{"id":1479,"date":"2021-11-25T18:11:58","date_gmt":"2021-11-25T22:11:58","guid":{"rendered":"https:\/\/jornalismo.ufms.br\/projetil\/?p=1479"},"modified":"2021-12-07T15:33:52","modified_gmt":"2021-12-07T19:33:52","slug":"o-cansaco-de-ser-incansavel","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/o-cansaco-de-ser-incansavel\/","title":{"rendered":"O cansa\u00e7o de ser incans\u00e1vel"},"content":{"rendered":"\n<h4 class=\"has-text-align-center wp-block-heading\">Hist\u00f3rias por tr\u00e1s da romantiza\u00e7\u00e3o de m\u00e3es solo<\/h4>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center has-accent-color has-text-color\"><strong>Texto: Evellyse Michelle| Mariana Lima | Patr\u00edcia Martins<\/strong><\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator\"\/>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"800\" height=\"533\" src=\"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/11\/mae-solo-liv-bruce-unsplash.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-1547\" srcset=\"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/11\/mae-solo-liv-bruce-unsplash.jpg 800w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/11\/mae-solo-liv-bruce-unsplash-300x200.jpg 300w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/11\/mae-solo-liv-bruce-unsplash-768x512.jpg 768w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/11\/mae-solo-liv-bruce-unsplash-400x267.jpg 400w\" sizes=\"auto, (max-width: 800px) 100vw, 800px\" \/><figcaption>Foto: <a href=\"https:\/\/unsplash.com\/@livvie_bruce\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Liv Bruce<\/a> \/ Unsplash<\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n<p>A maternidade solo retratada pela m\u00eddia, especialmente no ramo publicit\u00e1rio, sugere a figura de uma \u2018super-m\u00e3e\u2019 &#8211; a hero\u00edna que consegue tudo, supera limites, e que sempre \u2018d\u00e1 conta do recado\u2019. No entanto, quando olhamos para a realidade, \u00e9 poss\u00edvel perceber uma romantiza\u00e7\u00e3o da rotina de sobrecarga, cansa\u00e7o mental e press\u00e3o psicol\u00f3gica com as demandas que a maternidade exige.<\/p>\n<p>Essa vis\u00e3o que habita no imagin\u00e1rio da sociedade contribui de forma efetiva para a manuten\u00e7\u00e3o de opress\u00f5es que fazem a maternidade ser obrigat\u00f3ria e a paternidade facultativa. De acordo com a Associa\u00e7\u00e3o de Registradores de Pessoas Nacionais (ARPEN), o n\u00famero de crian\u00e7as sem o nome paterno no registro de nascimento aumentou pelo 4\u00ba ano consecutivo em 2021, chegando a quase cem mil.<\/p>\n<p><strong>A Maternidade Solo<\/strong><\/p>\n<p>A denomina\u00e7\u00e3o \u2018m\u00e3e-solo\u2019 est\u00e1 associada \u00e0 solid\u00e3o ao criar uma crian\u00e7a. H\u00e1 mulheres que s\u00e3o inteiramente respons\u00e1veis pela cria\u00e7\u00e3o e demanda de seus filhos, tendo ou n\u00e3o um parceiro, pois o estado civil n\u00e3o interfere em sua maternidade.<\/p>\n<p>De acordo com o \u00faltimo censo realizado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estat\u00edstica (IBGE) em 2010, m\u00e3es solo representam 37% das fam\u00edlias brasileiras. Vivenciam esta condi\u00e7\u00e3o mais de 11 milh\u00f5es de mulheres no Brasil.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"897\" height=\"1024\" src=\"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/12\/infografico-maes-fundo-897x1024.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-1870\" srcset=\"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/12\/infografico-maes-fundo-897x1024.jpg 897w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/12\/infografico-maes-fundo-263x300.jpg 263w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/12\/infografico-maes-fundo-768x877.jpg 768w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/12\/infografico-maes-fundo-400x457.jpg 400w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/12\/infografico-maes-fundo.jpg 1000w\" sizes=\"auto, (max-width: 897px) 100vw, 897px\" \/><figcaption>Por meio de um formul\u00e1rio online, a equipe do Proj\u00e9til