{"id":2041,"date":"2022-06-21T07:43:22","date_gmt":"2022-06-21T11:43:22","guid":{"rendered":"https:\/\/jornalismo.ufms.br\/projetil\/?p=2041"},"modified":"2022-07-04T17:02:52","modified_gmt":"2022-07-04T21:02:52","slug":"no-grito-do-rap-mato-grosso-do-sul-e-indigena","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/no-grito-do-rap-mato-grosso-do-sul-e-indigena\/","title":{"rendered":"No grito do rap: Mato Grosso do Sul \u00e9 ind\u00edgena"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"has-text-align-center\"> <\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"has-text-align-center wp-block-heading\"><strong>O grupo criador do rap ind\u00edgena no Brasil, Br\u00f4 MC&#8217;s, revela qual \u00e9 a vis\u00e3o do pa\u00eds sobre os povos ind\u00edgenas, ao cantar sobre demarca\u00e7\u00f5es, luta e tradi\u00e7\u00e3o<\/strong><\/h4>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center has-accent-color has-text-color\"><strong>Texto: Ra\u00edssa Trelha | Maria Isabel Mainvailer | Mariana Lima<\/strong><\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator\"\/>\n\n\n\n<p>O gosto pelo estilo come\u00e7ou ainda na inf\u00e2ncia. Em 2006, desafiado a montar uma apresenta\u00e7\u00e3o que fugisse dos padr\u00f5es da escola, Bruno Veron decidiu que o rap seria a sua express\u00e3o. Quando foi mostrar a letra para o professor, logo de cara veio o estranhamento. \u201cEu falei que tinha um rap para cantar e ele disse: \u2018rap? mas o que \u00e9 isso?\u2019\u201d.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"683\" src=\"http:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2022\/06\/TODOS-FOTO-DE_-Luan-iturve-1024x683.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-2285\" srcset=\"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2022\/06\/TODOS-FOTO-DE_-Luan-iturve-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2022\/06\/TODOS-FOTO-DE_-Luan-iturve-300x200.jpg 300w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2022\/06\/TODOS-FOTO-DE_-Luan-iturve-768x512.jpg 768w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2022\/06\/TODOS-FOTO-DE_-Luan-iturve-1536x1024.jpg 1536w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2022\/06\/TODOS-FOTO-DE_-Luan-iturve-2048x1365.jpg 2048w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2022\/06\/TODOS-FOTO-DE_-Luan-iturve-1200x800.jpg 1200w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2022\/06\/TODOS-FOTO-DE_-Luan-iturve-1980x1320.jpg 1980w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2022\/06\/TODOS-FOTO-DE_-Luan-iturve-1250x833.jpg 1250w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2022\/06\/TODOS-FOTO-DE_-Luan-iturve-400x267.jpg 400w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><figcaption>Clemerson, Bruno, Charlie e Kelvin, integrantes do Br\u00f4 MC&#8217;s &#8211; Foto: Luan Iturve<\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p>Clemerson Batista, Bruno Veron, Charlie e Kelvin Peixoto, duas duplas de irm\u00e3os das etnias <a href=\"https:\/\/pib.socioambiental.org\/pt\/Povo:Guarani_Kaiow%C3%A1\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Guarani-Kaiow\u00e1<\/a> e <a href=\"https:\/\/pib.socioambiental.org\/pt\/Povo:Terena\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Terena<\/a>, nasceram em uma reserva ind\u00edgena localizada na cidade de Dourados (MS), em uma esp\u00e9cie de periferia rural. Com ruas prec\u00e1rias, casas simples, sem muita estrutura e um com\u00e9rcio pobre, o local por si s\u00f3 j\u00e1 demonstra o tratamento do estado para com os povos origin\u00e1rios.<\/p>\n\n\n\n<p>Prontos para mostrar o talento com as palavras musicadas e transmitir a cultura ind\u00edgena por meio da arte, os jovens atra\u00edram aten\u00e7\u00e3o de alguns professores da <a href=\"https:\/\/www.google.com\/maps\/place\/Escola+Estadual+Indigena+Guateka+Mar%C3%A7al+De+Souza\/@-22.1743953,-54.838169,15z\/data=!4m5!3m4!1s0x0:0xcdb181e35bb2acd7!8m2!3d-22.1743953!4d-54.8294143\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Escola Estadual Ind\u00edgena Guateka Mar\u00e7al de Souza<\/a>. A partir da\u00ed, o sonho com a m\u00fasica e o que viria a ser o Br\u00f4 Mc &#8216;s come\u00e7ou a nascer.