{"id":2730,"date":"2022-11-25T15:28:12","date_gmt":"2022-11-25T19:28:12","guid":{"rendered":"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/?p=2730"},"modified":"2022-12-02T08:24:40","modified_gmt":"2022-12-02T12:24:40","slug":"a-necessidade-do-contato","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/a-necessidade-do-contato\/","title":{"rendered":"A necessidade do con(tato)"},"content":{"rendered":"\n<h4 class=\"has-text-align-center wp-block-heading\">Pensar na sa\u00fade mental de jovens e idosos, em 2022, \u00e9 entender como diferentes gera\u00e7\u00f5es lidam com o retorno das atividades sociais ap\u00f3s dois anos de reclus\u00e3o<\/h4>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center\"><strong><span style=\"color:#e02828\" class=\"tadv-color\">Texto: Bruna Querino | Larissa Adami | Marina Gabriely | Rafaela Teodoro | Vict\u00f3ria de Oliveira<\/span><\/strong><\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator\" \/>\n\n\n\n<p>Dois extremos marcam a luta pela preven\u00e7\u00e3o de doen\u00e7as psiqui\u00e1tricas, impactadas principalmente pela pandemia de Covid-19. A vida muitas vezes imediatista dos jovens afetados por padr\u00f5es est\u00e9ticos, financeiros e comportamentais, e a vontade de aproveitar cada segundo, de alguns idosos que retomam o contato pessoal e as atividades do dia a dia.<\/p>\n\n\n\n<p>A <a href=\"https:\/\/www.who.int\/pt\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Organiza\u00e7\u00e3o Mundial da Sa\u00fade<\/a> (OMS) demonstrou otimismo em setembro de 2022 sobre o final da pandemia. Com o essencial resguardo para evitar contamina\u00e7\u00f5es, o cen\u00e1rio parece prop\u00edcio para o retorno das atividades do per\u00edodo pr\u00e9-pand\u00eamico. Ainda assim, os resqu\u00edcios do isolamento social s\u00e3o not\u00f3rios em v\u00e1rias \u00e1reas na vida da popula\u00e7\u00e3o, especialmente quando o assunto \u00e9 sa\u00fade mental. No caso de quem era do grupo de risco, aquele mais propenso a desenvolver sintomas graves da Covid-19, uma op\u00e7\u00e3o para preservar a sa\u00fade mental foi atividades semelhantes \u00e0s a\u00e7\u00f5es anteriores ao cen\u00e1rio pand\u00eamico.<\/p>\n\n\n\n<p>Sidney Nunes \u00e9 respons\u00e1vel t\u00e9cnico do <a href=\"https:\/\/www.asilosaojoaobosco.org.br\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Asilo S\u00e3o Jo\u00e3o Bosco<\/a>, em Campo Grande, que atende cerca de 47 homens e 34 mulheres. Ele assumiu o cargo em 2019 e ressalta que a diminui\u00e7\u00e3o das visitas presenciais foi um grande fator de impacto no \u00e2nimo dos idosos residentes do local. \u201cNem todos os nossos idosos possu\u00edam o costume, antes mesmo da pandemia, de receber visitas individuais. Aqueles que possuem fam\u00edlia e as viam periodicamente sentiram mais falta durante o isolamento social, porque foi tudo diferente\u201d, explica.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"683\" src=\"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2022\/11\/Asilo-1024x683.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-2975\" srcset=\"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2022\/11\/Asilo-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2022\/11\/Asilo-300x200.jpg 300w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2022\/11\/Asilo-768x512.jpg 768w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2022\/11\/Asilo-400x267.jpg 400w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2022\/11\/Asilo.jpg 1200w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><figcaption>O Asilo S\u00e3o Jo\u00e3o Bosco atende 81 idosos em suas depend\u00eancias e \u00e9 aberto para visita\u00e7\u00e3o do p\u00fablico com agendamento &#8211; Foto: Vict\u00f3ria de Oliveira<\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p>Para amenizar a proibi\u00e7\u00e3o das visitas, o asilo buscou maneiras de preservar h\u00e1bitos saud\u00e1veis e auxili\u00e1-los no enfrentamento \u00e0s complica\u00e7\u00f5es do isolamento social. Nesse sentido, a rotina dos \u201cv\u00f4s\u201d e \u201cv\u00f3s\u201d, como s\u00e3o carinhosamente chamados pelos cuidadores e visitantes, desde ent\u00e3o, segue hor\u00e1rios espec\u00edficos para acordar, realizar o cronograma alimentar do caf\u00e9 da manh\u00e3, almo\u00e7o, caf\u00e9 da tarde e jantar, al\u00e9m de outras atividades como a \u201csoneca\u201d da tarde e o encontro de todos nas \u00e1reas comuns para as visitas.<\/p>\n\n\n\n<p>A estrat\u00e9gia, explica Sidney Nunes, foi manter a din\u00e2mica de costume para que os residentes fossem o menos afetados poss\u00edveis com a realidade do mundo externo. \u201cEu n\u00e3o coloquei m\u00e1scara [de prote\u00e7\u00e3o facial] nos \u201cv\u00f4s\u201d durante a pandemia. A nossa equipe sim utilizava, \u00e0s vezes, at\u00e9 capote e luvas. Mas aqui \u00e9 a casa deles, e ningu\u00e9m usava m\u00e1scara em casa. Claro que algumas atividades foram encerradas at\u00e9 que o per\u00edodo cr\u00edtico passasse, mas fizemos de tudo para que eles continuassem com uma rotina de casa mesmo\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>O v\u00f4 Clar\u00eancio*, um dos mais experientes moradores da \u201cCasa\u201d, aos 88 anos, n\u00e3o recebe visitas individuais e por isso se alegra com a presen\u00e7a dos volunt\u00e1rios. \u201cNa pandemia ningu\u00e9m entrava aqui. Agora est\u00e1 bom, toda semana aparece um monte de visita para a gente\u201d.