{"id":2138,"date":"2022-06-20T17:49:55","date_gmt":"2022-06-20T21:49:55","guid":{"rendered":"https:\/\/jornalismo.ufms.br\/projetil\/?p=2138"},"modified":"2022-07-04T17:08:11","modified_gmt":"2022-07-04T21:08:11","slug":"o-pantanal-nas-telas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/o-pantanal-nas-telas\/","title":{"rendered":"O &#8220;Pantanal&#8221; nas telas"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"has-text-align-center\"><strong><span style=\"color:#e02828\" class=\"tadv-color\"><a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/carlosbastoss_\/\" data-type=\"URL\" data-id=\"https:\/\/www.instagram.com\/carlosbastoss_\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Kadu Bastos<\/a><\/span><\/strong><\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator\"\/>\n\n\n\n<p>\u201cPantanal\u201d est\u00e1 nos lares brasileiros desde o final de mar\u00e7o. A novela que mexeu com o imagin\u00e1rio do p\u00fablico 32 anos atr\u00e1s, criada ent\u00e3o por Benedito Ruy Barbosa, retornou \u00e0s telas com uma nova vers\u00e3o exibida no hor\u00e1rio nobre, agora escrita por Bruno Luperi. A hist\u00f3ria de tradi\u00e7\u00f5es familiares junto ao romance e misticismo cercado pelo bioma pantaneiro, traz Mato Grosso do Sul, outra vez, ao cen\u00e1rio nacional. Chama a aten\u00e7\u00e3o a nova abordagem da novela em rela\u00e7\u00e3o aos impactos ambientais no Pantanal e a atualiza\u00e7\u00e3o da obra no que se refere aos temas sociais e culturais contempor\u00e2neos no ambiente conservador do interior pantaneiro. Machismo e homofobia, por exemplo, acontecem, mas agora s\u00e3o rebatidos, principalmente por personagens mais jovens.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"567\" height=\"499\" src=\"http:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2022\/06\/ILUSTRA-novela1-ff-2.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-2445\" srcset=\"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2022\/06\/ILUSTRA-novela1-ff-2.jpg 567w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2022\/06\/ILUSTRA-novela1-ff-2-300x264.jpg 300w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2022\/06\/ILUSTRA-novela1-ff-2-400x352.jpg 400w\" sizes=\"auto, (max-width: 567px) 100vw, 567px\" \/><figcaption>Ilustra\u00e7\u00e3o: MARINA COZTA<\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p>A trama inicia com Joventino (Irandhir Santos) e seu filho Jos\u00e9 Le\u00f4ncio (Renato G\u00f3es, na juventude, Marcos Palmeira na maturidade), pe\u00f5es de comitiva de gado, que chegam no Pantanal. Jos\u00e9 Leoncio assume o legado do pai no comando da fazenda. Em viagem ao Rio de Janeiro, ele conhece Madeleine (Bruna Linzmeyer\/Karine Teles) por quem se apaixona, se casa e tem um filho. Jove (Jesu\u00edta Barbosa) nasce na fazenda, mas insatisfeita Madeleine retorna para o Rio levando o filho do casal. Anos se passam e o retorno de Jove, agora adulto, \u00e9 esperado. Paralelo a isso, o lado m\u00edstico da novela \u00e9 apresentado na hist\u00f3ria de Maria e Juma Marru\u00e1 (Juliana Paes e Alanis Guillen), e do Velho do Rio (Osmar Prado).<\/p>\n\n\n\n<p>Esse lado misterioso da trama ainda cai no gosto do p\u00fablico. As cenas em que Maria e Juma viram on\u00e7a repercutem. Prova disso, \u00e9 que a novela vem quebrando seus pr\u00f3prios recordes de audi\u00eancia, registrando o melhor Ibope do hor\u00e1rio desde 2015. Outra caracter\u00edstica marcante da repercuss\u00e3o na gera\u00e7\u00e3o atual, s\u00e3o os memes, satirizando situa\u00e7\u00f5es, principalmente em rela\u00e7\u00e3o a Jove que se atrapalha para tentar se adequar ao ambiente pantaneiro. Al\u00e9m disso, a situa\u00e7\u00e3o atual do pa\u00eds, com infla\u00e7\u00e3o alta, cultura sem minist\u00e9rio e a volta da novela na TV aberta, gera ironias na internet de que voltamos \u00e0 d\u00e9cada de 1990, quando a primeira vers\u00e3o foi exibida.<\/p>\n\n\n\n<p>Com or\u00e7amento milion\u00e1rio, \u201cPantanal\u201d \u00e9 a telenovela mais cara da Globo at\u00e9 ent\u00e3o. O investimento \u00e9 observado nas cenas das paisagens do bioma que parecem saltar da tela. Parte dos locais foram filmados em seis fazendas na bacia do rio Negro, pr\u00f3ximo a Aquidauana. No entanto, falta especificar qual Pantanal estamos vendo. O bioma possui 11 microrregi\u00f5es com caracter\u00edsticas naturais variadas. Al\u00e9m disso, \u00e9 muito citado, na fala dos personagens, o ciclo das \u00e1guas, as cheias e vazantes, mas ainda n\u00e3o vimos uma cena que representasse esse aspecto da maior plan\u00edcie alag\u00e1vel do mundo.