<\/p>\n\n\n\n<h5 class=\"wp-block-heading\"><strong>\u201cN\u00e3o tinha ningu\u00e9m que falasse por n\u00f3s, que gritasse a voz do povo Guarani-Kaiow\u00e1\u201d<\/strong><\/h5>\n\n\n\n<p>A viv\u00eancia recorrente de conflitos com fazendeiros por demarca\u00e7\u00e3o de terras e a realidade das aldeias sendo noticiada de forma distorcida nas r\u00e1dios da cidade, fez com que os quatro decidissem utilizar o rap para reivindicar direitos, expressar indigna\u00e7\u00e3o e levar a cultura de seus povos para al\u00e9m da reserva.<\/p>\n\n\n\n<p>Para Kelvin, nas m\u00fasicas o grupo d\u00e1 o grito que pede socorro para os guatekas, o mesmo grito que ouvem dentro da aldeia que \u00e9 cercada de retomadas. \u201cA gente escuta quase diariamente, barulhos de estouro e tiro, esse tipo de grito n\u00e3o chega aos lugares.\u201d A <a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=qhOFxB6wyl4\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">m\u00fasica Terra Vermelha<\/a> retrata bem a resist\u00eancia dos \u201cguerreiros do passado massacrados\u201d.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"678\" src=\"http:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2022\/06\/KELVIN-FOTO-DE-RAISSA-TRELHA-1024x678.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-2280\" srcset=\"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2022\/06\/KELVIN-FOTO-DE-RAISSA-TRELHA-1024x678.jpg 1024w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2022\/06\/KELVIN-FOTO-DE-RAISSA-TRELHA-300x199.jpg 300w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2022\/06\/KELVIN-FOTO-DE-RAISSA-TRELHA-768x508.jpg 768w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2022\/06\/KELVIN-FOTO-DE-RAISSA-TRELHA-400x265.jpg 400w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2022\/06\/KELVIN-FOTO-DE-RAISSA-TRELHA.jpg 1183w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><figcaption> Foto: Ra\u00edssa Trelha<\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p>Motivados pelas hist\u00f3rias contadas no rap nacional, impulsionado com os Racionais Mc\u2019s, os artistas mesclam em suas letras AS EMO\u00c7\u00d5ES de suas hist\u00f3rias com a realidade vivida pelo povo Guarani-Kaiow\u00e1. <\/p>\n\n\n\n<p>Assim como Mano Brown, Ice Blue, Edi Rock e KL Jay, o Br\u00f4 n\u00e3o se intimida com a rea\u00e7\u00e3o do p\u00fablico \u00e0s suas letras, que segundo eles, \u00e9 considerada pesada at\u00e9 pelo pr\u00f3prio movimento hip-hop, e reflete a realidade ind\u00edgena.<\/p>\n\n\n\n<p>A representatividade \u00edndigena que o grupo fala em suas m\u00fasicas est\u00e1 presente em quase toda a equipe de trabalho que faz o Br\u00f4 acontecer. Com exce\u00e7\u00e3o da produtora Fabi Fernandes, Kara\u00ed, como eles a denominam, desde o marketing digital at\u00e9 as roupas utilizadas nos shows, tudo \u00e9 produzido por ind\u00edgenas.<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo Fabi, o grupo precursor da arte contempor\u00e2nea ancestral abre portas para a comunidade que busca expressar a cultura, l\u00edngua e o talento dos povos origin\u00e1rios. Algumas das artistas que comp\u00f5em a sua equipe s\u00e3o nomes conhecidos nacionalmente, por exemplo, a figurinista Dayana Molina, refer\u00eancia em vestu\u00e1rios ind\u00edgenas, e tamb\u00e9m a ex-atriz, Eunice Ba\u00eda que interpretou a ind\u00edgena Tain\u00e1, no filme de mesmo nome.