{"id":1317,"date":"2021-11-24T14:15:09","date_gmt":"2021-11-24T18:15:09","guid":{"rendered":"https:\/\/jornalismo.ufms.br\/projetil\/?p=1317"},"modified":"2021-12-07T15:28:37","modified_gmt":"2021-12-07T19:28:37","slug":"da-ascensao-ao-cancelamento-virtual","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/da-ascensao-ao-cancelamento-virtual\/","title":{"rendered":"Da ascens\u00e3o ao cancelamento virtual"},"content":{"rendered":"\n<h4 class=\"has-text-align-center wp-block-heading\">As constru\u00e7\u00f5es de amor e \u00f3dio instant\u00e2neos nas redes sociais entre p\u00fablico e influenciadores digitais<\/h4>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center has-accent-color has-text-color\"><strong>Texto: Ana Tortoza | Carlos Bastos | Caroline de Paula Sousa<br>Ilustra\u00e7\u00e3o:<\/strong> <strong><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/www.instagram.com\/marinacozta\/\" data-type=\"URL\" data-id=\"https:\/\/www.instagram.com\/marinacozta\/\" target=\"_blank\">MARIN<\/a><\/strong><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/www.instagram.com\/marinacozta\/\" data-type=\"URL\" data-id=\"https:\/\/www.instagram.com\/marinacozta\/\" target=\"_blank\"><strong>A COZTA<\/strong><\/a><\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator\"\/>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image is-style-default\"><figure class=\"aligncenter size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"311\" height=\"1024\" src=\"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/11\/Ilustracao-Reportagem-Influencers-311x1024.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-1636\" srcset=\"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/11\/Ilustracao-Reportagem-Influencers-311x1024.png 311w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/11\/Ilustracao-Reportagem-Influencers-91x300.png 91w\" sizes=\"auto, (max-width: 311px) 100vw, 311px\" \/><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p>Influenciadores digitais s\u00e3o figuras p\u00fablicas presentes nas redes sociais que sugerem e motivam seguidores \u2013 geralmente fi\u00e9is, engajados e em n\u00famero expressivo &#8211; orientam decis\u00f5es, consumo e comportamentos por meio de suas postagens. Ao promover di\u00e1logos cotidianos e vender padr\u00f5es de estilo de vida, gostos e produtos, eles desempenham naqueles que os acompanham, autoridade, conhecimento, proximidade e inspira\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-audio\"><audio controls src=\"http:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/11\/sarah1.mp3\"><\/audio><figcaption>A influenciadora digital Sarah Santos explica a defini\u00e7\u00e3o do of\u00edcio<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>Na era em que a internet reproduz de maneira potencializada comportamentos, pensamentos e escolhas pr\u00e1ticas, o clima nas redes sociais tem se moldado de maneira expressiva em raz\u00e3o da decis\u00e3o coletiva de exaltar e, ou, atacar usu\u00e1rios, em especial pessoas p\u00fablicas. Essa cultura de julgamentos precoces adv\u00e9m da evolu\u00e7\u00e3o das intera\u00e7\u00f5es pessoais nos meios tecnol\u00f3gicos, atrav\u00e9s do acesso \u00e0s redes sociais capazes de conectar indiv\u00edduos globalmente, modificando os modos de vida que, como apresentado pelo<span style=\"color: #ff0000\"> <a style=\"color: #ff0000\" href=\"https:\/\/www.fronteiras.com\/entrevistas\/manuel-castells-a-comunicacao-em-rede-esta-revitalizando-a-democracia\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">soci\u00f3logo Manuel Castells<\/a><\/span> na obra \u201cA sociedade em rede\u201d, s\u00e3o estimulados por grupos de pessoas que transformam a economia, pol\u00edtica, cultura e rela\u00e7\u00f5es sociais.