{"id":1420,"date":"2021-11-24T16:44:03","date_gmt":"2021-11-24T20:44:03","guid":{"rendered":"https:\/\/jornalismo.ufms.br\/projetil\/?p=1420"},"modified":"2021-12-07T14:46:37","modified_gmt":"2021-12-07T18:46:37","slug":"o-pesquisador-brasileiro","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/o-pesquisador-brasileiro\/","title":{"rendered":"O pesquisador brasileiro"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"has-text-align-center\"><strong><span style=\"color:#e02828\" class=\"tadv-color\">Carlos Eduardo Ribeiro<\/span><\/strong><\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator\"\/>\n\n\n\n<p>O cen\u00e1rio atual da pesquisa cientifica no pa\u00eds revela uma grave precariza\u00e7\u00e3o, resultado da falta de investimento p\u00fablico no setor. Al\u00e9m disso, a desinforma\u00e7\u00e3o e o negacionismo cient\u00edfico extrapolam o discurso, tendo em vista o sistem\u00e1tico boicote \u00e0 ci\u00eancia durante a pandemia e o tr\u00e1gico resultado dessa a\u00e7\u00e3o, que culminou, por exemplo, na morte de milhares brasileiros, durante a pandemia de Covid-19. A supera\u00e7\u00e3o desses obst\u00e1culos, geralmente, vem da a\u00e7\u00e3o obstinada de pesquisadores brasileiros que acreditam na ci\u00eancia como uma ferramenta essencial no desenvolvimento humano.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"700\" height=\"525\" src=\"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/11\/pesquisador.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-1718\" srcset=\"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/11\/pesquisador.jpg 700w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/11\/pesquisador-300x225.jpg 300w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/11\/pesquisador-400x300.jpg 400w\" sizes=\"auto, (max-width: 700px) 100vw, 700px\" \/><figcaption>Foto: <a href=\"https:\/\/rainforestjournalismfund.org\/pt-br\/people\/izabel-santos\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Izabel Santos<\/a> \/ <a href=\"https:\/\/amazoniareal.com.br\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Amaz\u00f4nia Real<\/a> \/ <a href=\"https:\/\/fotospublicas.com\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">FotosPublicas<\/a><\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p>Desde o in\u00edcio da pandemia de Covid-19, a desvaloriza\u00e7\u00e3o da ci\u00eancia, que parte de um revisionismo cient\u00edfico baseado unicamente na deturpa\u00e7\u00e3o de fatos a fim de legitimar um projeto pol\u00edtico, \u00e9 algo que ganhou notoriedade. O agravamento da crise sanit\u00e1ria, resultado de um longo processo de nega\u00e7\u00e3o dos conhecimentos cient\u00edficos, revelou a persist\u00eancia de pesquisadores brasileiros que se desdobram em suas atividades, mesmo com a escassez de verba p\u00fablica e uma deprecia\u00e7\u00e3o da ci\u00eancia brasileira e das universidades.<\/p>\n\n\n\n<p>Entretanto, o menosprezo \u00e0 ci\u00eancia n\u00e3o \u00e9 recente. Em 2016 a Emenda Constitucional 95\/2016 congelou os or\u00e7amentos p\u00fablicos com educa\u00e7\u00e3o, sa\u00fade, ci\u00eancia, tecnologia e inova\u00e7\u00e3o. Tal pol\u00edtica, tende a limitar o crescimento competitivo do pa\u00eds, contribuindo para que o Brasil recue em v\u00e1rios avan\u00e7os obtidos nas \u00faltimas duas d\u00e9cadas. Al\u00e9m disso, colabora com uma vis\u00e3o deturpada de que a ci\u00eancia seria um gasto sem retorno para a sociedade.<\/p>\n\n\n\n<p>De 2018 a 2021, houve um aumento de 40% no n\u00famero de pesquisadores que sa\u00edram do pa\u00eds para desempenhar suas fun\u00e7\u00f5es nos EUA, segundo dados do Departamento de Imigra\u00e7\u00e3o norte-americano. Essa fuga de c\u00e9rebros evid\u00eancia como a falta de investimento na ci\u00eancia compromete a supera\u00e7\u00e3o da crise e o desenvolvimento do pa\u00eds, afinal sem uma remunera\u00e7\u00e3o condizente e boas condi\u00e7\u00f5es de trabalho, mestres e doutores acabam por encontrar em outros pa\u00edses as oportunidades que aqui lhes faltam.