<\/p>\n\n\n\n<h5 class=\"wp-block-heading\"><strong>\u201cPara mim, o Mato Grosso do Sul \u00e9 ind\u00edgena\u201d<\/strong><\/h5>\n\n\n\n<p>Desde o in\u00edcio da carreira uma das maiores dificuldades enfrentadas foi a falta de shows em Mato Grosso do Sul. Br\u00f4 Mc\u2019s j\u00e1 se apresentou em diversos locais do pa\u00eds, e at\u00e9 em Frankfurt, na Alemanha, a convite do <a href=\"https:\/\/www.museumsufer.de\/en\/all-museums\/weltkulturen-museum\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Weltkultoren Museum<\/a>, mas raras vezes em sua pr\u00f3pria cidade.<\/p>\n\n\n\n<p>Para Bruno, os grandes festivais musicais do estado n\u00e3o valorizam os artistas sul-mato-grossenses, a n\u00e3o ser grupos sertanejos. Br\u00f4 Mc\u00b4s n\u00e3o foi convidado, por exemplo, para participar do <a href=\"https:\/\/festivalcampaocultural.ms.gov.br\/o-festival\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">\u201cCamp\u00e3o Cultural\u201d<\/a>, o primeiro Festival de Arte, Diversidade e Cidadania, organizado pela Secretaria Municipal de Cultura e Turismo de Campo Grande (Sectur), entre novembro e dezembro de 2021. <\/p>\n\n\n\n<p>Convidado pela rapper <a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/crissnjoficial\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Cris SNJ<\/a> para fazer uma participa\u00e7\u00e3o em seu show no festival, o grupo foi a Campo Grande, mas n\u00e3o pode subir ao palco. Os organizadores do festival disseram que o Br\u00f4 era \u201cestrelinha demais\u201d e cobrava um cach\u00ea muito alto. \u201cNesse evento que aconteceu h\u00e1 um tempinho em Campo Grande a gente foi boicotado\u201d, aponta Bruno<\/p>\n\n\n\n<p>Criar um grupo de rap e ignorar os preconceitos distribu\u00eddos em uma sociedade que nega sua origem \u00e9 uma luta di\u00e1ria do Br\u00f4. Conhecidos tamb\u00e9m por n\u00e3o se calarem, o grupo viveu no come\u00e7o da carreira uma obje\u00e7\u00e3o dupla: o estranhamento do movimento <a href=\"https:\/\/www.infoescola.com\/artes\/hip-hop\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">hip-hop<\/a> diante da imagem de ind\u00edgenas cantando rap, e de outro lado, caciques e lideran\u00e7as da aldeia questionando o motivo de tal empenho com a m\u00fasica de den\u00fancia. \u201cO maior desafio que enfrentamos como grupo foi o preconceito. Quando a gente ia tocar, as pessoas falavam que lugar de \u00edndio era na aldeia, que est\u00e1vamos indo fazer a dan\u00e7a da chuva e coisas assim\u201d, continua Bruno.<\/p>\n\n\n\n<p>Mesmo antes do sucesso nos palcos e nas redes sociais, os jovens n\u00e3o escaparam de sofrer xenofobia. Bruno afirma que at\u00e9 em casa, os pr\u00f3prios pais pediam para que n\u00e3o falassem em guarani quando estivesse na escola, pois assim evitariam os estigmas com o sotaque. <\/p>\n\n\n\n<p>Com uma irmandade que vai para al\u00e9m dos la\u00e7os sangu\u00edneos das duplas de irm\u00e3os, o Br\u00f4 n\u00e3o desanimou com os primeiros coment\u00e1rios negativos que recebeu. Em 2009, quando lan\u00e7aram o \u00e1lbum inaugural, sa\u00edram de porta em porta pelas casas da aldeia para vender a cinco reais o \u2018pirat\u00e3o\u2019, como o chamaram.<\/p>\n\n\n\n<p>Em 13 anos de exist\u00eancia, o grupo luta contra todas as barreiras que tentam impedir a express\u00e3o de sua arte, seja na aldeia ou na cidade. Ap\u00f3s ganharem repercuss\u00e3o cantando sobre o cotidiano que os ind\u00edgenas da Jaguapiru e Boror\u00f3 vivem, os preconceitos com o rap ind\u00edgena foram se dissolvendo entre o povoado e deram lugar \u00e0 parceria e apoio.<\/p>\n\n\n\n<p>As letras em guarani-kaiow\u00e1, l\u00edngua materna dos integrantes, trazem um alerta sobre a import\u00e2ncia de manter vivo o idioma j\u00e1 quase extinto e torn\u00e1-lo conhecido entre os n\u00e3o ind\u00edgenas, segundo eles. \u201cTem m\u00fasicas que \u00e9 s\u00f3 na nossa l\u00edngua, muitas pessoas n\u00e3o entendem, xingam e ofendem nas redes. Para n\u00f3s n\u00e3o importa, o que eles tem que saber \u00e9 que a gente \u00e9 origin\u00e1rio e falamos guarani-kaiow\u00e1\u201d, afirma Bruno e todos confirmam com a cabe\u00e7a.