{"id":1467,"date":"2021-11-25T10:45:46","date_gmt":"2021-11-25T14:45:46","guid":{"rendered":"https:\/\/jornalismo.ufms.br\/projetil\/?p=1467"},"modified":"2021-11-26T14:25:01","modified_gmt":"2021-11-26T18:25:01","slug":"ser-artista-trans-no-brasil-e-revolucionario","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/ser-artista-trans-no-brasil-e-revolucionario\/","title":{"rendered":"Ser artista trans no Brasil \u00e9 revolucion\u00e1rio"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"has-text-align-center\"><span style=\"color:#e02828\" class=\"tadv-color\"><strong>Vit\u00f3ria Martins<\/strong><\/span><\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator\"\/>\n\n\n\n<p>Considera-se um ato revolucion\u00e1rio agir para transformar determinada realidade. Podemos citar como exemplos a luta contra a opress\u00e3o vigente durante a ditadura militar ou o simples fato de existir e ser voc\u00ea mesma em um pa\u00eds que mata e oprime. Ser porta voz das minorias no Brasil machista, racista e transf\u00f3bico, \u00e9 no m\u00ednimo audacioso. N\u00e3o \u00e9 para qualquer pessoa.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"900\" height=\"473\" src=\"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/11\/liniker.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-1574\" srcset=\"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/11\/liniker.jpg 900w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/11\/liniker-300x158.jpg 300w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/11\/liniker-768x404.jpg 768w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/11\/liniker-400x210.jpg 400w\" sizes=\"auto, (max-width: 900px) 100vw, 900px\" \/><figcaption>Liniker (esquerda) e Majur. Foto: <a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/thi.santoss\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Thi Santos<\/a> \/ <a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/p\/CVlmZC8tsSC\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Ace<\/a>rvo Liniker \/ Instagram<\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p>Pautas de g\u00eanero e popula\u00e7\u00e3o LGBTQIA+ tem se mostrado em alta nos \u00faltimos anos. Sem d\u00favida alguma, houve conquistas. No entanto, elas n\u00e3o s\u00e3o suficientes, j\u00e1 que existem in\u00fameros grupos dentro de uma mesma comunidade, cada qual com sua particularidade e interesses distintos. Dentre os participantes dessa parcela exclu\u00edda e marginalizada, est\u00e3o os transg\u00eaneros e travestis, vivendo no <a href=\"https:\/\/www.uol.com.br\/universa\/noticias\/redacao\/2021\/01\/29\/brasil-e-o-pais-que-mais-mata-pessoas-trans-175-foram-assassinadas-em-2020.htm\">pa\u00eds que mais mata pessoas trans no mundo.<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>Fora do contexto branco e h\u00e9tero cis, as minorias tentam provar o seu valor. Tratados durante d\u00e9cadas como aberra\u00e7\u00f5es, hoje esfor\u00e7am-se para mostrar suas faculdades e se inserir em \u00e1reas inimaginadas por eles alguns anos atr\u00e1s. A vida art\u00edstica \u00e9 uma delas. Por\u00e9m, o intuito n\u00e3o \u00e9 somente cantar ou atuar. O mais importante \u00e9 levar a mensagem de que \u00e9 poss\u00edvel. A Liniker acreditou no seu sonho, e se tornou uma refer\u00eancia na MPB e na m\u00fasica afro-brasileira.<\/p>\n\n\n\n<p>Nascida no ano de 1995 em Araraquara, interior de S\u00e3o Paulo, Liniker foi criada por sua m\u00e3e. \u201cNegra, pobre e perif\u00e9rica\u201d \u00e9 como a artista se refere a si mesma. Dona de uma voz sem igual, obteve sucesso na carreira musical em 2015 com a banda Os Caramelows, ap\u00f3s tr\u00eas faixar montadas de modo independente viralizarem na internet, chegando a ter reconhecimento internacional. Assumidamente transsexual, a artista canta sobre amor e atuou em filmes e s\u00e9ries que contribu\u00edram para a representatividade trans. Bixa Travesti (2018) e Manh\u00e3s de Setembro (2021) s\u00e3o alguns deles.<\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m da voz, a cantora se destaca visualmente. Saia, turbante, bigode e batom fazem parte do seu \u2018eu\u2019. Para muitos, isso n\u00e3o significar nada. J\u00e1 para outros, \u00e9 o se ver como igual, pois a representatividade em algu\u00e9m que possui visibilidade tem um peso grande para quem ainda se esconde. \u00c9 como um grito de reafirma\u00e7\u00e3o de exist\u00eancia, ou melhor, resist\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<p>Em uma entrevista para a Revista Marie Claire em 2019, Liniker comentou sobre a falta de espa\u00e7o para pessoas trans no mercado profissional: \u201cfalta escuta, espa\u00e7o [&#8230;] falta estarmos em capa de revista, em s\u00e9rie de TV&#8230;\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>O mercado possu\u00eda um \u00fanico padr\u00e3o at\u00e9 pouco tempo atr\u00e1s, mas as coisas est\u00e3o mudando, mesmo que aos poucos. Dois anos e seis meses ap\u00f3s a entrevista dada pela artista, a cantora Majur, 26, estreia como a primeira mulher trans a ser capa da Vogue Noivas. Baiana, ela ficou conhecida nacionalmente ap\u00f3s participar do single \u2018AmarElo\u2019, de Emicida, em 2019. E em diversos momentos contou que um encontro com Liniker em 2018 fez com que pudesse acreditar no sonho de se tornar cantora porque viu algu\u00e9m como ela no palco. Quantas Majur existem por a\u00ed?<\/p>\n\n\n\n<p>Ambas s\u00e3o cantoras, mulheres, pretas, transexuais e perif\u00e9ricas. Segundo dados da Associa\u00e7\u00e3o Nacional de Travestis e Transsexuais (Antra), em 2020 houve 175 assassinatos de transsexuais, o equivalente a uma morte a cada dois dias. A idade variou de 15 a 29 anos e cerca de 65% delas trabalhavam nas ruas com prostitui\u00e7\u00e3o. H\u00e1 ainda uma quest\u00e3o racial aparente: cerca de 78% das v\u00edtimas eram negras. S\u00e3o Paulo \u00e9 o estado que lidera esse ranking brasileiro, seguido de Cear\u00e1 e Bahia. Liniker e Majur se encaixar no perfil daquelas que foram mortas.<\/p>\n\n\n\n<p>Elas cantam sobre suas respectivas vidas: o amor, a dor e a descoberta do ser. Temos muito a aprender com artistas donas de timbres que \u2013 assim como elas \u2013 s\u00e3o fortes. Pessoas que se tornaram fortes e que hoje t\u00eam carreiras promissoras. Que defendem sua bandeira sem nenhuma vergonha e inspiram suas\/seus iguais. Sejam elas negras, perif\u00e9ricas ou transsexuais. Em um pa\u00eds como o nosso, qualquer desejo de fazer a diferen\u00e7a \u00e9 um ato de coragem.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-buttons is-layout-flex wp-block-buttons-is-layout-flex\">\n<div class=\"wp-block-button\"><a class=\"wp-block-button__link\" href=\"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/projetil-97\">Voltar para edi\u00e7\u00e3o 97<\/a><\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Vit\u00f3ria Martins Considera-se um ato revolucion\u00e1rio agir para transformar determinada realidade. 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