{"id":1950,"date":"2022-06-21T16:12:55","date_gmt":"2022-06-21T20:12:55","guid":{"rendered":"https:\/\/jornalismo.ufms.br\/projetil\/?p=1950"},"modified":"2022-11-25T17:04:10","modified_gmt":"2022-11-25T21:04:10","slug":"trabalhe-lute-viva-e-pose","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/trabalhe-lute-viva-e-pose\/","title":{"rendered":"Trabalhe, lute, viva e POSE"},"content":{"rendered":"\n<h4 class=\"has-text-align-center wp-block-heading\">A busca por pertencimento e representatividade da comunidade LGBTQIA+ em meio ao conservadorismo sul-mato-grossense<\/h4>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center has-accent-color has-text-color\"><strong>Texto: <a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/www.instagram.com\/bielgill\/\" target=\"_blank\">Biel Gill<\/a> | <a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/www.instagram.com\/emsmira_\/\" target=\"_blank\">Emilly Mira<\/a> | <a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/leticiadantasp\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Let\u00edcia Dantas<\/a><\/strong><\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator\"\/>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"591\" height=\"394\" src=\"http:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2022\/06\/Colagem-reduzida.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-2264\" srcset=\"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2022\/06\/Colagem-reduzida.jpg 591w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2022\/06\/Colagem-reduzida-300x200.jpg 300w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2022\/06\/Colagem-reduzida-400x267.jpg 400w\" sizes=\"auto, (max-width: 591px) 100vw, 591px\" \/><figcaption>Fotos: Emilly Mira | Colagem: Morris Fabiana<\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p>\u201cAqui no estado \u00e9 muito dif\u00edcil a gente ser trans, ser travesti. Na verdade, no Brasil todo, estamos no pa\u00eds que mais mata corpos trans no mundo, ent\u00e3o ainda \u00e9 muito dif\u00edcil\u201d, diz <a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/luuaramaria_\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Luara Maria<\/a>, que se reivindica como travesti. Ela retrata as dificuldades de ser LGBTQIA+ (L\u00e9sbicas, Gays, Bissexuais, Transexuais, Queers, Interssexuais e Assexuais*) em Mato Grosso do Sul; com o preconceito que se inicia desde um olhar de canto de olho, passa por falta de vagas no mercado de trabalho e chega ao extremo da viol\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<p>Nessa reportagem, tentando entender a identidade e a import\u00e2ncia do movimento LGBTQIA+ no estado, conversamos com representantes da <a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/sublgbtms\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Subsecretaria de Pol\u00edticas P\u00fablicas LGBT<\/a>, da <a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/casasatine\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Casa Satine<\/a>, das Houses <a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/houseofquimera\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Of<\/a> <a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/houseofquimera\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Quimera<\/a> e <a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/handsupms\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Hand\u2019s Up MS<\/a> e com o s\u00f3cio propriet\u00e1rio do <a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/juremabarcg\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Jurema Bar<\/a>, para que possamos melhor compreender a viv\u00eancia da comunidade na capital sul-mato-grossense.<\/p>\n\n\n\n<h5 class=\"wp-block-heading\"><strong>A categoria \u00e9\u2026 Pol\u00edticas P\u00fablicas<\/strong><\/h5>\n\n\n\n<p>Na regi\u00e3o Centro-Oeste, de acordo com o <a href=\"https:\/\/grupogaydabahia.files.wordpress.com\/2021\/05\/observatorio-de-mortes-violentas-de-lgbti-no-brasil-relatorio-2020.-acontece-lgbti-e-ggb.