{"id":2719,"date":"2022-11-28T14:38:04","date_gmt":"2022-11-28T18:38:04","guid":{"rendered":"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/?p=2719"},"modified":"2022-11-29T16:54:44","modified_gmt":"2022-11-29T20:54:44","slug":"regurgitando-ideais-obsoletos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/regurgitando-ideais-obsoletos\/","title":{"rendered":"Regurgitando ideais obsoletos"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"has-text-align-center has-accent-color has-text-color\"><strong>Douglas Nestor Jost Rebelato<\/strong><\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator\"\/>\n\n\n\n<p>\u201cA moda sempre reviveu o que teve de \u2018marcante\u2019. Mas os anos 2000 foram uma das piores \u00e9pocas da moda\u201d. Esta fala do estilista campo-grandense <a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/baiflufaga\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Baiflufaga,<\/a> [especialista no estilo <em>clubber<\/em> que mescla o <em>underground<\/em> com o sofisticado] toca a ponta do iceberg do verdadeiro problema que retorna com esse estilo \u201canos 2000\u201d, tamb\u00e9m conhecido como Y2K (<em>year <\/em>2000).<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter size-full is-resized\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2022\/11\/ilustracao-projetil-finalizada-2-1.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-2727\" width=\"596\" height=\"507\" srcset=\"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2022\/11\/ilustracao-projetil-finalizada-2-1.png 566w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2022\/11\/ilustracao-projetil-finalizada-2-1-300x255.png 300w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2022\/11\/ilustracao-projetil-finalizada-2-1-400x341.png 400w\" sizes=\"auto, (max-width: 596px) 100vw, 596px\" \/><figcaption>Ilustra\u00e7\u00e3o:<a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/anaaklem\/?hl=pt\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\"> Ana Clara Klem<\/a><\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p>A moda, idealizada por celebridades como Britney Spears e, mais tarde, por Harry Styles, \u00e9 conhecida pelo conjunto <em>all jeans<\/em> [tudo jeans], len\u00e7os e bandanas, cintos de correntes, acess\u00f3rios de mi\u00e7anga chamativos, regatas e conjuntos de moletom, e o pior, as cal\u00e7as de cintura baixa. Esse retorno abre espa\u00e7o para que, a qualquer momento, jovens por todo pa\u00eds sejam capturados pela obsess\u00e3o \u00e0 magreza excessiva, \u00e0 exclus\u00e3o de corpos diversos e pelo desconforto que veem com isso.<\/p>\n\n\n\n<p>Na moda, algumas vezes em um piscar de olhos, algumas tend\u00eancias deixam de ser chiques para se tornarem bregas, podendo provocar e\/ou promover preconceitos e um autopoliciamento, terr\u00edvel e nada saud\u00e1vel, que se baseia nos padr\u00f5es corporais impostos socialmente.<\/p>\n\n\n\n<p>A sociedade valoriza as mulheres magras ao v\u00ea-las como belas e elegantes e ao taxar, automaticamente, mulheres gordas como feias e desajeitadas. Os anos 2000 idolatrou um corpo cada vez mais magro, criando uma pris\u00e3o em forma de roupa, conhecido como cal\u00e7a <em>saint tropez<\/em> [a cal\u00e7a baixa], que, descaradamente, impunha uma fixa\u00e7\u00e3o a um \u00fanico corpo ideal: o magro. O estilista Baiflu confirma essa realidade triste e perigosa. \u201cN\u00e3o tem como defender quando o assunto \u00e9 inclus\u00e3o, j\u00e1 que esse estilo vangloria somente corpos magros\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>A imposi\u00e7\u00e3o de padr\u00f5es de beleza \u00e9 problema que afeta, principalmente, os jovens. Como um veneno que corr\u00f3i a autoestima e o bem-estar. Uma sondagem realizada com 100 jovens de 12 a 25 anos e de diversos locais da capital sul-mato-grossense, mostrou que 60% dos questionados sentem ou j\u00e1 sentiram a press\u00e3o imposta para se encaixar nos padr\u00f5es da moda. E que, pior, 80% j\u00e1 se sentiu envergonhado ao usar uma roupa que, em seu olhar, os faziam engordar ou emagrecer. Essa porcentagem parece preocupante para voc\u00ea? Quantas pessoas se escondem por tr\u00e1s de um traje por medo? Especialmente o medo de sofrerem preconceito?