<\/p>\n\n\n\n<p>De acordo com pesquisa da Digital 21 publicada em janeiro de 2021, 70,3% da popula\u00e7\u00e3o brasileira faz uso de alguma rede social no seu dia a dia, somando cerca de 150 milh\u00f5es de usu\u00e1rios. A intera\u00e7\u00e3o entre usu\u00e1rios \u00e9 o principal atrativo delas, que \u00e9 obtida pela cria\u00e7\u00e3o e simula\u00e7\u00e3o de conv\u00edvios entre grupos sociais que, na maioria das vezes, n\u00e3o necessitam de encontros presenciais ou rela\u00e7\u00f5es mais profundas de reconhecimento e afeto, transferindo essas sensa\u00e7\u00f5es tamb\u00e9m aos influenciadores digitais \u201cque constroem aparentes rela\u00e7\u00f5es afetivas self service\u201d, ou seja, superficiais e r\u00e1pidas, explica a professora e soci\u00f3loga da Universidade Estadual Paulista (UNESP) Maria Chaves Jardim, pesquisadora em socioan\u00e1lise das emo\u00e7\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p>Ela ressalta que os la\u00e7os sociais prevalecem nas rela\u00e7\u00f5es, sendo a rede um espa\u00e7o de manuten\u00e7\u00e3o e reprodu\u00e7\u00e3o de comportamentos e sentimentos anteriores \u00e0 sua exist\u00eancia. A rede, assim, n\u00e3o cria impulsos, sensa\u00e7\u00f5es ou sentimentos, sendo \u201capenas uma ferramenta que reproduz c\u00f3digos culturais que ganham certa efemeridade, sendo os fen\u00f4menos de \u00f3dio e amor constitu\u00eddos e alimentados socialmente em qualquer dos meios\u201d &#8211; sejam anal\u00f3gicos ou digitais, explica Jardim.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-audio aligncenter\"><audio controls src=\"http:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/11\/maria1.mp3\"><\/audio><figcaption>A soci\u00f3loga esclarece como os c\u00f3digos culturais determinam comportamentos e rela\u00e7\u00f5es nas redes<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>Para a jornalista e influenciadora digital sobre inclus\u00e3o de pessoas com defici\u00eancia<span style=\"background-color: #000000;color: #ff0000\"> <a style=\"background-color: #000000;color: #ff0000\" href=\"https:\/\/www.instagram.com\/soupassarinha\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Sarah Santos de Jesus<\/a><\/span>, 23, que soma 44,5 mil seguidores no Instagram e 243,5 mil no TikTok, h\u00e1 a constru\u00e7\u00e3o de hero\u00edna atribu\u00edda a sua imagem p\u00fablica pelos seguidores baseada no estere\u00f3tipo de pessoas com defici\u00eancia. De acordo com dados do Instituto de Geografia e Estat\u00edstica (IBGE) de 2019, aproximadamente 25% dos brasileiros t\u00eam algum tipo de defici\u00eancia, somando 45 milh\u00f5es de pessoas. Tais compreens\u00f5es superficiais, no entanto, levam a coment\u00e1rios e intera\u00e7\u00f5es que podem passar despercebidas no dia a dia, mas que s\u00e3o problem\u00e1ticas e exigem di\u00e1logos para conscientiza\u00e7\u00e3o. &#8220;V\u00eddeos meus fazendo coisas do dia a dia [&#8230;] lavando lou\u00e7a, estudando, cozinhando, sempre viralizam e fazem as pessoas me colocarem na posi\u00e7\u00e3o de hero\u00edna\u201d, aponta. A jornalista ainda destaca que esse \u00e9 o conte\u00fado que mais gosta de produzir, j\u00e1 que pode ajudar na normaliza\u00e7\u00e3o das atividades cotidianas realizadas por pessoas com defici\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter size-full\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/11\/Influencer-Sarah-Santos.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-1633\"\/><figcaption>Sarah Santos investiu fortemente no mercado de influencer digital a partir de 2020 &#8211; Foto: Messias Ferreira<\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p>Nas redes, e at\u00e9 fora delas, h\u00e1 a forma\u00e7\u00e3o de \u2018bolhas sociais\u2019, ou seja, grupos compostos por pessoas que partilham valores, culturas, cren\u00e7as, gostos e h\u00e1bitos. Dentro desses grupos \u2013 ou bolhas \u2013 as p\u00e1ginas navegadas, mensagens trocadas, imagens curtidas e compartilhadas, direcionam os conte\u00fados que s\u00e3o ofertados diariamente. Essa retroalimenta\u00e7\u00e3o constante limita o contato com o diferente, com o novo, j\u00e1 que os conte\u00fados e usu\u00e1rios s\u00f3 s\u00e3o considerados relevantes quando se encaixam em intera\u00e7\u00f5es j\u00e1 existentes. As redes orientam esse tipo de relacionamento por meio dos algoritmos, que priorizam conte\u00fados similares \u00e0quilo que o p\u00fablico-alvo j\u00e1 consome.<\/p>\n\n\n\n<h5 style=\"text-align: center;\"><span style=\"color: #ff0000;\">\u201cAs redes n\u00e3o deveriam nos surpreender ou chocar. Elas reproduzem pensamentos e comportamentos socialmente constru\u00eddos.