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">relat\u00f3rio anual<\/a> do <a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/grupogaydabahia\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Grupo Gay da Bahia<\/a> (GGB) de 2021, o estado de MS, proporcionalmente \u00e0 popula\u00e7\u00e3o, ocupa a segunda posi\u00e7\u00e3o entre os que mais matam pessoas LGBTQIA+, ficando acima da m\u00e9dia nacional. De acordo com a Subsecretaria de Pol\u00edticas P\u00fablicas LGBT de MS, foram registrados, de julho de 2019 a dezembro de 2021, mais de 45 casos de homotransfobia.<br>Apesar desses dados, ainda h\u00e1 uma grande falta de informa\u00e7\u00f5es aprofundadas sobre a comunidade.<\/p>\n\n\n\n<p>A esse respeito, <a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/karlawmelo\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Karla Melo<\/a>, coordenadora do Centro Estadual de Cidadania LGBTQIA+, vinculado a <a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/secicms\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Secret\u00e1ria de Estado de Cidadania e Cultura do Governo de Mato Grosso do Sul<\/a> e coordenado pela Subsecretaria de Pol\u00edticas P\u00fablicas LGBT, afirma que desde a cria\u00e7\u00e3o do \u00f3rg\u00e3o, em 2020, percebe-se que a falta dessas estat\u00edsticas \u00e9 prejudicial para a tentativa de entender o tipo de viol\u00eancia que acontece, onde e quais s\u00e3o as pessoas afetadas. A coordenadora complementa que o grupo consegue ter um panorama dessa realidade apenas por meio de movimentos sociais que trazem dados informais.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"800\" height=\"530\" src=\"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2022\/06\/Karla-Melo-Subsecretaria-LGBTQIA.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-2027\" srcset=\"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2022\/06\/Karla-Melo-Subsecretaria-LGBTQIA.jpg 800w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2022\/06\/Karla-Melo-Subsecretaria-LGBTQIA-300x199.jpg 300w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2022\/06\/Karla-Melo-Subsecretaria-LGBTQIA-768x509.jpg 768w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2022\/06\/Karla-Melo-Subsecretaria-LGBTQIA-400x265.jpg 400w\" sizes=\"auto, (max-width: 800px) 100vw, 800px\" \/><figcaption>Karla Melo, coordenadora do Centro Estadual de Cidadania LGBT, explica as atividades realizadas pela Subsecret\u00e1ria &#8211; Foto: Emilly Mira<\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p>Karla afirma que o objetivo do centro, em sua funda\u00e7\u00e3o, era receber den\u00fancias e combater o preconceito e a homofobia. Atualmente, a Subsecretaria colabora para a produ\u00e7\u00e3o de mais pesquisas oficiais. &#8220;Fomos entendendo que existe uma necessidade maior de trazer dados em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 viol\u00eancia e \u00e0s quest\u00f5es que abarcam o preconceito, para que a gente possa incidir com mais efic\u00e1cia em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 pauta, porque temos a obriga\u00e7\u00e3o dentro do estado de pensar em pol\u00edtica p\u00fablica\u201d, diz a cientista social.<\/p>\n\n\n\n<p>A coordenadora tamb\u00e9m comp\u00f5e o grupo gestor da Casa Satine &#8211; Rep\u00fablica de Acolhimento, Cl\u00ednica Social e Espa\u00e7o Cultural para pessoas LGBTQIA+ a partir dos 18 anos &#8211; em Campo Grande. Inicialmente, a ideia desta Organiza\u00e7\u00e3o N\u00e3o Governamental (ONG) era de que houvesse um espa\u00e7o f\u00edsico para receber as pessoas que estivessem em situa\u00e7\u00e3o de extrema vulnerabilidade, respeitando suas caracter\u00edsticas e individualidades e promovendo a liberdade econ\u00f4mica e emocional. Mas, devido \u00e0 falta de recursos e amparo, n\u00e3o foi poss\u00edvel concretizar o planejamento. Outras alternativas de aux\u00edlio foram elaboradas, como espa\u00e7os de sarau e de manifesta\u00e7\u00e3o. Karla refor\u00e7a que a arte-educa\u00e7\u00e3o \u00e9 uma das formas que mais agrega \u00e0 discuss\u00e3o e livre-express\u00e3o, fatores que contribuem para a quebra de preconceitos.