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"600\" height=\"400\" src=\"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2022\/11\/Vo-Clarencio-2.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-2978\" srcset=\"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2022\/11\/Vo-Clarencio-2.jpg 600w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2022\/11\/Vo-Clarencio-2-300x200.jpg 300w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2022\/11\/Vo-Clarencio-2-400x267.jpg 400w\" sizes=\"auto, (max-width: 600px) 100vw, 600px\" \/><figcaption>O v\u00f4 Clar\u00eancio*, residente do Asilo, n\u00e3o recebe visitas individuais e se alegra com a presen\u00e7a dos volunt\u00e1rios devido ao fim do isolamento social &#8211; Foto: Vict\u00f3ria de Oliveira<\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p>O contato presencial \u00e9 o melhor caminho para auxiliar na preven\u00e7\u00e3o de doen\u00e7as psiqui\u00e1tricas. A psic\u00f3loga Mariane Antoniassi explica que a pandemia trouxe \u00e0 tona diversas vulnerabilidades e tipos de luto. \u201cA pessoa idosa j\u00e1 vivencia diversos lutos por conta do envelhecimento e a pandemia trouxe mais \u00e0 tona essas vulnerabilidades e experimentou mais outros lutos. A gente precisa entender e pontuar que a realidade de cada idoso \u00e9 diferente e isso interfere diretamente na forma como enfrentaram o per\u00edodo mais cr\u00edtico da pandemia\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>A psic\u00f3loga ressalta que quadros de ansiedade e depress\u00e3o aumentaram significativamente. Em 2020, conforme dados da <a href=\"https:\/\/www.campogrande.ms.gov.br\/sesau\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Secretaria Municipal de Sa\u00fade<\/a> (Sesau), os Centros de Aten\u00e7\u00e3o Psicossocial (CAPs) de Campo Grande atenderam 9.014 pessoas com 60 anos ou mais anos, enquanto no ano de 2021, onde houve uma flexibiliza\u00e7\u00e3o do isolamento social, as consultas foram cerca de 22% menos frequentes, com 7.044 acompanhamentos. At\u00e9 julho deste ano, um m\u00eas ap\u00f3s o Governo do Estado de Mato Grosso do Sul instituir a revoga\u00e7\u00e3o do <a href=\"https:\/\/drive.google.com\/file\/d\/12zP_RF2Gs293yf22GfYBTVkRrEV7IHuO\/view\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Decreto n\u00ba 15.396<\/a> de 19 de mar\u00e7o de 2020, que reconhecia a situa\u00e7\u00e3o de Emerg\u00eancia de Sa\u00fade P\u00fablica no estado, a Sesau contabilizou 4.352 atendimentos de idosos nos CAPS. \u00c9 importante ressaltar que nos dois primeiros anos de pandemia, a Sesau reduziu em 40% a capacidade dos atendimentos nos CAPs, enquanto no presente ano, as a\u00e7\u00f5es foram retomadas em 100%.<\/p>\n\n\n\n<h5 class=\"has-text-align-center\"><span class=\"tadv-color\" style=\"color: #e02828\">Nos dois primeiros anos de pandemia, a Sesau reduziu em 40% a capacidade dos atendimentos nos CAPs, enquanto no presente ano, as a\u00e7\u00f5es foram retomadas em 100%.<\/span><\/h5>\n\n\n\n<p>A aposentada Maria Alice Bissaco Mendes, de 76 anos, conta que o medo da pandemia foi quanto \u00e0 seguran\u00e7a das pessoas do ciclo de conviv\u00eancia. A idosa mora sozinha em um condom\u00ednio no bairro Tiradentes e convivia frequentemente com os filhos, netos e amigos. Com a necessidade do isolamento social, os contatos cessaram e a urg\u00eancia de aprender, quase sem ajuda, a mexer com a tecnologia tomou conta da rotina da idosa.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-gallery columns-2 is-cropped wp-block-gallery-1 is-layout-flex wp-block-gallery-is-layout-flex\"><ul class=\"blocks-gallery-grid\"><li class=\"blocks-gallery-item\"><figure><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"800\" height=\"533\" src=\"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2022\/11\/Dona-Maria-2-5.jpg\" alt=\"\" data-id=\"3003\" data-full-url=\"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2022\/11\/Dona-Maria-2-5.jpg\" data-link=\"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/?attachment_id=3003\" class=\"wp-image-3003\" srcset=\"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2022\/11\/Dona-Maria-2-5.jpg 800w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2022\/11\/Dona-Maria-2-5-300x200.jpg 300w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2022\/11\/Dona-Maria-2-5-768x512.jpg 768w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2022\/11\/Dona-Maria-2-5-400x267.jpg 400w\" sizes=\"auto, (max-width: 800px) 100vw, 800px\" \/><\/figure><\/li><li