficiais e no final do ano o meu DVD \u201cQuando for a hora\u201d fechando a celebra\u00e7\u00e3o\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Ap\u00f3s o impacto dos cancelamentos na agenda, Gabriel teve que repensar o ano em busca de uma alternativa para continuar produzindo e divulgando seu trabalho. A resposta estava nas <em>lives<\/em> e Gabriel logo sugeriu para a produtora Paula Cunha um projeto em que ele se apresentaria com outros artistas convidados. O apoio veio de uma empresa de compensados de Rebou\u00e7as, interior do Paran\u00e1, que topou bancar a produ\u00e7\u00e3o das transmiss\u00f5es e participou na arrecada\u00e7\u00e3o de doa\u00e7\u00f5es para o Hospital Infantil Darcy Vargas, tamb\u00e9m de Rebou\u00e7as. O projeto <a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/gabrielsateroficial\/channel\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><em>Lives to save lives<\/em><\/a> trouxe Gabriel Sater tocando com 63 convidados ao longo de nove meses de projeto.<\/p>\n\n\n\n<p>Ele conta que teve a ideia de fazer as <em>lives<\/em> porque era a \u00fanica ferramenta que naquele momento seria poss\u00edvel, por conta do inesperado. \u201cA gente n\u00e3o sabia quando ia acabar a pandemia. Tanto que a gente continua isolado aqui em casa, um ano depois, eu minha esposa, minha fam\u00edlia. Ent\u00e3o aproveitamos a ferramenta, na \u00e9poca o <em>Instagram<\/em>. \u00c9 curioso porque n\u00e3o trouxe ningu\u00e9m para ajudar na pr\u00e9-produ\u00e7\u00e3o. Em qualquer projeto eu traria uma equipe para me ajudar. Nesse trabalho n\u00e3o. A pr\u00e9-produ\u00e7\u00e3o j\u00e1 pulou para as grava\u00e7\u00f5es. Tanto que as primeiras <em>lives<\/em> ficaram ruins em termos de qualidade de imagem. O que importava era o conte\u00fado. Recebi Jackson Antunes, Luis Carlos S\u00e1, uma s\u00e9rie de pessoas maravilhosas, a lista \u00e9 grande!\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p><strong><span style=\"color:#ffffff\" class=\"tadv-color\">Produzindo <em>lives<\/em><\/span><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Gilson Esp\u00edndola estudou v\u00e1rias plataformas antes de firmar o <em>YouTube<\/em> como o meio em que faria suas <em>lives<\/em>. Para operacionaliz\u00e1-las ele utiliza um programa de transmiss\u00e3o e grava\u00e7\u00e3o gratuito e de c\u00f3digo aberto chamado <em>OBS<\/em>, que administra as imagens de tr\u00eas c\u00e2meras de celulares que captam as apresenta\u00e7\u00f5es que acontecem todo s\u00e1bado em seu canal. O retorno financeiro tem como pr\u00e9-requisito ser cadastrado no <em>PPY<\/em> (Programa de Parceiros do <em>YouTube<\/em>), ter mais de quatro mil horas de exibi\u00e7\u00e3o p\u00fablica nos \u00faltimos doze meses, ter mais de mil inscritos no canal e uma conta vinculada ao <em>Google Adsense<\/em>, um servi\u00e7o de publicidade oferecido pelo <em>Google<\/em>. Todo gerenciamento fica por conta da ag\u00eancia que cuida da carreira de Gilson nas redes sociais e plataformas de distribui\u00e7\u00e3o musical.<\/p>\n\n\n\n<p>A produtora Raquel Carelli acredita que a pandemia trouxe novidades e incertezas com a necessidade de isolamento social e isso mudou o mercado da m\u00fasica. \u201cSem shows, com os bares e restaurantes operando com restri\u00e7\u00f5es, o p\u00fablico ficou sem alternativa para consumir o trabalho dos artistas. As <em>lives<\/em> surgiram como alternativa para suprir a necessidade de manter o p\u00fablico engajado e gerar receita para a categoria\u201d. Ela enxerga na experi\u00eancia de Gilson Esp\u00edndola e outros tantos m\u00fasicos uma alternativa interessante inclusive para quando a pandemia acabar.