{"id":2164,"date":"2022-06-21T07:39:16","date_gmt":"2022-06-21T11:39:16","guid":{"rendered":"https:\/\/jornalismo.ufms.br\/projetil\/?p=2164"},"modified":"2022-07-04T17:05:11","modified_gmt":"2022-07-04T21:05:11","slug":"em-busca-de-dias-mulheres","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/em-busca-de-dias-mulheres\/","title":{"rendered":"Em busca de dias mulheres"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"has-text-align-center has-accent-color has-text-color\"><strong><a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/daphyne.schiffer\/\" data-type=\"URL\" data-id=\"https:\/\/www.instagram.com\/daphyne.schiffer\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Daphyne Gonzaga<\/a><\/strong><\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator\"\/>\n\n\n\n<p>Para come\u00e7ar a entender o que \u00e9 ser mulher no Mato Grosso do Sul \u00e9 preciso levar em conta toda a complexidade cultural que o estado oferece como pano de fundo para a constru\u00e7\u00e3o de suas hist\u00f3rias. Ra\u00e7a, classe, contexto familiar e territ\u00f3rios geogr\u00e1ficos, s\u00e3o fatores determinantes na forma\u00e7\u00e3o de g\u00eanero, para al\u00e9m das influ\u00eancias de ind\u00edgenas, negros, imigrantes orientais e povos fronteiri\u00e7os pr\u00f3prios do nosso Sul. Um povo que segue em busca de sua(s) identidade(s), desde o processo hist\u00f3rico de divis\u00e3o do territ\u00f3rio, que culminou na cria\u00e7\u00e3o de um estado leg\u00edtimo e independente. Esses e tantos outros aspectos nos d\u00e3o ferramentas na tentativa de compreender os desafios enfrentados pelas mulheres em um dos estados mais violentos contra esse g\u00eanero.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"420\" height=\"515\" src=\"http:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2022\/06\/ILUSTRA-violenciaMULHER.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-2179\" srcset=\"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2022\/06\/ILUSTRA-violenciaMULHER.jpg 420w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2022\/06\/ILUSTRA-violenciaMULHER-245x300.jpg 245w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2022\/06\/ILUSTRA-violenciaMULHER-400x490.jpg 400w\" sizes=\"auto, (max-width: 420px) 100vw, 420px\" \/><figcaption>Ilustra\u00e7\u00e3o: Laura Braga<\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p>Dos 29 vereadores eleitos na gest\u00e3o atual (2021-2024) na capital do Mato Grosso do Sul, apenas uma \u00e9 mulher, <a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/camilajarams\/\" data-type=\"URL\" data-id=\"https:\/\/www.instagram.com\/camilajarams\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Camila Jara<\/a>, de 27 anos. J\u00e1 entre os deputados estaduais, a \u00fanica representante feminina, <a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/deputadamaracaseiro\/\" data-type=\"URL\" data-id=\"https:\/\/www.instagram.com\/deputadamaracaseiro\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Mara Caseiro<\/a>, assumiu a cadeira ap\u00f3s um dos membros ter falecido. Hist\u00f3ria parecida na prefeitura de Campo Grande, foi preciso a ren\u00fancia do prefeito para que a vice Adriane Lopes assumisse o cargo no \u00faltimo dia quatro de maio. Nas outras cidades do estado, prefeito e seus respectivos vices: logicamente, a maioria esmagadora, homens. Este \u00e9 apenas um dos ind\u00edcios da falta de representatividade feminina, principalmente entre os tomadores de decis\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Passaram-se apenas 45 anos desde a cria\u00e7\u00e3o do estado. Antes disso, o seu territ\u00f3rio, que fazia parte do Mato Grosso, era formado por pequenos munic\u00edpios dispostos ao longo do trajeto das Mon\u00e7\u00f5es e dos tropeiros; as chamadas cidades de passagem, com poucos habitantes e afastadas dos grandes centros. O foco era a agricultura e os pequenos com\u00e9rcios, que serviam \u00e0queles que transitavam entre a capital Cuiab\u00e1 e outros destinos como Minas Gerais e S\u00e3o Paulo. Apesar de todas as mudan\u00e7as, o principal meio de subsist\u00eancia continua sendo a agricultura e a pecu\u00e1ria, ramos historicamente dominados por homens.<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o que as mulheres n\u00e3o desempenhem o trabalho na lida di\u00e1ria com o gado, na lideran\u00e7a dos pe\u00f5es e na condu\u00e7\u00e3o dos neg\u00f3cios familiares, mas existe um apagamento da import\u00e2ncia dessas mulheres na hist\u00f3ria do agroneg\u00f3cio, assim como na hist\u00f3ria da constru\u00e7\u00e3o do estado em geral. Tudo isso se reflete na forma como essa cultura machista permanece sendo propagada dentro do estado, visto que quem conta a hist\u00f3ria s\u00e3o majoritariamente homens brancos que perpetuam uma tradi\u00e7\u00e3o patriarcal e excludente.