fez um levantamento com 42 m\u00e3es sobre sentimentos ligados a maternidade solo. Confira os dados e relatos coletados &#8211; Arte: Raquel Alves<\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n<p>Para a cientista social e doutoranda em Educa\u00e7\u00e3o pela UNICAMP, N\u00e1tali Bozzano, que tamb\u00e9m \u00e9 m\u00e3e solo, isso se justifica porque n\u00e3o avistamos a imagem masculina associada \u00e0s fun\u00e7\u00f5es de cuidado. \u201cTanto \u00e9 que quando a mulher tem um parceiro, ela fala \u2018ah, ele me ajuda\u2019, como se fosse um cuidado secund\u00e1rio. [&#8230;] A gente n\u00e3o cobra dos homens por achar que \u00e9 uma quest\u00e3o natural \u00e0s mulheres estarem nessa fun\u00e7\u00e3o de cuidado\u201d.<\/p>\n<p>A empreendedora Mayumi Nakasato, 27, relata que desde a descoberta da gravidez, o ex-marido se mostrou em choque. \u201cEle falava que eu era muito nova, que ia decepcionar minha m\u00e3e, que ia me prejudicar nos estudos, que poder\u00edamos ter esse filho mais pra frente. Eu disse apenas que n\u00e3o iria implorar para que ele assumisse a paternidade, j\u00e1 que considerava ser muita responsabilidade. Eu me considero m\u00e3e solo desde a gesta\u00e7\u00e3o, apesar de continuar namorando com ele e seguir para um casamento, justamente por ele n\u00e3o ter tido responsabilidades. Eu era a provedora de casa, tinha que correr atr\u00e1s de tudo, e at\u00e9 hoje \u00e9 assim\u201d. Mayumi conta que depois de dois anos separada, recorreu \u00e0 justi\u00e7a porque o ex-marido havia parado de pagar a pens\u00e3o. \u201cEle olhou pra conciliadora e falou que n\u00e3o estava em condi\u00e7\u00f5es psicol\u00f3gicas e financeiras para estar na audi\u00eancia naquele momento. Foi c\u00f4mico\u201d.<\/p>\n<p>Essa \u00e9 tamb\u00e9m a realidade de Ruth Lopes, 27, moradora do interior de Minas Gerais. Ela passou pela experi\u00eancia de ser m\u00e3e solo duas vezes. \u201cMe vi sozinha, gr\u00e1vida de dois meses. Tive que criar for\u00e7a, maturidade e responsabilidade. Ap\u00f3s o nascimento da Gabriele, a \u00fanica coisa que ouvi foi \u2018vou querer um DNA\u2019. Tive de enfrentar a segunda gravidez tamb\u00e9m sozinha. Gr\u00e1vida e com uma filha de tr\u00eas anos\u201d. Apesar de toda sua hist\u00f3ria, ela afirma que n\u00e3o gosta de ser denominada como \u2018guerreira\u2019. \u201cDeveria ser \u2018a Ruth \u00e9 sobrecarregada\u2019, porque o pai da filha dela n\u00e3o cumpre com as obriga\u00e7\u00f5es de pai\u201d.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter size-full is-resized\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/11\/Ruth4.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-1520\" width=\"300\" height=\"300\" srcset=\"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/11\/Ruth4.jpg 400w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/11\/Ruth4-300x300.jpg 300w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/11\/Ruth4-150x150.jpg 150w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/11\/Ruth4-200x200.jpg 200w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><figcaption>Ruth \u00e9 m\u00e3e de Gabriele, Gustavo e Elo\u00edse &#8211; Foto: Acervo Pessoal<\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n<p>Ruth \u00e9 criadora das p\u00e1ginas <a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/maesolteiraoficial\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">M\u00e3e Solteira<\/a>, no Facebook, e <a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/maesolooficial\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">@maesolooficial<\/a>, no Instagram, que contam, juntas, com mais de 400 mil seguidores. Ela criou os perfis para utiliz\u00e1-los como um di\u00e1rio, compartilhando as dificuldades da maternidade solo, e considera que hoje esse \u00e9 um espa\u00e7o de visibilidade, onde ela tamb\u00e9m posta informa\u00e7\u00f5es jur\u00eddicas. \u201cAntes n\u00e3o existia uma vis\u00e3o sobre nossos direitos. Tinham m\u00e3es que morriam de medo de perder a guarda pelo simples fato de deixar a crian\u00e7a com a av\u00f3 para ela poder trabalhar, e o pai amea\u00e7ava. Hoje em dia eu tenho advogados que trabalham junto comigo e a gente coloca ali sobre os direitos das m\u00e3es e elas ficam bem informadas\u201d.