{"id":1533,"date":"2021-11-25T19:13:26","date_gmt":"2021-11-25T23:13:26","guid":{"rendered":"https:\/\/jornalismo.ufms.br\/projetil\/?p=1533"},"modified":"2021-12-07T14:43:12","modified_gmt":"2021-12-07T18:43:12","slug":"uma-fortaleza-chamada-mae","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/uma-fortaleza-chamada-mae\/","title":{"rendered":"Uma fortaleza chamada m\u00e3e"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"has-text-align-center\"><strong><span style=\"color:#e02828\" class=\"tadv-color\">Vit\u00f3ria Martins <\/span><\/strong><\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator\"\/>\n\n\n\n<p>Nunca acreditei quando diziam que a cabe\u00e7a da mulher muda quando ela se torna m\u00e3e. At\u00e9 a minha mudar. E se pensar bem n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 a cabe\u00e7a. \u00c9 o corpo, rotina, vida, prioridade. Imaginar que continuo a mesma depois de enfrentar tantos desafios e ter visto minha barriga crescer por nove meses me parece errado. N\u00e3o sou mais a mesma e acho que jamais voltarei a ser. Estrias surgiram pelo meu corpo, a flacidez invadiu-me por inteira, meu cabelo e unha se tornaram fr\u00e1geis, abdiquei de algumas comidas que gostava, parei de sair com meus amigos, perdi in\u00fameras noites de sono, emagreci demais &#8211; e, enquanto amamentei n\u00e3o bebi uma gota de \u00e1lcool sequer. N\u00e3o me arrependo, e faria tudo de novo por ela.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter size-full is-resized\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/11\/mae.jpeg\" alt=\"\" class=\"wp-image-1566\" width=\"610\" height=\"610\" srcset=\"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/11\/mae.jpeg 800w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/11\/mae-300x300.jpeg 300w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/11\/mae-150x150.jpeg 150w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/11\/mae-768x768.jpeg 768w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/11\/mae-400x400.jpeg 400w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/11\/mae-200x200.jpeg 200w\" sizes=\"auto, (max-width: 610px) 100vw, 610px\" \/><figcaption>Ilustra\u00e7\u00e3o: <a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/bianca_esquilartes\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Bianca Esquivel<\/a><\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p>A maternidade pode ser muitas coisas, mas n\u00e3o \u00e9 nada rom\u00e2ntica. Aprendi, cresci, vi quem realmente era amigo. Chorei solit\u00e1ria com minha filha no bra\u00e7o, e outras vezes no meu banho r\u00e1pido enquanto ela dormia. Me senti sozinha diversas vezes e cheguei \u00e0 conclus\u00e3o de que para dar o melhor para minha filha teria que contar com uma \u00fanica pessoa: eu mesma!<\/p>\n\n\n\n<p>Antes de t\u00ea-la, achava a maternidade a coisa mais linda do mundo, romantizei. Eu queria e meu marido tamb\u00e9m. N\u00e3o havia sido algo planejado, mas decidimos que a ter\u00edamos. Eu a recebi com todo amor, ele n\u00e3o. De repente me vi gr\u00e1vida, sozinha, estressada e sem um marido. Trabalhei at\u00e9 a trig\u00e9sima semana da gesta\u00e7\u00e3o, afinal, tinha que pagar minhas contas e comprar coisas para Estela. Nome escolhido por significar \u2018estrela\u2019.<\/p>\n\n\n\n<p>Quando mais nova, tinha algumas conhecidas que eram m\u00e3es e criavam seus filhos sozinhas. Na minha cabe\u00e7a, eram mulheres guerreiras, dignas da minha total admira\u00e7\u00e3o. Desejava ser metade do que elas eram para seus filhos . Hoje, sendo tamb\u00e9m m\u00e3e solo, vejo que n\u00e3o queria isso no sentido literal. N\u00e3o queria ter que ser guerreira como elas, ao menos n\u00e3o o tempo todo. O peso de fazer tudo sozinha \u00e9 grande demais para uma \u00fanica pessoa carregar. N\u00e3o \u00e9 justo, \u00e9 cansativo e d\u00e1 medo. Tenho medo e sei que sou corajosa ao assumir isso. Assumir o medo n\u00e3o \u00e9 para qualquer um.<\/p>\n\n\n\n<p>Sei que t\u00eam pessoas que me apontam na rua, e que sou motivo de coment\u00e1rios para muitos. \u201cAbandonada pelo marido quando estava gr\u00e1vida, coitada\u201d. Esse tipo de coment\u00e1rio me frustra, n\u00e3o pelo fato de n\u00e3o ter mais marido, mas porque sei que sou mais que isso. Sempre trabalhei e me virei. N\u00e3o deixo faltar nada para minha filha. Tenho minha casa pr\u00f3pria, minha falecida m\u00e3e a deixou como heran\u00e7a. Houve adapta\u00e7\u00f5es, \u00e9 claro, escolhi trabalhar em casa por enquanto para ficar com ela. Ganho o suficiente para n\u00f3s duas, mas n\u00e3o para contratar uma bab\u00e1. Prefiro esperar at\u00e9 que Estela esteja crescida o bastante para coloc\u00e1-la na creche aqui do bairro.<\/p>\n\n\n\n<p>Confesso que muitas vezes demorei a levantar quando minha beb\u00ea come\u00e7ava a chorar no ber\u00e7o para mamar durante a noite. Ali, deitada no meu travesseiro solit\u00e1rio, desejava somente mais dois minutos com os olhos fechados, fingindo dormir. Mas esses dois minutos nunca se concretizavam. Levantava, afinal de contas, s\u00f3 eu poderia socorr\u00ea-la. T\u00ednhamos apenas uma a outra.<\/p>\n\n\n\n<p>Limpava casa, fazia almo\u00e7o, trabalhava, cuidava de Estela e mal dormia. Hero\u00edna? N\u00e3o, sobrecarregada. No final do dia estava exausta.<\/p>\n\n\n\n<p>O cansa\u00e7o que sinto todos os dias n\u00e3o me faz amar menos minha filha. Eu a amo como nunca imaginei amar algu\u00e9m, mas estou extremamente esgotada. Fico irritada quando algu\u00e9m fala que sou forte por fazer tudo sozinha, porque n\u00e3o \u00e9 algo que foi natural. Fui obrigada a ser forte, e n\u00e3o h\u00e1 nada de rom\u00e2ntico nisso. Superamos tudo pela pessoa que amamos.<\/p>\n\n\n\n<p>Muitas vezes eu tamb\u00e9m quis colo, quis ser cuidada e bajulada, mas n\u00e3o tinha ningu\u00e9m para fazer isso por mim. Ent\u00e3o, minha \u00fanica alternativa era ser forte. Por Estela. Porque eu era dela. Porque eu era m\u00e3e!<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-buttons is-layout-flex wp-block-buttons-is-layout-flex\">\n<div class=\"wp-block-button\"><a class=\"wp-block-button__link\" href=\"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/projetil-97\">voltar para edi\u00e7\u00e3o 97<\/a><\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Vit\u00f3ria Martins Nunca acreditei quando diziam que a cabe\u00e7a da mulher muda quando ela se torna m\u00e3e. At\u00e9 a minha mudar. E se pensar bem n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 a cabe\u00e7a. \u00c9 o corpo, rotina, vida, prioridade. 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