<\/p>\n\n\n\n<p>A ONG tamb\u00e9m fornece cestas b\u00e1sicas para integrantes da comunidade queer que se encontram em situa\u00e7\u00e3o de vulnerabilidade. \u201cDurante a pandemia, surgiu uma nova necessidade, que era a seguran\u00e7a alimentar; muitas pessoas ficaram sem nenhum tipo de renda &#8211; principalmente as mulheres trans que trabalham na noite com a prostitui\u00e7\u00e3o\u201d, diz Karla. O respons\u00e1vel pelo atendimento social, <a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/joepsic\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Jonatan Esp\u00edndola<\/a>, informa que desde 2020 foram ajudadas mais de 80 pessoas, e entregue uma m\u00e9dia de 200 cestas b\u00e1sicas.<\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m do suporte socioecon\u00f4mico, a associa\u00e7\u00e3o oferece apoio psicol\u00f3gico e psiqui\u00e1trico. A acad\u00eamica de psicologia <a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/abiancaamorim\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Bianca Amorim<\/a> coordena a Cl\u00ednica Social da Casa Satine e comenta sobre a grande procura pelo acompanhamento psicossocial. \u201cNa psicologia, temos o maior n\u00famero de volunt\u00e1rios\u201d, diz ela, \u201cmas ainda n\u00e3o \u00e9 suficiente porque h\u00e1 uma grande demanda. Todo dia chegam formul\u00e1rios de pessoas solicitando atendimento\u201d. O grupo conta com 33 psic\u00f3logos que atendem em torno de 60 pacientes por semana.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter size-full is-resized\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2022\/06\/Equipe-Subsecretaria.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-2025\" width=\"610\" height=\"404\" srcset=\"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2022\/06\/Equipe-Subsecretaria.jpg 700w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2022\/06\/Equipe-Subsecretaria-300x199.jpg 300w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2022\/06\/Equipe-Subsecretaria-400x265.jpg 400w\" sizes=\"auto, (max-width: 610px) 100vw, 610px\" \/><figcaption>Representantes da Subsecret\u00e1ria de Pol\u00edticas P\u00fablicas LGBT divulgando a campanha &#8216;Diga n\u00e3o ao preconceito e \u00e0 viol\u00eancia&#8217; &#8211; Foto: Emilly Mira<\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n\n<h5 class=\"wp-block-heading\"><strong>A categoria \u00e9\u2026 Viv\u00eancia TRAVESTI<\/strong><\/h5>\n\n\n\n<p>A luta LGBTQIA+ est\u00e1 tamb\u00e9m no mercado de trabalho. Segundo Luara Maria, as vagas de emprego s\u00e3o limitadas e estereotipadas. \u201cEles colocam a gente em lugares que j\u00e1 s\u00e3o da gente. Voc\u00ea encontra manas trans em loja de maquiagem, sal\u00e3o de beleza e lojas de roupa. \u00c9 pouca mana trans que est\u00e1 num espa\u00e7o como shopping ou \u00f3rg\u00e3o p\u00fablico. Temos que ocupar esses lugares, porque se n\u00e3o estivermos l\u00e1 dentro, n\u00e3o vamos conseguir mudar nada\u201d, relata.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"955\" src=\"http:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2022\/06\/Luara-Maria-House-of-Quimera-Foto_-Isa-Procopio-1024x955.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-2093\" srcset=\"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2022\/06\/Luara-Maria-House-of-Quimera-Foto_-Isa-Procopio-1024x955.jpg 1024w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2022\/06\/Luara-Maria-House-of-Quimera-Foto_-Isa-Procopio-300x280.jpg 300w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2022\/06\/Luara-Maria-House-of-Quimera-Foto_-Isa-Procopio-768x716.jpg 768w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2022\/06\/Luara-Maria-House-of-Quimera-Foto_-Isa-Procopio-1536x1433.jpg 1536w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2022\/06\/Luara-Maria-House-of-Quimera-Foto_-Isa-Procopio-2048x1910.jpg 2048w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2022\/06\/Luara-Maria-House-of-Quimera-Foto_-Isa-Procopio-1200x1119.jpg 1200w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2022\/06\/Luara-Maria-House-of-Quimera-Foto_-Isa-Procopio-1980x1847.jpg 