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter size-large is-resized\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/06\/WhatsApp-Image-2021-06-23-at-16.36.01-1.jpeg\" alt=\"\" class=\"wp-image-1048\" width=\"584\" height=\"400\" srcset=\"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/06\/WhatsApp-Image-2021-06-23-at-16.36.01-1.jpeg 700w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/06\/WhatsApp-Image-2021-06-23-at-16.36.01-1-300x206.jpeg 300w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/06\/WhatsApp-Image-2021-06-23-at-16.36.01-1-400x274.jpeg 400w\" sizes=\"auto, (max-width: 584px) 100vw, 584px\" \/><figcaption>Gilson Esp\u00edndola (direita) recebe Ant\u00f4nio Porto em live <br>Foto: YouTube \/ Gilson Esp\u00edndola<\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p>Gabriel Sater encarou os desafios como um grande aprendizado, atrav\u00e9s dos erros e acertos na produ\u00e7\u00e3o das <em>lives<\/em> e no gerenciamento das ferramentas. Para o m\u00fasico, o \u00e1udio e a imagem menos produzidos trouxeram um toque informal que acabou incorporado na forma com que as <em>lives<\/em> foram feitas. A informalidade abriu novas possibilidades. \u201cEra mais um bate-papo, com algumas m\u00fasicas ali no meio para poder pontuar alguma conversa, saber da carreira de tantos artistas que eu sinto que tem um m\u00ednimo de divulga\u00e7\u00e3o na grande m\u00eddia. Foi um alento para a alma poder conversar com tantas pessoas e trocar tantas experi\u00eancias\u201d. Gabriel ainda teve que encarar a frustra\u00e7\u00e3o de perder algumas das <em>lives<\/em> feitas no come\u00e7o em virtude do <em>Instagram<\/em> n\u00e3o salvar os v\u00eddeos por um per\u00edodo maior que 24h ap\u00f3s a transmiss\u00e3o. A apresenta\u00e7\u00e3o com Paulo Sim\u00f5es, cantor e compositor, grande parceiro de seu pai Almir, foi uma delas. \u201cEu cheguei a ficar triste de querer chorar\u201d, lamenta.<\/p>\n\n\n\n<p><strong><span style=\"color:#ffffff\" class=\"tadv-color\">Os percal\u00e7os de um edital p\u00fablico<\/span><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Nem tudo s\u00e3o flores na produ\u00e7\u00e3o digital em tempos de pandemia. A dificuldade de monetiza\u00e7\u00e3o das <em>lives<\/em> e dos produtos art\u00edsticos faz com que muitos artistas busquem os editais de apoio governamentais como o da lei emergencial Aldir Blanc, nomeada a partir do famoso m\u00fasico brasileiro, vitimado pela pandemia da Covid-19 ainda em 2020. Foi o caso do projeto \u201cCampo do Riso\u201d do palha\u00e7o Anderson Lima, do livro digital infantil \u201cO Pequeno Maced\u00f4nio\u201d de Henrique Komatsu e Fabio Q, e da \u201cMostra Apollo Black de Cultura LGBTQIA+\u201d.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"331\" height=\"708\" src=\"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/06\/WhatsApp-Image-2021-06-23-at-16.36.00-1-1.jpeg\" alt=\"\" class=\"wp-image-1050\" srcset=\"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/06\/WhatsApp-Image-2021-06-23-at-16.36.00-1-1.jpeg 331w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/06\/WhatsApp-Image-2021-06-23-at-16.36.00-1-1-140x300.jpeg 140w\" sizes=\"auto, (max-width: 331px) 100vw, 331px\" \/><figcaption>F\u00e1bio Quill em seu est\u00fadio (Foto: Arquivo pessoal)<\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p>Em Mato Grosso do Sul a lei distribuiu cerca de 40 milh\u00f5es de reais, sendo 20 milh\u00f5es divididos entre os munic\u00edpios e outros 20 milh\u00f5es diretamente ao estado, conforme artigo 3\u00ba da lei 14.017 de 29 de junho de 2020. No munic\u00edpio de Campo Grande foi formada uma comiss\u00e3o para organizar a distribui\u00e7\u00e3o dessa verba. Melly Sena, gestora de atividades culturais da Funda\u00e7\u00e3o de Cultura do Mato Grosso do Sul, participou de uma das comiss\u00f5es com a tarefa de formar o colegiado municipal de literatura.