{"id":2068,"date":"2022-06-21T08:00:25","date_gmt":"2022-06-21T12:00:25","guid":{"rendered":"https:\/\/jornalismo.ufms.br\/projetil\/?p=2068"},"modified":"2022-07-04T16:56:44","modified_gmt":"2022-07-04T20:56:44","slug":"o-agro-nao-e-pop","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/o-agro-nao-e-pop\/","title":{"rendered":"O agro n\u00e3o \u00e9 pop"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"has-text-align-center has-accent-color has-text-color\"><strong>Cadu Fernandes<\/strong><\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator\"\/>\n\n\n\n<p>Uma din\u00e2mica comum do nosso sistema econ\u00f4mico \u00e9 tentar ocultar dos consumidores o conhecimento sobre a cadeia produtiva das mercadorias que chegam \u00e0s nossas mesas. Aliado a isso, uma campanha do agroneg\u00f3cio constr\u00f3i no imagin\u00e1rio popular a ideia de que o latif\u00fandio \u201c\u00e9 a ind\u00fastria de riqueza do Brasil\u201d. Portanto, questionar o agro seria como colocar-se contra o crescimento e o desenvolvimento do pa\u00eds.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"840\" height=\"507\" src=\"http:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2022\/06\/ILUSTRA-agronegocio1-3-2-1.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-2073\" srcset=\"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2022\/06\/ILUSTRA-agronegocio1-3-2-1.jpg 840w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2022\/06\/ILUSTRA-agronegocio1-3-2-1-300x181.jpg 300w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2022\/06\/ILUSTRA-agronegocio1-3-2-1-768x464.jpg 768w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2022\/06\/ILUSTRA-agronegocio1-3-2-1-400x241.jpg 400w\" sizes=\"auto, (max-width: 840px) 100vw, 840px\" \/><figcaption>Ilustra\u00e7\u00e3o: Ana Clara Klem | Jo\u00e3o Lucas<\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p>Palco de conflitos ind\u00edgenas e disputas por territ\u00f3rio, Mato Grosso do Sul t\u00eam a maior concentra\u00e7\u00e3o de terras particulares do pa\u00eds com 92%. As terras ind\u00edgenas ocupam 2,2%; os assentamentos 1% e os grandes latif\u00fandios formam 83% do estado. Os dados s\u00e3o do <a href=\"http:\/\/atlasagropecuario.imaflora.org\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Atlas Agropecu\u00e1rio<\/a> de 2020. Tudo isso contribui para uma forte identidade agro que paira no MS.<\/p>\n\n\n\n<p>Um tra\u00e7o comum a todas as propagandas exibidas na TV \u00e9 enfatizar a apar\u00eancia produtiva e moderna dos latif\u00fandios do agroneg\u00f3cio. Nas campanhas procuram destacar os empregos que o agro proporciona, mas silenciam intencionalmente as condi\u00e7\u00f5es e rela\u00e7\u00f5es de trabalho que se desenvolvem nas lavouras e usinas. Cabe ressaltar que, de acordo com dados divulgados pela Divis\u00e3o de Fiscaliza\u00e7\u00e3o para Erradica\u00e7\u00e3o do Trabalho Escravo (Detrae), Mato Grosso do Sul \u00e9 o 3\u00ba estado com mais resgates de trabalhadores em situa\u00e7\u00e3o an\u00e1loga \u00e0 escravid\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Outro elemento atrelado aos latif\u00fandios \u00e9 o uso massivo de agrot\u00f3xicos que permite a convers\u00e3o da produ\u00e7\u00e3o agropecu\u00e1ria em commodities. Um relat\u00f3rio publicado no m\u00eas de abril deste ano pela ONG <a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/publiceye.ch\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Public Eye<\/a>, apontou que 32% dos produtos classificados como \u201cextremamente t\u00f3xicos\u201d, produzidos pela <a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/syngentabrasil\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Syngenta<\/a>, s\u00e3o consumidos no Brasil.<\/p>\n\n\n\n<p>Na parte central de toda esta engrenagem est\u00e3o as multinacionais do veneno que despejam toneladas de agrot\u00f3xicos em terras brasileiras, j\u00e1 que em seus pr\u00f3prios pa\u00edses a comercializa\u00e7\u00e3o desses produtos n\u00e3o \u00e9 permitida.