{"id":1990,"date":"2022-06-21T16:04:16","date_gmt":"2022-06-21T20:04:16","guid":{"rendered":"https:\/\/jornalismo.ufms.br\/projetil\/?p=1990"},"modified":"2022-07-04T16:19:47","modified_gmt":"2022-07-04T20:19:47","slug":"educando-nas-aguas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/educando-nas-aguas\/","title":{"rendered":"Educando nas \u00e1guas"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"has-text-align-center has-accent-color has-text-color\"><strong>Vit\u00f3ria Martins<\/strong><\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator\"\/>\n\n\n\n<p>Segunda-feira: despertar, comer um p\u00e3o com caf\u00e9, dar um abra\u00e7o na fam\u00edlia e partir. No porto do munic\u00edpio de Corumb\u00e1 (MS) um barco est\u00e1 \u00e0 espera. Com um motor potente, o transporte fluvial demora em torno de duas horas at\u00e9 o seu destino, escola das \u00e1guas. A chegada \u00e9 por volta das nove horas da manh\u00e3, s\u00e3o 90 km da cidade e as atividades se iniciam pela tarde. Reencontrar os familiares, s\u00f3 no pr\u00f3ximo final de semana. Essa costuma ser parte da rotina da profissional que atua em uma das escolas das \u00e1guas no Pantanal.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"615\" height=\"332\" src=\"http:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2022\/06\/escola-barco.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-2185\" srcset=\"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2022\/06\/escola-barco.jpg 615w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2022\/06\/escola-barco-300x162.jpg 300w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2022\/06\/escola-barco-400x216.jpg 400w\" sizes=\"auto, (max-width: 615px) 100vw, 615px\" \/><figcaption>Ilustra\u00e7\u00e3o: Ana Clara Klem<\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p>Escolas das \u00e1guas s\u00e3o institui\u00e7\u00f5es de ensino que atuam em zonas rurais de dif\u00edcil acesso no Pantanal Sul. Ao todo, 11 escolas fazem parte desse conjunto e dependendo da regi\u00e3o, sofrem um impacto direto dos ciclos dos rios Paraguai e Taquari. O p\u00fablico estudante \u00e9 composto por crian\u00e7as ribeirinhas, assentadas, filhos de pescadores e pe\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p>A Escola Municipal Rural Extens\u00e3o Jatobazinho ou Escola Jatobazinho como \u00e9 mais conhecida, \u00e9 a amplia\u00e7\u00e3o da Escola Municipal Rural Polo Paraguai Mirim. Est\u00e1 localizada \u00e0s margens da Ba\u00eda Vermelha, \u00c1rea de Preserva\u00e7\u00e3o Ambiental (APA) do munic\u00edpio de Corumb\u00e1 e \u00e9 mantida por meio da parceria entre o Instituto Acaia e a Prefeitura Municipal da cidade. Atende crian\u00e7as ribeirinhas das regi\u00f5es do Castelo, Maracangalha, Paiaguas, Paraguai Mirim, S\u00e3o Francisco e Serra do Amolar. Funciona em regime de altern\u00e2ncia \u2013 os alunos possuem atividades durante todo o dia, dormem na escola de segunda \u00e0 sexta e retornam para casa aos s\u00e1bados. O ano escolar \u00e9 formado por quatro bimestres. No ano de 2022, o per\u00edodo letivo teve in\u00edcio no m\u00eas de mar\u00e7o, ter\u00e1 um pequeno recesso no m\u00eas de julho e as atividades se encerrar\u00e3o em dezembro. Ao todo, 59 crian\u00e7as est\u00e3o matriculadas na escola, em classes que v\u00e3o do prim\u00e1rio at\u00e9 o quinto ano do Ensino Fundamental I.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"292\" height=\"207\" src=\"http:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2022\/06\/escola-cadeira.