<\/p>\n<p><strong>Ansiedade e Culpa<\/strong><\/p>\n<p>Outro agravante presente na vida de m\u00e3es-solo \u00e9 a ansiedade, a culpa e o sentimento de incapacidade com rela\u00e7\u00e3o \u00e0s demandas da maternidade. Em grande parte, as m\u00e3es nesta situa\u00e7\u00e3o precisam se desdobrar para atender \u00e0 rotina exaustiva que envolve o trabalho, a casa, a sa\u00fade e a educa\u00e7\u00e3o dos filhos. Com uma imensa lista de tarefas para cumprir sozinha, essa mulher acaba por deixar de lado os cuidados consigo mesma e embarca no ciclo do auto-esquecimento, onde ela sempre est\u00e1 no \u00faltimo lugar de prioridade.<\/p>\n<p>A psic\u00f3loga Myllena Santana conta que tais sentimentos s\u00e3o t\u00e3o intr\u00ednsecos a essas mulheres que em muitos casos elas n\u00e3o notam os sintomas de sobrecarga. \u201cMuitas mulheres levam isso no autom\u00e1tico. Elas n\u00e3o conseguem perceber, porque a no\u00e7\u00e3o que elas t\u00eam \u00e9 que aquilo \u00e9 obriga\u00e7\u00e3o, faz parte do papel dela estar sentindo tudo isso\u201d.<\/p>\n<p>Ana Joice Leite, 45, m\u00e3e de dois meninos, diz que se sente frustrada quando n\u00e3o consegue dar conta dos seus m\u00faltiplos pap\u00e9is. Ela conta que o hor\u00e1rio de aula dos filhos coincide com sua agenda de trabalho durante o dia, restando apenas a noite para ter um tempo com os meninos. Ana \u00e9 a \u00fanica fonte de renda da casa, e a sustenta com o sal\u00e1rio m\u00ednimo que ganha somado \u00e0 pens\u00e3o que os filhos recebem do pai. \u201cMinha maior dificuldade \u00e9 cuidar de mim mesma. \u00c9 tanta coisa para dar conta que n\u00e3o sobra tempo para sair, para conhecer pessoas e acabo ficando muito s\u00f3\u201d. A m\u00e3e de Gustavo, 16, e Miguel, 10, afirma que sofre por se cobrar demais e por ter a sensa\u00e7\u00e3o de que sempre falta algo. \u201cIsso nos cansa n\u00e3o s\u00f3 fisicamente, mas psicologicamente, e muitas vezes nos frustramos porque n\u00e3o somos \u2018superm\u00e3es\u201d.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter size-full is-resized\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/11\/Joice2.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-1510\" width=\"200\" height=\"265\"\/><figcaption>Ana Joice e seus filhos, <br>Gustavo e Miguel &#8211; Foto: Acervo Pessoal<\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n<p>Esse \u00e9 um sentimento compartilhado por outras m\u00e3es solo. Para Ruth, a luta \u00e9 di\u00e1ria. \u201cQuando voc\u00ea pensa \u2018acabou, agora vai ser mais tranquilo\u2019, sempre surgem coisas novas. [&#8230;] Tinham vezes que eu pensava \u2018n\u00e3o vou dar conta, \u00e9 muito sofrimento, \u00e9 melhor acabar com a minha vida\u2019. Eu chorava mesmo, quase entregava os pontos\u201d.<\/p>\n<p>Mayumi Nakasato conta que sua experi\u00eancia foi muito solit\u00e1ria e cercada de press\u00f5es sociais. &#8220;Eu tinha muito comigo aquele lance de \u2018voc\u00ea tem que dar conta, voc\u00ea colocou uma crian\u00e7a no mundo\u2019. Fiz tudo sozinha, mas foi muito dif\u00edcil. A gente tem essa vis\u00e3o err\u00f4nea de que voc\u00ea tem que dar conta do recado, que a maternidade \u00e9 linda, quando na realidade n\u00e3o \u00e9 bem assim que acontece\u201d.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter size-full is-resized\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/11\/May1.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-1527\" width=\"300\" height=\"361\" srcset=\"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/11\/May1.jpg 400w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/11\/May1-249x300.jpg 249w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><figcaption>Mayumi comemora o anivers\u00e1rio de Leonardo &#8211; Foto: Acervo Pessoal<\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n<p><strong>Ra\u00edzes no Patriarcado<\/strong><\/p>\n<p>Desde muito cedo as meninas s\u00e3o ensinadas sobre as responsabilidades maternas e da vida de uma dona de casa, que limpa, cozinha e est\u00e1 sempre bem arrumada para o seu marido. Nesta cadeia hist\u00f3rica e cultural, N\u00e1tali Bozzano diz que falas como \u2018meninas s\u00e3o mais respons\u00e1veis do que os meninos\u2019 ou \u2018mulheres s\u00e3o mais d\u00f3ceis\u2019, determinam essas rela\u00e7\u00f5es como inerentes \u00e0 feminilidade.