<\/p>\n\n\n\n<p>Mais do que estabelecer a representatividade das vozes origin\u00e1rias, as m\u00fasicas mescladas com dois idiomas trazem \u00e0 tona uma realidade que h\u00e1 tempos as Kara\u00eds tentam apagar do solo brasileiro: O Brasil e, sobretudo, o Mato Grosso do Sul, \u00e9 ind\u00edgena.<\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m dos m\u00fasicos que inspiram o Br\u00f4 na composi\u00e7\u00e3o de suas m\u00fasicas, o grupo tamb\u00e9m est\u00e1 na lista de inspira\u00e7\u00f5es de outros grandes artistas, que viram neles a concretiza\u00e7\u00e3o para tamb\u00e9m trilhar um sonho.<\/p>\n\n\n\n<p>O grupo \u00e9 fortalecido ao saber que <a href=\"https:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Xam%C3%A3_(rapper)\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Jason Fernandes,<\/a> mais conhecido como Xam\u00e3, que se autodeclara afro-ind\u00edgena, rapper carioca que alcan\u00e7ou primeiro lugar das mais ouvidas no Brasil em 2021, e 38\u00ba nas paradas mundiais com o hit &#8220;<a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=i9NOkjmBszo\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Malvad\u00e3o 3<\/a>&#8220;, se inspirou neles. \u201cNo tempo que ele vendia balinha no farol, ele viu a gente no arco da lapa quando fomos fazer o nosso primeiro grande show no Rio de Janeiro\u201d. Xam\u00e3 disse aos meninos que eles o estimularam a n\u00e3o desistir de fazer o que gosta.<\/p>\n\n\n\n<p>O que parece ser o \u00e1pice da carreira de um artista, para o grupo acontece de forma natural. Participar do <a href=\"https:\/\/rockinrio.com\/rio\/pt-br\/home\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Rock in Rio 2022<\/a>, \u00e9 \u201cnormal\u201d, segundo eles, consequ\u00eancia de um trabalho de anos. Br\u00f4 Mc\u00b4s subir\u00e1 ao Palco Sunset em setembro de 2022 junto com o rapper Xam\u00e3. \u201cCantar no Rock in Rio \u00e9 a forma de levar o grito de socorro das tr\u00eas etnias e represent\u00e1-las\u201d, afirma Kelvin.<\/p>\n\n\n\n<p>O grupo tamb\u00e9m participou da s\u00e9rie documental do <a href=\"https:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Alok\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">DJ Alok<\/a>, que fala das ra\u00edzes sonoras dos povos origin\u00e1rios do pa\u00eds. Al\u00e9m de gravarem tr\u00eas m\u00fasicas para o novo \u00e1lbum do artista. Uma das m\u00fasicas da parceria \u00e9 trilha sonora da novela \u201c<a href=\"https:\/\/gshow.globo.com\/novelas\/pantanal\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Pantanal<\/a>\u201d da rede Globo, \u201cJarah\u00e1\u201d, que mistura portugu\u00eas e guarani, e \u00e9 sobre a luta por demarca\u00e7\u00e3o de territ\u00f3rio e a cultura ind\u00edgena. No grito do rap, Br\u00f4 Mc&#8217;s mant\u00e9m firme a origem ind\u00edgena de Mato Grosso do Sul. Ipor\u00e3pe koape aju ehendu che nhe\u2019e porahei, (na humildade eu venho, escute meu canto).<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Letra da m\u00fasica Jarah\u00e1<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=1YIHoX8rpus\" data-type=\"URL\" data-id=\"https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=1YIHoX8rpus\" target=\"_blank\">J<strong>arah\u00e1<\/strong><\/a> ( Estamos levando)<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Ipor\u00e3pe koape aju ehendu che nhe\u2019e porahei<\/strong><br>Na humildade eu venho, escute meu canto<br><strong>S\u00f3 ke mbaepa koape ajapo,tekoha tekoha ,retomada retomad<\/strong>a<br>S\u00f3 que realmente venho fazer, meu lar meu lar, retomada retomada<br><strong>Rehegua aju achuka<\/strong><br>Sobre isso vim mostrar<br><strong>Karai guarani che aju koape ambopy<\/strong><br>Homem branco em guarani vim tocar<br><strong>Mbaeichaguapa ore rogueru<\/strong><br>O que realmente viemos trazer<br><strong>Kaiowa guarani