class=\"blocks-gallery-item\"><figure><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"800\" height=\"533\" src=\"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2022\/11\/Dona-Maria-1-7.jpg\" alt=\"\" data-id=\"3002\" data-full-url=\"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2022\/11\/Dona-Maria-1-7.jpg\" data-link=\"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/?attachment_id=3002\" class=\"wp-image-3002\" srcset=\"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2022\/11\/Dona-Maria-1-7.jpg 800w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2022\/11\/Dona-Maria-1-7-300x200.jpg 300w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2022\/11\/Dona-Maria-1-7-768x512.jpg 768w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2022\/11\/Dona-Maria-1-7-400x267.jpg 400w\" sizes=\"auto, (max-width: 800px) 100vw, 800px\" \/><\/figure><\/li><\/ul><figcaption class=\"blocks-gallery-caption\">O sorriso e otimismo foram determinantes para Maria Alice enfrentar a reclus\u00e3o social no per\u00edodo mais cr\u00edtico da pandemia &#8211; Foto: Vict\u00f3ria de Oliveira <\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>Maria explica que foi acometida grande parte da velhice pela depress\u00e3o. Fez uso de antidepressivos e ansiol\u00edticos at\u00e9 antes da pandemia, quando conseguia comparecer \u00e0s consultas sem se preocupar com a contamina\u00e7\u00e3o da Covid-19. \u201cCom a pandemia, tivemos que ficar mais resguardados, em casa, ent\u00e3o fui somente a m\u00e9dicos essenciais. N\u00e3o que ir ao psiquiatra n\u00e3o seja, mas encontrei outros meios de lidar com as doen\u00e7as, em outras atividades e pensamentos.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>Maria e as amigas se encontravam na varanda da casa da idosa durante o per\u00edodo pand\u00eamico, pela grande janela de vidro. \u201cSen\u00e3o ningu\u00e9m ia aguentar\u201d. O jeito foi pensar com otimismo e assegurar o refor\u00e7o emocional por meio do contato. \u201cVamos falar a verdade: n\u00e3o adianta ter medo. Eu tenho 76 anos, tenho que aproveitar os anos que ainda tenho pela frente. Meu medo era minha fam\u00edlia. Ainda t\u00eam muito para viver, n\u00e3o quis, em momento algum, que isso fosse interrompido de maneira alguma\u201d.<\/p>\n\n\n\n<h5 class=\"has-text-align-center\"><span class=\"tadv-color\" style=\"color: #e02828\">&#8220;Eu tenho 76 anos, tenho que aproveitar os anos que ainda tenho pela frente&#8221; &#8211; Maria Alice Mendes<\/span><\/h5>\n\n\n\n<p>Assim como os \u201cav\u00f3s\u201d do Asilo S\u00e3o Jo\u00e3o Bosco e a aposentada Maria Alice, a servidora p\u00fablica aposentada Angela Maria Cordeiro Tavares, de 69 anos, sentiu fortemente a falta do contato. Foram as idas \u00e0 janela, onde conseguia observar o pouco movimento da rua e o florescer da vegeta\u00e7\u00e3o em volta ao condom\u00ednio do Pioneiros, que auxiliaram a idosa a se manter esperan\u00e7osa com o fim da reclus\u00e3o social. \u201cEu queria ver algum movimento e n\u00e3o passava um carro sequer na avenida, um sil\u00eancio. Eu s\u00f3 pensava \u2018Meu Deus, isso tem que acabar, ningu\u00e9m aguenta mais\u2019. Depois que a vacina chegou, as coisas melhoraram\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Angela reside na Capital sul-mato-grossense h\u00e1 27 anos e h\u00e1 seis anos mora num pequeno apartamento no bairro Pioneiros, onde passou a pandemia na companhia do primo, Jorge, de 63 anos, e do filho, Denis, de 34 anos. A tecnologia possibilitou o contato provis\u00f3rio. \u201cO pavor era imenso. Mesmo morando na mesma cidade que outros parentes, nos comunic\u00e1vamos pela Internet\u201d.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-gallery columns-2 is-cropped wp-block-gallery-2 is-layout-flex wp-block-gallery-is-layout-flex\"><ul class=\"blocks-gallery-grid\"><li class=\"blocks-gallery-item\"><figure><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"800\" height=\"533\" src=\"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2022\/11\/Dona-Angela-1-1.jpg\" alt=\"\" data-id=\"3004\" data-full-url=\"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2022\/11\/Dona-Angela-1-1.jpg\" data-link=\"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/?attachment_id=3004\" class=\"wp-image-3004\" srcset=\"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2022\/11\/Dona-Angela-1-1.jpg 800w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2022\/11\/Dona-Angela-1-1-300x200.jpg 300w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2022\/11\/Dona-Angela-1-1-768x512.jpg 768w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2022\/11\/Dona-Angela-1-1-400x267.jpg 400w\" sizes=\"auto, (max-width: 800px) 100vw, 800px\" \/><\/figure><\/li><li class=\"blocks-gallery-item\"><figure><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"800\" height=\"533\" src=\"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2022\/11\/Dona-Angela-2-1.jpg\" alt=\"\" data-id=\"3005\" data-full-url=\"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2022\/11\/Dona-Angela-2-1.jpg\" data-link=\"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/?attachment_id=3005\" class=\"wp-image-3005\" srcset=\"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2022\/11\/Dona-Angela-2-1.jpg 