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter size-large is-resized\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/06\/WhatsApp-Image-2021-06-23-at-16.36.01.jpeg\" alt=\"\" class=\"wp-image-1051\" width=\"550\" height=\"400\" srcset=\"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/06\/WhatsApp-Image-2021-06-23-at-16.36.01.jpeg 750w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/06\/WhatsApp-Image-2021-06-23-at-16.36.01-300x219.jpeg 300w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/06\/WhatsApp-Image-2021-06-23-at-16.36.01-400x292.jpeg 400w\" sizes=\"auto, (max-width: 550px) 100vw, 550px\" \/><figcaption>Melly Sena, gestora de atividades culturais (Foto: Arquivo FCMS)<\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p>Para ela muitos dos problemas encontrados pelos artistas com o edital tem a ver com a falta de capacita\u00e7\u00e3o na montagem dos projetos. \u201cMuita gente n\u00e3o tem esse processo de profissionaliza\u00e7\u00e3o, de saber escrever um edital, o que ler em um edital. Tivemos muitas pessoas que se viram nesse processo e tiveram que florescer esse lado de processos e projetos. Estar na comiss\u00e3o gestora foi um processo de muita aten\u00e7\u00e3o, pois como representante da sociedade civil eu queria fazer com que esse processo chegasse da forma mais tranquila para os artistas. Para isso tive que ficar o tempo todo perguntando, questionando, tirando d\u00favidas, sempre refor\u00e7ando o aspecto digital das produ\u00e7\u00f5es\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p><strong><span style=\"color:#ffffff\" class=\"tadv-color\">Outras artes, outros formatos<\/span><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Por d\u00e9cadas a literatura se sustentou no papel impresso enquanto formato de dissemina\u00e7\u00e3o. O digital demorou para emplacar e mesmo hoje em dia n\u00e3o representa mais que dez por cento das vendas de livros, variando para menos na maioria das editoras. Apesar do fraco desempenho, o mercado editorial investe na produ\u00e7\u00e3o de livros digitais com o crescimento gradativo de adeptos de leitores digitais como o <em>Kindle<\/em>, o <em>Kobo<\/em> e at\u00e9 mesmo <em>tablets<\/em>. A pandemia da Covid-19, no entanto, vem mudando esse quadro, turbinando as vendas de livros digitais desde o in\u00edcio de 2020. \u00c9 o caso de livros lan\u00e7ados primeiro nos meios digitais e apenas depois em papel, ou daqueles que saem apenas no digital como ocorreu com o livro infantil \u201c<a href=\"https:\/\/linktr.ee\/opequenomacedonio\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">O Pequeno Maced\u00f4nio<\/a>\u201d&nbsp; com texto de Henrique Komatsu e ilustra\u00e7\u00f5es de Fabio Quill.<\/p>\n\n\n\n<p>O formato veio como imposi\u00e7\u00e3o do edital da Lei Aldir Blanc. O livro digital tem um alcance maior e o custo muito menor que um livro impresso, tornando a contrapartida social do edital muito mais evidente. Para Henrique Komatsu, \u201co formato digital, apesar dos seus problemas, \u00e9 bastante democr\u00e1tico\u201d. O ilustrador Fabio Quill conta que um dos pontos fundamentais do edital era o acesso e que o formato digital possibilitou um alcance muito maior que o livro impresso uma vez que o livro digital foi disponibilizado gratuitamente na internet.