{"id":2050,"date":"2022-06-21T07:41:11","date_gmt":"2022-06-21T11:41:11","guid":{"rendered":"https:\/\/jornalismo.ufms.br\/projetil\/?p=2050"},"modified":"2022-07-05T11:45:32","modified_gmt":"2022-07-05T15:45:32","slug":"inumeras-fronteiras-um-so-povo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/inumeras-fronteiras-um-so-povo\/","title":{"rendered":"In\u00fameras fronteiras: um s\u00f3 povo"},"content":{"rendered":"\n<h4 class=\"has-text-align-center wp-block-heading\">Fronteiras com Paraguai e Bol\u00edvia influenciam na constru\u00e7\u00e3o das identidades culturais de Mato Grosso do Sul<\/h4>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center has-accent-color has-text-color\"><strong>Texto:<\/strong> <strong>Andrella Okata | Beatriz Santos | Fernando de Carvalho | Jo\u00e3o Pedro Flores<\/strong><\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator\"\/>\n\n\n\n<p>O segundo estado mais novo do Brasil tem sua identidade cultural constru\u00edda na miscigena\u00e7\u00e3o e migra\u00e7\u00e3o de povos nacionais e de fora do pa\u00eds. A proximidade e a troca cultural do Mato Grosso do Sul com o Paraguai e a Bol\u00edvia s\u00e3o t\u00e3o grandes que os fortes aspectos culturais dos pa\u00edses vizinhos se tornaram parte da cultura sul-mato-grossense.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>O interc\u00e2mbio cultural entre Brasil e Paraguai \u00e9 long\u00ednquo, desde os tempos dos jesu\u00edtas e, ainda que os dois pa\u00edses tenham se enfrentado na mais cruel guerra da hist\u00f3ria da Am\u00e9rica do Sul, isso teve pouca influ\u00eancia negativa na rela\u00e7\u00e3o entre os povos. \u201cPor mais sangrento que foi o comportamento do Brasil e os pa\u00edses que se uniram contra o Paraguai, o paraguaio tem um cora\u00e7\u00e3o muito grande e isso n\u00e3o fez diferen\u00e7a para n\u00f3s em como tratamos os brasileiros\u201d, diz a jornalista Juliet Sarai, natural e residente de Assun\u00e7\u00e3o, capital do Paraguai.<\/p>\n\n\n\n<p>Antes da divis\u00e3o do estado, o Sul do Mato Grosso foi palco de opera\u00e7\u00f5es da guerra contra o Paraguai. Provindos de um processo de independ\u00eancia dos colonizadores e com o surgimento de d\u00favidas sobre os limites fronteiri\u00e7os, as na\u00e7\u00f5es do Brasil, Paraguai, Argentina e Uruguai entraram em disputa pelos espa\u00e7os territoriais.<\/p>\n\n\n\n<p>Pela for\u00e7a do Brasil na Tr\u00edplice Alian\u00e7a, o termo que ficou cunhado foi \u2018Guerra do Paraguai\u2019, entretanto, com base em documentos oficiais e a partir do contexto apresentado pelo professor e coordenador do curso de Hist\u00f3ria da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS) Cleverson Rodrigues da Silva, o mais correto \u00e9 se referir \u00e0 \u2018Guerra contra o Paraguai\u2019, j\u00e1 que a tr\u00edplice atacou o pa\u00eds vizinho.<\/p>\n\n\n\n<p>Para o professor, que atua h\u00e1 20 anos no Ensino Superior e \u00e9 especialista em Hist\u00f3ria das Am\u00e9ricas no s\u00e9culo XIX, foi justamente nesse momento de consolida\u00e7\u00e3o das na\u00e7\u00f5es que os pa\u00edses procuraram definir como seriam administrados e quais os seus limites geogr\u00e1ficos.<\/p>\n\n\n\n<p>A bacia Platina, que \u00e9 a segunda maior bacia hidrogr\u00e1fica do Brasil, se estende tamb\u00e9m pela Argentina, Uruguai, Bol\u00edvia e Paraguai. Nela, o rio Apa era refer\u00eancia brasileira na fronteira entre os pa\u00edses. Para os paraguaios a linha fronteiri\u00e7a era o rio Branco, por causa do Tratado de Santo Ildefonso, delimitado pelo Imp\u00e9rio Espanhol. Neste contexto, a guerra n\u00e3o foi travada apenas por interesses pol\u00edticos, mas tamb\u00e9m por interesses econ\u00f4micos. Na \u00e9poca, o transporte e, principalmente, o com\u00e9rcio aconteciam atrav\u00e9s de vias fluviais e qualquer problema que dificultava as navega\u00e7\u00f5es era de interesse do Brasil.