800w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2022\/11\/Dona-Angela-2-1-300x200.jpg 300w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2022\/11\/Dona-Angela-2-1-768x512.jpg 768w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2022\/11\/Dona-Angela-2-1-400x267.jpg 400w\" sizes=\"auto, (max-width: 800px) 100vw, 800px\" \/><\/figure><\/li><\/ul><figcaption class=\"blocks-gallery-caption\">Pela janela de seu apartamento, Angela encontrou na natureza vida e esperan\u00e7a de dias melhores &#8211; Foto: Vict\u00f3ria de Oliveira <\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<h5 class=\"wp-block-heading\">Isolamento social(mental)<\/h5>\n\n\n\n<p>Assim como afirmado pela psic\u00f3loga Mariane Antoniassi, \u00e9 importante considerar as particularidades da viv\u00eancia de cada idoso e fugir do senso comum de que o grupo apresenta maior incid\u00eancia a transtornos psicol\u00f3gicos. A gera\u00e7\u00e3o se mostrou mais positiva \u00e0s problem\u00e1ticas do isolamento social, quando comparada a parcela dos jovens entrevistados, que manifestaram quadros mais profundos em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 sa\u00fade mental.<\/p>\n\n\n\n<p>Se o meio tecnol\u00f3gico para as aposentadas Maria Alice e Angela serviu como meio de controlar melhor seus pensamentos e lidar com a saudade dos familiares e amigos, para Gabriela Caldas, 24 anos, foi completamente ao contr\u00e1rio. A jovem deixou de usar as redes sociais durante a pandemia depois de uma situa\u00e7\u00e3o traum\u00e1tica envolvendo tentativa de roubo de dados e, por conta disso, se afastou dos amigos. O acontecimento no momento em que todos precisavam estar em isolamento e, assim, podendo se comunicar apenas de forma virtual, foi a jun\u00e7\u00e3o perfeita para o medo. \u201cTeria sido diferente se eu tivesse passado por isso antes da pandemia. Na minha cabe\u00e7a, a qualquer momento eu seria hackeada de novo, isso me amedrontou e pausei as conversas com as pessoas. Nesse ponto vi que precisava de ajuda psiqui\u00e1trica.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p>Gabriela estuda <a href=\"https:\/\/audiovisual-faalc.ufms.br\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Audiovisual <\/a>em Campo Grande, mas \u00e9 natural do interior de S\u00e3o Paulo. Logo no in\u00edcio, quando voltou para a cidade natal, come\u00e7ou a ter crises de ansiedade e medo. \u201cEu achava que estava com Covid toda hora, quando voltei para minha casa de \u00f4nibus e sem m\u00e1scara, achei que poderia ter pego o v\u00edrus e que iria passar para toda a minha fam\u00edlia.\u201d<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"800\" height=\"579\" src=\"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2022\/11\/IMG_1795.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-2993\" srcset=\"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2022\/11\/IMG_1795.jpg 800w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2022\/11\/IMG_1795-300x217.jpg 300w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2022\/11\/IMG_1795-768x556.jpg 768w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2022\/11\/IMG_1795-400x290.jpg 400w\" sizes=\"auto, (max-width: 800px) 100vw, 800px\" \/><figcaption>Durante a pandemia, Gabriela se distanciou das redes sociais por conta de uma situa\u00e7\u00e3o traum\u00e1tica envolvendo hackers. Foto: Bruna Querino<\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p><a href=\"https:\/\/drive.google.com\/file\/d\/1fUNq4rNXifRCtWxdCnjtjX4-iY4bxBQv\/view\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\" data-type=\"URL\" data-id=\"https:\/\/drive.google.com\/file\/d\/1fUNq4rNXifRCtWxdCnjtjX4-iY4bxBQv\/view\">Levantamento do Proj\u00e9til<\/a> realizado com 116 jovens da capital sul-mato-grossense, por meio de formul\u00e1rio na internet, aponta que apenas seis dos entrevistados n\u00e3o conhecem outros jovens que sofrem com transtornos psicol\u00f3gicos. Al\u00e9m de conviverem com essas pessoas, 69% dos abordados tamb\u00e9m alegam sofrer com algum quadro, sendo os mais recorrentes o de transtorno de ansiedade e a depress\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter size-full is-resized\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2022\/11\/Levantamento_Saude-mental-de-jovens-adultos-em-Campo-Grande.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-3041\" width=\"610\" height=\"666\" srcset=\"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2022\/11\/Levantamento_Saude-mental-de-jovens-adultos-em-Campo-Grande.jpg 700w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2022\/11\/Levantamento_Saude-mental-de-jovens-adultos-em-Campo-Grande-275x300.jpg 275w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2022\/11\/Levantamento_Saude-mental-de-jovens-adultos-em-Campo-Grande-400x437.jpg 400w\" sizes=\"auto, (max-width: 610px) 100vw, 610px\" \/><figcaption><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/drive.google.com\/file\/d\/1fUNq4rNXifRCtWxdCnjtjX4-iY4bxBQv\/view\" data-type=\"URL\" data-id=\"https:\/\/drive.google.com\/file\/d\/1fUNq4rNXifRCtWxdCnjtjX4-iY4bxBQv\/view\" target=\"_blank\">Clique aqui<\/a> para ter acesso ao infogr\u00e1fico completo.  