{"id":2104,"date":"2022-06-23T20:41:21","date_gmt":"2022-06-24T00:41:21","guid":{"rendered":"https:\/\/jornalismo.ufms.br\/projetil\/?p=2104"},"modified":"2022-07-04T16:14:31","modified_gmt":"2022-07-04T20:14:31","slug":"nao-me-vejo-mais-nela","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/nao-me-vejo-mais-nela\/","title":{"rendered":"N\u00e3o me vejo mais nela"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"has-text-align-center has-accent-color has-text-color\"><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/www.instagram.com\/_morrisfbn\/\" data-type=\"URL\" data-id=\"https:\/\/www.instagram.com\/_morrisfbn\/\" target=\"_blank\"><strong>Morris Fabiana<\/strong><\/a><\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator\"\/>\n\n\n\n<p>\u00c9 imposs\u00edvel falar da hist\u00f3ria e arte sul-mato-grossense e n\u00e3o falar da fam\u00edlia Ba\u00eds, <a href=\"https:\/\/www.guiadasartes.com.br\/lidia-bais\/biografia\" data-type=\"URL\" data-id=\"https:\/\/www.guiadasartes.com.br\/lidia-bais\/biografia\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">L\u00eddia Ba\u00eds<\/a> ou <a href=\"http:\/\/www.ipatrimonio.org\/campo-grande-morada-dos-bais\/#!\/map=38329&amp;loc=-20.45996688619419,-54.620633125305176,15\" data-type=\"URL\" data-id=\"http:\/\/www.ipatrimonio.org\/campo-grande-morada-dos-bais\/#!\/map=38329&amp;loc=-20.45996688619419,-54.620633125305176,15\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Morada dos Ba\u00eds<\/a>. Ent\u00e3o, mais uma vez, voc\u00ea vai ler algo sobre eles, mas provavelmente n\u00e3o da forma que est\u00e1 acostumado. Assim como L\u00eddia Ba\u00eds, gosto de me colocar em minhas produ\u00e7\u00f5es, ent\u00e3o pe\u00e7o licen\u00e7a ao\/\u00e0 caro\/a leitor\/a, pois mesmo sem possuir o nome Ba\u00eds, irei me incluir neste texto.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"290\" height=\"570\" src=\"http:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2022\/06\/ILUSTRA-lidiabais.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-2108\" srcset=\"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2022\/06\/ILUSTRA-lidiabais.jpg 290w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2022\/06\/ILUSTRA-lidiabais-153x300.jpg 153w\" sizes=\"auto, (max-width: 290px) 100vw, 290px\" \/><figcaption>Ilustra\u00e7\u00e3o: Laura Braga<\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p>Quando era pequena, ou melhor, crian\u00e7a, pois pequena ainda sou, conheci L\u00eddia e nada tirava da minha cabe\u00e7a o quanto \u00e9ramos parecidas e que talvez eu pudesse ser uma reencarna\u00e7\u00e3o dela. Afinal, n\u00f3s duas \u00e9ramos jovens que contemplavam diversas manifesta\u00e7\u00f5es art\u00edsticas, que eram consideradas loucas pelas fam\u00edlias e al\u00e9m dos seus tempos, ou no meu caso, resolvida demais para sua idade.<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o fui trancada em um manic\u00f4mio pelo meu pai e obrigada a casar para sair de l\u00e1. Tamb\u00e9m n\u00e3o precisei fugir de casa para buscar meus sonhos. Mas sou filha dessa terra e, mesmo antes de conhecer L\u00eddia, tinha para mim que um dia faria com que meus feitos fossem a gl\u00f3ria da minha fam\u00edlia, assim como sua famosa frase \u201cpor minha causa voc\u00eas ficar\u00e3o na hist\u00f3ria&#8221;. Ainda estou muito longe de trazer alguma gl\u00f3ria a algu\u00e9m, mas com o passar da idade e o entendimento de quem sou neste pa\u00eds desigual, percebi que, infelizmente, o caminho que L\u00eddia percorreu \u00e9 bem diferente e bem mais largo do que terei que percorrer. E este \u00e9 o ponto que quero chegar. Apesar de 122 anos de dist\u00e2ncia entre n\u00f3s, L\u00eddia passou a vida lutando pela sua liberdade, e eu vivo lutando pelo meu espa\u00e7o.<\/p>\n\n\n\n<p>L\u00eddia era filha de uma das fam\u00edlias mais ricas do estado, morou na primeira mans\u00e3o da capital e tinha todos os privil\u00e9gios que a pele clara oferece. J\u00e1 eu, fa\u00e7o parte dos 358 mil campo-grandenses com <a href=\"https:\/\/cadunico.dataprev.gov.br\/#\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Cad\u00danico<\/a>, moro em uma das partes nada valorizadas da cidade e tenho a pele escura que de vez em sempre fecha algumas portas.