1980w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2022\/06\/Luara-Maria-House-of-Quimera-Foto_-Isa-Procopio-1250x1166.jpg 1250w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2022\/06\/Luara-Maria-House-of-Quimera-Foto_-Isa-Procopio-400x373.jpg 400w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><figcaption>Luara Maria, Mother da House of Quimera, compartilha sua viv\u00eancia como travesti em Campo Grande &#8211; Foto: Isa Proc\u00f3pio<\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p>Luara \u00e9 mother da House of Quimera, casa que surgiu em novembro do ano passado, durante a pandemia. O termo \u201cHouse\u201d, como \u00e9 conhecido atualmente, teve origem nos Estados Unidos, em 1980, per\u00edodo marcado pelos primeiros casos e complica\u00e7\u00f5es do v\u00edrus HIV. Com baixo conhecimento da doen\u00e7a na \u00e9poca, diversos jovens LGBTQIA+ acabaram sendo expulsos de suas casas e, na busca por um lar, formaram os coletivos.<\/p>\n\n\n\n<p>Antes da funda\u00e7\u00e3o da House of Quimera, Luara fazia parte da House of Hand\u2019s Up, lugar onde aprendeu muitas coisas, entre elas, a percep\u00e7\u00e3o de uma necessidade de cuidar e acolher. Neste momento ela decidiu criar a sua pr\u00f3pria casa. \u201cEu fui muito bem acolhida na Hand\u2019s Up, os meninos sempre me trataram super bem, s\u00f3 que eu sempre tive um instinto materno, sempre quis ter algu\u00e9m para direcionar, para cuidar, para eu poder passar um pouco do que eu sei, e, tamb\u00e9m, aprender com eles\u201d.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"991\" height=\"596\" src=\"http:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2022\/06\/Luara-Maria-e-Daniel-House-Of-Quimera-Foto_-Emily-Mira.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-2096\" srcset=\"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2022\/06\/Luara-Maria-e-Daniel-House-Of-Quimera-Foto_-Emily-Mira.jpg 991w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2022\/06\/Luara-Maria-e-Daniel-House-Of-Quimera-Foto_-Emily-Mira-300x180.jpg 300w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2022\/06\/Luara-Maria-e-Daniel-House-Of-Quimera-Foto_-Emily-Mira-768x462.jpg 768w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2022\/06\/Luara-Maria-e-Daniel-House-Of-Quimera-Foto_-Emily-Mira-400x241.jpg 400w\" sizes=\"auto, (max-width: 991px) 100vw, 991px\" \/><figcaption>Luara Maria e Daniel Felipe, integrante da House of Quimera &#8211; Foto: Emilly Mira<\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p>O surgimento das Houses no Brasil, trouxe com elas atividades caracter\u00edsticas \u2013 ainda que n\u00e3o as mais importantes &#8211; como as dan\u00e7as Vogue, Catwalk e Face and Body. Luara conta que para fazer parte do grupo, a pessoa precisa ter um v\u00ednculo estabelecido na conviv\u00eancia e n\u00e3o apenas o do saber dan\u00e7ar. Para ela, a House \u00e9 um local de apoio, aprendizado e troca de experi\u00eancias. Ainda que n\u00e3o possuam uma sede\/casa pr\u00f3pria, o coletivo vai al\u00e9m do espa\u00e7o f\u00edsico e se estabelece, em grande medida, por meio do acolhimento e da sensa\u00e7\u00e3o de pertencimento.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"700\" height=\"467\" src=\"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2022\/06\/IMG_7711.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-2035\" srcset=\"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2022\/06\/IMG_7711.jpg 700w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2022\/06\/IMG_7711-300x200.jpg 300w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2022\/06\/IMG_7711-400x267.jpg 400w\" sizes=\"auto, (max-width: 700px) 100vw, 700px\" \/><figcaption>Ensaio da House of Quimera nas quadras da UFMS &#8211; Foto: Emilly Mira<\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n\n<h5 style=\"text-align: center;\"><strong><span style=\"color: #ff0000;\">\u201cEles colocam a gente em lugares que j\u00e1 s\u00e3o da gente. Voc\u00ea encontra manas trans em loja de maquiagem, sal\u00e3o