Infogr\u00e1fico: Marina Gabriely &#8211; Recursos: <a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/br.freepik.com\/vetores-gratis\/modelo-de-pagina-de-destino-de-saude-mental-desenhado-a-mao_16685697.htm#page=2&amp;query=mental%20health&amp;position=4&amp;from_view=search&amp;track=sph\" target=\"_blank\">Freepik<\/a> com altera\u00e7\u00f5es <\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p>De acordo com a terceira etapa da pesquisa \u201cSa\u00fade Mental e Bem-estar na Pandemia\u201d, realizada pela Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS) para monitorar os sentimentos, sintomas e experi\u00eancias dos acad\u00eamicos da institui\u00e7\u00e3o, houve um registro em mais de 40% na incid\u00eancia dos transtornos mentais.<\/p>\n\n\n\n<p>O estudante de <a href=\"https:\/\/inbio.ufms.br\/cbioba\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Biologia<\/a>, Altair Neto, de 22 anos, mora com seus av\u00f3s e conta que o isolamento desencadeou o medo do cont\u00e1gio nele e nos familiares. \u201cDesenvolvi um transtorno de ansiedade muito forte na pandemia, principalmente com rela\u00e7\u00e3o a me expor, ficar doente e pegar o v\u00edrus\u201d. Relata que estava no seu melhor momento da faculdade, saindo com v\u00e1rios amigos, \u201ca\u00ed a pandemia chegou e me tirou tudo isso.\u201d<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"800\" height=\"533\" src=\"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2022\/11\/Altair-1-colagem.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-3006\" srcset=\"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2022\/11\/Altair-1-colagem.jpg 800w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2022\/11\/Altair-1-colagem-300x200.jpg 300w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2022\/11\/Altair-1-colagem-768x512.jpg 768w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2022\/11\/Altair-1-colagem-400x267.jpg 400w\" sizes=\"auto, (max-width: 800px) 100vw, 800px\" \/><figcaption>Altair estava vivendo o seu melhor momento da faculdade, saindo com v\u00e1rios amigos quando a pandemia chegou e estreitou essa oportunidade &#8211; Foto: Maria Violin<\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p>O estudante possui hist\u00f3rico de dist\u00farbios alimentares e quadros de ins\u00f4nia, e explica que a ansiedade e a falta de contato auxiliaram no retorno dos problemas com alimenta\u00e7\u00e3o que estavam sob controle at\u00e9 ent\u00e3o. \u201cDurante a pandemia eu ganhei todo o peso que havia perdido, devido a anorexia enfrentada em 2019. Eu perdi 50 quilos na \u00e9poca e ganhei 57 quilos em 2020.\u201d<\/p>\n\n\n\n<h5 class=\"has-text-align-center has-accent-color has-text-color\">&#8220;Durante a pandemia eu ganhei todo o peso que havia perdido, devido a anorexia enfrentada em 2019. Eu perdi 50 quilos na \u00e9poca e ganhei 57 quilos em 2020&#8221; &#8211; Altair Neto<\/h5>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m de Altair, o graduando em <a href=\"https:\/\/facfan.ufms.br\/graduacao\/farmacia-bacharelado\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Farm\u00e1cia<\/a> Jos\u00e9 Vin\u00edcius J\u00fanior, de 22 anos, convive h\u00e1 quatro anos com o diagn\u00f3stico de transtorno compulsivo alimentar e, recentemente, com ansiedade severa. O peso e a alimenta\u00e7\u00e3o mudaram durante o isolamento e o afetaram psicologicamente. \u201cAntes de 2019 eu estava acima do peso, era fora do padr\u00e3o. Ent\u00e3o entrei num ritmo muito acelerado de academia, faculdade, jejuns, dieta, e a\u00ed de repente, com a pandemia, n\u00e3o podia ir para academia, eu s\u00f3 pensava \u2018Nossa, tudo de novo [ganho de peso].\u2019\u201d<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-gallery aligncenter columns-2 is-cropped wp-block-gallery-3 is-layout-flex wp-block-gallery-is-layout-flex\"><ul class=\"blocks-gallery-grid\"><li class=\"blocks-gallery-item\"><figure><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"380\" height=\"400\" src=\"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2022\/11\/Jose-tracos-copiar.jpg\" alt=\"\" data-id=\"2996\" data-full-url=\"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2022\/11\/Jose-tracos-copiar.jpg\" data-link=\"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/?attachment_id=2996\" class=\"wp-image-2996\" srcset=\"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2022\/11\/Jose-tracos-copiar.jpg 380w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2022\/11\/Jose-tracos-copiar-285x300.jpg 285w\" sizes=\"auto, (max-width: 380px) 100vw, 380px\" \/><\/figure><\/li><li class=\"blocks-gallery-item\"><figure><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"366\" height=\"400\" src=\"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2022\/11\/Altair-transparente-copiar-3.jpg\" alt=\"\" data-id=\"2998\" data-full-url=\"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2022\/11\/Altair-transparente-copiar-3.jpg\" data-link=\"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/?attachment_id=2998\" class=\"wp-image-2998\" srcset=\"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2022\/11\/Altair-transparente-copiar-3.jpg 