{"id":1171,"date":"2021-06-28T15:34:23","date_gmt":"2021-06-28T19:34:23","guid":{"rendered":"https:\/\/jornalismo.ufms.br\/projetil\/?p=1171"},"modified":"2021-06-28T17:47:20","modified_gmt":"2021-06-28T21:47:20","slug":"o-uso-exagerado-de-tecnologia-na-infancia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/o-uso-exagerado-de-tecnologia-na-infancia\/","title":{"rendered":"O uso exagerado de tecnologia na inf\u00e2ncia"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"has-text-align-center\"><span style=\"color:#e02828\" class=\"tadv-color\">Texto: Gabriel Neri (gabriel.neri@ufms.br) | Leandra Mergener (lemerg1211@gmail.com<\/span><br><span style=\"color:#e02828\" class=\"tadv-color\">Ilustra\u00e7\u00f5es: <a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/bianca_esquilartes\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Bianca Esquivel<\/a> e <a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/www.instagram.com\/syunoi\/\" target=\"_blank\">SYUNOI<\/a> (Sara Welter)<\/span><\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator\"\/>\n\n\n\n<p>Hoje, tem se tornado bastante comum ver dispositivos m\u00f3veis como smartphones e tablets sendo usados por pessoas de todas as idades. Isso vale desde os mais idosos at\u00e9 os mais jovens. O Brasil, segundo pesquisa da Funda\u00e7\u00e3o Get\u00falio Vargas (FGV) de 2020, tem mais de um \u2018telefone inteligente\u2019 \u2013 ou smartphone \u2013 por pessoa, totalizando 234 milh\u00f5es de aparelhos para 213 milh\u00f5es de habitantes. Desse modo, os dispositivos est\u00e3o ao alcance de quase toda a popula\u00e7\u00e3o e as crian\u00e7as n\u00e3o s\u00e3o exclu\u00eddas. Na \u2018correria\u2019 do dia a dia ou na hora de um passeio, \u00e9 complicado prender a aten\u00e7\u00e3o delas por falta de tempo, cansa\u00e7o ap\u00f3s os afazeres ou criatividade dos respons\u00e1veis.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"900\" height=\"675\" src=\"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/06\/brincando-1.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-1185\" srcset=\"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/06\/brincando-1.jpg 900w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/06\/brincando-1-300x225.jpg 300w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/06\/brincando-1-768x576.jpg 768w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/06\/brincando-1-400x300.jpg 400w\" sizes=\"auto, (max-width: 900px) 100vw, 900px\" \/><figcaption>Ilustra\u00e7\u00e3o: <a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/bianca_esquilartes\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Bianca Esquivel<\/a><\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p>No entanto, os aparelhos eletr\u00f4nicos n\u00e3o s\u00e3o uma novidade para aqueles que nasceram depois dos anos 1990, a chamada \u2018gera\u00e7\u00e3o Z\u2019. Antes de existirem celulares com aplicativos e jogos, haviam outros dispositivos para \u2018distrair\u2019 as crian\u00e7as. No s\u00e9culo XX, as televis\u00f5es criaram uma programa\u00e7\u00e3o infantil. Anos depois surgiram os primeiros videogames, como o Super Nintendo, PlayStation, Mega Drive e outros, al\u00e9m dos computadores pessoais com sua diversidade de aplicativos. Todos passaram a ser usados pelos adultos para ocupar o tempo e distrair os mais jovens.<\/p>\n<p>Mas a inf\u00e2ncia antes dessas tecnologias era marcada mais por brincadeiras motoras, que estimulavam a movimenta\u00e7\u00e3o. Elas envolviam bolas, carrinhos, bonecas, montagem de pe\u00e7as, entre outras atividades.<\/p>\n<p>Quando as divers\u00f5es eletr\u00f4nicas surgem o controle do que a crian\u00e7a consumia estava condicionado aos pais, especialmente com a televis\u00e3o. Mas conforme a tecnologia evoluiu, passamos a ter menos aparelhos \u2018coletivos\u2019 e mais dispositivos pessoais. Al\u00e9m disso, as mudan\u00e7as econ\u00f4micas promovidas pelo capitalismo obrigaram os respons\u00e1veis a sa\u00edrem de casa para trabalhar e sustentar a casa. Assim, a tecnologia passa a ter um papel primordial no dia a dia, preenchendo uma lacuna da presen\u00e7a dos pais na vida cotidiana dos mais novos. E mesmo quando reconhecemos a import\u00e2ncia de saber usar os novos dispositivos tecnol\u00f3gicos de modo a n\u00e3o \u2018parar no tempo\u2019, \u00e9 preciso pensar e definir limites do uso que n\u00e3o deveriam ser extrapolados.<\/p>\n<p>Atualmente, pela mudan\u00e7a de h\u00e1bitos, algumas brincadeiras s\u00e3o preteridas em detrimento das telas. Isso \u00e9 ilustrado em n\u00fameros da AVG Technologies atrav\u00e9s da pesquisa Digital Series realizada com fam\u00edlias de todo o mundo em 2016. Ela cita que 76% das crian\u00e7as de 3 a 5 anos que foram pesquisadas j\u00e1 sabem ligar um computador e\/ou um tablet, 73% jogam online, 42% sabem abrir um navegador e 42% sabem usar um smartphone, mas apenas 31% sabem o endere\u00e7o de casa. Na faixa et\u00e1ria dos 6 aos 9 anos elas se mostram ainda mais integradas ao mundo digital: uma em cada tr\u00eas participa do mundo digital, 15% se comunicam atrav\u00e9s de algum sistema de mensagens instant\u00e2neas e 21% usam o e-mail.