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-2186\"\/><figcaption>Ilustra\u00e7\u00e3o: Ana Clara Klem<\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p>Escolas como estas s\u00e3o de extrema import\u00e2ncia para a popula\u00e7\u00e3o local e fazem toda a diferen\u00e7a na comunidade. O relat\u00f3rio da \u201cA\u00e7\u00e3o diagn\u00f3stica\u201d realizada pela Secret\u00e1ria Municipal de Educa\u00e7\u00e3o de Corumb\u00e1, em parceria com a Secret\u00e1ria Estadual de Educa\u00e7\u00e3o de 2004, identificou os principais problemas vivenciados por ribeirinhos. O documento destacava quest\u00f5es educacionais: crian\u00e7as, jovens e adultos n\u00e3o possu\u00edam acesso \u00e0 escola, o que impactava diretamente no elevado \u00edndice de analfabet\u00edssimo. Al\u00e9m disso, a presen\u00e7a do trabalho infantil tamb\u00e9m foi mencionada. De modo geral, escolas carregam consigo a responsabilidade de trazer novas perspectivas para crian\u00e7as e familiares. E a dist\u00e2ncia da \u00e1rea urbana torna esse peso ainda maior, j\u00e1 que para a maioria dos estudantes, essa \u00e9 a \u00fanica oportunidade de ser alfabetizado.<\/p>\n\n\n\n<p>Aos familiares e alunos que desejam ir al\u00e9m do ensino fornecido pela escola, \u00e9 dado o incentivo de seguir com os estudos, por exemplo, na Funda\u00e7\u00e3o Bradesco &#8211; Institui\u00e7\u00e3o de Ensino que tem como objetivo promover inclus\u00e3o e desenvolvimento social, oferecendo educa\u00e7\u00e3o gratuita de qualidade para pessoas de baixa renda. A funda\u00e7\u00e3o fica localizada no munic\u00edpio de Bodoquena (MS), a 266 quil\u00f4metros de Corumb\u00e1 e dedica-se ao ensino fundamental, m\u00e9dio e t\u00e9cnico. Por conta da dist\u00e2ncia ainda maior, as crian\u00e7as continuam longe de seus pais por at\u00e9 dois meses.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"292\" height=\"196\" src=\"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2022\/06\/escola-peixe.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-2188\"\/><figcaption>Ilustra\u00e7\u00e3o: Ana Clara Klem<\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p>N\u00e3o \u00e9 apenas aprender a ler, escrever, somar e dividir, \u00e9 tamb\u00e9m socializar. \u00c9 um espa\u00e7o de viv\u00eancia que tenta incorporar e aproveitar ao m\u00e1ximo a cultura nativa e o que a natureza oferece. A educa\u00e7\u00e3o nos leva a caminhos inimagin\u00e1veis, mas isso s\u00f3 \u00e9 poss\u00edvel se existir entendimento sobre o conte\u00fado aprendido e fizer sentido a quem se fala. Crian\u00e7as ribeirinhas entendem mais sobre peixes do que sobre celulares do ano. Ent\u00e3o, ao citar exemplos, o professor tem que estar preparado para infiltrar-se em um grupo que n\u00e3o necessariamente \u00e9 o seu de origem. Esse pode ser um dos maiores desafios da profiss\u00e3o neste contexto. Por isso, investimentos na equipe pedag\u00f3gica tamb\u00e9m s\u00e3o realizados.<\/p>\n\n\n\n<p>Ser professora das \u00e1guas em per\u00edodo integral \u00e9 um ato de coragem. Deixar filhos e familiares em casa sempre \u00e9 doloroso, mas quando se d\u00e3o conta, j\u00e1 \u00e9 s\u00e1bado, dia de descer pelo rio Paraguai para o reencontro. A volta \u00e9 mais r\u00e1pida, a correnteza da \u00e1gua ajuda a impulsionar o barco. Em uma hora e meia est\u00e3o novamente no porto da cidade de Corumb\u00e1. O pr\u00f3ximo barco, s\u00f3 segunda-feira.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-buttons is-content-justification-center is-layout-flex wp-block-buttons-is-layout-flex\">\n<div class=\"wp-block-button\"><a class=\"wp-block-button__link\" href=\"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/projetil-98\/\">voltar para edi\u00e7\u00e3o 98<\/a><\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Vit\u00f3ria Martins Segunda-feira: despertar, comer um p\u00e3o com caf\u00e9, dar um abra\u00e7o na fam\u00edlia e partir. No porto do munic\u00edpio de Corumb\u00e1 (MS) um barco est\u00e1 \u00e0 espera. Com um motor potente, o transporte fluvial demora em torno de duas horas at\u00e9 o seu destino, escola das \u00e1guas. 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