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cA preserva\u00e7\u00e3o da independ\u00eancia do Uruguai j\u00e1 havia sido pontuada entre o Paraguai e a Argentina. Por\u00e9m, em novembro de 1864, o Brasil invadiu o Uruguai e o ent\u00e3o presidente do Paraguai, Francisco Solano L\u00f3pez, viu a invas\u00e3o como uma afronta, um ato de guerra\u201d, pontua Cleverson. Como vingan\u00e7a, Solano L\u00f3pez ordenou a apreens\u00e3o do navio Marqu\u00eas de Olinda, que transportava Frederico Carneiro de Campos, novo governador da prov\u00edncia de Mato Grosso.<\/p>\n\n\n\n<p>As diverg\u00eancias em rela\u00e7\u00e3o aos limites fronteiri\u00e7os, combinado com a interven\u00e7\u00e3o brasileira no Uruguai, culminaram na invas\u00e3o paraguaia no sul da prov\u00edncia de Mato Grosso (atual Mato Grosso do Sul) em dezembro de 1864. As consequ\u00eancias disso, especialmente para o Paraguai, foram devastadoras.<\/p>\n\n\n\n<h5 style=\"text-align: center\"><span style=\"color: #ff0000\">O que deveria ser um embate entre ex\u00e9rcitos, acabou atingindo civis: homens, mulheres e crian\u00e7as.<\/span><\/h5>\n\n\n\n<p>\u201c&#8230;Vespasiano, Camis\u00e3o, e o Tenente Ant\u00f4nio Jo\u00e3o, Guaicurus, Ricardo Franco, gl\u00f3ria e tradi\u00e7\u00e3o\u2026\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>Esse trecho do <a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=2b_Vwj0Vtrg\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">hino<\/a> do Mato Grosso do Sul faz refer\u00eancia e exalta figuras hist\u00f3ricas que ajudaram a construir a identidade sul-mato-grossense. Por\u00e9m, segundo Cleverson, h\u00e1 uma ressalva: \u201c\u00c9 preciso ter cuidado com a reconstru\u00e7\u00e3o das mem\u00f3rias, \u00e0s vezes s\u00e3o intencionais, \u00e0s vezes s\u00e3o her\u00f3is, \u00e0s vezes s\u00e3o al\u00e7ados \u00e0 categoria de her\u00f3is sem necessariamente serem\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Para o historiador e c\u00f4nsul geral do Paraguai, Ricardo Caballero Aquino, a guerra contra o seu pa\u00eds natal teve motivos ocultos, como a &#8220;\u00faltima disputa&#8221; entre o Imp\u00e9rio Espanhol e o Imp\u00e9rio Portugu\u00eas. J\u00e1 para Cleverson, n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel afirmar que os colonizadores estavam por tr\u00e1s da guerra, pois ambos os pa\u00edses se tornaram independentes h\u00e1 mais de 50 anos e Espanha e Portugal ainda n\u00e3o eram pot\u00eancias econ\u00f4micas capazes de sustentar uma guerra.<\/p>\n\n\n\n<p>Dois anos ap\u00f3s o final da guerra, h\u00e1 relatos de paraguaios residindo em Corumb\u00e1, o que refor\u00e7a a percep\u00e7\u00e3o de que n\u00e3o houve ressentimento dos paraguaios para com os brasileiros por conta do conflito. Essa proximidade ajudou a difundir a cultura paraguaia no Brasil, em especial, no MS.<\/p>\n\n\n\n<h5 class=\"wp-block-heading\"><strong>Corumb\u00e1: a cidade mais boliviana do Brasil<\/strong><\/h5>\n\n\n\n<p>Mato Grosso do Sul \u00e9 um estado miscigenado. Al\u00e9m da cultura paraguaia, \u00e9 poss\u00edvel perceber influ\u00eancia de outros pa\u00edses em todo o territ\u00f3rio. Entre elas est\u00e1 a boliviana, marcante principalmente no munic\u00edpio de Corumb\u00e1. A cidade faz fronteira com Puerto Quijarro e fica perto tamb\u00e9m de Puerto Su\u00e1rez, logo, a rela\u00e7\u00e3o cultural entre elas \u00e9 intensa. Corumbaenses e bolivianos trocam influ\u00eancias desde a culin\u00e1ria at\u00e9 o idioma. \u201cEssa troca dificilmente acontece de m\u00e3o \u00fanica, ela \u00e9 sempre de m\u00e3o dupla\u201d, considera Marco Aur\u00e9lio Machado de Oliveira, doutor em Hist\u00f3ria Social pela Universidade de S\u00e3o Paulo (USP) e professor titular de estudos fronteiri\u00e7os na UFMS.