\u201d \u2013 Prof\u00aa Maria Chaves Jardim<\/span><\/h5>\n\n\n\n<p>Segundo os pesquisadores Bruno Pellizzari e Irineu Barreto J\u00fanior \u201ccom o crescimento da internet esse fen\u00f4meno [de bolhas sociais] se intensifica. Entretanto, t\u00eam-se o sentimento de que, antes, a conviv\u00eancia dos que pensavam diferente era menos end\u00f3gena\u201d. No estudo<span style=\"color: #ff0000\"><span style=\"color: #ffffff\">,<\/span> <a style=\"color: #ff0000\" href=\"https:\/\/www.researchgate.net\/publication\/340426325_Bolhas_Sociais_e_seus_efeitos_na_Sociedade_da_Informacao_ditadura_do_algoritmo_e_entropia_na_Internet\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">publicado na Revista de Direito, Governan\u00e7a e Novas Tecnologias<\/a><\/span>, os autores tamb\u00e9m sugerem que as redes apresentam sistematicamente o que os usu\u00e1rios j\u00e1 desejavam ler ou ouvir, refor\u00e7ando conhecimentos, certezas, achismos e ideologias que n\u00e3o necessariamente estavam constru\u00eddas com profundidade ou sequer foram confrontadas com teorias ou narrativas opostas. Desta forma, as ideias ali veiculadas s\u00e3o comumente consideradas verdades absolutas por parecerem sempre com o que j\u00e1 se pensava.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>A constru\u00e7\u00e3o da identifica\u00e7\u00e3o entre seguidores e influencers<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Contando hoje com cerca de 6 mil seguidores no Instagram, a influenciadora <span style=\"color: #ff0000\"><a style=\"color: #ff0000\" href=\"https:\/\/www.instagram.com\/ingrid_bf\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Ingrid Barbosa<\/a><\/span>, 23, conta que come\u00e7ou a se dedicar \u00e0 esta atividade com a inten\u00e7\u00e3o de passar uma mensagem de representatividade para pessoas que, assim como ela, possuem psor\u00edase, doen\u00e7a cr\u00f4nica que causa les\u00f5es avermelhadas e descamativas na pele. \u201cAcho incr\u00edvel que o simples fato de conseguir fazer o que quero significa muito para quem deixa de viver por ter o mesmo problema de pele que eu\u201d.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"683\" src=\"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/11\/influencer-Ingrid-Barbosa-1024x683.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-1621\" srcset=\"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/11\/influencer-Ingrid-Barbosa-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/11\/influencer-Ingrid-Barbosa-300x200.jpg 300w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/11\/influencer-Ingrid-Barbosa-768x512.jpg 768w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/11\/influencer-Ingrid-Barbosa-400x267.jpg 400w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/11\/influencer-Ingrid-Barbosa.jpg 1200w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><figcaption>Ingrid Barbosa esclarece quest\u00f5es sobre a vida com psor\u00edase em seu perfil no Instagram &#8211; Foto: Amanda Gonzalez<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>De acordo com pesquisa publicada pelo Datafolha em outubro de 2020, apenas 6% da popula\u00e7\u00e3o brasileira consegue identificar a psor\u00edase, gerando preconceito e isolamento aos portadores. Segundo Ingrid, seu conte\u00fado e postura nas redes provocam mais debates sobre a doen\u00e7a, que acomete entre 1,10 e 1,50% dos brasileiros, segundo a Sociedade Brasileira de Dermatologia. De acordo com a influenciadora, a valoriza\u00e7\u00e3o de seu trabalho pelos seguidores \u201cpode salvar e impulsionar muitas vidas caladas por falta de inspira\u00e7\u00e3o ou por repress\u00e3o da sociedade, como ocorre com pessoas acometidas com a minha doen\u00e7a\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>O influenciador digital <span style=\"color: #ff0000\"><a style=\"color: #ff0000\" href=\"https:\/\/www.instagram.com\/henryfariasv\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Henry Farias<\/a><\/span>, que trabalha com o posicionamento de perfis e marcas nas redes sociais, conta com cerca de 4,7 mil seguidores no Instagram atualmente, avalia que \u00e9 muito importante o influencer se posicionar em acontecimentos cotidianos e de impacto social. No in\u00edcio da campanha de vacina\u00e7\u00e3o contra a COVID-19 em Corumb\u00e1, cobrou posicionamento de outros influenciadores locais e empresas para incentivar a a\u00e7\u00e3o. \u201cEu ganhei muitos seguidores. Muitas pessoas vieram me parabenizar. Empresas da cidade tamb\u00e9m, que come\u00e7aram a se levantar, a fazer promo\u00e7\u00f5es\u201d. Por\u00e9m, ele ressalta que n\u00e3o gosta da ideia das pessoas como refer\u00eancias de perfei\u00e7\u00e3o. \u201cEu n\u00e3o sou a favor da quest\u00e3o de levantar um her\u00f3i. Mas eu sou a favor, sim, de pessoas que voc\u00ea pode se inspirar em atitudes, posicionamentos\u201d.