de beleza e lojas de roupa&#8221; &#8211; Luara Maria<\/span><\/strong><\/h5>\n\n\n\n<h5 class=\"wp-block-heading\"><strong>A categoria \u00e9\u2026 M\u00e3os livres<\/strong><\/h5>\n\n\n\n<p>Criada em 2017, a House Of Hand\u2019s Up \u00e9 fortificada na dan\u00e7a, mas tamb\u00e9m trabalha o desenvolvimento pessoal de cada integrante, por meio da integra\u00e7\u00e3o, acolhimento, apoio, aceita\u00e7\u00e3o e incentivo. <a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/rogerpachecoo\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Roger Pacheco<\/a>, mother da casa, informou que antes do coletivo Hand\u2019s Up, o grupo chamava Hand\u2019s Crew e a altera\u00e7\u00e3o do nome veio depois de um workshop, no qual <a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/eduardakonazion\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Eduarda Kona Zion<\/a>, ativista e fomentadora da cultura preta-latina-trans-perif\u00e9rica LGBTQIA+, filiou o coletivo como uma extens\u00e3o do <a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/handsupdf\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Hand\u2019s Up de Bras\u00edlia<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"800\" height=\"533\" src=\"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2022\/06\/IMG_7147.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-2030\" srcset=\"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2022\/06\/IMG_7147.jpg 800w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2022\/06\/IMG_7147-300x200.jpg 300w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2022\/06\/IMG_7147-768x512.jpg 768w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2022\/06\/IMG_7147-400x267.jpg 400w\" sizes=\"auto, (max-width: 800px) 100vw, 800px\" \/><figcaption>Roger Pacheco, mother da House of Hand&#8217;s Up, conta sobre o grupo &#8211; Foto: Isa Proc\u00f3pio<\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p>Antes da filia\u00e7\u00e3o, Roger fazia parte do grupo de dan\u00e7a \u201c<a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/ciadancurbana\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Companhia Dan\u00e7a Urbana<\/a>\u201d. Neste grupo, algumas coreografias produzidas pelas mulheres eram s\u00f3 para as mulheres, e os homens n\u00e3o podiam dan\u00e7ar, foi a partir da\u00ed que Roger sentiu a necessidade de criar o Hand\u2019s Crew, para que ele e seus amigos pudessem performar o que queriam, com mais feminilidade e liberdade. &#8220;Voc\u00ea pode ser gay, mas em cena voc\u00ea precisa dan\u00e7ar que nem homem h\u00e9tero. A gente vestia um personagem, n\u00e3o era aquilo que quer\u00edamos fazer, quer\u00edamos ser n\u00f3s mesmos. Depois disso montamos uma coreografia s\u00f3 de gay, s\u00f3 de viado, bem mais feminina\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Com a vinda de Kona Zion \u00e0 Campo Grande, o grupo de Roger come\u00e7ou a ter treinos di\u00e1rios com a ativista, montaram coreografias e iniciaram o aprendizado da t\u00e9cnica Vogue. O grupo foi se especializando, apresentando workshops, levando pessoas para participarem de treinos abertos ao p\u00fablico e criando performances apenas com Vogue. Segundo Roger, com essa \u201cbrincadeira\u201d surgiu a ideia de expandir o grupo Hand\u2019s Up MS para a House.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"800\" height=\"533\" src=\"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2022\/06\/IMG_7263.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-2034\" srcset=\"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2022\/06\/IMG_7263.jpg 800w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2022\/06\/IMG_7263-300x200.jpg 300w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2022\/06\/IMG_7263-768x512.jpg 768w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2022\/06\/IMG_7263-400x267.jpg 400w\" sizes=\"auto, (max-width: 800px) 100vw, 800px\" \/><figcaption>A dan\u00e7a \u00e9 parte fundamental da House of Hand&#8217;s Up &#8211; Foto: Isa Proc\u00f3pio<\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p>Atualmente, a