{"id":2224,"date":"2022-06-24T15:43:41","date_gmt":"2022-06-24T19:43:41","guid":{"rendered":"https:\/\/jornalismo.ufms.br\/projetil\/?p=2224"},"modified":"2022-07-04T17:40:25","modified_gmt":"2022-07-04T21:40:25","slug":"uma-identidade-em-construcao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/uma-identidade-em-construcao\/","title":{"rendered":"Uma identidade em constru\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"\n<h4 class=\"has-text-align-center wp-block-heading\">Pesquisador da hist\u00f3ria de MS destaca a guerra com o Paraguai, a fronteira com a Bol\u00edvia e o bioma Pantanal como elementos na forma\u00e7\u00e3o de um estado em resist\u00eancia<\/h4>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center\"><strong><span style=\"color:#e02828\" class=\"tadv-color\">Amanda Maia | Beatriz Rieger <\/span><\/strong><\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator\"\/>\n\n\n\n<p>O professor Valmir Batista Corr\u00eaa, 75, \u00e9 pesquisador da hist\u00f3ria de Mato Grosso do Sul e tem mais de 16 livros publicados sobre o tema. Natural do estado de S\u00e3o Paulo, morou por 22 anos em Corumb\u00e1, foi docente do curso de Hist\u00f3ria na Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS), no campus de Corumb\u00e1, Secret\u00e1rio de Educa\u00e7\u00e3o da cidade, vereador e se aposentou trabalhando na Pr\u00f3-Reitoria de ensino da UFMS.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"683\" src=\"http:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2022\/06\/Principal1-2-1024x683.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-2085\" srcset=\"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2022\/06\/Principal1-2-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2022\/06\/Principal1-2-300x200.jpg 300w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2022\/06\/Principal1-2-768x512.jpg 768w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2022\/06\/Principal1-2-1536x1024.jpg 1536w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2022\/06\/Principal1-2-1200x800.jpg 1200w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2022\/06\/Principal1-2-1250x834.jpg 1250w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2022\/06\/Principal1-2-400x267.jpg 400w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2022\/06\/Principal1-2.jpg 1555w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><figcaption>Por ser um estado jovem, o pesquisador Valmir Batista C\u00f4rrea fala a identidade de MS ainda est\u00e1 em constru\u00e7\u00e3o &#8211; Foto: Isabella Proc\u00f3pio<\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p><span style=\"color: #ffffff\"><strong>Proj\u00e9til: Como voc\u00ea analisa a participa\u00e7\u00e3o de Mato Grosso do Sul, na \u00e9poca ainda Mato Grosso, na Guerra com o Paraguai?<\/strong><\/span><\/p>\n\n\n\n<p>Valmir: A guerra com o Paraguai foi um momento hist\u00f3rico de separa\u00e7\u00e3o, ocuparam o sul de Mato Grosso e depois ficou uma \u00e1rea desabitada, uma \u00e1rea que foi novamente reocupada e teve muitos paraguaios que vieram para c\u00e1. Mato Grosso do Sul era mais norte, e o pessoal daqui vivia quase que no ap\u00eandice de Mato Grosso. Tanto \u00e9 que ainda hoje nesse sul, os paraguaios t\u00eam muita for\u00e7a na coloniza\u00e7\u00e3o, desde alimenta\u00e7\u00e3o e bebidas, e isso foi formando o estado.<\/p>\n\n\n\n<p>Isso \u00e9 importante porque definiu um separatismo que vai se distanciando da regi\u00e3o norte. Ent\u00e3o pra mim, a guerra com o Paraguai foi um divisor de \u00e1guas entre o norte e o sul, e que vai se moldando \u00e0 essa hist\u00f3ria, essa ideia de reconstru\u00e7\u00e3o desse sul, porque essa parte ficou praticamente destru\u00edda com a guerra. A guerra foi uma destrui\u00e7\u00e3o. N\u00e3o falo que era identidade, mas a reconstru\u00e7\u00e3o de uma \u00e1rea que possibilitou a forma\u00e7\u00e3o de um estado que hoje \u00e9 extremamente importante.<\/p>\n\n\n\n<p><span style=\"color: #ffffff\"><strong>P: Voc\u00ea acompanhou o processo de cria\u00e7\u00e3o do Estado? Como foi essa mudan\u00e7a de Mato Grosso para Mato Grosso do Sul, e como isso impactou na forma\u00e7\u00e3o da identidade sul-mato-grossense?<\/strong><\/span><\/p>\n\n\n\n<p>V: Primeiro lugar, eu n\u00e3o falo identidade, eu acho que \u00e9 uma coisa que est\u00e1 se construindo. E at\u00e9 falam \u201ceu tomo terer\u00e9\u201d. Que identidade \u00e9 essa a\u00ed? Eu penso que para voc\u00ea falar em identidade, tem que estudar a regi\u00e3o, \u00e9 o que eu fa\u00e7o.<\/p>\n\n\n\n<p>Ningu\u00e9m pensava [no nome] Mato Grosso do Sul, tem gente que falou em estado do Pantanal, tem tamb\u00e9m a hist\u00f3ria do estado chamar Maracaju. Mato Grosso do Sul foi uma ideia dos militares que n\u00e3o deram nem bola para os chamados separatistas aqui no sul. Aqui tinha a Liga Separatista, um monte de coisa assim.