<\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m do fato de ser fronteira, h\u00e1 motivos hist\u00f3ricos que ligam esses dois povos. Nos anos 1930, Bol\u00edvia e Paraguai entraram em conflito na Guerra do Chaco (1932-1935), causada pela disputa territorial do Chaco Boreal, uma regi\u00e3o que d\u00e1 acesso ao Rio Paraguai, que era de interesse dos bolivianos. Para os paraguaios, essa luta servia para resguardar o territ\u00f3rio nacional. Em consequ\u00eancia disso, Corumb\u00e1 recebeu seu primeiro grande fluxo migrat\u00f3rio de bolivianos. Muitos deles chegaram \u00e0 cidade pantaneira para fugir do conflito imediato e das amea\u00e7as trazidas pela guerra. Outro ponto na hist\u00f3ria que marca a migra\u00e7\u00e3o, nesta mesma \u00e9poca, \u00e9 a constru\u00e7\u00e3o da ferrovia entre Corumb\u00e1 e Santa Cruz.<\/p>\n\n\n\n<p>Devido \u00e0s migra\u00e7\u00f5es, as culturas entrela\u00e7aram-se e os costumes bolivianos, inclusive a culin\u00e1ria, foram introduzidos no dia a dia dos corumbaenses. \u201c\u00c9 incorporado ao h\u00e1bito do corumbaense a chicha, que \u00e9 um suco de milho com amendoim. Tamb\u00e9m temos a saltenha, o arroz boliviano e o majadito\u201d, diz Marco Aur\u00e9lio. Ele ainda complementa que a comida \u00e9 um fator de sociabilidade, pois ela est\u00e1 t\u00e3o entranhada que nem percebemos mais a sua origem. \u201cIsso acontece porque j\u00e1 se tornou propriedade, j\u00e1 foi incorporado\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Apesar de ser muito forte em Corumb\u00e1, a cultura boliviana ainda \u00e9 menos influente que a paraguaia no estado. Isso acontece porque a migra\u00e7\u00e3o desse povo \u00e9 mais antiga, ocorre desde a Guerra com o Paraguai (1864-1870). Al\u00e9m disso, s\u00e3o v\u00e1rias as portas de entrada dos paraguaios, enquanto os bolivianos s\u00f3 t\u00eam uma.<\/p>\n\n\n\n<p>Apesar disso, em Campo Grande, h\u00e1 iniciativas para manter e reavivar as tradi\u00e7\u00f5es bolivianas, como \u00e9 o caso da Feira Bol\u00edvia. Evento que acontece no segundo domingo de cada m\u00eas e re\u00fane apresenta\u00e7\u00f5es e s\u00edmbolos das diversas culturas latinas como a polca paraguaia, a chicha boliviana e o MPB.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<h5 class=\"has-text-align-left wp-block-heading\"><strong>Gastronomia das fronteiras ao som do chamam\u00e9<\/strong><\/h5>\n\n\n\n<p>Como pontuou Marco Aur\u00e9lio, anteriormente, a culin\u00e1ria \u00e9 um forte fator de sociabilidade entre Mato Grosso do Sul e os pa\u00edses fronteiri\u00e7os. Da Bol\u00edvia, mais especificamente Corumb\u00e1 e Puerto Quijarro, comidas como o arroz boliviano e a saltenha tornaram-se pratos t\u00edpicos de MS. \u201cNa Bol\u00edvia s\u00f3 se come saltenha de manh\u00e3, mas aqui em Puerto Quijarro, por causa da press\u00e3o dos brasileiros, se oferece de manh\u00e3 e \u00e0 tarde. H\u00e1 uma s\u00e9rie de adequa\u00e7\u00f5es que s\u00e3o causadas pelas influ\u00eancias\u201d.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"600\" height=\"400\" src=\"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2022\/06\/3046ac83-11b2-439a-bb83-6991bd8aaa1b.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-2348\" srcset=\"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2022\/06\/3046ac83-11b2-439a-bb83-6991bd8aaa1b.jpg 600w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2022\/06\/3046ac83-11b2-439a-bb83-6991bd8aaa1b-300x200.jpg 300w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2022\/06\/3046ac83-11b2-439a-bb83-6991bd8aaa1b-400x267.jpg 400w\" sizes=\"auto, (max-width: 600px) 100vw, 600px\" \/><figcaption>Saltenha boliviana sendo vendida na Feira da Bol\u00edvia em Campo Grande &#8211; Foto: Amanda Melga\u00e7o<\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p>Nesse processo de apropria\u00e7\u00e3o cultural, as receitas sofrem altera\u00e7\u00f5es, causadas pela falta de ingredientes. Por exemplo, a sopa paraguaia de MS n\u00e3o \u00e9 igual a do Paraguai; a chipa tamb\u00e9m \u00e9 diferente nas diversas cidades do estado. As refei\u00e7\u00f5es v\u00e3o se adaptando a cada regi\u00e3o e o sul-mato-grossense reivindica esses pratos como parte do seu cotidiano, ainda que sem conhecer muito de suas origens.