{"id":2215,"date":"2022-06-23T14:42:08","date_gmt":"2022-06-23T18:42:08","guid":{"rendered":"https:\/\/jornalismo.ufms.br\/projetil\/?p=2215"},"modified":"2022-07-04T16:48:55","modified_gmt":"2022-07-04T20:48:55","slug":"cultura-que-sobrevive","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/cultura-que-sobrevive\/","title":{"rendered":"Cultura que (sobre)vive"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"has-text-align-center has-accent-color has-text-color\"><strong>Texto: Simone Gallassi<\/strong><\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator\"\/>\n\n\n<p>\u201cNunca tem nada pra fazer nessa cidade! Campo Grande \u00e9 morta!\u201d. Eis uma cr\u00edtica h\u00e1 muito tempo vociferada por parte da popula\u00e7\u00e3o da cidade. Mas, ao contr\u00e1rio do que Joseph Goebbels cunhou, uma mentira dita mil vezes continua sendo uma mentira.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter size-large is-resized\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2022\/07\/ILUSTRA-culturasobrevive-1-1-551x1024.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-2478\" width=\"451\" height=\"838\" srcset=\"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2022\/07\/ILUSTRA-culturasobrevive-1-1-551x1024.png 551w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2022\/07\/ILUSTRA-culturasobrevive-1-1-161x300.png 161w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2022\/07\/ILUSTRA-culturasobrevive-1-1-768x1428.png 768w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2022\/07\/ILUSTRA-culturasobrevive-1-1-826x1536.png 826w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2022\/07\/ILUSTRA-culturasobrevive-1-1-1101x2048.png 1101w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2022\/07\/ILUSTRA-culturasobrevive-1-1-1200x2232.png 1200w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2022\/07\/ILUSTRA-culturasobrevive-1-1-1250x2325.png 1250w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2022\/07\/ILUSTRA-culturasobrevive-1-1-400x744.png 400w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2022\/07\/ILUSTRA-culturasobrevive-1-1.png 1557w\" sizes=\"auto, (max-width: 451px) 100vw, 451px\" \/><figcaption>Ilustra\u00e7\u00e3o: Karina Teruya<\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p>A cultura de \u2018Camp\u00e3o\u2019 pulsa, firme e v\u00edvida, nas entranhas da cidade. A cultura que circula pelas ruas, que enche de vida e fortalece a identidade de gera\u00e7\u00f5es, no entanto, nada tem a ver com os grandes shows em exposi\u00e7\u00f5es no estacionamento de shoppings centers. Estes s\u00e3o apenas frutos de uma ind\u00fastria cultural, trazidos por cifras gigantes e que garantem lucro para grupos min\u00fasculos, ofuscando a produ\u00e7\u00e3o local com espet\u00e1culos de encher os olhos e esvaziar as mentes. Do bar, que preenche sua agenda com imita\u00e7\u00f5es de bandas internacionais, ao poder p\u00fablico, que dificulta o acesso do pequeno produtor cultural a seus editais, cada coadjuvante tem um pouco de culpa na fama de morta que uma cidade t\u00e3o viva carrega.<\/p>\n\n\n\n<p>Governo do Estado e Prefeitura Municipal, por um lado, tem acertado em iniciativas \u2013 ainda que modestas \u2013 que buscam ao mesmo tempo abastecer a cultura com recursos e leva-la para mais perto da popula\u00e7\u00e3o. Projetos como o Festival Gastron\u00f4mico, <span style=\"color: #ff0000\"><a style=\"color: #ff0000\" href=\"https:\/\/descubracg.campogrande.ms.gov.br\/\">Descubra CG<\/a><\/span>, <span style=\"color: #ff0000\"><a style=\"color: #ff0000\" href=\"https:\/\/www.fundacaodecultura.ms.gov.br\/Geral\/musica\/som-da-concha\/\">Som da Concha<\/a><\/span>, Festival Canta Campo Grande e o festival <span style=\"color: #ff0000\"><a style=\"color: #ff0000\" href=\"https:\/\/festivalcampaocultural.ms.gov.br\/\">Camp\u00e3o Cultural<\/a><\/span>, entre outros, abrem espa\u00e7o para artistas locais apresentarem suas produ\u00e7\u00f5es ao p\u00fablico sem depender de empres\u00e1rios que os veem como meros atrativos rent\u00e1veis. O p\u00fablico, por sua vez, \u00e9 apresentado a obras e artistas que dificilmente teria contato sem desembolsar algumas dezenas de reais na noite bo\u00eamia.