<\/p>\n\n\n\n<p>Muitos podem demorar anos para entender seus corpos e finalmente se expressarem e mostrarem quem realmente s\u00e3o. Marina Cozta de 22 anos, aluna do curso de artes da UFMS, nunca se imaginou usando camisas com estampas coloridas e formatos assim\u00e9tricos, nem seu corte de cabelo curtinho e colorido que faz seus colegas a reconhecerem pelas ruas. \u201cN\u00e3o quero que as pessoas me confundam com algo que n\u00e3o sou\u201d. Esse ato de se expressar livremente pela moda pode ser libertador, e um espa\u00e7o de autoconhecimento e identifica\u00e7\u00e3o significativo. \u201cPossuir estilo pr\u00f3prio \u00e9 n\u00e3o ser ref\u00e9m da moda (\u2026), decidir arriscar em algo vai ser um evento porque as pessoas ir\u00e3o ficar surpresas em ver novas vertentes de voc\u00ea!\u201d incentiva Baiflufaga.<\/p>\n\n\n\n<p>Um exemplo de mulher com uma grande autoestima e que arrebenta as portas dos padr\u00f5es \u00e9 a famosa <a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/jojotodynho\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Jojo Todinho<\/a>, que dia 13 de setembro de 2022 apareceu cheia de confian\u00e7a na capa da revista \u2018<a href=\"https:\/\/glamour.globo.com\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Glamour Brasil<\/a>\u2019, provando que independente do peso, qualquer pessoa pode sim estar na moda e seguir diversos estilos. Durante uma transmiss\u00e3o ao vivo em seu Instagram, Jojo se abriu para seus seguidores, colocando na mesa um problema que sofreu desde o in\u00edcio de sua carreira. \u201cA pessoa n\u00e3o pode fazer nada porque \u00e9 gorda. (\u2026) Eu vejo muita gente que est\u00e1 falando um monte de besteira, que estou lendo nos coment\u00e1rios, tudo complexado, depressivos, que t\u00eam trauma disso\u2026 (\u2026) Meu bem, eu sou muito feliz e bem comigo mesma\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Revisitar estilos passados n\u00e3o \u00e9 novidade no universo da moda. Alguns aspectos dos anos 2000, foram e s\u00e3o irreverentes e\/ou foram inovadores, abrindo discuss\u00f5es importantes sobre a as roupas e o corpo feminino. O que n\u00e3o podemos, \u00e9 desconsiderar as conquistas realizadas at\u00e9 aqui a respeito da diversidade, da inclus\u00e3o e da aceita\u00e7\u00e3o corporal.<\/p>\n\n\n\n<p>Promover a pr\u00e1tica saud\u00e1vel da moda \u00e9 essencial para que todos sejam aceitos como s\u00e3o. Regurgitar ideais obsoletos e promover a aceita\u00e7\u00e3o corporal s\u00e3o essenciais para evoluir como sociedade, mas acima de tudo, evitar se for\u00e7ar a fazer parte de uma engrenagem que promove a dor que chamamos de \u2018padr\u00f5es de beleza\u2019.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-buttons is-content-justification-center is-layout-flex wp-block-buttons-is-layout-flex\">\n<div class=\"wp-block-button\"><a class=\"wp-block-button__link\" href=\"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/projetil-99\/\">Voltar para edi\u00e7\u00e3o 99<\/a><\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Douglas Nestor Jost Rebelato \u201cA moda sempre reviveu o que teve de \u2018marcante\u2019. Mas os anos 2000 foram uma das piores \u00e9pocas da moda\u201d. 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