House ainda tem muita liga\u00e7\u00e3o com a dan\u00e7a e \u00e9, inclusive, ganhadora de tr\u00eas pr\u00eamios na \u00e1rea, sendo eles: Big Field Camp, em 2017, o Pr\u00eamio On\u00e7a Pintada, em 2018, e o Festival Canind\u00e9, em 2019. Esses pr\u00eamios podem ser vistos como consequ\u00eancia do esfor\u00e7o e uni\u00e3o dos integrantes do grupo. O dan\u00e7arino <a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/greydsonclink\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Greydson Clink<\/a> fala sobre o que a House representa em sua vida. \u201cA Hand&#8217;s me completa, praticamente. Antes da Hand&#8217;s Up eu estava em um processo de aceita\u00e7\u00e3o comigo mesmo, tanto de sexualidade quanto de corpo, mentalidade e autoestima, ent\u00e3o quando eu entrei, era aquela pecinha que faltava para eu me encaixar\u201d, confessa.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"800\" height=\"533\" src=\"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2022\/06\/IMG_7202.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-2029\" srcset=\"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2022\/06\/IMG_7202.jpg 800w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2022\/06\/IMG_7202-300x200.jpg 300w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2022\/06\/IMG_7202-768x512.jpg 768w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2022\/06\/IMG_7202-400x267.jpg 400w\" sizes=\"auto, (max-width: 800px) 100vw, 800px\" \/><figcaption>Greydson Clink integrante da casa Hand&#8217;s Up &#8211; Foto: Isa Proc\u00f3pio<\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p>A casa foi a pioneira no estado. <a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/tarso_aguillera\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Tarso Fernandez<\/a>, um dos integrantes, afirma que por ser a primeira no Mato Grosso do Sul, a Hand\u2019s Up p\u00f4de abrir caminhos e servir como espelho para cidad\u00e3os LGBTQIA+. \u201cMesmo sendo capital, mesmo sendo a cidade mais desenvolvida do estado, Campo Grande ainda tem a quest\u00e3o do preconceito, do machismo, da transfobia e homofobia, ent\u00e3o o fato da House ser pioneira e ter um nome muito forte dentro do estado, abre caminhos para que outras pessoas se espelhem e se imponham contra essas quest\u00f5es\u201d, relata. Tarso afirma que fazer parte do coletivo \u00e9 poder ser \u2013 e se expor &#8211; como ele \u00e9. \u00c9 onde ele consegue se expressar, expressar sua arte, amar seu corpo e se amar, al\u00e9m de se sentir mais seguro na pr\u00f3pria dan\u00e7a.<\/p>\n\n\n\n<h5 class=\"wp-block-heading\"><strong>A categoria \u00e9\u2026 Divers\u00e3o e acolhimento<\/strong><\/h5>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"700\" height=\"467\" src=\"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2022\/06\/IMG_7388.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-2031\" srcset=\"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2022\/06\/IMG_7388.jpg 700w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2022\/06\/IMG_7388-300x200.jpg 300w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2022\/06\/IMG_7388-400x267.jpg 400w\" sizes=\"auto, (max-width: 700px) 100vw, 700px\" \/><figcaption>Espa\u00e7o interno do bar Jurema &#8211; Foto: Biel Gill<\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p>Fundado em mar\u00e7o de 2019 e localizado na regi\u00e3o central de Campo Grande, em frente \u00e0 <a href=\"https:\/\/www.google.com.br\/maps\/place\/Pra%C3%A7a+dos+Imigrantes+-+Centro,+Campo+Grande+-+MS,+79072-444\/@-20.4668335,-54.6151712,17z\/data=!3m1!4b1!4m5!3m4!1s0x9486e61f1d274dcf:0xb2d4a7ee1b14c593!8m2!3d-20.4668979!4d-54.613094\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Pra\u00e7a dos Imigrantes<\/a>, o Jurema Bar \u00e9 um local voltado para a comunidade LGBTQIA+ da cidade. <a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/fabiojara_\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">F\u00e1bio Jara<\/a> \u00e9 s\u00f3cio propriet\u00e1rio do ambiente e conta que o bar surgiu da necessidade de ter um espa\u00e7o queer na cidade. \u201cEu estou h\u00e1 mais de 10 anos na cena, atuando como DJ e produtor de festa. Nunca tinha visto ou vivenciado aqui em Campo Grande uma experi\u00eancia como o Jurema.