<\/p>\n\n\n\n<p>Durante a Guerra do Paraguai, MS (na \u00e9poca, ainda Mato Grosso) foi ocupado pelos paraguaios que se estabeleceram no estado por, mais ou menos, quatro anos. Durante esse tempo, eles deixaram suas marcas culturais no territ\u00f3rio brasileiro e, al\u00e9m da culin\u00e1ria, o povo sul-mato-grossense tamb\u00e9m se apropriou do chamam\u00e9 e o terer\u00e9. Isso fica evidente quando esquecemos a origem das coisas e as associamos \u00e0 cultura do MS.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"600\" height=\"397\" src=\"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2022\/06\/Grupo-de-danca-do-Paraguai-no-evento-1\u00b0-Alianca-Cultural-Terra-Gloriosa-CREDITO_-Maria-Eduarda-Metran.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-2353\" srcset=\"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2022\/06\/Grupo-de-danca-do-Paraguai-no-evento-1\u00b0-Alianca-Cultural-Terra-Gloriosa-CREDITO_-Maria-Eduarda-Metran.jpg 600w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2022\/06\/Grupo-de-danca-do-Paraguai-no-evento-1\u00b0-Alianca-Cultural-Terra-Gloriosa-CREDITO_-Maria-Eduarda-Metran-300x199.jpg 300w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2022\/06\/Grupo-de-danca-do-Paraguai-no-evento-1\u00b0-Alianca-Cultural-Terra-Gloriosa-CREDITO_-Maria-Eduarda-Metran-400x265.jpg 400w\" sizes=\"auto, (max-width: 600px) 100vw, 600px\" \/><figcaption>Grupo de dan\u00e7a do Paraguai no evento 1\u00b0 Alian\u00e7a Cultural &#8211; Terra Gloriosa &#8211; Foto: Maria Eduarda Metran<\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p>Uma das heran\u00e7as herdadas do Paraguai \u00e9 o consumo de terer\u00e9, uma bebida feita com erva-mate e \u00e1gua gelada que \u00e9 consumida numa guampa com a ajuda de uma bomba. N\u00e3o h\u00e1 um consenso sobre a origem do terer\u00e9, a mais prov\u00e1vel \u00e9 de que a bebida seja uma cria\u00e7\u00e3o dos soldados paraguaios, que o desenvolveram como uma forma de consumir a erva durante a guerra sem o uso do fogo. Mas existem relatos tamb\u00e9m que os ind\u00edgenas, ao conduzirem os gados em comitivas, usariam a erva para coar as \u00e1guas dos rios a fim de evitar doen\u00e7as, como esquistossomose. Com o passar do tempo, o consumo do terer\u00e9 se tornou um h\u00e1bito que fortalece a uni\u00e3o e o la\u00e7o entre os consumidores que passam a guampa, de um em um, pela roda de conversa.<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo Orivaldo Mengual, fundador e diretor presidente do Instituto Cultural Chamam\u00e9 MS e apresentador do programa A Hora do Chamam\u00e9, na R\u00e1dio Educativa FM 104,7, o consumo do terer\u00e9 \u00e9 visto como uma atividade que ignora as diferen\u00e7as e propicia a intera\u00e7\u00e3o social e o di\u00e1logo entre os indiv\u00edduos. \u201cCompartilhar \u00e9 um ato de amor que nos une e nos fortalece, e isso se concretiza no terer\u00e9\u201d, comenta.<\/p>\n\n\n\n<p>Outra heran\u00e7a paraguaia \u00e9 o estilo musical do chamam\u00e9. Em mar\u00e7o de 2022, o projeto de lei n\u00ba 4.528, de 2019, reconheceu o munic\u00edpio de Campo Grande como a Capital Nacional do Chamam\u00e9. Para Mengual, conservar esses tra\u00e7os culturais \u00e9 importante porque eles j\u00e1 est\u00e3o entranhados na cultura regional, sendo uma forma de valorizar n\u00e3o s\u00f3 a cultura paraguaia, como tamb\u00e9m a cultura de Mato Grosso do Sul. \u201cO homem pantaneiro sente, vive e se expressa por meio do chamam\u00e9\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Essa influ\u00eancia \u00e9 uma troca de m\u00e3o dupla. Sarlidei Pena Machado, boliviana e pescadora que mora no Pantanal, conta que gosta muito de desfrutar os sabores de Mato Grosso do Sul, como o sarrabulho, dobradinha, arroz carreteiro e o peixe pantaneiro. \u201cNossa cultura \u00e9 uma das mais belas; a pesca, os rodeios, as m\u00fasicas tradicionais, as