<\/p>\n<p>Os efeitos negativos desse exagero precoce podem ser vistos desde cedo com a perda de algumas habilidades cognitivas, isto \u00e9, de habilidades de aprender e compreender algo, conforme mat\u00e9ria publicada no portal Drauzio Varella por Mariana Varela, editora-chefe. O uso exagerado pode ser conceituado levando em conta o tempo de intera\u00e7\u00e3o com os dispositivos. Por exemplo, se a crian\u00e7a fica acordada 15 horas por dia, estuda por quatro, faz suas tarefas por duas, toma banho e faz suas refei\u00e7\u00f5es em tr\u00eas e no restante do tempo fica somente \u2018mexendo os dedinhos\u2019, o alerta deve ser ligado. Estudo publicado na revista de sa\u00fade pedi\u00e1trica The Lancet Child &amp; Adolescent Health indica que crian\u00e7as devem ficar no m\u00e1ximo duas horas em frente a uma tela.<\/p>\n<p>Ao analisar a rela\u00e7\u00e3o entre crian\u00e7as e tecnologias, o psic\u00f3logo norte-americano Jim Taylor, estudioso da tecnologia no desenvolvimento infantil, aponta que a gera\u00e7\u00e3o atual est\u00e1 menos altru\u00edsta, menos preocupada com o outro. \u201cA tecnologia parece minar o desenvolvimento das crian\u00e7as nesses relacionamentos fundamentais nesta fase de vida\u201d, relata Taylor em entrevista ao site Desenvolvimento do Beb\u00ea. Al\u00e9m disso, ele cita que tem havido aumento no individualismo e decl\u00ednio na empatia entre os jovens porque as crian\u00e7as ficam mais tempo conectadas aos eletr\u00f4nicos, \u2018esquecendo\u2019 das outras pessoas e do mundo ao redor, ou seja, sendo individualistas por causa da tecnologia.<\/p>\n<p>Outro ponto a ser analisado na intera\u00e7\u00e3o exagerada com aparelhos eletr\u00f4nicos s\u00e3o os problemas de sa\u00fade que podem decorrer desse uso cont\u00ednuo e\/ou exagerado, como obesidade, sedentarismo, ins\u00f4nia, agressividade, hiperatividade e problemas de aten\u00e7\u00e3o segundo a ag\u00eancia do governo brit\u00e2nico Public Health England (PHE). Outros dist\u00farbios, tamb\u00e9m segundo a PHE, s\u00e3o a depress\u00e3o, ansiedade e baixa autoestima. Al\u00e9m de doen\u00e7as que est\u00e3o surgindo com esse cen\u00e1rio da tecnologia atual, como a que vem sendo chamada de &#8216;medo de perder\u2019, um tipo de ansiedade social que faz as crian\u00e7as n\u00e3o se desligarem dos aparelhos, e a \u2018dem\u00eancia digital\u2019, que provoca razo\u00e1vel perda nas habilidades cognitivas e da mem\u00f3ria.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"304\" src=\"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/06\/brincando-2-1024x304.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-1187\" srcset=\"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/06\/brincando-2-1024x304.jpg 1024w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/06\/brincando-2-300x89.jpg 300w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/06\/brincando-2-768x228.jpg 768w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/06\/brincando-2-400x119.jpg 400w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/06\/brincando-2.jpg 1200w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><figcaption>Ilustra\u00e7\u00e3o: <a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/syunoi\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">SYUNOI<\/a> (Sara Welter)<\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p>Portanto, o problema n\u00e3o \u00e9 a utiliza\u00e7\u00e3o de um dispositivo, mas o exagero. Em um contexto atual de pandemia, onde se passa muito mais tempo em casa, a intera\u00e7\u00e3o com amigos e fam\u00edlia, jogos online, filmes e redes sociais s\u00e3o importantes. No entanto, a Covid-19 s\u00f3 agravou, n\u00e3o sendo o come\u00e7o e nem o final de nossa rela\u00e7\u00e3o com esses aparelhos, posto que a vida online tornou-se cultural para jovens, adultos ou idosos. S\u00f3 que perder o limite da exposi\u00e7\u00e3o a longo prazo traz preju\u00edzos, especialmente para quem ainda nem conheceu a vida adulta. Os respons\u00e1veis por essas crian\u00e7as devem ter isso em mente ao ver o filho compenetrado somente em \u2018mexer os dedinhos\u2019 num aparelho.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-buttons is-layout-flex wp-block-buttons-is-layout-flex\">\n<div class=\"wp-block-button\"><a class=\"wp-block-button__link\" href=\"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/projetil-96\/\">VOLTAR PARA EDI\u00c7\u00c3O 96<\/a><\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Texto: Gabriel Neri (gabriel.neri@ufms.br) | Leandra Mergener (lemerg1211@gmail.comIlustra\u00e7\u00f5es: Bianca Esquivel e SYUNOI (Sara Welter) Hoje, tem se tornado bastante comum ver dispositivos m\u00f3veis como smartphones e tablets sendo usados por pessoas de todas as idades. Isso vale desde os mais idosos at\u00e9 os mais jovens. 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