366w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2022\/11\/Altair-transparente-copiar-3-275x300.jpg 275w\" sizes=\"auto, (max-width: 366px) 100vw, 366px\" \/><\/figure><\/li><\/ul><figcaption class=\"blocks-gallery-caption\">Foto : Maria Violin | Ilustra\u00e7\u00e3o: Giovanna Andrade<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>Os fatores para o desenvolvimento de um transtorno s\u00e3o diversos, uma situa\u00e7\u00e3o considerada banal para um, tem um efeito brusco para outro. Para Jos\u00e9, que se identifica como homossexual os padr\u00f5es estabelecidos no meio em que est\u00e1 inserido, acarretou em uma vis\u00e3o distorcida do seu corpo, por sentir a necessidade de estar numa est\u00e9tica para ser visto nos aplicativos de relacionamento.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"800\" height=\"533\" src=\"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2022\/11\/Jose-3.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-3007\" srcset=\"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2022\/11\/Jose-3.jpg 800w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2022\/11\/Jose-3-300x200.jpg 300w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2022\/11\/Jose-3-768x512.jpg 768w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2022\/11\/Jose-3-400x267.jpg 400w\" sizes=\"auto, (max-width: 800px) 100vw, 800px\" \/><figcaption>Os sintomas de Jos\u00e9 come\u00e7aram antes da pandemia, com dietas e jejuns objetivando emagrecer, e se intensificaram no per\u00edodo de isolamento &#8211; Foto: Maria Violin<\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n\n<h5 class=\"wp-block-heading\">A virada de chave<\/h5>\n\n\n\n<p>Aceitar que se tem um problema que precisa de tratamento \u00e9 um processo, ora lento, ora acelerado. Sobre sa\u00fade mental, cada indiv\u00edduo reage de uma forma e a \u2018virada de chave\u2019 vem em situa\u00e7\u00f5es particulares. Para Jos\u00e9 Vicente, veio no momento em que pensava frequentemente em acabar com a pr\u00f3pria vida. \u201cEu fiquei pensando em pegar todos os rem\u00e9dios que tinha, mas sabia que n\u00e3o era normal planejar isso. Fiz est\u00e1gio em um posto de sa\u00fade e enquanto estava l\u00e1, dei o primeiro passo na busca por tratamento.\u201d<\/p>\n\n\n\n<h5 class=\"has-text-align-center\"><span class=\"tadv-color\" style=\"color: #e02828\">O levantamento desta reportagem apurou que, dos 80\u00a0 jovens entrevistados com quadro de transtornos, 85% tiveram seus sintomas intensificados durante a pandemia.<\/span><\/h5>\n\n\n\n<p>O levantamento desta reportagem apurou que, dos 80 dos jovens entrevistados com quadro de transtornos, 85% tiveram seus sintomas intensificados durante a pandemia. Desses, 40% n\u00e3o realizam nenhum tipo de acompanhamento profissional. O processo de aceita\u00e7\u00e3o e o de procura por tratamento nem sempre acontecem de forma simult\u00e2nea. Jos\u00e9 j\u00e1 tinha buscado especialistas antes, e abandonado o tratamento, mas s\u00f3 aceitou e passou a lidar de forma mais leve com o diagn\u00f3stico depois de uma forte crise de ansiedade, da qual precisou de atendimento de emerg\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<p>O psiquiatra Juberty Ant\u00f4nio explica que o abandono do tratamento \u00e9 recorrente e, na maioria das vezes, ocorre por causa dos custos e dificuldade de acesso aos profissionais. De acordo com a sondagem do Proj\u00e9til, tr\u00eas dos 48 jovens que responderam realizar tratamento, est\u00e3o sem acompanhamento.<\/p>\n<p>Juberty relata que cerca de 20% da popula\u00e7\u00e3o est\u00e1 acometida por algum transtorno psicol\u00f3gico. De acordo com ele, tamb\u00e9m \u00e9 muito comum uma pessoa ter mais de um problema psicol\u00f3gico ao mesmo tempo, a maioria das vezes a ansiedade liga outras enfermidades psiqui\u00e1tricas.<\/p>\n<p>Para Altair, o pontap\u00e9 para iniciar seu tratamento foi a volta do dist\u00farbio alimentar, ocasionado por ansiedade e medo. \u201cN\u00e3o me culpo por ter ganhado meu peso de novo, a ansiedade e os transtornos depressivos que tive na pandemia teriam sido muito piores se eu n\u00e3o tivesse encontrado a comida como um ref\u00fagio, que foi o que eu consegui naquele momento\u201d. Perceber a necessidade de ajuda e busc\u00e1-la, com apoio de psic\u00f3logo e psiquiatra, fez com que ele tivesse estrutura para retornar a vida no presencial.<\/p>\n\n\n\n<p>Juberty explica que os tratamentos psiqui\u00e1tricos n\u00e3o s\u00e3o datados. \u201cVoc\u00ea pode fazer um planejamento, mas podem ter intercorr\u00eancias que fazem ele durar mais ou at\u00e9 menos tempo\u201d. Ele relata que com frequ\u00eancia as doen\u00e7as precisam ser tratadas pelo resto da vida.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"800\" height=\"533\" src=\"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2022\/11\/MG_0648-1.