festas religiosas, a viola de cocho, o carnaval, as festas juninas que enriquecem nossa cidade [Corumb\u00e1] com cores e rejuntes de iguarias t\u00edpicas. Amo desfrutar do pastel da feira tradicional com caldo de cana\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Entretanto, a pescadora tamb\u00e9m faz quest\u00e3o destacar a culin\u00e1ria de seu pa\u00eds. \u201cA culin\u00e1ria boliviana \u00e9 considerada muito especial, bem entreverada com comidas ind\u00edgenas e muito saborosas, como por exemplo a moela assada. Sempre foi e sempre vai ser um dos maiores celeiros culin\u00e1rios porque a Bol\u00edvia nos ensina a comer. L\u00e1 voc\u00ea toma primeiro a sopa para depois comer a comida seca, ou seja, o primeiro e o segundo [prato], preparando assim seu organismo para uma boa digest\u00e3o. Toma-se refresco de tamarindo, mocochinche, sumo que \u00e9 feito de milho de canjica, salada de chu\u00f1o, mote, entre outros alimentos riqu\u00edssimos\u201d, conta.<\/p>\n\n\n\n<h5 class=\"wp-block-heading\"><strong>Ra\u00edzes que fortalecem as identidades<\/strong><\/h5>\n\n\n\n<p>Diante dessa constru\u00e7\u00e3o da identidade cultural a partir dos costumes de outros pa\u00edses, Sarai conta por que os eventos que homenageiam os paraguaios s\u00e3o importantes em Mato Grosso do Sul. \u201cA import\u00e2ncia \u00e9 resgatar aquilo que nos une. Somos dois povos, que pela coloniza\u00e7\u00e3o e por outros tipos de coisas, foram separados, mas que compartilham cultura. Ent\u00e3o, resgatar esse passado, valorizar nossa hist\u00f3ria para que n\u00e3o desapare\u00e7a, pelo contr\u00e1rio, que seja mais conhecida do que nunca porque \u00e9 parte da nossa identidade, da nossa regi\u00e3o. Somos um povo s\u00f3, somos irm\u00e3os e estamos juntos.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>Sarlidei enfatiza o orgulho e conta que faz quest\u00e3o de ensinar os h\u00e1bitos culturais do seu pa\u00eds e o castelhano aos seus filhos. \u201cMinha maior lembran\u00e7a \u00e9 que minha tia nunca deixou a gente perder as ra\u00edzes. Sei cozinhar, comer, bailar e viver como uma camba. Sempre que posso estou com meus familiares na Bol\u00edvia\u201d. <\/p>\n\n\n\n<p>Com tanto tempo de conv\u00edvio, as culturas e os idiomas desses povos sofrem altera\u00e7\u00f5es. &#8220;A gente nota que o pr\u00f3prio castelhano vai mudando. Ent\u00e3o, essa \u00e9 uma influ\u00eancia lingu\u00edstica dos dois lados. A quest\u00e3o lingu\u00edstica \u00e9 inevit\u00e1vel, desde os comerciantes at\u00e9 as crian\u00e7as que estudam no Brasil, a presen\u00e7a da l\u00edngua portuguesa nas resid\u00eancias de Puerto Quijarro \u00e9 uma coisa cotidiana. Da mesma forma vamos encontrar do lado de c\u00e1\u201d, relata Marco Aur\u00e9lio.<\/p>\n\n\n\n<p>Neste contexto, Juliet Sarai aponta as diferen\u00e7as nas dan\u00e7as t\u00edpicas de seu pa\u00eds, que aos poucos foram perdendo a sua ess\u00eancia e se mesclando com o estilo moderno. A jornalista reitera que \u00e9 importante resgatar esses tra\u00e7os culturais que s\u00e3o t\u00e3o caracter\u00edsticos do Paraguai: \u201cHoje em dia temos um desafio, pois muitas escolas de dan\u00e7a est\u00e3o fazendo aquela mistura do folcl\u00f3rico com o moderno. E o que n\u00f3s queremos \u00e9 resgatar tudo isso para que o folcl\u00f3rico siga sendo o folcl\u00f3rico mesmo.\u201d Para ela, manter o estilo mais tradicional \u00e9 uma forma de preservar a sua cultura e pass\u00e1-la para as pr\u00f3ximas gera\u00e7\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p>Conhecer as ra\u00edzes, tanto dos bolivianos quanto dos paraguaios, \u00e9 importante para entender a constru\u00e7\u00e3o das identidades culturais dos sul-mato-grossenses, especialmente fronteiri\u00e7os. Al\u00e9m disso, \u00e9 uma forma de resgatar o passado e valorizar nossa hist\u00f3ria para que ela n\u00e3o desapare\u00e7a e as futuras gera\u00e7\u00f5es possam manter esse orgulho cultural.