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-audio\"><audio controls src=\"http:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/11\/henry1.mp3\"><\/audio><figcaption>Henry Farias fala sobre problemas na constru\u00e7\u00e3o de refer\u00eancias e inspira\u00e7\u00f5es<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>As emo\u00e7\u00f5es que essas figuras p\u00fablicas geram em seu p\u00fablico podem atingir camadas mais profundas de identifica\u00e7\u00e3o, como no caso da Sarah. Sua m\u00e3e, que faz participa\u00e7\u00f5es especiais em publicidades e stories nos perfis da filha, certo dia foi reconhecida em uma padaria por uma m\u00e3e acompanhada do filho. A crian\u00e7a apresentava defici\u00eancia semelhante \u00e0 da influencer e pediu para conhec\u00ea-la pessoalmente. Ela acompanhava o trabalho de Sarah e se sentia representada, afinal, finalmente se via em posi\u00e7\u00e3o de destaque. \u201cDa\u00ed a gente sente que n\u00e3o estamos l\u00e1 para que voc\u00ea passe horas do seu dia assistindo tudo o que fazemos. \u00c9 uma forma de pautar comportamentos no seu dia. E se tudo isso pautar comportamentos para o bem, o meu papel foi conclu\u00eddo\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p><strong> Tribunal das redes e cultura do cancelamento<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Nas redes sociais, diversos ataques s\u00e3o direcionados \u00e0 influenciadores cotidianamente, disseminando ideias falsas e violentas que podem afet\u00e1-los psicologicamente, economicamente e at\u00e9 fisicamente. Isso vem sendo chamado de cultura do cancelamento, sendo caracterizada por um ambiente em que n\u00e3o h\u00e1 di\u00e1logo, apenas dissemina\u00e7\u00e3o de \u00f3dio e ataques \u00e0 reputa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-audio\"><audio controls src=\"http:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/11\/sarah2.mp3\"><\/audio><figcaption>Na entrevista, Sarah reflete sobre os impactos das redes sociais na sa\u00fade mental<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>Ingrid Barbosa conta que j\u00e1 sofreu com cr\u00edticas recebidas atrav\u00e9s das redes. De acordo com a influenciadora, as pessoas esperam que ela seja perfeita em tudo o que diz e faz por ocupar o lugar que ocupa, mas a realidade n\u00e3o \u00e9 bem assim. \u201cSe, por exemplo, gosto de tomar uma cerveja aos finais de semana, sou criticada por esperarem que eu tenha uma vida extremamente saud\u00e1vel e sem erros\u201d, diz.<\/p>\n\n\n\n<p>Henry Farias conta que j\u00e1 vivenciou diversos ataques em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 sua sexualidade: \u201cQuando eu abri isso [nas redes] e toquei nas causas, principalmente LGBTQIA+, fazendo postagens de conscientiza\u00e7\u00e3o, sofri ataques homof\u00f3bicos, coment\u00e1rios grotescos, ofensivos\u201d. Afirma que se sente afetado pelas atitudes e que recebe mensagens privadas em rela\u00e7\u00e3o a seu corpo, como \u201cvoc\u00ea precisa emagrecer\u201d, \u201cfa\u00e7a uma dieta\u201d ou at\u00e9 \u201cvai morrer!\u201d. \u201cInfelizmente essas pessoas acreditam que a internet \u00e9 um mundo sem lei, que voc\u00ea pode fazer e falar o que quiser\u201d. Ele tamb\u00e9m cita um v\u00eddeo de cunho pol\u00edtico que postou no TikTok e obteve 1 milh\u00e3o e 600 mil visualiza\u00e7\u00f5es que levou a diversos coment\u00e1rios agressivos e amea\u00e7adores simplesmente porque discordavam do seu posicionamento.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"800\" height=\"800\" src=\"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/11\/Influencer-Henry-Farias.