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-3010\" srcset=\"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2022\/11\/MG_0648-1.jpg 800w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2022\/11\/MG_0648-1-300x200.jpg 300w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2022\/11\/MG_0648-1-768x512.jpg 768w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2022\/11\/MG_0648-1-400x267.jpg 400w\" sizes=\"auto, (max-width: 800px) 100vw, 800px\" \/><figcaption>Ter um relacionamento saud\u00e1vel com a comida \u00e9 uma forma de auto cuidado e manuten\u00e7\u00e3o da sa\u00fade f\u00edsica e mental &#8211; Foto: Maria Violin<\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p>Gabriela explica que por fazer um tratamento p\u00f3s-traum\u00e1tico, p\u00f4de ter uma no\u00e7\u00e3o de dura\u00e7\u00e3o, j\u00e1 que se trata de uma situa\u00e7\u00e3o espec\u00edfica. \u201cEu estou muito melhor agora, \u00e0s vezes sinto o meu corpo estranho e um pouco mais ansiosa, mas \u00e9 por que estou diminuindo a dosagem do rem\u00e9dio para a retirada\u201d.<\/p>\n<p>A pandemia da Covid-19 acarretou e intensificou uma s\u00e9rie de problemas psicol\u00f3gicos em idosos e jovens. Em todos os casos, a mudan\u00e7a da rotina e a inseguran\u00e7a foram fatores que ocasionaram desde inquieta\u00e7\u00e3o mental a problemas psiqui\u00e1tricos severos. O antagonismo das perspectivas das faixas et\u00e1rias se encontra no sentimento de anseio pelos novos dias e pelo retorno do contato f\u00edsico e cotidiano com o pr\u00f3ximo. <strong>De volta \u00e0 normalidade?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator\" \/>\n\n\n\n<h5 class=\"has-text-align-left wp-block-heading\">A vida \u00e9 o elo que une as gera\u00e7\u00f5es<\/h5>\n\n\n\n<p>O psic\u00f3logo Viktor Frankl, no livro \u201cO sentido da vida\u201d, descreveu a experi\u00eancia pessoal nos campos de concentra\u00e7\u00e3o nazistas e explicou um m\u00e9todo terap\u00eautico, a <a href=\"https:\/\/posdigital.pucpr.br\/blog\/logoterapia\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">logoterapia <\/a>(abordagem que se fundamenta empiricamente no sentido da vida), que o ajudou a sobreviver.<\/p>\n<p>No processo, o autor observou que algo que predefinia se o companheiro de confinamento iria morrer, era a percep\u00e7\u00e3o de um sentido para a vida. Sendo assim, na percep\u00e7\u00e3o do autor, o sentido da vida serve para qualquer pessoa que queira realizar algo. Ter esse sentido, \u00e9 o que pode gerar a for\u00e7a necess\u00e1ria para continuar vivendo.<\/p>\n<p>N\u00e3o h\u00e1 como afirmar que a for\u00e7a mental para seguir a vida, muda de acordo com a faixa et\u00e1ria, no entanto, talvez diferentes idades, tragam distin\u00e7\u00f5es no sentido do viver. Para alguns, o sentido \u00e9 totalmente para si, j\u00e1 outros podem depositar o sentido da vida no viver de outro algu\u00e9m, com isso, para realizar tal sentido, \u00e9 necess\u00e1rio apenas a garantia final de que o outro est\u00e1 bem.<\/p>\n<p>Se essa afirma\u00e7\u00e3o estiver correta, temos ent\u00e3o a explica\u00e7\u00e3o para os resultados contrastantes ao entrevistar jovens e idosos. Frankl explica que sua abordagem n\u00e3o se aplica apenas para situa\u00e7\u00f5es extremas, mas sim para a vida cotidiana. Vemos ent\u00e3o no contexto de rotinas voltando ao normal, pessoas seguindo a vida, tendo ainda os mesmos sentidos que as ajudaram durante o pico da pandemia do covid-19.<\/p>\n<p>A maioria dos jovens entrevistados projeta o sentido da vida em ter novas experi\u00eancias e conviv\u00eancias. A maioria dos idosos relata hist\u00f3rias nas quais podemos ver que um dia tamb\u00e9m enxergaram assim o sentido para a vida, mas ap\u00f3s realizados, projetaram o novo sentido no viver da outra gera\u00e7\u00e3o, compartilhar experi\u00eancias e observar como vivem cada uma delas. Isso fica evidente na reportagem, quando o estudante Altair Neto explica que o isolamento social, barrou seu \u201cmelhor momento\u201d o relacionando \u00e0 faculdade e aos passeios com amigos. Enquanto dona Maria esclareceu que s\u00f3 tinha medo pela fam\u00edlia afirmando que os filhos e netos \u201cainda t\u00eam muito para viver\u201d.<\/p>\n<p>Viver \u00e9 diferente de sobreviver, e o contexto &#8220;viv\u00eancia&#8221; ou \u201csobreviv\u00eancia\u201d distingue o sentido e induz ao resultado de vida ou morte. O dicion\u00e1rio Michaelis relaciona o conceito \u201cviver\u201d com a ideia de \u201cexistir, ter prazer, passar a vida de um certo modo\u201d; enquanto sobreviver, se relaciona \u00e0 ideia de \u201cresistir a qualquer tipo de dificuldade, continuar vivo ap\u00f3s acontecimento de extrema gravidade\u201d, \u201cmanter-se ao longo do tempo e\/ou do espa\u00e7o; subsistir\u201d. A sa\u00fade mental \u00e9 essencial nesse sentido, no entanto, quase que automaticamente \u00e9 afetada diante de situa\u00e7\u00f5es traum\u00e1ticas, como a experi\u00eancia do confinamento, ou a experi\u00eancia de viver em um per\u00edodo pand\u00eamico.