<\/p>\n<p>N\u00e1tali reitera que essa vincula\u00e7\u00e3o traz sofrimento para a vida das m\u00e3es, que se sentem culpadas. \u201cEssa culpa \u00e9 uma forma de controle social. N\u00e3o \u00e9 natural que a mulher fa\u00e7a muitas coisas ao mesmo tempo. Isso nos foi ensinado. A menina desde cedo \u00e9 aquela que lava a lou\u00e7a e cuida do irm\u00e3o enquanto ele n\u00e3o precisa fazer nada por ser um menino. Somos criadas nessa cultura da menina-mulher que faz tudo e quando chegamos na fase adulta dizemos que a mulher sabe fazer v\u00e1rias coisas ao mesmo tempo, mas isso n\u00e3o \u00e9 natural e nem biol\u00f3gico. Tudo foi ensinado\u201d.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter size-full is-resized\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/11\/Natali7.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-1521\" width=\"450\" height=\"300\" srcset=\"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/11\/Natali7.jpg 600w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/11\/Natali7-300x200.jpg 300w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/11\/Natali7-400x267.jpg 400w\" sizes=\"auto, (max-width: 450px) 100vw, 450px\" \/><figcaption>A cientista social N\u00e1tali Bozzano &#8211; Foto: Acervo Pessoal<\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n<p>Para N\u00e1tali, a luta contra o patriarcado \u00e9 di\u00e1ria e praticar o autoconhecimento \u00e9 uma forma de superar as barreiras machistas que perpassam o mito da \u2018m\u00e3e hero\u00edna\u2019. \u201cA gente precisa se conhecer, saber quem n\u00f3s somos, quais s\u00e3o os nossos desejos e nossas ambi\u00e7\u00f5es. Ningu\u00e9m est\u00e1 livre de um sistema completamente, mas buscar autonomia para n\u00e3o cair em ciladas, conhecer seus desejos e se questionar: \u2018eu quero mesmo um relacionamento ou fui ensinada que s\u00f3 assim serei feliz?\u2019 \u00e9 um ponto importante\u201d, afirma a cientista social.<\/p>\n<p><strong><b>Cad\u00ea o Pai?<\/b><\/strong><\/p>\n<p>A aceita\u00e7\u00e3o e conformismo com rela\u00e7\u00e3o \u00e0 aus\u00eancia paterna na vida dos filhos ainda \u00e9 passiva e pouco discutida. Ruth considera essa legitima\u00e7\u00e3o da falta paterna um absurdo e que o olhar social deveria ser o mesmo para ambos. \u201cMuitas vezes a m\u00e3e sai como errada e o pai como certo. \u2018Ah voc\u00ea virou m\u00e3e solteira porque voc\u00ea n\u00e3o presta, porque voc\u00ea n\u00e3o se deu o valor\u2019. Mas ningu\u00e9m fala isso para o pai. Se virem o pai solteiro cuidando do filho, v\u00e3o falar que ele \u00e9 guerreiro, batalhador, v\u00e3o dar a ele todos os elogios poss\u00edveis. J\u00e1 a m\u00e3e, n\u00e3o. A m\u00e3e sempre vai ser julgada\u201d.<\/p>\n<h5 style=\"text-align: center\"><span style=\"color: #ff0000\"><strong>De acordo com a ARPEN, cerca de cem mil crian\u00e7as nascidas no ano de 2021 n\u00e3o possuem o nome do pai na certid\u00e3o de nascimento.<\/strong><\/span><\/h5>\n<p>A psic\u00f3loga Myllena reitera que essa idealiza\u00e7\u00e3o \u00e9 hist\u00f3rica, pois h\u00e1 muito tempo a figura masculina \u00e9 ausente. \u201cHistoricamente o pai \u00e9 o provedor. Ele quem sa\u00eda e ia fazer tudo para o sustento da fam\u00edlia. Ent\u00e3o a paternidade \u00e9 facultativa, porque o cara pode exerc\u00ea-la ou n\u00e3o. J\u00e1 a maternidade \u00e9 compuls\u00f3ria nas mulheres. At\u00e9 na quest\u00e3o judicial as mulheres s\u00e3o prioridade. Por que n\u00e3o pode ser a m\u00e3e quem v\u00ea o filho de 15 em 15 dias?\u201d.