<\/p>\n\n\n\n<p>O pe\u00e3o pantaneiro \u00e9 representado nas cenas da rotina na fazenda e nas rodas de viola. As can\u00e7\u00f5es de Almir Sater \u201cComitiva Esperan\u00e7a\u201d, \u201cBoiada\u201d, \u201cChalana\u201d e de S\u00e9rgio Reis \u201cCavalo Preto\u201d, presentes na trama, embalam as cenas e retratam um pouco da cultura tradicional. Parte dessas can\u00e7\u00f5es s\u00e3o cantadas pelo pr\u00f3prio Almir Sater que retorna ao elenco, agora no papel do chalaneiro Eug\u00eanio. J\u00e1 a caracteriza\u00e7\u00e3o dos pe\u00f5es com roupas mais estilizadas parece fora da realidade. O h\u00e1bito de Jos\u00e9 Le\u00f4ncio n\u00e3o tirar o chap\u00e9u nem para comer, foi criticado. J\u00e1 que a refei\u00e7\u00e3o \u00e9 um momento sagrado para os pe\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p>O sotaque falado na novela, lembra de longe o modo de falar de quem vive no Pantanal, mas se aproxima mais de um \u201ccaipira gen\u00e9rico\u201d. A express\u00e3o \u201cLarga M\u00e3o\u201d \u00e9 bem-vinda, mas o \u201cAra\u201d poderia ser trocado por \u201cEita pega\u201d. A falta de sotaques de outras regi\u00f5es e a refer\u00eancia a outras cidades do MS, para al\u00e9m de Aquidauana e Campo Grande, s\u00e3o sentidas. Inclusive, nem a pr\u00f3pria cidade que \u00e9 Portal de Entrada para o bioma, Corumb\u00e1, apareceu na trama. O elenco de maioria branca em meio ao Pantanal tamb\u00e9m soa estranho. A aus\u00eancia de mais personagens negros, descendentes de \u00edndios, bolivianos e paraguaios ignora que o MS tem uma miscigena\u00e7\u00e3o forte.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"567\" height=\"563\" src=\"http:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2022\/06\/ILUSTRA-novela2-ff.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-2451\" srcset=\"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2022\/06\/ILUSTRA-novela2-ff.jpg 567w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2022\/06\/ILUSTRA-novela2-ff-300x298.jpg 300w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2022\/06\/ILUSTRA-novela2-ff-150x150.jpg 150w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2022\/06\/ILUSTRA-novela2-ff-400x397.jpg 400w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2022\/06\/ILUSTRA-novela2-ff-200x200.jpg 200w\" sizes=\"auto, (max-width: 567px) 100vw, 567px\" \/><figcaption>Ilustra\u00e7\u00e3o: MARINA COZTA<\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p>Na fazenda do Z\u00e9 Le\u00f4ncio o agro \u00e9 pop. Ele \u00e9 o pecuarista do bem que defende ideais de sustentabilidade. As queimadas s\u00e3o citadas s\u00f3 de forma pontual. A explora\u00e7\u00e3o do turismo na regi\u00e3o, assunto t\u00e3o cobi\u00e7ado no mundo real, \u00e9 tratado como se fosse poss\u00edvel de conciliar desenvolvimento econ\u00f4mico com preserva\u00e7\u00e3o ambiental.<\/p>\n\n\n\n<p>Embora novelas sejam fic\u00e7\u00e3o, elas contribuem na forma\u00e7\u00e3o do imagin\u00e1rio das pessoas, construindo e ou desconstruindo estere\u00f3tipos. \u201cPantanal\u201d j\u00e1 surpreende por ser uma produ\u00e7\u00e3o fora do eixo Rio-S\u00e3o Paulo que conquistou o p\u00fablico. No entanto, a novela poderia ganhar e contribuir ainda mais apostando no retrato de mais nuances de MS e n\u00e3o recorrendo ao lugar comum. Por fim, o folhetim pode ser uma \u00f3tima oportunidade para colocar o bioma em evid\u00eancia e provocar o debate sobre sua importante preserva\u00e7\u00e3o. A trama deve continuar nas telas at\u00e9 setembro, portanto, ainda h\u00e1 tempo de recontar o Pantanal como MS merece.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-buttons is-content-justification-center is-layout-flex wp-block-buttons-is-layout-flex\">\n<div class=\"wp-block-button\"><a class=\"wp-block-button__link\" href=\"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/projetil-98\/\">VOLTAR PARA EDI\u00c7\u00c3O 98<\/a><\/div>\n<\/div>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator\"\/>\n\n\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Kadu Bastos \u201cPantanal\u201d est\u00e1 nos lares brasileiros desde o final de mar\u00e7o. A novela que mexeu com o imagin\u00e1rio do p\u00fablico 32 anos atr\u00e1s, criada ent\u00e3o por Benedito Ruy Barbosa, retornou \u00e0s telas com uma nova vers\u00e3o exibida no hor\u00e1rio nobre, agora escrita por Bruno Luperi. 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