<\/p>\n<p>A psic\u00f3loga campo-grandense, <a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/psikatyelle\/?igshid=ZmRlMzRkMDU%3D\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Katyelle Efoncio<\/a> explica que no momento em que se passa por uma situa\u00e7\u00e3o ruim, \u00e9 necess\u00e1rio aceitar o fato que n\u00e3o se tem controle sobre a situa\u00e7\u00e3o, mas sim sobre suas atitudes. \u00c9 necess\u00e1rio reagir criando \u201cmotiva\u00e7\u00f5es e coragem\u201d para enfrentar as dificuldades.<\/p>\n<p>Os idosos apresentaram discursos que demonstravam maior \u00edndice desse entendimento ainda durante a situa\u00e7\u00e3o traumatizante. &#8220;O jeito foi pensar com otimismo e assegurar o refor\u00e7o emocional por meio do contato\u201d \u201cvamos falar a verdade: n\u00e3o adianta ter medo&#8221;, pontuou dona Maria. Talvez, tal posicionamento esteja presente por acumularem mais experi\u00eancias lidando com outras situa\u00e7\u00f5es ao longo da vida.<\/p>\n<p>Os jovens apresentam discursos que revelam ter seguido tal entendimento apenas depois do al\u00edvio no n\u00famero crescente de perdas pela contra\u00e7\u00e3o do v\u00edrus. E por consequ\u00eancia apresentam sequelas maiores do que as expostas pelos entrevistados da gera\u00e7\u00e3o anterior. \u201cDurante a pandemia eu ganhei todo o peso que havia perdido\u201d, afirmou Altair demonstrando que a ideia de \u2018apenas seguir em frente\u2019 n\u00e3o era poss\u00edvel durante o processo.<\/p>\n<p>Ainda antes da manifesta\u00e7\u00e3o do v\u00edrus do Covid-19, a OMS j\u00e1 elencou a sa\u00fade mental como prioridade absoluta para os pr\u00f3ximos anos, apresentando depress\u00e3o como o mal do s\u00e9culo e afirmando que a depress\u00e3o dever\u00e1 ser a doen\u00e7a mais comum do mundo em 2030. Katyelle explica que os transtornos que mais t\u00eam crescido nos \u00faltimos anos s\u00e3o ansiedade e depress\u00e3o, acrescenta tamb\u00e9m que depois da pandemia, em mar\u00e7o deste ano, estes transtornos obtiveram o aumento de 25%.<\/p>\n<p>Embora o <a href=\"https:\/\/www.ibge.gov.br\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Instituto Brasileiro de Geografia e Estat\u00edstica<\/a> (IBGE) apresente dados que definem que a gera\u00e7\u00e3o idosa \u00e9 a mais atingida pelo citado \u201cmal do s\u00e9culo\u201d, a psic\u00f3loga explica que nesse contexto temporal, quase um bilh\u00e3o de pessoas do mundo tem vivido com algum transtorno mental. Katyelle tamb\u00e9m pontua que o suic\u00eddio foi respons\u00e1vel por mais de uma em cada 100 mortes, sendo 58% antes dos 50 anos de idade.<\/p>\n<p>A reportagem feita com as duas gera\u00e7\u00f5es (jovens e idosos) n\u00e3o apenas contrasta com os dados do IBGE, mas deixa um alerta quanto \u00e0 necessidade de extens\u00e3o da preocupa\u00e7\u00e3o com a sa\u00fade mental em todas as gera\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Veja abaixo o v\u00eddeo da psic\u00f3loga Katyelle Efoncio explicando a teoria de Viktor Frankl.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-4-3 wp-has-aspect-ratio\"><div class=\"wp-block-embed__wrapper\">\n<iframe loading=\"lazy\" title=\"Decifrando o sentido da vida -  psic\u00f3loga Katyelle Efoncio\" width=\"580\" height=\"435\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/FkaPJlcI5NI?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe>\n<\/div><\/figure>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-buttons is-content-justification-center is-layout-flex wp-block-buttons-is-layout-flex\">\n<div class=\"wp-block-button\"><a class=\"wp-block-button__link\" href=\"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/projetil-99\/\">VOLTAR PARA EDI\u00c7\u00c3O 99<\/a><\/div>\n<\/div>\n\n\n\n<p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Pensar na sa\u00fade mental de jovens e idosos, em 2022, \u00e9 entender como diferentes gera\u00e7\u00f5es lidam com o retorno das atividades sociais ap\u00f3s dois anos de reclus\u00e3o Texto: Bruna Querino | Larissa Adami | Marina Gabriely | Rafaela Teodoro | Vict\u00f3ria de Oliveira Dois extremos marcam a luta pela preven\u00e7\u00e3o de doen\u00e7as psiqui\u00e1tricas, impactadas principalmente [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":35,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[27],"tags":[],"class_list":["post-2730","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-reportagem99"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2730","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-json\/wp\/v2\/users\/35"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=2730"}],"version-history":[{"count":14,"href":"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2730\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":3256,"href":"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2730\/revisions\/3256"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=2730"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=2730"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=2730"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}