mbarete nhande hente mbarete koape che nhe\u2019e<\/strong><br>Kaiowa guarani nosso povo \u00e9 forte<br>Com for\u00e7a, minha fala vim trazer<br><strong>Nhander\u00fa ha nhandesy ombovava pe mbarak\u00e1<\/strong><br>Nhamderu e nhandesy chacoalhando mbarak\u00e1<br><strong>Mborahei ko mbarete ko ape ojelut\u00e1<\/strong><br>Reza forte na luta<br><strong>Nhamderu guas\u00fa omanh\u00e3 yvategui omopot\u00ee<\/strong><br>Nosso Deus de l\u00e1 de cima olha e limpa o nosso caminho<br><strong>Ko ape nhanderape upepe jaguatahangu\u00e3<\/strong><br>Limpando pra gente caminhar<br><strong>So ke jahech\u00e1 tenomdepe oi ypy Guarani ha kaiow\u00e1 ibatalhare yvy<\/strong><br>Mas sempre vimos os ypy e Guarani e kaiow\u00e1 batalhando por suas terras<br><strong>Tekoha ymaguare jajevyta jaipe\u2019a<\/strong><br>Terras de origem que vamos retomar<br><strong>Ko ape ko nhamderu ha\u2019ekuera oikuaa<\/strong><br>Os anci\u00e3os sempre sabem que essas terras \u00e9 sempre nossas<br><strong>Jaha!jaha!jaha!jaha! (2x)<\/strong><br>Vamos!vamos!vamos!vamos (2x)<br><strong>Hake!!!<\/strong><br>Cuidado!!<br><strong>Koape,ap\u00ea,koape,ap\u00ea,koape,ap\u00ea,koape e!!<\/strong><br>Aqui,e ali,Aqui,e ali, Aqui,e ali, aqui!!<br><strong>Jagueru jachuka haetegua<\/strong><br>Viemos mostrar a verdade<br><strong>Tenonde mombyry jaraha<\/strong><br>Estamos chegando longe<br><strong>Koa nde rehegua<\/strong><br>Essas e de voc\u00eas<br><strong>Jahake jajegua<\/strong><br>Vamos usar nossas pinturas<br><strong>Upecha ave jaha<\/strong><br>E assim vamos caminhando<br><strong>Imbarete ava<\/strong><br>Para nos fortalecermos<br>A gente grita mas ningu\u00e9m nos ouve, aprendi a sua l\u00edngua n\u00e3o ind\u00edgena, essa \u00e9 pra voc\u00ea<br>Quanta tristeza pobreza, andam lado a lado<br>Dentro de um barraco caindo aos peda\u00e7os<br>Passando fome sem gra\u00e7a, bebendo s\u00f3 \u00e1gua suja com a roupinha furada e seu cachorro<br>do lado<br>De baixo, de baixo do palco mantendo a gente isolado.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-buttons is-content-justification-center is-layout-flex wp-block-buttons-is-layout-flex\">\n<div class=\"wp-block-button\"><a class=\"wp-block-button__link\" href=\"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/projetil-98\/\">VOLTAR PARA EDI\u00c7\u00c3O 98<\/a><\/div>\n<\/div>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator\"\/>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n\n\n\n\n\n\n\n\n\n\n\n\n\n\n\n\n\n\n\n\n\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n\n\n\n\n\n\n<p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O grupo criador do rap ind\u00edgena no Brasil, Br\u00f4 MC&#8217;s, revela qual \u00e9 a vis\u00e3o do pa\u00eds sobre os povos ind\u00edgenas, ao cantar sobre demarca\u00e7\u00f5es, luta e tradi\u00e7\u00e3o Texto: Ra\u00edssa Trelha | Maria Isabel Mainvailer | Mariana Lima O gosto pelo estilo come\u00e7ou ainda na inf\u00e2ncia. Em 2006, desafiado a montar uma apresenta\u00e7\u00e3o que fugisse [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":35,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[25],"tags":[],"class_list":["post-2041","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-reportagem98"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2041","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-json\/wp\/v2\/users\/35"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=2041"}],"version-history":[{"count":15,"href":"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2041\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":2485,"href":"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2041\/revisions\/2485"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=2041"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=2041"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=2041"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}