<\/p>\n\n\n\n<p><strong><span style=\"color:#ffffff\" class=\"tadv-color\">Hoje tem espet\u00e1culo? S\u00f3 no virtual<\/span><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>O ator, produtor e palha\u00e7o Anderson Lima \u00e9 diretor da Companhia de Teatro Flor e Espinho. Ele atua e se apresenta como palha\u00e7o em escolas e teatros, e com a companhia j\u00e1 organizou festivais como a Mostra de Palha\u00e7os do Pantanal &#8211; Pantalha\u00e7os. Anderson \u00e9 outro artista que recorreu ao benef\u00edcio da Lei Aldir Blanc para poder realizar o projeto <a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/andersonlima_cg\/channel\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Campo do Riso<\/a>, uma s\u00e9rie de <em>lives<\/em> com palha\u00e7os de outros estados brasileiros e da Argentina, que depois de feitas ser\u00e3o transformadas em podcast e um livro digital com os principais pontos das conversas sobre o of\u00edcio do riso.<\/p>\n\n\n\n<p>O Campo do Riso pode n\u00e3o ser voltado ao p\u00fablico geral mas traz conte\u00fado importante para a forma\u00e7\u00e3o de novos profissionais do riso. Para Anderson Lima as <em>lives<\/em>, o <em>podcast<\/em> e o livro digital servem como material de apoio. \u201cAs conversas abordam pontos conceituais fundamentais para quem trabalha no of\u00edcio da palha\u00e7aria e mesmo para quem n\u00e3o trabalha \u00e9 poss\u00edvel conseguir entender os processos, quais os caminhos o palha\u00e7o percorre para exercer o of\u00edcio da palha\u00e7aria. Ent\u00e3o creio que \u00e9 um documento importante para pesquisa\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Para o ator a Lei Aldir Blanc foi um marco para os artistas e a classe pol\u00edtica no Brasil, porque em virtude da pandemia havia urg\u00eancia e necessidade de que ela fosse desburocratizada. Ele diz, no entanto, que os problemas come\u00e7aram quando saiu o decreto federal regulamentando a lei, pois \u201ca burocratiza\u00e7\u00e3o foi muito grande e chegou nos estados, principalmente no estado do Mato Grosso do Sul com burocracia e repeti\u00e7\u00e3o de atrasos que acabaram complicando a vida dos artistas que precisavam acessar esse recurso\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p><strong><span style=\"color:#ffffff\" class=\"tadv-color\">Diversidade digital<\/span><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Para a produtora cultural Ana Ostapenko, a Lei Aldir Blanc foi um marco para a popula\u00e7\u00e3o LGBTQIA+ por ter uma categoria que contemplava projetos espec\u00edficos para tal p\u00fablico. O projeto produzido por Ana \u00e9 a \u201cMostra Apollo Black de Cultura LGBTQIA+\u201d. Organizada pela Casa Satine, a mostra \u00e9 uma homenagem \u00e0 <em>drag queen<\/em> Apollo Black, assassinada em 2019 em um crime at\u00e9 hoje sem solu\u00e7\u00e3o. O evento foi transmitido pelo <a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/c\/CasaSatine\/videos\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><em>YouTube<\/em> da Casa Satine<\/a> e contemplou 30 artistas LGBTQIA+ de Campo Grande nas categorias performance, dan\u00e7a, teatro, m\u00fasica e circo.<\/p>\n\n\n\n<p>De acordo com Ana a Mostra \u00e9 um dos projetos que promoveu maior distribui\u00e7\u00e3o de renda entre os artistas na esfera municipal. \u201cA gente conseguiu pagar um cach\u00ea relativamente bom, foram 500 reais para 30 artistas LGBT que estavam h\u00e1 um ano sem exercer suas fun\u00e7\u00f5es. Todos queriam que o evento fosse presencial, com p\u00fablico, mas o online foi o jeito que conseguimos encontrar para fazer o evento. E a inten\u00e7\u00e3o \u00e9 fazer com que ano que vem aconte\u00e7a novamente, com a presen\u00e7a de p\u00fablico, caso a pandemia permita\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Durante a mostra, foram realizadas oficinas de arte e cultura LGBTQIA+ como a roda de conversa LGBTQIArte \u2013 a hist\u00f3ria da Arte e da Cultura <em>Queer<\/em> com Anderson Bosh, a oficina de <em>Vogue<\/em> e dan\u00e7as <em>Queer<\/em> com Roger Pacheco e a oficina de Maquiagem com Rana Foratto, entre outras atividades online.