<\/p>\n\n\n\n<p>Eu penso que Mato Grosso do Sul ainda est\u00e1 em fase de constru\u00e7\u00e3o, n\u00e3o est\u00e1 acabado. Porque ainda n\u00e3o tem identidade. At\u00e9 pouco tempo atr\u00e1s eu via a gurizada aqui em Campo Grande sentada na porta de suas casas tomando chimarr\u00e3o, terer\u00e9 [&#8230;] Eu acho que vai fazer parte da nossa identidade &#8211; chipa, terer\u00e9, sopa paraguaia &#8211; em algum momento isso vai ser uma identifica\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Eu acho que a regionalidade n\u00e3o \u00e9 identidade, j\u00e1 fui xingado porque falo isso, mas n\u00e3o sou regional. As coisas s\u00e3o regionais, s\u00e3o costumes regionais.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"683\" src=\"http:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2022\/06\/Secundaria-1024x683.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-2086\" srcset=\"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2022\/06\/Secundaria-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2022\/06\/Secundaria-300x200.jpg 300w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2022\/06\/Secundaria-768x512.jpg 768w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2022\/06\/Secundaria-1536x1024.jpg 1536w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2022\/06\/Secundaria-1200x800.jpg 1200w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2022\/06\/Secundaria-1250x834.jpg 1250w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2022\/06\/Secundaria-400x267.jpg 400w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2022\/06\/Secundaria.jpg 1555w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><figcaption>Foto: Isabella Proc\u00f3pio<\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p><strong><span style=\"color: #ffffff\">P: Mato Grosso do Sul possui em seu territ\u00f3rio 60% do bioma Pantanal. Como isso influencia no estere\u00f3tipo da cultura sul-mato-grossense?<\/span><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>V: O Pantanal \u00e9 um bioma espec\u00edfico, de uma maravilha extraordin\u00e1ria que vale a pena conhecer. Sou fascinado no Pantanal, vivi 22 anos olhando aquela beleza. Acho que todo sul-mato-grossense, para falar em identidade, tem que visitar o Pantanal! N\u00e3o que seja a identidade do estado, mas \u00e9 um bioma caracter\u00edstico. Tem costumes regionais, muitas caracter\u00edsticas regionais tamb\u00e9m. Em Corumb\u00e1 voc\u00ea vai ver peixe, saltenha, vai ter coisas do lado boliviano, uma cerveja boliviana.<\/p>\n\n\n\n<p><span style=\"color: #ffffff\"><strong>P: Se fosse poss\u00edvel descrever a identidade sul-mato-grossense em uma palavra, para voc\u00ea, qual seria?<\/strong><\/span><\/p>\n\n\n\n<p>V: Para mim, o Mato Grosso do Sul \u00e9 um corajoso. Primeiro pelo que viveu, pelo que vive, pela luta do dia a dia, pelas coisas que se perderam. Voc\u00ea v\u00ea [&#8230;] essa barbaridade que fizeram com a Noroeste, tiraram a estrada de ferro. Eu tentei defender isso, defender um trem que sa\u00edsse daqui e ia at\u00e9 a ponta. Voc\u00ea n\u00e3o precisava andar de \u00f4nibus, andava de trem aqui. Seria uma coisa maravilhosa, mas arrancaram todos os trilhos. <br>Ainda tem muita resist\u00eancia. Eu diria coragem e resist\u00eancia. Pela vida e pela luta. N\u00e3o \u00e9 brincadeira o que se fez nesse estado [&#8230;] Essa coragem e essa resist\u00eancia v\u00e3o dar essa cor de identidade.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-buttons is-content-justification-center is-layout-flex wp-block-buttons-is-layout-flex\">\n<div class=\"wp-block-button\"><a class=\"wp-block-button__link\" href=\"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/projetil-98\/\">voltar a edi\u00e7\u00e3o 98<\/a><\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Pesquisador da hist\u00f3ria de MS destaca a guerra com o Paraguai, a fronteira com a Bol\u00edvia e o bioma Pantanal como elementos na forma\u00e7\u00e3o de um estado em resist\u00eancia Amanda Maia | Beatriz Rieger O professor Valmir Batista Corr\u00eaa, 75, \u00e9 pesquisador da hist\u00f3ria de Mato Grosso do Sul e tem mais de 16 livros [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":35,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[15],"tags":[],"class_list":["post-2224","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-entrevista"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2224","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-json\/wp\/v2\/users\/35"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=2224"}],"version-history":[{"count":8,"href":"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2224\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":2456,"href":"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2224\/revisions\/2456"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=2224"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=2224"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=2224"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}