\u201d explica.<\/p>\n\n\n\n<p>A ess\u00eancia do bar foi inspirada no Nordeste, regi\u00e3o do Brasil conhecida pela sua hospitalidade. F\u00e1bio conta que l\u00e1 \u00e9 muito comum transformar uma casa em um local de encontro. Ele viu a oportunidade de trazer esse conceito nordestino ao ambiente campo-grandense, ao ver uma casa para alugar em frente a um sarau que frequentava, semanalmente, na Pra\u00e7a dos Imigrantes. Com isso em mente, criou o Jurema, nome escolhido em homenagem a sua av\u00f3.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"800\" height=\"587\" src=\"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2022\/06\/IMG_7328.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-2032\" srcset=\"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2022\/06\/IMG_7328.jpg 800w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2022\/06\/IMG_7328-300x220.jpg 300w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2022\/06\/IMG_7328-768x564.jpg 768w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2022\/06\/IMG_7328-400x294.jpg 400w\" sizes=\"auto, (max-width: 800px) 100vw, 800px\" \/><figcaption>F\u00e1bio Jara, s\u00f3cio-empres\u00e1rio do Bar Jurema fala sobre a funda\u00e7\u00e3o do local de acolhimento &#8211; Foto: Isa Proc\u00f3pio<\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p>Pelo fato de o estado ainda ser visto, social e politicamente, como conservador, \u00e9 comum o sentimento de deslocamento e falta de pertencimento por parte do p\u00fablico LGBTQIA+ campo-grandense. A atmosfera receptiva produzida pelo Jurema foi um fator determinante para a incorpora\u00e7\u00e3o do bar na cidade, com forte presen\u00e7a da m\u00fasica pop, estilo muito consumido pela comunidade queer, al\u00e9m de possuir elementos representantes de religi\u00f5es de matrizes africanas e decora\u00e7\u00e3o com a tem\u00e1tica LGBTQIA+, com bandeiras e outros componentes que representam a comunidade. A casa-bar tamb\u00e9m investe na seguran\u00e7a do local, que \u00e9 pensada de maneira a proteger e ao mesmo tempo deixar o p\u00fablico \u00e0 vontade, por isso, Jara contratou Silvana, que presta o servi\u00e7o de vigil\u00e2ncia. Segundo F\u00e1bio, o g\u00eanero de Silvana interferiu na contrata\u00e7\u00e3o, j\u00e1 que o p\u00fablico se sente mais confort\u00e1vel com a vigil\u00e2ncia feita por uma mulher.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"700\" height=\"467\" src=\"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2022\/06\/IMG_7408.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-2033\" srcset=\"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2022\/06\/IMG_7408.jpg 700w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2022\/06\/IMG_7408-300x200.jpg 300w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2022\/06\/IMG_7408-400x267.jpg 400w\" sizes=\"auto, (max-width: 700px) 100vw, 700px\" \/><figcaption>O bar optou por contratar Silvana para manter a seguran\u00e7a do local &#8211; Foto: Emilly Mira<\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p>O propriet\u00e1rio afirma que epis\u00f3dios de viol\u00eancia nunca aconteceram no Jurema. \u201cEm todo esse tempo que estamos aqui, nunca tivemos casos de ass\u00e9dio, de briga e de desentendimento. As pessoas respeitam, acolhem muito bem. Temos orgulho de falar porque acabou se tornando realmente um local seguro. <strong>Todes s\u00e3o bem-vindes<\/strong>\u201d.<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator\"\/>\n\n\n\n<h2 class=\"has-text-align-center wp-block-heading\"><strong>G<\/strong>loss\u00e1rio<\/h2>\n\n\n\n<p>Criado com bases no NEDGS\/UFGD (N\u00facleo de Estudos de Diversidade de G\u00eanero e Sexual) e com o aux\u00edlio do professor Tiago Duque (FACH\/UFMS), esse gloss\u00e1rio busca situar os termos da reportagem, podendo variar de acordo com fatores s\u00f3cio-hist\u00f3ricos e, como parte de constru\u00e7\u00f5es culturais, est\u00e3o sempre em transforma\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n\n<p><strong><span style=\"color: #ff00ff\">Identidade de g\u00eanero:<\/span>&nbsp;<\/strong>G\u00eanero que a pessoa se identifica.