<\/p>\n\n\n\n<p><strong><span style=\"color:#ffffff\" class=\"tadv-color\">O futuro \u00e9 digital<\/span><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>O m\u00fasico e produtor Gilson Esp\u00edndola acredita que ap\u00f3s a pandemia da Covid-19, o formato virtual das apresenta\u00e7\u00f5es musicais \u2013 as <em>lives<\/em> \u2013 vai permanecer. A expectativa com o novo formato \u00e9 tanta que Gilson adaptou seu est\u00fadio em fun\u00e7\u00e3o da possibilidade de se fazer <em>lives<\/em> no futuro. \u201cNada impede o m\u00fasico de negociar um show remoto, uma apresenta\u00e7\u00e3o em um bar ou numa festa particular. A quest\u00e3o \u00e9 como organizar a transmiss\u00e3o para um determinado local a partir do est\u00fadio. As possibilidades incluem a exibi\u00e7\u00e3o de shows em mais de um bar, em festas familiares. Tudo que precisa \u00e9 uma boa internet e onde transmitir\u201d, ressalta Gilson.<\/p>\n\n\n\n<p>O m\u00fasico testou a adapta\u00e7\u00e3o do est\u00fadio com as <em>lives<\/em> do Festival \u201c<a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/channel\/UCAd2ihI0o2Oj9PSd6rQn1iw\/videos\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">O canto delas<\/a>\u201d, organizado pelo primo, tamb\u00e9m m\u00fasico e produtor, Jerry Esp\u00edndola. A iniciativa foi contemplada com recursos da Lei Aldir Blanc e trouxe 12 cantoras sul-mato-grossenses em exibi\u00e7\u00f5es que podem ser vistas no <em>YouTube<\/em> do projeto.<\/p>\n\n\n\n<p>drocken@gmail.com<br>waldir.rosa@uol.com.br <br><a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/marinacozta\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">@marinacozta<\/a><\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-buttons is-layout-flex wp-block-buttons-is-layout-flex\">\n<div class=\"wp-block-button\"><a class=\"wp-block-button__link\" href=\"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/projetil-96\/\">VOLTAR PARA EDI\u00c7\u00c3O 96<\/a><\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Como a pandemia da Covid-19 acelerou os processos de digitaliza\u00e7\u00e3o da produ\u00e7\u00e3o e distribui\u00e7\u00e3o de conte\u00fado Texto: Daniel Rockenbach | Waldir Rosa A pandemia da Covid-19 alterou a rotina de todos e uma das categorias mais afetadas foi a classe art\u00edstica. Sem a possibilidade de realiza\u00e7\u00e3o de shows e eventos em tempos de isolamento social, [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":35,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[21],"tags":[],"class_list":["post-1023","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-reportagem-96"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1023","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-json\/wp\/v2\/users\/35"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1023"}],"version-history":[{"count":8,"href":"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1023\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":1281,"href":"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1023\/revisions\/1281"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1023"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1023"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1023"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}