<\/p>\n\n\n\n<h5 class=\"wp-block-heading\">Uma outra fronteira: o preconceito<\/h5>\n\n\n\n<p>Apesar da proximidade da popula\u00e7\u00e3o, o preconceito ainda existe e \u00e9 presente na vida dos hermanos, especialmente os bolivianos, que carregam na pele o fen\u00f3tipo de suas origens. Bolivianos leg\u00edtimos ou descendentes, a xenofobia os acompanha. <\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-gallery aligncenter columns-3 is-cropped wp-block-gallery-1 is-layout-flex wp-block-gallery-is-layout-flex\"><ul class=\"blocks-gallery-grid\"><li class=\"blocks-gallery-item\"><figure><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"400\" height=\"600\" src=\"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2022\/06\/Sarlidei-Pena-Machado-pescadora-boliviana-que-mora-no-Pantanal-CREDITO_-acervo-pessoal-1.jpg\" alt=\"\" data-id=\"2336\" data-link=\"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/?attachment_id=2336\" class=\"wp-image-2336\" srcset=\"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2022\/06\/Sarlidei-Pena-Machado-pescadora-boliviana-que-mora-no-Pantanal-CREDITO_-acervo-pessoal-1.jpg 400w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2022\/06\/Sarlidei-Pena-Machado-pescadora-boliviana-que-mora-no-Pantanal-CREDITO_-acervo-pessoal-1-200x300.jpg 200w\" sizes=\"auto, (max-width: 400px) 100vw, 400px\" \/><\/figure><\/li><li class=\"blocks-gallery-item\"><figure><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"700\" height=\"467\" src=\"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2022\/06\/Dione-Zurita-integrante-da-Associacao-Boliviana-CREDITO_-Amanda-Melgaco.jpg\" alt=\"\" data-id=\"2333\" data-link=\"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/?attachment_id=2333\" class=\"wp-image-2333\" srcset=\"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2022\/06\/Dione-Zurita-integrante-da-Associacao-Boliviana-CREDITO_-Amanda-Melgaco.jpg 700w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2022\/06\/Dione-Zurita-integrante-da-Associacao-Boliviana-CREDITO_-Amanda-Melgaco-300x200.jpg 300w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2022\/06\/Dione-Zurita-integrante-da-Associacao-Boliviana-CREDITO_-Amanda-Melgaco-400x267.jpg 400w\" sizes=\"auto, (max-width: 700px) 100vw, 700px\" \/><\/figure><\/li><li class=\"blocks-gallery-item\"><figure><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"600\" height=\"400\" src=\"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2022\/06\/Orlando-Turpo-medico-ortopedista-boliviano-CREDITO-Amanda-Melgaco-1.jpg\" alt=\"\" data-id=\"2351\" data-full-url=\"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2022\/06\/Orlando-Turpo-medico-ortopedista-boliviano-CREDITO-Amanda-Melgaco-1.jpg\" data-link=\"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/?attachment_id=2351\" class=\"wp-image-2351\" srcset=\"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2022\/06\/Orlando-Turpo-medico-ortopedista-boliviano-CREDITO-Amanda-Melgaco-1.jpg 600w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2022\/06\/Orlando-Turpo-medico-ortopedista-boliviano-CREDITO-Amanda-Melgaco-1-300x200.jpg 300w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2022\/06\/Orlando-Turpo-medico-ortopedista-boliviano-CREDITO-Amanda-Melgaco-1-400x267.jpg 400w\" sizes=\"auto, (max-width: 600px) 100vw, 600px\" \/><\/figure><\/li><\/ul><figcaption class=\"blocks-gallery-caption\">Por conta dos seus tra\u00e7os fen\u00f3tipos, bolivianos tendem a sofrer mais com o preconceito. Fotos: Amanda Melga\u00e7o<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>Sarlidei \u00e9 boliviana registrada no Brasil, ela conta que j\u00e1 sofreu muito e sofre \u201cat\u00e9 hoje, mas agora tiro de letra. Antes riam porque [eu] era filha de negro e branco, n\u00e3o entendia [o portugu\u00eas] e ainda [era] boliviana&#8221;. Dione Zunita, vendedora de saltenha, conta que&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<h5 style=\"text-align: center\"><span style=\"color: #ff0000\">mesmo tendo nascido no Brasil, as pessoas n\u00e3o a reconhecem como brasileira: \u201cAs pessoas me julgam [por ser boliviana] e eu digo: eu n\u00e3o sou boliviana, eu sou filha de bolivianos.