{"id":1054,"date":"2021-06-24T11:07:56","date_gmt":"2021-06-24T15:07:56","guid":{"rendered":"https:\/\/jornalismo.ufms.br\/projetil\/?p=1054"},"modified":"2021-07-07T11:12:24","modified_gmt":"2021-07-07T15:12:24","slug":"familias-fora-do-armario","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/familias-fora-do-armario\/","title":{"rendered":"Fam\u00edlias fora do arm\u00e1rio"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"has-text-align-center\"><span style=\"color:#e02828\" class=\"tadv-color\"><strong>Texto: Emily Lima | Raissa Quinhonez<\/strong><\/span><br><span style=\"color:#e02828\" class=\"tadv-color\"><strong>Ilustra\u00e7\u00e3o: Emily Lima<\/strong><\/span><\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator aligncenter is-style-default\"\/>\n\n\n\n<p>\u00c9 paradoxal a situa\u00e7\u00e3o das pessoas LGBTQIA+ no Brasil. De um lado, o pa\u00eds desfruta de conquistas legais bem acima da m\u00e9dia mundial; de outro, registra 237 assassinatos de pessoas LGBTQIA+ em 2020. Os dados s\u00e3o do relat\u00f3rio Observat\u00f3rio das Mortes Violentas de LGBTQIA+ No Brasil \u2013 2020, realizado pelo Grupo Gay da Bahia e pela Acontece Arte e Pol\u00edtica LGBT+, de Florian\u00f3polis. Ao redor do mundo 69 pa\u00edses entre 193, criminalizam a rela\u00e7\u00e3o entre pessoas do mesmo sexo. Apenas em 26 na\u00e7\u00f5es o casamento entre pessoas homoafetivas \u00e9 permitido, e em 30 a ado\u00e7\u00e3o de crian\u00e7as por casais homossexuais \u00e9 legal. No Brasil, tanto casamento quanto ado\u00e7\u00e3o s\u00e3o permitidos por lei.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"580\" src=\"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/06\/ilustracao-familias-p-1024x580.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-1140\" srcset=\"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/06\/ilustracao-familias-p-1024x580.jpg 1024w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/06\/ilustracao-familias-p-300x170.jpg 300w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/06\/ilustracao-familias-p-768x435.jpg 768w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/06\/ilustracao-familias-p-400x227.jpg 400w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/06\/ilustracao-familias-p.jpg 1200w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p>A urg\u00eancia de retratar uma minoria faz parte de um contexto patriarcal, conservador e retr\u00f3grado que ano ap\u00f3s ano reprime a express\u00e3o de sexualidades al\u00e9m da heteronormatividade. Pois apesar de que nos \u00faltimos 18 anos tenha dobrado o n\u00famero de personagens LGBTQIA+ nas telenovelas brasileiras \u2013 de acordo com uma colet\u00e2nea divulgada pela revista Mundo Estranho, com dados dos sites Mem\u00f3ria Globo e Teledramaturgia \u2013 esses folhetins ainda apresentam pouca pluralidade de g\u00eanero e costumam refor\u00e7ar narrativas baseadas em estere\u00f3tipos.<\/p>\n\n\n\n<p>As redes sociais v\u00eam na contram\u00e3o. Alias pessoas criam o seu pr\u00f3prio espa\u00e7o e t\u00eam a op\u00e7\u00e3o de mostrar aquilo que querem que o p\u00fablico saiba. E muito mais do que expor suas viv\u00eancias, h\u00e1 quem procure por elas, queira se sentir representado ou apenas busque saber que viver de determinado modo \u00e9 poss\u00edvel.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 o caso de Francieli Maria e Ana Salton, juntas desde 2012 e que em 2019 concretizaram o sonho de adotar um filho. Quando o processo de ado\u00e7\u00e3o come\u00e7ou, elas j\u00e1 acompanhavam alguns perfis de homoparentalidade que compartilhavam nas redes sociais informa\u00e7\u00f5es e acolhimento pelas viv\u00eancias. Quando Miguel chegou o casal criou um perfil &nbsp;no<em> Instagram<\/em> com o intuito de mostrar \u00e0 outras pessoas que \u00e9 poss\u00edvel, sendo LGBTQIA+, adotar uma crian\u00e7a e formar uma fam\u00edlia. Neste contexto, a rede social tornou-se uma ferramenta indispens\u00e1vel para a fam\u00edlia, como representatividade e troca de viv\u00eancias reais.<\/p>\n\n\n\n<p>No Brasil, h\u00e1 pelo menos 32 mil fam\u00edlias homoafetivas formadas por duas m\u00e3es, o que representa 53,8% do total de casais LGBTQI+, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estat\u00edstica. Al\u00e9m de todo o amor e disposi\u00e7\u00e3o necess\u00e1rios para dar uma nova fam\u00edlia a uma crian\u00e7a, s\u00e3o exigidas documenta\u00e7\u00f5es e etapas que incluem entrevistas, preparos psicossociais e at\u00e9 um \u2018teste\u2019 que ir\u00e1 analisar se a crian\u00e7a ir\u00e1 se adequar \u00e0 vida em fam\u00edlia. Atrav\u00e9s da internet, mais do que compartilhar informa\u00e7\u00f5es sobre o processo da ado\u00e7\u00e3o, Francieli e Ana compartilham seu lar, o crescimento e aprendizado de seu filho, conectando sua realidade com a de outras fam\u00edlias.<\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m da ado\u00e7\u00e3o, o casal tamb\u00e9m se preparou para lidar com o preconceito e explicar para o mundo que o que caracteriza uma fam\u00edlia n\u00e3o \u00e9 simplesmente o tipo de sangue que corre nas veias, mas aquilo que \u00e9 feito no dia a dia e demonstra um la\u00e7o inquebr\u00e1vel de carinho e amor. Francieli ressalta que criaram o perfil para expor que \u00e9 poss\u00edvel, e que a fam\u00edlia dela existe. Ela acredita que \u00e9 importante criar um \u2018espa\u00e7o seguro\u2019, mesmo que seja online, para que outras pessoas se sintam conectadas.<\/p>\n\n\n\n<p>Neste arco-\u00edris amb\u00edguo de direitos conquistados, de um lado h\u00e1 viol\u00eancia e preconceito contra LGBTs, e do outro o Brasil avan\u00e7a, mesmo que vagaroso. A fam\u00edlia \u00e9 a base da nossa vida, \u00e9 para onde voltamos quando os problemas nos derrubam, \u00e9 onde deveriam estar os que nos acolhem. \u00c9 um lugar que deveria ser seguro independente da sua configura\u00e7\u00e3o: dois pais, duas m\u00e3es, pai e m\u00e3e, m\u00e3e solo, pai solo. Todas as fam\u00edlias \u2013 o que inclui as homoafetivas \u2013 querem apenas ser respeitadas.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-buttons is-layout-flex wp-block-buttons-is-layout-flex\">\n<div class=\"wp-block-button is-style-fill\"><a class=\"wp-block-button__link has-background-color has-text-color\" href=\"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/projetil-96\/\" rel=\"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/projetil-96\/\">VOLTAR PARA EDI\u00c7\u00c3O 96<\/a><\/div>\n<\/div>\n\n\n\n<p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Texto: Emily Lima | Raissa QuinhonezIlustra\u00e7\u00e3o: Emily Lima \u00c9 paradoxal a situa\u00e7\u00e3o das pessoas LGBTQIA+ no Brasil. De um lado, o pa\u00eds desfruta de conquistas legais bem acima da m\u00e9dia mundial; de outro, registra 237 assassinatos de pessoas LGBTQIA+ em 2020. 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