{"id":231,"date":"2019-11-21T16:12:08","date_gmt":"2019-11-21T20:12:08","guid":{"rendered":"http:\/\/jornalismo.ufms.br\/projetil\/?p=231"},"modified":"2020-06-29T18:44:03","modified_gmt":"2020-06-29T22:44:03","slug":"de-maos-dadas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/de-maos-dadas\/","title":{"rendered":"De m\u00e3os dadas"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"has-text-color has-accent-color\"><strong>Texto: <em>Bianca Coelho<\/em><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-left\"><span style=\"color:#ffffff\" class=\"tadv-color\">E<\/span>u nunca quis a amizade dela. Sempre que a via de longe, conversando com alguns conhecidos, sentia a necessidade de manter dist\u00e2ncia. Meus amigos j\u00e1 haviam me avisado que sua companhia me traria problemas dif\u00edceis de enfrentar. Al\u00e9m disso, nada naquela figura me agradava: o jeito como falava, como muitas vezes induzia a atitude dos outros e principalmente sua agressividade ao ser contrariada. Ainda n\u00e3o entendo como aquelas pessoas conseguiam andar com ela. Ser\u00e1 que n\u00e3o enxergavam aquela rela\u00e7\u00e3o t\u00f3xica?<\/p>\n\n\n\n<p>Com o tempo parei de apenas confabular e comecei a agir. Precisava afast\u00e1-la caso tentasse se aproximar de mim ou meus amigos. Na faculdade \u00e9ramos um grupo unido, sempre se ajudando nos trabalhos e rindo das simplicidades do dia a dia. Juntos, consegu\u00edamos administrar com leveza as quest\u00f5es acad\u00eamicas e ainda desenvolver uma vida social saud\u00e1vel. N\u00e3o havia motivo para me preocupar com a entrada dela em nossa panelinha, pois n\u00e3o existia espa\u00e7o para uma aproxima\u00e7\u00e3o com nenhum de n\u00f3s. Era o que eu acreditava no in\u00edcio. Infelizmente estava errada.<\/p>\n\n\n\n<p>Para minha surpresa, ela come\u00e7ou a conversar com o amigo que mais a repudiava e que me alertara dos problemas que ela j\u00e1 causara na faculdade e fora dela. Mas l\u00e1 estava ele, lentamente imergindo naquele furac\u00e3o. O resto do grupo tentou por vezes convenc\u00ea-lo a dar um fim \u00e0quela aproxima\u00e7\u00e3o, sem sucesso. A cada dia os la\u00e7os ficavam mais profundos e os n\u00f3s mais dif\u00edceis de serem desatados. As consequ\u00eancias logo vieram. Os momentos de felicidade ao lado dele tornaram-se raros. Nosso amigo se afastou de todas as esferas de sua vida. Da faculdade ao namoro, da fam\u00edlia ao c\u00edrculo social. Seus olhos estavam voltados somente para ela e suas influ\u00eancias.<\/p>\n\n\n\n<p>As coisas ficaram mais s\u00e9rias quando aquela amiga indesej\u00e1vel come\u00e7ou a pedir para que ele fizesse coisas por ela. Primeiro era matar aulas para ficarem juntos, exigindo total aten\u00e7\u00e3o. Depois o persuadiu para que se afastasse de n\u00f3s e que n\u00e3o andasse com ningu\u00e9m al\u00e9m dela. Contudo, sua pior exig\u00eancia foi que ele desistisse de tudo, o que a essa altura n\u00e3o era algo t\u00e3o dif\u00edcil de conseguir, visto que ele j\u00e1 estava muito fraco para reagir. O amigo t\u00e3o querido, que outrora enchia de felicidade os corredores da faculdade tornara-se uma casca vazia. Ningu\u00e9m mais o via.<\/p>\n\n\n\n<p>Esse epis\u00f3dio fragilizou n\u00e3o s\u00f3 ele, mas todo o nosso o grupo, que lentamente se desmantelava. Ela, por outro lado, aproveitando-se desse estado coletivo de pesar, voltou para a faculdade, visivelmente sem nenhum peso na consci\u00eancia. Ainda com um certo acanhamento, veio falar comigo sobre o que havia acontecido e eu s\u00f3 pude dizer o quanto estava arrasada com tudo o que estava acontecendo. Nessa pequena brecha deixada por mim, ela conseguiu se aproximar. Eu n\u00e3o percebi naquele momento, mas eu seria sua nova v\u00edtima.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>A nossa amizade se fortaleceu muito mais r\u00e1pido do que eu imaginava. Em poucos meses \u00e9ramos insepar\u00e1veis, assim como ela com ocorreu com ele. Eu me apoiei naquela nova amiga para tentar superar toda a dor que sentia pelo que aconteceu, mas esqueci que quem deixou meu amigo naquele estado foi ela. Um grande erro. Com o tempo tamb\u00e9m senti as influ\u00eancias dela, cada vez mais fortes, conforme ia me entregando \u00e0quela rela\u00e7\u00e3o. Parei de comer, n\u00e3o dormia direito e comecei a faltar as aulas. Em todos esses momentos ela me fazia companhia, mas de forma alguma me trazia conforto. Dela eu s\u00f3 recebia julgamentos, dizendo que eu era insuficiente, que ningu\u00e9m sentiria falta de mim e que eu era fraca demais para fazer alguma diferen\u00e7a. Eu acreditei.<\/p>\n\n\n\n<p>Quanto mais me aproximava dela mais me afastava de mim. Fui a \u00fanica a n\u00e3o perceber esse desrespeito. Como n\u00e3o conseguia enxergar, foi pelos olhos de quem de fato se importava comigo que eu finalmente vi a verdade: eu estava com depress\u00e3o. Muito ao contr\u00e1rio do que ela me dizia, eu tinha, sim, quem prezava pelo meu bem e foram essas pessoas que me incentivaram a buscar um fim para aquela rela\u00e7\u00e3o t\u00f3xica. O tratamento psicol\u00f3gico e psiqui\u00e1trico tornou mais f\u00e1cil o que para mim era imposs\u00edvel.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Ao levantar da cama pela primeira vez, tive for\u00e7as para ajudar outras pessoas a levantarem tamb\u00e9m. A primeira delas foi meu amigo. <br><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Texto: Bianca Coelho Eu nunca quis a amizade dela. Sempre que a via de longe, conversando com alguns conhecidos, sentia a necessidade de manter dist\u00e2ncia. Meus amigos j\u00e1 haviam me avisado que sua companhia me traria problemas dif\u00edceis de enfrentar. 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