{"id":1992,"date":"2022-06-21T07:37:29","date_gmt":"2022-06-21T11:37:29","guid":{"rendered":"https:\/\/jornalismo.ufms.br\/projetil\/?p=1992"},"modified":"2022-07-04T17:06:41","modified_gmt":"2022-07-04T21:06:41","slug":"nas-redes-dos-desertos-de-noticia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/nas-redes-dos-desertos-de-noticia\/","title":{"rendered":"Nas redes dos desertos de not\u00edcia"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"has-text-align-center has-accent-color has-text-color\"><strong>Cadu Fernandes<\/strong><\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator\"\/>\n\n\n\n<p>Certamente, quando pensamos na imprensa interiorana, na rela\u00e7\u00e3o de proximidade entre a informa\u00e7\u00e3o e a constru\u00e7\u00e3o das identidades culturais, percebemos sua import\u00e2ncia na cria\u00e7\u00e3o de v\u00ednculos de pertencimento entre um cidad\u00e3o e sua \u00e1rea. O jornalismo hiperlocal oferece, ent\u00e3o, uma forma da popula\u00e7\u00e3o se sentir conectada ao seu territ\u00f3rio.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"885\" height=\"1024\" src=\"http:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2022\/06\/deserto-de-noticia-885x1024.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-2183\" srcset=\"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2022\/06\/deserto-de-noticia-885x1024.jpg 885w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2022\/06\/deserto-de-noticia-259x300.jpg 259w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2022\/06\/deserto-de-noticia-768x889.jpg 768w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2022\/06\/deserto-de-noticia-400x463.jpg 400w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2022\/06\/deserto-de-noticia.jpg 1181w\" sizes=\"auto, (max-width: 885px) 100vw, 885px\" \/><figcaption>Ilustra\u00e7\u00e3o: Lucas Sorio<\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p>Entretanto, o Mato Grosso do Sul sofre com a falta de ve\u00edculos jornal\u00edsticos no interior. Segundo a \u00faltima atualiza\u00e7\u00e3o do Atlas da Not\u00edcia \u2013 site respons\u00e1vel por mapear ve\u00edculos jornal\u00edsticos no Brasil \u2013 em 2020, contando jornais impressos, r\u00e1dio, televis\u00e3o e sites, 34 munic\u00edpios possu\u00edam apenas dois ve\u00edculos ou menos \u2013 a maioria j\u00e1 em estado prec\u00e1rio. Tal situa\u00e7\u00e3o evidencia a amea\u00e7a dos chamados \u201cdesertos de not\u00edcia\u201d, termo referente a locais sem um ve\u00edculo independente de jornalismo, ou seja, algum jornal sem v\u00ednculo com \u00f3rg\u00e3os estatais.<\/p>\n\n\n\n<p>Territ\u00f3rios com essa caracter\u00edstica possuem a problem\u00e1tica de sua vida social n\u00e3o ser pautada pelas pr\u00e1ticas jornal\u00edsticas, originando algumas peculiaridades, como a falta de fiscaliza\u00e7\u00e3o do poder p\u00fablico e a car\u00eancia da popula\u00e7\u00e3o no que diz respeito ao conv\u00edvio com sua comunidade. Dessa forma, a popula\u00e7\u00e3o tende a buscar outras maneiras de conseguir e produzir informa\u00e7\u00f5es locais, \u00e9 o caso dos grupos do Facebook.<\/p>\n\n\n\n<p>O Facebook tem sido crucial para o compartilhamento de informa\u00e7\u00f5es, especialmente durante a pandemia da Covid-19, em um n\u00famero crescente de \u00e1reas onde os jornais foram fechados. A aus\u00eancia de uma identidade jornal\u00edstica, com responsabilidade e apura\u00e7\u00e3o pr\u00f3pria, transformaram os grupos em centros de desinforma\u00e7\u00e3o, disputa partid\u00e1ria e vigilantismo. O Facebook n\u00e3o exatamente matou as not\u00edcias locais, mas certamente alterou a din\u00e2mica jornal\u00edstica. \u00c9 um papel que a pr\u00f3pria rede social reconheceu e tentou corrigir