<\/p>\n\n\n\n<p>De certa forma, produtores de herbicida fazem do Brasil e da Am\u00e9rica Latina o quintal para onde escoam sua produ\u00e7\u00e3o e retiram seus lucros. Segundo o <a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/ibamagov\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Ibama<\/a>, as compras do Carbendazim &#8211; um tipo de agrot\u00f3xico amplamente comercializado no Brasil, mas proibido na Europa &#8211; chegaram a 4,8 mil toneladas em 2018.<\/p>\n\n\n\n<p>Nosso pa\u00eds ocupa o lugar de maior consumidor mundial de agrot\u00f3xicos e isso n\u00e3o \u00e9 \u00e0 toa. Mas sim devido a um modelo ligado \u00e0 economia mundial que coloca o Brasil no lugar de produtor e exportador de commodities. Temos um dos maiores rebanhos bovinos do planeta, uma extens\u00e3o de terras agricult\u00e1veis colossal, mas focamos a maior parte da produ\u00e7\u00e3o agr\u00edcola para exporta\u00e7\u00e3o e n\u00e3o para permitir o maior acesso da popula\u00e7\u00e3o aos alimentos.<\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m disso, o Brasil segue distante de uma soberania aliment\u00edcia, principalmente devido a arquitetura econ\u00f4mica que privilegia o latif\u00fandio em detrimento daquilo que realmente abastece o mercado interno: a agricultura familiar.<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo o \u00faltimo Censo Agropecu\u00e1rio do <a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/ibgeoficial\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Instituto Brasileiro de Geografia e Estat\u00edstica<\/a> (IBGE), a agricultura familiar do Brasil abrange 3.897.408 estabelecimentos rurais. S\u00e3o 77% dos estabelecimentos agr\u00edcolas do pa\u00eds, ocupando mais de 10 milh\u00f5es de pessoas (67% do total recenseado), respons\u00e1veis por parcela expressiva da oferta dos alimentos b\u00e1sicos da mesa dos brasileiros. Agricultores familiares respondem por 11% da produ\u00e7\u00e3o de arroz, 42% do feij\u00e3o preto, 70% da mandioca, 71% do piment\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>De acordo a <a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/semagroms\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Secretaria de Estado de Meio Ambiente, Desenvolvimento Econ\u00f4mico, Produ\u00e7\u00e3o e Agricultura Familiar<\/a> (Semagro), a agricultura familiar foi respons\u00e1vel pela comercializa\u00e7\u00e3o de mais de 1,3 mil toneladas de 138 tipos de produto em Mato Grosso do Sul no ano de 2021.<br>Existe um constante descr\u00e9dito do debate acerca da qualidade dos alimentos, do alimento org\u00e2nico e da luta de organiza\u00e7\u00f5es que possibilitam um caminho alternativo al\u00e9m do sistema produtivo vigente. A pr\u00e1tica de estado agroexportador passa pela deprecia\u00e7\u00e3o do lugar do campesinato na sociedade contempor\u00e2nea.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 preciso ter clareza de que a luta ambiental e econ\u00f4mica \u00e9 tamb\u00e9m a constru\u00e7\u00e3o e a resist\u00eancia pela busca da soberania alimentar, que passa necessariamente por um novo projeto de produ\u00e7\u00e3o agr\u00edcola. Isto \u00e9, uma din\u00e2mica que apoie a agricultura familiar, que n\u00e3o promova o desmatamento e a expropria\u00e7\u00e3o de camponeses. Afinal, o agro n\u00e3o \u00e9 pop.<\/p>\n\n\n\n\n<div class=\"wp-block-buttons is-content-justification-center is-layout-flex wp-block-buttons-is-layout-flex\">\n<div class=\"wp-block-button\"><a class=\"wp-block-button__link\" href=\"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/projetil-98\/\"> Voltar pARA edi\u00e7\u00e3o 98 <\/a><\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Cadu Fernandes Uma din\u00e2mica comum do nosso sistema econ\u00f4mico \u00e9 tentar ocultar dos consumidores o conhecimento sobre a cadeia produtiva das mercadorias que chegam \u00e0s nossas mesas. Aliado a isso, uma campanha do agroneg\u00f3cio constr\u00f3i no imagin\u00e1rio popular a ideia de que o latif\u00fandio \u201c\u00e9 a ind\u00fastria de riqueza do Brasil\u201d. 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