<\/p>\n\n\n\n<p>Na noite, ali\u00e1s, ainda \u00e9 preciso injetar algumas doses de orgulho regional. O que mais se v\u00ea nos <span style=\"color: #ff0000\"><a style=\"color: #ff0000\" href=\"https:\/\/www.significados.com.br\/pub\/\">\u201cpubs\u201d<\/a><\/span> \u2013 onde o estrangeirismo come\u00e7a pelo nome \u2013 s\u00e3o eventos embalados por covers (bandas que imitam m\u00fasicos consagrados), muitas vezes vindos de outros estados, e celebrados como o \u00e1pice da produ\u00e7\u00e3o cultural local. Por melhor que sejam os passos de Michael Jackson ou o bigode de Freddie Mercury dos contratados, \u00e9 importante lembrar que a arte vive na cria\u00e7\u00e3o, na originalidade e na identidade.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter size-large is-resized\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2022\/07\/ILUSTRA-culturasobrevive-2-963x1024.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-2470\" width=\"501\" height=\"532\" srcset=\"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2022\/07\/ILUSTRA-culturasobrevive-2-963x1024.png 963w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2022\/07\/ILUSTRA-culturasobrevive-2-282x300.png 282w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2022\/07\/ILUSTRA-culturasobrevive-2-768x817.png 768w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2022\/07\/ILUSTRA-culturasobrevive-2-400x425.png 400w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2022\/07\/ILUSTRA-culturasobrevive-2.png 1054w\" sizes=\"auto, (max-width: 501px) 100vw, 501px\" \/><figcaption> Ilustra\u00e7\u00e3o: Karina Teruya <\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p>Como tudo que \u00e9 vivo, por\u00e9m, a cultura sempre encontra um jeito. \u00c9 nos sarais em que o m\u00fasico fortalece o artista pl\u00e1stico, o poeta apoia o pintor e o ator aplaude o m\u00fasico que se tem a certeza de que a cultura vive aqui, em meio ao povo, nas ruas, pra\u00e7as, palcos improvisados e nos bares mais modestos. N\u00e3o que a cultura deva, via de regra, ser feita por amor e desapegada das coisas materiais, pelo contr\u00e1rio, precisa de cada vez mais investimento para alcan\u00e7ar efetivamente a todos, mas a produ\u00e7\u00e3o focada em n\u00fameros sempre acaba por deixar de lado o conte\u00fado, repetindo refr\u00f5es chiclete para multid\u00f5es ou entregando obras apenas para uma elite que por elas possa pagar.<\/p>\n\n\n\n<p>Se a cultura de <span style=\"color: #ff0000\"><a style=\"color: #ff0000\" href=\"https:\/\/www.google.com\/maps\/place\/Campo+Grande,+MS\/@-20.4810998,-54.635534,12z\/data=!3m1!4b1!4m5!3m4!1s0x9486e6726b2b9f27:0xf5a8469ebc84d2c1!8m2!3d-20.4648517!4d-54.6218477\">Campo Grande<\/a><\/span> respira por aparelhos, estes s\u00e3o fruto da perseveran\u00e7a dos artistas locais, que demonstraram, principalmente durante os piores momentos da pandemia de Covid-19, como a uni\u00e3o da classe pode garantir a subsist\u00eancia dos mais vulner\u00e1veis. Institui\u00e7\u00f5es como a Uni\u00e3o dos M\u00fasicos de Mato Grosso do Sul e o Sindicato dos M\u00fasicos, Autores e T\u00e9cnicos do estado (SIMATEC\/MS) tomaram a frente na arrecada\u00e7\u00e3o de alimentos e produtos de higiene para aqueles que dependiam 100% de apresenta\u00e7\u00f5es para seu sustento e garantiram que muitos n\u00e3o deixassem a arte de lado.<\/p>\n\n\n\n<p>O rem\u00e9dio para que cada vez mais artistas deixem de apenas sobreviver da cultura est\u00e1 no amparo e no conhecimento. \u00c9 preciso que o poder p\u00fablico, em todas as esferas, pense n\u00e3o somente em projetos de fomento, mas tamb\u00e9m em como facilitar o acesso dos artistas a eles, evitando que recursos p\u00fablicos fiquem restritos a artistas que tenham consigo uma equipe de apoio para o preenchimento de editais. Tamb\u00e9m depende do interesse dos pr\u00f3prios em aprender a lidar com a burocracia, inc\u00f4moda, mas obrigat\u00f3ria, para o acesso a tais recursos.<\/p>\n\n\n\n<p>Ainda h\u00e1, por\u00e9m, um primeiro passo necess\u00e1rio: assim como a cura para qualquer enfermidade come\u00e7a pela cabe\u00e7a, \u00e9 preciso que o campo-grandense tamb\u00e9m acredite na vida cultural desta cidade, que mesmo caminhando com dificuldades, passa bem longe de estar morta.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-buttons is-content-justification-center is-layout-flex wp-block-buttons-is-layout-flex\">\n<div class=\"wp-block-button\"><a class=\"wp-block-button__link\" href=\"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/projetil-98\">voltar a edi\u00e7\u00e3o 98<\/a><\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Texto: Simone Gallassi \u201cNunca tem nada pra fazer nessa cidade! Campo Grande \u00e9 morta!\u201d. 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