<\/p>\n<p><strong>Rede de Apoio&nbsp;<\/strong><\/p>\n<p>Uma das formas de minimizar os impactos negativos advindos da rotina cansativa de m\u00e3es solo \u00e9 uma rede de apoio. Esta rede serve para acolher e amparar a m\u00e3e nas demandas que envolvem a cria\u00e7\u00e3o do filho. Parentes, amigos, educadores e pessoas que se fazem presentes na \u00e1rdua rotina de cuidar de uma crian\u00e7a \u00e9 o que forma a base dessa rede. Unidades B\u00e1sicas de Sa\u00fade, assist\u00eancia social, Delegacia da Mulher, escola e pol\u00edticas p\u00fablicas tamb\u00e9m se enquadram como rede de apoio. Apesar de n\u00e3o substituir a imagem do pai, esse suporte auxilia a mulher para que ela n\u00e3o se sinta t\u00e3o s\u00f3 diante das dificuldades enfrentadas.<\/p>\n<p>Para Myllena, essa rede \u00e9 fundamental na cria\u00e7\u00e3o da crian\u00e7a. &#8220;Um ponto importante \u00e9 que pai n\u00e3o \u00e9 rede de apoio. Pai \u00e9 pai, m\u00e3e \u00e9 m\u00e3e e todos tem sua fun\u00e7\u00e3o diante da crian\u00e7a. O pai n\u00e3o apoia a m\u00e3e, ele n\u00e3o a ajuda. Ele tem a obriga\u00e7\u00e3o dele como pai\u201d, afirma.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"331\" height=\"600\" src=\"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/11\/Myllena1-1.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-1518\" srcset=\"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/11\/Myllena1-1.jpg 331w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/11\/Myllena1-1-166x300.jpg 166w\" sizes=\"auto, (max-width: 331px) 100vw, 331px\" \/><figcaption>Myllena relata que em muitos casos as m\u00e3es n\u00e3o notam os sintomas de sobrecarga &#8211; Foto: Evellyse Michelle<\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n<p>Ela ainda reitera que a sociedade n\u00e3o compreende as rela\u00e7\u00f5es de apoio na vida das m\u00e3es, pois n\u00e3o consegue ver a mulher enquanto indiv\u00edduo, sem o v\u00ednculo dos filhos. \u201cExiste muito essa ambival\u00eancia de entender qual o papel da m\u00e3e. \u00c9 preciso separar: existe a m\u00e3e e existe a mulher. N\u00e3o \u00e9 porque voc\u00ea se torna m\u00e3e que voc\u00ea deixa de ser mulher. Essa rede de apoio que fica com a crian\u00e7a para que a m\u00e3e possa viver outras coisas \u00e9 essencial\u201d. Para Myllena, raramente uma m\u00e3e conseguir\u00e1 manter sua sa\u00fade mental e f\u00edsica intacta sem a presen\u00e7a de uma rede de apoio disposta a auxili\u00e1-la com a maternidade.<\/p>\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-buttons is-layout-flex wp-block-buttons-is-layout-flex\">\n<div class=\"wp-block-button\"><a class=\"wp-block-button__link\" href=\"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/projetil-97\/\">VOLTAR PARA EDI\u00c7\u00c3O 97<\/a><\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Hist\u00f3rias por tr\u00e1s da romantiza\u00e7\u00e3o de m\u00e3es solo Texto: Evellyse Michelle| Mariana Lima | Patr\u00edcia Martins A maternidade solo retratada pela m\u00eddia, especialmente no ramo publicit\u00e1rio, sugere a figura de uma \u2018super-m\u00e3e\u2019 &#8211; a hero\u00edna que consegue tudo, supera limites, e que sempre \u2018d\u00e1 conta do recado\u2019. No entanto, quando olhamos para a realidade, \u00e9 [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":35,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[22],"tags":[],"class_list":["post-1479","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-reportagem-97"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1479","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-json\/wp\/v2\/users\/35"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1479"}],"version-history":[{"count":25,"href":"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1479\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":1892,"href":"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1479\/revisions\/1892"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1479"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1479"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1479"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}