<\/p>\n<p><span style=\"color: #ff00ff\"><strong>Orienta\u00e7\u00e3o Sexual:&nbsp;<\/strong><\/span>Atra\u00e7\u00e3o afetiva e\/ou sexual por outra pessoa.<\/p>\n\n\n\n\n<p><span style=\"color: #ff0000\"><strong>L\u00e9sbicas:<\/strong><\/span> Orienta\u00e7\u00e3o sexual. Mulheres que sentem atra\u00e7\u00e3o afetiva e\/ou sexual por outras mulheres.<\/p>\n<p><span style=\"color: #ff9900\"><strong>Gays:<\/strong> <\/span>Orienta\u00e7\u00e3o sexual. Homens que sentem atra\u00e7\u00e3o afetiva e\/ou sexual por outros homens.<\/p>\n<p><span style=\"color: #ffff00\"><strong>Bissexuais:<\/strong><\/span> Orienta\u00e7\u00e3o sexual. Homens e mulheres que sentem atra\u00e7\u00e3o afetiva e\/ou sexual tanto por homens quanto por mulheres.<\/p>\n<p><span style=\"color: #008000\"><strong>Transgeneridade:<\/strong><\/span> Identidade de g\u00eanero. Pessoas que n\u00e3o se identificam com o g\u00eanero que foi atribu\u00eddo no nascimento.<\/p>\n<p><span style=\"color: #3366ff\"><strong>Travestis:<\/strong><\/span> Identidade de g\u00eanero. Pessoa que n\u00e3o se identifica com o sexo masculino atribu\u00eddo no nascimento, se reconhece numa identidade feminina. N\u00e3o necessariamente se consideram mulheres.<\/p>\n<p><span style=\"color: #000080\"><strong>Queers:<\/strong><\/span> Termo utilizado por membros da comunidade LGBTQIA+ que n\u00e3o se enquadram na cisheteronormatividade.<\/p>\n<p><strong><span style=\"color: #800080\">Intersexuais:<\/span><\/strong> Identidade de g\u00eanero. Varia\u00e7\u00e3o nas caracter\u00edsticas sexuais biol\u00f3gicas que identificam cada g\u00eanero.<\/p>\n<p><span style=\"color: #ff0000\"><strong>Assexuais:<\/strong><\/span> Orienta\u00e7\u00e3o sexual. Indiv\u00edduo que n\u00e3o sente atra\u00e7\u00e3o sexual.<\/p>\n<p><span style=\"color: #ff9900\"><strong>N\u00e3o-bin\u00e1rio:<\/strong> <\/span>Identidade de g\u00eanero. Pessoa que n\u00e3o se identifica com nenhum g\u00eanero ou transita entre o g\u00eanero feminino e masculino.<\/p>\n<p><span style=\"color: #ffff00\"><strong>Cisg\u00eanero:<\/strong><\/span> Identidade de g\u00eanero. Pessoa que se identifica com o sexo atribu\u00eddo ao nascimento.<\/p>\n<p><span style=\"color: #008000\"><strong>Cisheteronormatividade:<\/strong><\/span> Imposi\u00e7\u00e3o social para ser ou se comportar de acordo com os pap\u00e9is impostos socialmente a cada g\u00eanero, como se fossem naturais.<\/p>\n<p><span style=\"color: #0000ff\"><strong>Vogue:<\/strong> <\/span>Estilo de dan\u00e7a com poses e \u201ccar\u00f5es\u201d inspirados nas capas da revista Vogue.<\/p>\n<p><span style=\"color: #000080\"><strong>Ballroom:<\/strong><\/span> Sal\u00e3o de baile. Local onde acontecem as disputas de dan\u00e7a.<\/p>\n<p><span style=\"color: #800080\"><strong>Catwalk:<\/strong><\/span> Caminhada de gato. Categoria do estilo de dan\u00e7a Vogue.<\/p>\n<p><span style=\"color: #ff0000\"><strong>Face and Body:<\/strong><\/span> Rosto e corpo. Express\u00f5es faciais da dan\u00e7a Vogue.<\/p>\n\n\n\n<p><span style=\"color: #ff9900;\"><strong>Mother:<\/strong><\/span> M\u00e3e. L\u00edder das houses. O t\u00edtulo n\u00e3o segue binariedade.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-buttons is-content-justification-center is-layout-flex wp-block-buttons-is-layout-flex\">\n<div class=\"wp-block-button\"><a class=\"wp-block-button__link\" href=\"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/projetil-98\/\">Voltar pARA edi\u00e7\u00e3o 98<\/a><\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A busca por pertencimento e representatividade da comunidade LGBTQIA+ em meio ao conservadorismo sul-mato-grossense Texto: Biel Gill | Emilly Mira | Let\u00edcia Dantas \u201cAqui no estado \u00e9 muito dif\u00edcil a gente ser trans, ser travesti. 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