{"id":2733,"date":"2022-11-25T16:01:50","date_gmt":"2022-11-25T20:01:50","guid":{"rendered":"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/?p=2733"},"modified":"2022-12-02T08:23:07","modified_gmt":"2022-12-02T12:23:07","slug":"as-mil-e-uma-vidas-de-christiane-f","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/as-mil-e-uma-vidas-de-christiane-f\/","title":{"rendered":"As mil e uma vidas de Christiane F."},"content":{"rendered":"\n<p class=\"has-text-align-center has-accent-color has-text-color\"><strong>Amanda Ferreira<\/strong><\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator\" \/>\n\n\n\n<p>Baseado em fatos reais, \u201cEu, Christiane F, 13 anos, drogada e prostitu\u00edda\u201d dirigido por Uli Edel, voltou aos cinemas brasileiros em formato remasterizado ap\u00f3s 40 anos desde sua estreia, em 1980. Mais atual do que nunca, o filme prop\u00f5e uma reflex\u00e3o importante sobre a realidade do mundo das drogas.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"640\" height=\"320\" src=\"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2022\/11\/tumblr_oz5kbfTbAT1rk7niho1_640.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-2799\" srcset=\"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2022\/11\/tumblr_oz5kbfTbAT1rk7niho1_640.jpg 640w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2022\/11\/tumblr_oz5kbfTbAT1rk7niho1_640-300x150.jpg 300w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2022\/11\/tumblr_oz5kbfTbAT1rk7niho1_640-400x200.jpg 400w\" sizes=\"auto, (max-width: 640px) 100vw, 640px\" \/><figcaption> Ilustra\u00e7\u00e3o de Cristiane na esta\u00e7\u00e3o de trem Zoo. Ponto referencial de prostitui\u00e7\u00e3o de crian\u00e7as em Berlim. Ilustra\u00e7\u00e3o: <a href=\"https:\/\/www.tumbig.com\/blog\/heldenfureinentag\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Polina Sherbakova<\/a><\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p>A trama mostra Christiane Vera Felscherinow, uma jovem de 13 anos moradora da Berlim Ocidental em meados dos anos 1970, nos conjuntos habitacionais do bairro Gropiusstadt, com sua irm\u00e3 e a m\u00e3e, nos sub\u00farbios de uma Alemanha p\u00f3s Segunda Guerra.<\/p>\n\n\n\n<p>Submersos na cultura underground dos jovens alem\u00e3es dos anos 1970, a garota deseja conhecer a &#8220;Sound&#8221;, uma discoteca badalada da \u00e9poca. As drogas transitavam livremente entre os visitantes, onde Christiane n\u00e3o apenas fez amizades com v\u00e1rios dependentes qu\u00edmicos, mas tamb\u00e9m se apaixonou por Detlev, um jovem usu\u00e1rio de drogas.<\/p>\n\n\n\n<p>O diretor Edel, usa a hist\u00f3ria de Cristiane para retratar toda gera\u00e7\u00e3o de jovens que descarregam suas frustra\u00e7\u00f5es na mistura de drogas e rebeldia. A trilha sonora do filme \u00e9 composta inteiramente por David Bowie. O cantor ficou comovido pela hist\u00f3ria e pela rela\u00e7\u00e3o de Christiane com sua m\u00fasica, pois enxergava na garota o seu pr\u00f3prio v\u00edcio em coca\u00edna, refletindo tamb\u00e9m uma realidade de sua carreira. Na cena espetacular inicial do filme, quando Christiane e seus amigos fogem da pol\u00edcia ao som de &#8220;Heroes&#8221;, Uli Edel desenvolve de maneira natural e melanc\u00f3lica a psiqu\u00ea da jovem. Conforme Christiane corre em um corredor vazio e escuro, a m\u00fasica se transaciona em um off da personagem dizendo; &#8220;a podrid\u00e3o est\u00e1 em toda parte \u00e9 s\u00f3 dar uma olhada&#8221;, ressaltando como a garota enxerga sua realidade existencial de maneira solit\u00e1ria.