\u201d<\/span><\/h5>\n\n\n\n<p>J\u00e1 no caso dos paraguaios, o preconceito parece menos n\u00edtido. O c\u00f4nsul do Paraguai, Ricardo Caballero Aquino, chega a fazer uma compara\u00e7\u00e3o entre o MS e outros estados mais populosos do Brasil como o Rio de Janeiro e S\u00e3o Paulo. Para o c\u00f4nsul, nosso estado tem uma energia mais parecida com os pa\u00edses latinos. \u201c\u00c9 mais acolhedor, as pessoas s\u00e3o mais respeitosas e menos preconceituosas; j\u00e1 no Sudeste, as pessoas s\u00e3o mais frias e individualistas\u201d. Sarai concorda e enfatiza que as pessoas s\u00e3o mais amig\u00e1veis com paraguaios e bolivianos em Mato Grosso do Sul em raz\u00e3o de suas descend\u00eancias, j\u00e1 que muitos habitantes do estado ou s\u00e3o filhos de estrangeiros fronteiri\u00e7os ou tem em sua fam\u00edlia alguma membro que \u00e9. &#8220;Acredito que 95% das pessoas com quem eu falo tem descend\u00eancia paraguaia, ou casou com algu\u00e9m que \u00e9 filho de paraguaio ou o av\u00f4, ou a fam\u00edlia \u00e9 paraguaia\u201d.<\/p>\n\n\n\n<h5 class=\"wp-block-heading\">Feira da Bol\u00edvia<\/h5>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"600\" height=\"400\" src=\"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2022\/06\/IMG_9383.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-2322\" srcset=\"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2022\/06\/IMG_9383.jpg 600w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2022\/06\/IMG_9383-300x200.jpg 300w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2022\/06\/IMG_9383-400x267.jpg 400w\" sizes=\"auto, (max-width: 600px) 100vw, 600px\" \/><figcaption>V\u00e1rios grupos apresentam dan\u00e7as t\u00edpicas no evento da Feira da Bol\u00edvia &#8211; Foto: Amanda Melga\u00e7o<\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p>Fundada em 2005, com a ajuda do c\u00f4nsul boliviano Dom Ant\u00f4nio Mariano, a Pra\u00e7a da Bol\u00edvia, localizada no bairro Coophafe em Campo Grande, abriga, mensalmente, no segundo domingo de cada m\u00eas, a Feira da Bol\u00edvia, evento cultural que re\u00fane apresenta\u00e7\u00f5es musicais e art\u00edsticas, comidas t\u00edpicas e pequenos empreendimentos.<\/p>\n\n\n\n<p>O espa\u00e7o come\u00e7ou a ser utilizado por conta da necessidade do c\u00f4nsul de encontrar uma forma de lazer, como relata Dione Zurita, uma das integrantes da Associa\u00e7\u00e3o Boliviana que ajudou a fundar o local. \u201cNo momento em que o c\u00f4nsul fundou essa pra\u00e7a ele quis ajudar a criar lazer pros bolivianos aqui, j\u00e1 que n\u00e3o tinha nada\u201d. E com algumas apresenta\u00e7\u00f5es de dan\u00e7as e umas barracas de comidas t\u00edpicas como a saltenha, a feira come\u00e7ou a expandir a cultura boliviana na capital morena.<\/p>\n\n\n\n<p>Em 2009, o evento passou a ser organizado pelo Grupo Folcl\u00f3rico boliviano T\u2019ikay e a celebrar tamb\u00e9m a uni\u00e3o entre os pa\u00edses fronteiri\u00e7os e a valoriza\u00e7\u00e3o de suas culturas. Segundo o atual c\u00f4nsul da Bol\u00edvia da cidade de Corumb\u00e1, S\u00edmons William, essa diversidade e jun\u00e7\u00e3o das diversas culturas em um s\u00f3 local \u00e9 essencial para criar uma plurinacionalidade e fortalecer a alian\u00e7a entre os pa\u00edses latinos \u201cA import\u00e2ncia desse evento para a minha cultura e para a cultura sul-americana \u00e9 a unidade.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<h5 style=\"text-align: center\"><span style=\"color: #ff0000\">As fronteiras s\u00e3o linhas imagin\u00e1rias. O povo sul-americano \u00e9 um povo irm\u00e3o.&nbsp;<\/span><\/h5>\n\n\n\n<p>E \u00e9 muito importante que o Brasil mantenha essa pra\u00e7a como v\u00ednculo de uni\u00e3o entre os pa\u00edses da Am\u00e9rica do Sul.