<\/p>\n\n\n\n<p>No Brasil, grande parte das pesquisas cientificas ocorrem nas universidades p\u00fablicas. Nesse sentido, o investimento nas p\u00f3s gradua\u00e7\u00f5es, assim como no PIBID, o Programa Institucional de Bolsa de Inicia\u00e7\u00e3o \u00e0 Doc\u00eancia, se torna um fator essencial para garantir a plena produtividade dos pesquisadores. Por\u00e9m, n\u00e3o \u00e9 isso que vemos. Desde 2015, o or\u00e7amento dispon\u00edvel para a Ci\u00eancia, Tecnologia e Inova\u00e7\u00e3o (CT&amp;I) tem sofrido uma queda vertiginosa. Recentemente, em outubro de 2021, o congresso aprovou um projeto que retira R$ 600 milh\u00f5es do MCTI (Minist\u00e9rio da Ci\u00eancia, Tecnologia e Inova\u00e7\u00f5es) para ser usado em outras \u00e1reas. A medida, que representa um corte de 92% dos recursos destinados neste ano a bolsas e apoio \u00e0 pesquisa, segue para sans\u00e3o de Bolsonaro.<\/p>\n\n\n\n<p>Para al\u00e9m das inova\u00e7\u00f5es, o financiamento ao pesquisador est\u00e1 intrinsecamente ligado ao desenvolvimento financeiro e social de um pa\u00eds. Existem evidencias que mostram uma rela\u00e7\u00e3o entre o apoio \u00e0s pesquisas \u2013 que dependem do trabalho dos pesquisadores \u2013 e a exporta\u00e7\u00e3o de bens complexos. Conforme dados do Instituto de Estat\u00edstica da UNESCO (UIS), cerca de dez pa\u00edses s\u00e3o respons\u00e1veis por cerca 80% dos investimentos em pesquisa e inova\u00e7\u00e3o no mundo. Todos eles possuem alto \u00cdndice de Desenvolvimento Humano (IDH), indicador que busca avaliar o bem-estar da popula\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Em contraponto ao obscurantismo, os pesquisadores da \u00e1rea da sa\u00fade tiveram, desde o in\u00edcio da pandemia, maior participa\u00e7\u00e3o e reconhecimento, tanto nos meios tradicionais de comunica\u00e7\u00e3o quanto nas m\u00eddias sociais. Essa situa\u00e7\u00e3o possibilitou uma escalada contra o projeto anticient\u00edfico e a nega\u00e7\u00e3o sistem\u00e1tica de evid\u00eancias cientificas por parte da popula\u00e7\u00e3o e governo federal. Essa maior visibilidade dos cientistas e pesquisadores se torna essencial em um cen\u00e1rio no qual as redes sociais s\u00e3o os principais meios para dissemina\u00e7\u00e3o de distor\u00e7\u00f5es e teorias conspirat\u00f3rias em geral, assim como pela desvaloriza\u00e7\u00e3o do cientista brasileiro.<\/p>\n\n\n\n<p>Parte dessa busca por uma maior presen\u00e7a nas redes sociais vem da falta de uma campanha de combate \u00e0 Covid-19, assim como da aus\u00eancia de um esfor\u00e7o estatal contra os discursos negacionistas nas redes sociais. Aqui se evidencia o car\u00e1ter obstinado do cientista.<\/p>\n\n\n\n<p>Esse envolvimento mostra uma das caracter\u00edsticas marcantes do pesquisador brasileiro: ele \u00e9 resistente. Todos os esses anos de desvaloriza\u00e7\u00e3o mostraram que, por for\u00e7a das circunst\u00e2ncias, a pesquisa cientifica consegue fazer muito com poucos recursos. Por\u00e9m, toda resist\u00eancia tem limites, e isso \u00e9 um risco para o futuro do pa\u00eds.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-buttons is-layout-flex wp-block-buttons-is-layout-flex\">\n<div class=\"wp-block-button\"><a class=\"wp-block-button__link\" href=\"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/projetil-97\/\">VOLTAR PARA EDI\u00c7\u00c3O 97<\/a><\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Carlos Eduardo Ribeiro O cen\u00e1rio atual da pesquisa cientifica no pa\u00eds revela uma grave precariza\u00e7\u00e3o, resultado da falta de investimento p\u00fablico no setor. 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