<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o quero diminuir as conquistas de L\u00eddia, mas n\u00e3o posso deixar de evidenciar, para te fazer pensar que mesmo que estes 122 anos n\u00e3o existissem, e eu vivesse na \u00e9poca dela ou ela na minha, nenhuma das duas estaria lutando e representando uma a outra. Pois em 1900, mulheres como eu, lutavam por um trabalho digno, lutavam para serem vistas como algo a mais do que meras empregadas dom\u00e9sticas. E mulheres como L\u00eddia, na minha \u00e9poca, mesmo que lutando contra problem\u00e1ticas importantes ainda presentes, estariam fazendo isso em seus tempos livres, entre suas viagens para o exterior, focadas no autoconhecimento.<\/p>\n\n\n\n<p>L\u00eddia foi revolucion\u00e1ria e ousada para sua \u00e9poca. Sua hist\u00f3ria ainda impacta. Nesse ano comemorativo dos 100 anos da <a href=\"https:\/\/brasilescola.uol.com.br\/literatura\/semana-arte-moderna-1922.htm\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">\u2018Semana de Arte Moderna\u2019<\/a> de 1922, dizem que sua arte \u00e9 uma das poucas do estado que encontrou o caminho dos modernistas. Ela passou por v\u00e1rias religi\u00f5es, n\u00e3o seguia regras, se casou e pediu div\u00f3rcio depois de cinco dias, se pintou ao lado de Jesus, fez uma exposi\u00e7\u00e3o de 10 dias no Rio de Janeiro, foi para Europa, se relacionou com homens e mulheres, escreveu livros e m\u00fasicas, fez o que lhe deu na telha durante todo o s\u00e9culo XX, em um pa\u00eds\/estado que at\u00e9 hoje \u00e9 considerado conservador e machista. E eu? Ainda nem consegui colocar o p\u00e9 para fora do MS.<\/p>\n\n\n\n<p>Ent\u00e3o, mesmo que eu seja a reencarna\u00e7\u00e3o da pequena grande mulher chamada L\u00eddia, nessa pequena grande mulher chamada Morris, sinto em dizer que ainda seguimos sem religi\u00e3o, experimentando m\u00faltiplas express\u00f5es art\u00edsticas, se relacionando com homens e mulheres, e contrariando v\u00e1rias vezes a fam\u00edlia e a expectativa social. E o autoconhecimento que tanto busc\u00e1vamos e que nos aproxima, ao mesmo tempo mostrou que n\u00e3o posso me enganar e achar que somos parecidas. As medidas que nos aferem s\u00e3o diferentes.<\/p>\n\n\n\n\n\n<div class=\"wp-block-buttons is-content-justification-center is-layout-flex wp-block-buttons-is-layout-flex\">\n<div class=\"wp-block-button\"><a class=\"wp-block-button__link\" href=\"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/projetil-98\/\"> Voltar pARA edi\u00e7\u00e3o 98 <\/a><\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Morris Fabiana \u00c9 imposs\u00edvel falar da hist\u00f3ria e arte sul-mato-grossense e n\u00e3o falar da fam\u00edlia Ba\u00eds, L\u00eddia Ba\u00eds ou Morada dos Ba\u00eds. Ent\u00e3o, mais uma vez, voc\u00ea vai ler algo sobre eles, mas provavelmente n\u00e3o da forma que est\u00e1 acostumado. Assim como L\u00eddia Ba\u00eds, gosto de me colocar em minhas produ\u00e7\u00f5es, ent\u00e3o pe\u00e7o licen\u00e7a ao\/\u00e0 [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":35,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[26],"tags":[],"class_list":["post-2104","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-opiniao98"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2104","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-json\/wp\/v2\/users\/35"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=2104"}],"version-history":[{"count":8,"href":"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2104\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":2308,"href":"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2104\/revisions\/2308"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=2104"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=2104"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=2104"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}