<\/p>\n\n\n\n<p>Os frames enquadram muitos close-ups da pr\u00f3pria Christiane injetando droga em si mesma. Como uma esp\u00e9cie de &#8220;tutorial&#8221;, a garota mostra em primeira pessoa, para melhor entendimento do espectador, o aprimoramento da realidade dolorosa de uma jovem sofrendo picos de emo\u00e7\u00f5es ao inalar e injetar subst\u00e2ncias.<\/p>\n\n\n\n<p>No roteiro escrito por Herman Weigel, Kain Herman, Horsk Rieck, \u00e9 necess\u00e1rio destacar o cuidado em n\u00e3o desumanizar os personagens, n\u00e3o os tratando como descart\u00e1veis, mas sim como v\u00edtimas de um pa\u00eds antidrogas e sem pol\u00edticas p\u00fablicas.<\/p>\n\n\n\n<p>A proje\u00e7\u00e3o da metade da pel\u00edcula ganha novos significados. Enquanto o primeiro arco do filme \u00e9 radiante; com destaques nos tons neons e cores quentes das boates, roupas descoladas das personagens e reflexos das luzes da cidade para referenciar o entusiasmo dos jovens alem\u00e3es, a trama se afunda gradativamente na imensid\u00e3o dos v\u00edcios de Christiane e seus amigos, ganhando variados tons de cinza e uma n\u00edtida palidez tanto nas cores quanto nos pr\u00f3prios personagens.<\/p>\n\n\n\n<p>As cenas de prostitui\u00e7\u00e3o infantil chocam o telespectador no segundo ato do filme, trazendo uma atmosfera sombria e perturbadora. A cena final, apesar de condensada e simples, nos causa o mesmo impacto da vida de Christiane: sua jornada acaba em uma cidade t\u00e3o gelada quanto a sua antiga ingenuidade.<\/p>\n\n\n\n<p>Passados 40 anos da estreia, Christiane, agora com 60 anos, nunca se afastou totalmente das drogas. \u00c9 portadora de hepatite C, teve cirrose, foi presa diversas vezes por posse de drogas, teve um filho em 1996 e perdeu a guarda em menos de dois anos. Apesar de n\u00e3o usar mais hero\u00edna, o \u00e1lcool e a coca\u00edna ainda est\u00e3o presentes em sua vida. Na dualidade entre se manter limpa e sofrer reca\u00eddas recorrentes, afirmou, em 2013, que seguia com o v\u00edcio em bebidas e metadona sem nunca, de fato, querer larg\u00e1-lo. Ela sobrevive, atualmente, dos lucros que sua hist\u00f3ria proporcionou. Em sua autobiografia &#8220;Eu, Christiane F, a vida apesar de tudo&#8221;, publicada em 2013, ela afirma que n\u00e3o se arrependeu. &#8220;Eu morrerei em breve, sei disso. Mas eu n\u00e3o deixei de fazer nada em minha vida. Estou bem com isso. Ent\u00e3o, eu n\u00e3o recomendaria: essa n\u00e3o \u00e9 a melhor vida para se viver, mas \u00e9 a minha vida&#8221;.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-buttons is-content-justification-center is-layout-flex wp-block-buttons-is-layout-flex\">\n<div class=\"wp-block-button\"><a class=\"wp-block-button__link\" href=\"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/projetil-99\/\">VOLTAR PARA EDI\u00c7\u00c3O 99<\/a><\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Amanda Ferreira Baseado em fatos reais, \u201cEu, Christiane F, 13 anos, drogada e prostitu\u00edda\u201d dirigido por Uli Edel, voltou aos cinemas brasileiros em formato remasterizado ap\u00f3s 40 anos desde sua estreia, em 1980. Mais atual do que nunca, o filme prop\u00f5e uma reflex\u00e3o importante sobre a realidade do mundo das drogas. 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