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-1631\" srcset=\"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/11\/Influencer-Henry-Farias.jpg 800w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/11\/Influencer-Henry-Farias-300x300.jpg 300w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/11\/Influencer-Henry-Farias-150x150.jpg 150w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/11\/Influencer-Henry-Farias-768x768.jpg 768w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/11\/Influencer-Henry-Farias-400x400.jpg 400w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/11\/Influencer-Henry-Farias-200x200.jpg 200w\" sizes=\"auto, (max-width: 800px) 100vw, 800px\" \/><figcaption>Henry Farias produz reels e stories humorados com reflex\u00f5es sobre quest\u00f5es sociais do cotidiano &#8211; Foto: Acervo de Henry Farias<\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-audio\"><audio controls src=\"http:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/11\/henry2.mp3\"><\/audio><figcaption>O influenciador analisa as expectativas dos seguidores motivadas socialmente<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>Em ataque sofrido em junho deste ano, Henry foi v\u00edtima da a\u00e7\u00e3o massiva de haters (pessoas que disseminam discursos de \u00f3dio nas redes) que levou seu perfil de trabalho, com mais de 30,1 mil seguidores a ser banido do Instagram. Quando conseguiu recuper\u00e1-lo, o alcance havia sido reduzido devido \u00e0s diretrizes da plataforma. Ent\u00e3o decidiu criar uma nova conta para recome\u00e7ar. Ele diz que n\u00e3o sabe mensurar o peso que todos os ataques acarretaram na sua vida. \u201cEu comecei h\u00e1 dois meses atr\u00e1s um tratamento para crises de ansiedade e fa\u00e7o medita\u00e7\u00e3o. Precisei buscar ajuda m\u00e9dica porque passei por muitas coisas\u201d. Henry, contudo, diz que n\u00e3o procura rebater: \u201cEu n\u00e3o vou perder meu tempo respondendo, brigando, porque n\u00e3o vale a pena. \u00c9 um investimento emocional muito grande\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Sarah Santos conta que em seu perfil profissional recebe grande quantidade de coment\u00e1rios negativos e emojis sarc\u00e1sticos associados a discursos capacitistas. Observa que no TikTok esse problema \u00e9 mais frequente, mas que gosta da rede e do alcance que oferece. Por\u00e9m ressalta que a sensa\u00e7\u00e3o de toxicidade e a repeti\u00e7\u00e3o de um mesmo coment\u00e1rio negativo \u00e9 maior nos v\u00eddeos que posta ali. \u201c[&#8230;] N\u00e3o sei, ser\u00e1 que \u00e9 uma concord\u00e2ncia entre todos? N\u00e3o sei porque todo mundo vai l\u00e1 e faz o mesmo coment\u00e1rio seguido do outro\u201d, diz. \u201cA minha vontade de fazer esse trabalho, de conscientizar pessoas sobre inclus\u00e3o, sobre defici\u00eancia, sempre falou muito mais alto do que o quanto eu me deixo levar ou n\u00e3o pelos coment\u00e1rios ruins\u201d- completa.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-audio\"><audio controls src=\"http:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/11\/sarah3.mp3\"><\/audio><figcaption>A jornalista e influenciadora conta como reage diante dos coment\u00e1rios agressivos<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<h5 style=\"text-align: center\"><span style=\"color: #ff0000\">Os usu\u00e1rios nas redes reproduzem tamb\u00e9m discursos capacitistas, discriminando pessoas com defici\u00eancia.<\/span><\/h5>\n\n\n\n<p>Segundo a professora Maria Jardim, nesses casos n\u00e3o se deve banalizar esses comportamentos, j\u00e1 que \u201co que prevalece s\u00e3o os la\u00e7os sociais e constru\u00e7\u00f5es que independem das redes. As manifesta\u00e7\u00f5es de amor e \u00f3dio continuam enraizadas socialmente e s\u00f3 podem ser superadas ou ressignificadas dentro da sociedade\u201d. Nesse sentido, \u00e9 perigoso e superficial observar as manifesta\u00e7\u00f5es extremas como insignificantes ou passageiras j\u00e1 que elas refletem a realidade social do nosso tempo. As redes sociais \u00e9 uma ferramenta que nada cria sozinha, apenas \u201creproduz c\u00f3digos culturais\u201d, ganhando certas fragilidades na pr\u00e1tica por ser humana, verdadeira e preocupante, explica a professora.