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>Ap\u00f3s dois anos de pandemia, em mar\u00e7o de 2022, o grupo T\u2019ikay deixou a organiza\u00e7\u00e3o e o evento foi cancelado. Mas com a ajuda da Associa\u00e7\u00e3o Boliviana e do consulado, a feira voltou a acontecer em abril do mesmo ano. Com o retorno, o ortopedista Orlando Turpo participou pela primeira vez com o seu novo empreendimento, um restaurante que conta com mais de 15 pratos bolivianos. \u201cNossa miss\u00e3o \u00e9 fazer com que o povo brasileiro experimente e conhe\u00e7a a nossa comida\u201d, conta. Tudo indica que a feira volta a acontecer todo segundo domingo do m\u00eas, inclusive ampliada. Al\u00e9m da oportunidade de continuar difundindo a cultura boliviana no estado, o consulado pretende convidar outros pa\u00edses a trazerem apresenta\u00e7\u00f5es art\u00edsticas para o evento.<\/p>\n\n\n\n<p>Com cerca de 180 estandes, a feira traz uma grande diversidade de produtos, desde a saltenha e mocochinchi, a sopa paraguaia, o chocolate quente, at\u00e9 itens de artesanato e roupas. E enquanto ouve um mpb, voc\u00ea pode se deliciar com um churrasco, tomar uma cerveja artesanal e assistir a apresenta\u00e7\u00e3o de uma polca paraguaia. <\/p>\n\n\n\n<h5 class=\"has-text-align-center wp-block-heading\">Gloss\u00e1rio<\/h5>\n\n\n\n<p><strong>Paraguai:<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Bomba: Canudo de alum\u00ednio com uma das extremidades achatadas, o que serve como filtro para a erva-mate durante o consumo de terer\u00e9.<\/p>\n\n\n\n<p>Chipa: Salgado feito de polvilho e queijo e moldado em formato de ferradura. <\/p>\n\n\n\n<p>Guampa: Termo qu\u00e9chua usado para se referir ao recipiente feito de chifre de boi utilizado para o consumo de terer\u00e9.<\/p>\n\n\n\n<p>Sopa paraguaia: Esp\u00e9cie de bolo de milho feito com queijo e muita cebola. <\/p>\n\n\n\n<p><strong>Bol\u00edvia<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Camba: Grupo \u00e9tnico alocado na regi\u00e3o chamada de Chiquito (Chiquitania), na Bol\u00edvia. Esta \u00e1rea geogr\u00e1fica \u00e9 compreendida pelo espa\u00e7o localizado entre o Chaco (sul), os rios Paraguai (leste) e Rio Grande (oeste).<\/p>\n\n\n\n<p>Chicha: Com origens ind\u00edgenas, a chicha \u00e9 uma bebida alco\u00f3lica fermentada feita \u00e0 base de milho e outros cereais.<\/p>\n\n\n\n<p>Chu\u00f1o: Batata congelada e desidratada no sol.<\/p>\n\n\n\n<p>Majadito: Prato feito com arroz, c\u00farcuma e carne seca ou carne de pato.<\/p>\n\n\n\n<p>Mocochinchi: Bebida feita com p\u00eassegos secos e desidratados que s\u00e3o deixados de molho durante a noite. No dia seguinte, esse caldo \u00e9 fervido com a\u00e7\u00facar e canela. A bebida \u00e9 servida fria.<\/p>\n\n\n\n<p>Mote: Por\u00e7\u00e3o de gr\u00e3os cozidos, podendo ser milho, trigo, feij\u00e3o ou outros. <\/p>\n\n\n\n<p>Saltenha: Salgado boliviano que se assemelha a um pastel assado. Pode ser recheado de diversas formas, em especial com frangos e especiarias.<\/p>\n\n\n\n<p>Viola-de-cocho: Instrumento musical de cordas dedilhadas variante da viola brasileira.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-buttons is-content-justification-center is-layout-flex wp-block-buttons-is-layout-flex\">\n<div class=\"wp-block-button\"><a class=\"wp-block-button__link\" href=\"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/projetil-98\/\">voltar para edi\u00e7\u00e3o 98<\/a><\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Fronteiras com Paraguai e Bol\u00edvia influenciam na constru\u00e7\u00e3o das identidades culturais de Mato Grosso do Sul Texto: Andrella Okata | Beatriz Santos | Fernando de Carvalho | Jo\u00e3o Pedro Flores O segundo estado mais novo do Brasil tem sua identidade cultural constru\u00edda na miscigena\u00e7\u00e3o e migra\u00e7\u00e3o de povos nacionais e de fora do pa\u00eds. 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