ao doar, em 2019, US$400 milh\u00f5es para programas de not\u00edcias locais. <\/p>\n\n\n\n<p>Em Mato Grosso do Sul, estima-se que, das 79 cidades, 55 possuem menos de 25 mil habitantes. De certo, isso nos faz refletir: at\u00e9 que ponto o distanciamento do indiv\u00edduo dos centros de poder influencia seu exerc\u00edcio concreto de cidadania? A solu\u00e7\u00e3o desse tema passa pelo jornalismo de proximidade, afinal o conhecimento adquirido \u00e9 a principal ponte entre as condi\u00e7\u00f5es b\u00e1sicas de participa\u00e7\u00e3o e a a\u00e7\u00e3o c\u00edvica, mesmo que na sua inst\u00e2ncia regional. <\/p>\n\n\n\n<p>Por\u00e9m, a falta de um ve\u00edculo jornal\u00edstico institucionalizado e a presen\u00e7a de outros produtos noticiosos nas redes sociais mant\u00e9m as localidades como um deserto de not\u00edcias? \u00c9 dif\u00edcil responder essa quest\u00e3o j\u00e1 que certamente as intera\u00e7\u00f5es na internet representam uma forma da popula\u00e7\u00e3o se conectar \u00e0 sua comunidade, ajudando na comunica\u00e7\u00e3o comunit\u00e1ria. No entanto, esse novo ecossistema informacional pode abrir precedentes perigosos e um dos exemplos mais claros s\u00e3o as fake news, que consistem em uma distribui\u00e7\u00e3o deliberada de desinforma\u00e7\u00e3o ou boatos via jornal impresso, televis\u00e3o, r\u00e1dio, ou mesmo nas m\u00eddias sociais.<\/p>\n\n\n\n<p>O grupo de informa\u00e7\u00e3o comunit\u00e1ria criado no Facebook pode ser mais sutil e, de certa forma, mais insidioso, aparentemente \u00e9 mais confi\u00e1vel. A desinforma\u00e7\u00e3o \u2013 compartilhada de boa-f\u00e9 pelos vizinhos, espremida entre acontecimentos locais leg\u00edtimos e supervisionada por um membro da comunidade sem treinamento, mas com boas inten\u00e7\u00f5es \u2013 ainda \u00e9 capaz de trazer problemas \u00e0 comunidade.<\/p>\n\n\n\n<p>A cidade de Nioaque, localizada no interior de MS, recorreu a um desses grupos. Entretanto, a alternativa \u00e0 falta de not\u00edcias locais logo caminhou para uma esp\u00e9cie de grupo de classificados, no qual o grande n\u00famero de integrantes sem uma interven\u00e7\u00e3o \u2013 que no caso de um ve\u00edculo tradicional seria feita pelo editor-chefe \u2013 criou um grupo utilizado para venda de produtos.<\/p>\n\n\n\n<p>Em vista disso, o Mato Grosso do Sul se torna um campo apropriado para analisar as din\u00e2micas desse novo ecossistema, j\u00e1 que o Estado, fora dos centros de poder, possui diversas pequenas cidades amea\u00e7adas com o fim de ve\u00edculos jornal\u00edsticos. As redes sociais podem ajudar na pr\u00e1tica da comunica\u00e7\u00e3o comunit\u00e1ria e no desenvolvimento da cidadania, visto que proporcionam discuss\u00f5es que nem sempre t\u00eam voz nos peri\u00f3dicos tradicionais. Entretanto, ainda assim, existe um longo caminho a percorrer em busca de um trabalho de qualidade.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-buttons is-content-justification-center is-layout-flex wp-block-buttons-is-layout-flex\">\n<div class=\"wp-block-button\"><a class=\"wp-block-button__link\" href=\"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/projetil-98\/\">VOLTAR PARA EDI\u00c7\u00c3O 98<\/a><\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Cadu Fernandes Certamente, quando pensamos na imprensa interiorana, na rela\u00e7\u00e3o de proximidade entre a informa\u00e7\u00e3o e a constru\u00e7\u00e3o das identidades culturais, percebemos sua import\u00e2ncia na cria\u00e7\u00e3o de v\u00ednculos de pertencimento entre um cidad\u00e3o e sua \u00e1rea. O jornalismo hiperlocal oferece, ent\u00e3o, uma forma da popula\u00e7\u00e3o se sentir conectada ao seu territ\u00f3rio. 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