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"683\" src=\"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/11\/Imagem-maria-jardim-1024x683.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-1619\" srcset=\"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/11\/Imagem-maria-jardim-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/11\/Imagem-maria-jardim-300x200.jpg 300w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/11\/Imagem-maria-jardim-768x512.jpg 768w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/11\/Imagem-maria-jardim-400x267.jpg 400w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/11\/Imagem-maria-jardim.jpg 1200w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><figcaption>Professora de Sociologia do Amor, Maria Jardim trabalha tamb\u00e9m com as constru\u00e7\u00f5es do amor nos aplicativos de relacionamentos &#8211; Foto: Luana Di Pires \/ acervo de Maria Jardim<\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p><strong>O significado das a\u00e7\u00f5es e discursos nas redes<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A pesquisadora da Unesp sugere que devemos nos atentar aos comportamentos impregnados nas redes j\u00e1 que muitos deles carregam a cultura do amor rom\u00e2ntico de maneira idealizada e problem\u00e1tica. Veiculam tamb\u00e9m mensagens com apar\u00eancias construtivas, mas que carregam \u00f3dio, ci\u00fame, inveja, posse e viol\u00eancias, geralmente direcionadas \u00e0s figuras femininas e minorias. \u201cOu at\u00e9 o usu\u00e1rio pode carregar um discurso de milit\u00e2ncia e sensibilidade com povos minorit\u00e1rios e marginalizados s\u00f3 por ego e autopromo\u00e7\u00e3o\u201d. \u00c9 por isso que se faz importante analisar a pr\u00e1tica da sociedade como um todo e n\u00e3o apenas os discursos j\u00e1 que estes podem esconder as reais inten\u00e7\u00f5es de quem comunica.<\/p>\n\n\n\n<p>Todas essas sensa\u00e7\u00f5es e sentimentos vivenciados tamb\u00e9m nos espa\u00e7os virtuais, n\u00e3o produzem \u2018amores l\u00edquidos\u2019, ou seja, n\u00e3o s\u00e3o r\u00e1pidos e superficiais como as velozes rela\u00e7\u00f5es das redes, mas sentimentos profundos e antigos alimentados diariamente. Maria Jardim explica que, em fun\u00e7\u00e3o disso, toda reflex\u00e3o sobre como os grupos se tratam e constituem, assim como expressam seus amores, \u00f3dios e inspira\u00e7\u00f5es, deve ser uma atividade na vida real que nos educa para a pr\u00e1tica social nas redes.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-buttons is-layout-flex wp-block-buttons-is-layout-flex\">\n<div class=\"wp-block-button\"><a class=\"wp-block-button__link\" href=\"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/projetil-97\/\">voltar para edi\u00e7\u00e3o 97<\/a><\/div>\n<\/div>\n\n\n\n<p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>As constru\u00e7\u00f5es de amor e \u00f3dio instant\u00e2neos nas redes sociais entre p\u00fablico e influenciadores digitais Texto: Ana Tortoza | Carlos Bastos | Caroline de Paula SousaIlustra\u00e7\u00e3o: MARINA COZTA Influenciadores digitais s\u00e3o figuras p\u00fablicas presentes nas redes sociais que sugerem e motivam seguidores \u2013 geralmente fi\u00e9is, engajados e em n\u00famero expressivo &#8211; orientam decis\u00f5es, consumo e [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":35,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[22],"tags":[],"class_list":["post-1317","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-reportagem-97"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1317","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-json\/wp\/v2\/users\/35"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1317"}],"version-history":[{"count":82,"href":"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1317\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":1901,"href":"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1317\/revisions\/1901"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1317"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1317"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1317"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}