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 importante pontuar que assim como alerta o \u201cViolent\u00f4metro\u201d, da <a href=\"https:\/\/www.secc.ms.gov.br\/subsecretaria-de-politicas-publicas-para-as-mulheres\/\" data-type=\"URL\" data-id=\"https:\/\/www.secc.ms.gov.br\/subsecretaria-de-politicas-publicas-para-as-mulheres\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Subsecretaria de Pol\u00edticas para a Mulher do Mato Grosso do Sul <\/a>(SPPM\/MS), a no\u00e7\u00e3o de viol\u00eancia vai al\u00e9m dos crimes como assassinato e agress\u00e3o f\u00edsica. A mulher precisa lidar com agress\u00f5es diversas que perpassam a viol\u00eancia psicol\u00f3gica, moral, patrimonial e sexual; sem contar o preconceito no mercado de trabalho e o desmerecimento de seu papel na sociedade em geral.<\/p>\n\n\n\n<p>Uma das perspectivas para tentar explicar tamanha opress\u00e3o poderia ser a falta de acesso \u00e0 informa\u00e7\u00e3o. Muitas vezes, o homem do campo est\u00e1 inserido em um contexto no qual, al\u00e9m de n\u00e3o ter educa\u00e7\u00e3o de qualidade, acaba por fazer parte da dissemina\u00e7\u00e3o de uma cultura local tradicionalista, e por vezes antiquada, que perpetua a submiss\u00e3o da mulher. Cultura esta que atribui o papel, \u00fanico e imut\u00e1vel, de m\u00e3es e donas de casa \u00e0s mulheres na sociedade, servindo, dessa forma, exclusivamente para garantir a manuten\u00e7\u00e3o da estrutura familiar e da domina\u00e7\u00e3o masculina.<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo dados da Cartilha de Viol\u00eancia contra as mulheres do <a href=\"https:\/\/forumseguranca.org.br\/\" data-type=\"URL\" data-id=\"https:\/\/forumseguranca.org.br\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">F\u00f3rum Brasileiro de Seguran\u00e7a P\u00fablica<\/a> (2021), o MS tem a terceira maior taxa de feminic\u00eddio do pa\u00eds, sendo que grande parte dos crimes acontecem nos munic\u00edpios com menor n\u00famero de habitantes, as \u201ccidades do interior\u201d. Acontece que esse \u00edndice est\u00e1 longe de ser atribu\u00eddo apenas ao conservadorismo cultural. <a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/karlawmelo\/\" data-type=\"URL\" data-id=\"https:\/\/www.instagram.com\/karlawmelo\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Karla Melo<\/a>, cientista social e ativista em causas feministas e LGBTQIA+ acredita que existem in\u00fameros fatores que contribuem para que o estado seja considerado um dos mais violentos contra as mulheres. \u201cAl\u00e9m de uma cultura hist\u00f3rica conservadora, a dificuldade de acesso \u00e0 informa\u00e7\u00e3o e educa\u00e7\u00e3o adequada, o enfraquecimento dos movimentos sociais em favor da causa e a falta de presen\u00e7a feminina na gest\u00e3o do estado tornam mais dif\u00edcil a vida da mulher no MS\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Na d\u00e9cada de 2010, o estado vinha numa crescente trajet\u00f3ria em defesa dos direitos das mulheres. Nessa \u00e9poca, foi criada a primeira Coordenadoria Estadual das Mulheres do pa\u00eds, a primeira Casa da Mulher Brasileira, e houve a cria\u00e7\u00e3o de grupos pioneiros, como o Coletivo Feminista L\u00eddia Ba\u00eds. Acontece que os movimentos sociais, segundo a psic\u00f3loga e ativista feminista em Campo Grande Pietra Garcia, est\u00e3o passando por um momento de enfraquecimento. Ela afirma que o caminho para melhorar este cen\u00e1rio \u00e9 simples na teoria, mas que requer muito esfor\u00e7o e dedica\u00e7\u00e3o na pr\u00e1tica.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 preciso que as sul-mato-grossenses se juntem para propor medidas de prote\u00e7\u00e3o e empoderamento, com o objetivo de combater o preconceito de g\u00eanero e a garantir que sejam atendidas as necessidades das mulheres em toda a sua diversidade. No Brasil, as pol\u00edticas p\u00fablicas n\u00e3o s\u00e3o implementadas de outra forma, que n\u00e3o a partir da press\u00e3o das ruas. Tamb\u00e9m \u00e9 necess\u00e1rio continuar esse trabalho nas urnas, garantindo atrav\u00e9s das elei\u00e7\u00f5es a representatividade feminina nos \u00f3rg\u00e3os p\u00fablicos para que as vozes das mulheres tenham mais chances de serem ouvidas. S\u00f3 assim, ser\u00e1 poss\u00edvel tornar o estado do Mato Grosso do Sul mais seguro, acolhedor e justo para as suas mulheres.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-buttons is-content-justification-center is-layout-flex wp-block-buttons-is-layout-flex\">\n<div class=\"wp-block-button\"><a class=\"wp-block-button__link\" href=\"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/projetil-98\/\">VOLTAR PARA EDI\u00c7\u00c3O 98<\/a><\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Daphyne Gonzaga Para come\u00e7ar a entender o que \u00e9 ser mulher no Mato Grosso do Sul \u00e9 preciso levar em conta toda a complexidade cultural que o estado oferece como pano de fundo para a constru\u00e7\u00e3o de suas hist\u00f3rias. 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