{"id":2057,"date":"2022-06-21T07:51:54","date_gmt":"2022-06-21T11:51:54","guid":{"rendered":"https:\/\/jornalismo.ufms.br\/projetil\/?p=2057"},"modified":"2022-07-04T17:00:12","modified_gmt":"2022-07-04T21:00:12","slug":"ms-no-cinema-uma-regiao-vivida-e-uma-regiao-percebida","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/ms-no-cinema-uma-regiao-vivida-e-uma-regiao-percebida\/","title":{"rendered":"MS no cinema: uma regi\u00e3o vivida e uma regi\u00e3o percebida"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"has-text-align-center\"><span style=\"color:#e02828\" class=\"tadv-color\"><strong>Cadu Fernandes<\/strong><\/span><\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator\"\/>\n\n\n\n<p>Assim como outras express\u00f5es art\u00edsticas, o cinema estabelece uma rela\u00e7\u00e3o de proximidade entre o discurso geogr\u00e1fico e a linguagem cinematogr\u00e1fica. Al\u00e9m disso, se apropria de um determinado territ\u00f3rio para arquitetar suas tramas e narrativas. No caso de Mato Grosso do Sul, \u00e9 poss\u00edvel notar um v\u00ednculo expressivo do estado com sua produ\u00e7\u00e3o cinematogr\u00e1fica.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"723\" height=\"1024\" src=\"http:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2022\/06\/ILUSTRA-cinema2-723x1024.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-2098\" srcset=\"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2022\/06\/ILUSTRA-cinema2-723x1024.jpg 723w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2022\/06\/ILUSTRA-cinema2-212x300.jpg 212w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2022\/06\/ILUSTRA-cinema2-768x1087.jpg 768w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2022\/06\/ILUSTRA-cinema2-400x566.jpg 400w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2022\/06\/ILUSTRA-cinema2.jpg 904w\" sizes=\"auto, (max-width: 723px) 100vw, 723px\" \/><figcaption>Ilustra\u00e7\u00e3o: Lucas Costa<\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p>Um dos filmes que sintetiza a produ\u00e7\u00e3o cultural-regional sul-mato-grossense \u00e9 Selva Tr\u00e1gica (1963). Com dire\u00e7\u00e3o de Roberto Farias e atua\u00e7\u00e3o de Reginaldo Faria, o longa retrata as dificuldades de trabalhadores em uma ind\u00fastria de erva mate no interior do estado. Para al\u00e9m de uma simples narrativa sobre o sofrimento dos oper\u00e1rios, o filme explora uma linguagem forte e intensa, com um recorte mais intimista. Os temas sociais, o realismo \u00e0 flor da pele, a rela\u00e7\u00e3o entre trabalho e dinheiro, e a c\u00e2mera dirigida basicamente para o corpo dos atores, contemplando tudo &#8211; o amor e a viol\u00eancia &#8211; aproximam Farias daquilo que sintetiza uma tem\u00e1tica recorrente do cinema do estado: a luta de classes.<\/p>\n\n\n\n<p>Outro fator presente nas produ\u00e7\u00f5es \u00e9 a utiliza\u00e7\u00e3o de g\u00eaneros de faroeste, especialmente em filmes realizados entre 1975 e 1985, por influ\u00eancia da est\u00e9tica que predominava no cinema de massa norte-americano na \u00e9poca. De certa maneira, as imagens propagadas pela m\u00eddia de um outro pa\u00eds alteram a forma com que as pessoas lidam com sua pr\u00f3pria realidade. Entretanto, o cinema feito aqui ainda assim incorpora elementos caracter\u00edsticos da regi\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Um dos mais fortes movimentos cinematogr\u00e1ficos do estado surge de um produto amador, o chamado &#8220;filme sertanejo&#8221;, que mesmo sob forte influ\u00eancia da arte hegem\u00f4nica, ainda responde como um tipo de cinema &#8220;irrespons\u00e1vel&#8221;, que n\u00e3o se prende a arqu\u00e9tipos estabelecidos pela cr\u00edtica, mercado ou financiadores.<\/p>\n\n\n\n<p>Dentre os v\u00e1rios cineastas que surgiram nessa \u00e9poca e participaram do movimento \u00e9 v\u00e1lido destacar Alexandre Couto e Jos\u00e9 Reinaldo Dorval, ambos de MS. Os dois ficaram marcados por uma est\u00e9tica violenta, cheias de conflitos e melodram\u00e1tica. Muitas vezes, as obras se passam nas periferias de Campo Grande ou na zona rural, sendo n\u00edtida a abrang\u00eancia de componentes do cinema de faroeste. Aqui surge o discurso geogr\u00e1fico. Em nenhum momento dos filmes pensamos estar vendo alguma produ\u00e7\u00e3o hollywoodiana, mas sim uma resposta social e cultural do cinema amador, tudo sob interven\u00e7\u00e3o de uma identidade local.<\/p>\n\n\n\n<p>Existe uma diferen\u00e7a entre o cinema sul-mato-grossense e o cinema que apenas se passa no estado. H\u00e1 diferentes maneiras de se representar uma regi\u00e3o no audiovisual, j\u00e1 que esse tipo de m\u00eddia tamb\u00e9m pode se tornar uma disputa narrativa. Historicamente, o filme de fato feito aqui busca exibir tramas caracter\u00edsticas do estado, isto \u00e9, quest\u00f5es realmente vividas pela popula\u00e7\u00e3o. \u00c9 interessante perceber as diferen\u00e7as, tanto em linguagem como em conte\u00fado das obras feitas nos centros de poder que retratam o Mato Grosso do Sul e a produ\u00e7\u00e3o regional.<\/p>\n\n\n\n<p>Certamente, essa diferen\u00e7a n\u00e3o escapa dos velhos estere\u00f3tipos. As tramas ainda envolvem em seu n\u00facleo central o tr\u00e1fico de drogas, como \u00e9 o caso dos filmes Cabe\u00e7a a Pr\u00eamio e Em Nome da Lei. Dificilmente veremos uma produ\u00e7\u00e3o de fora retratar uma intriga cotidiana da regi\u00e3o. Em contraponto, o cinema sul-mato-grossense explora o cotidiano do territ\u00f3rio, estabelecendo um conceito presente na constru\u00e7\u00e3o midi\u00e1tica do estado que \u00e9 o de uma regi\u00e3o percebida para uma regi\u00e3o vivida.<\/p>\n\n\n\n<p>O cinema do Mato Grosso do Sul passa por uma autoafirma\u00e7\u00e3o de sua cultura popular, buscando encontrar uma forma de express\u00e3o cultural que, assim como em outras formas de constru\u00e7\u00e3o midi\u00e1tica, tamb\u00e9m \u00e9 um setor tradicionalmente exclu\u00eddo.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-buttons is-content-justification-center is-layout-flex wp-block-buttons-is-layout-flex\">\n<div class=\"wp-block-button\"><a class=\"wp-block-button__link\" href=\"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/projetil-98\/\">voltar para edi\u00e7\u00e3o 98<\/a><\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Cadu Fernandes Assim como outras express\u00f5es art\u00edsticas, o cinema estabelece uma rela\u00e7\u00e3o de proximidade entre o discurso geogr\u00e1fico e a linguagem cinematogr\u00e1fica. 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