{"id":2784,"date":"2022-11-25T16:29:21","date_gmt":"2022-11-25T20:29:21","guid":{"rendered":"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/?p=2784"},"modified":"2022-11-29T16:59:52","modified_gmt":"2022-11-29T20:59:52","slug":"uma-eleitora-entre-nos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/uma-eleitora-entre-nos\/","title":{"rendered":"Uma eleitora entre n\u00f3s"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"has-text-align-center has-accent-color has-text-color\"><strong>Ana Carolina Gon\u00e7alves<\/strong><\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator\"\/>\n\n\n\n<p>Quando eu nasci, a democracia brasileira tinha rec\u00e9m completado 16 anos. Os per\u00edodos realmente democr\u00e1ticos na hist\u00f3ria do Brasil parecem n\u00e3o ser a regra da pol\u00edtica nacional. Por esse motivo, percebo que o pa\u00eds legado \u00e0 minha gera\u00e7\u00e3o \u00e9 um Brasil muito diferente daquele herdado pelos meus pais e av\u00f3s. Minha gera\u00e7\u00e3o n\u00e3o lutou para restabelecer o estado democr\u00e1tico de direito, assim como n\u00e3o se sentiu obrigada, por aqueles que haviam lutado durante duas d\u00e9cadas contra o autorit\u00e1rio e violento Regime Militar, a se mobilizar politicamente.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"594\" height=\"850\" src=\"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2022\/11\/WhatsApp-Image-2022-11-16-at-16.06.33.jpeg\" alt=\"\" class=\"wp-image-2804\" srcset=\"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2022\/11\/WhatsApp-Image-2022-11-16-at-16.06.33.jpeg 594w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2022\/11\/WhatsApp-Image-2022-11-16-at-16.06.33-210x300.jpeg 210w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2022\/11\/WhatsApp-Image-2022-11-16-at-16.06.33-400x572.jpeg 400w\" sizes=\"auto, (max-width: 594px) 100vw, 594px\" \/><figcaption>Ilustra\u00e7\u00e3o: <a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/jaoarte\/?igshid=YzdkMWQ2MWU%3D\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Jo\u00e3o Lucas<\/a><\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p>Olhar para um passado recente me permite enxergar um pa\u00eds diferente, um Brasil do qual eu apenas ouvi falar. Esse Brasil viveu sob um per\u00edodo de consider\u00e1vel estabilidade e colheu os frutos por se tornar a sexta maior economia do mundo. Um Brasil reconhecido internacionalmente por sua diversidade cultural e hospitalidade. Um Brasil que realizou mudan\u00e7as na educa\u00e7\u00e3o para possibilitar a entrada de pessoas pobres, pretas, pardas e ind\u00edgenas no ensino superior. Um pa\u00eds que buscou expandir o leque de atua\u00e7\u00e3o do Sistema \u00danico de Sa\u00fade (SUS), um dos maiores sistemas p\u00fablicos de sa\u00fade do mundo. Me parecia um Brasil que caminhava para ser melhor. Mas que n\u00e3o conseguiu.<\/p>\n\n\n\n<p>Motivados por um reajuste de vinte centavos na tarifa do transporte p\u00fablico, em junho de 2013, a juventude brasileira saiu \u00e0s ruas para protestar contra o governo que, supostamente, tinha tentado garantir um pouco mais de dignidade \u00e0 popula\u00e7\u00e3o. Impulsionados por outros movimentos sociais liderados por jovens ao redor do mundo, como o Occupy Wall Street e a Primavera \u00c1rabe, as ruas das maiores cidades do pa\u00eds foram tomadas por uma juventude que se fez ser ouvida.<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o foi s\u00f3 pelos vinte centavos. Concordo com quem diz que as Jornadas de Junho foram o in\u00edcio do colapso daquele Brasil que nunca tinha nadado com tanto empenho, mas que, como sempre, acabou morrendo na praia. Tivemos que sair de cena. O movimento de 2013 t\u00e3o logo come\u00e7ou, foi cooptado por grupos civis e pol\u00edticos que se beneficiam e enriquecem com as desigualdades da nossa hist\u00f3ria. Esta caminhada, que est\u00e1 longe de ser solit\u00e1ria, foi e, ao que tudo indica, sempre ser\u00e1 realizada pelos \u201csubalternos\u201d que defendem o seu direito de serem menos explorados do que os demais.<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o sei se, realmente, vivemos o nosso pr\u00f3prio \u201cmilagre brasileiro\u201d naquele passado recente, ou se o \u00edmpeto da juventude nos fez acreditar que pod\u00edamos tudo. At\u00e9 mesmo acreditar na exist\u00eancia de um Brasil melhor. Hoje sei que subestimamos o poder de rea\u00e7\u00e3o das gera\u00e7\u00f5es dos meus pais e av\u00f3s. Vivemos por muito tempo submersos em uma realidade que n\u00e3o condizia com a hist\u00f3ria do Brasil. Nos esquecemos, ou at\u00e9 mesmo nem sequer sab\u00edamos, que o menor dos lampejos de igualdade seria suficiente para fazer acordar o gigante. O gigantesco passado reacion\u00e1rio de um pa\u00eds que se v\u00ea como a eterna col\u00f4nia de Orleans e Bragan\u00e7a.<\/p>\n\n\n\n<p>Se 2018 foi mesmo o golpe mortal contra a ideia de um Brasil diferente do que realmente \u00e9, esse ano tamb\u00e9m foi o despertar pol\u00edtico de uma gera\u00e7\u00e3o que se viu, pela primeira vez, como cidad\u00e3 brasileira. Fomos \u00e0s urnas e perdemos. Vimos, em primeira m\u00e3o, a ingenuidade e a grandeza da democracia: ela permite que at\u00e9 pessoas antidemocr\u00e1ticas sejam eleitas.<\/p>\n\n\n\n<p>Existem muitos paralelos entre eu e a nossa \u201cdemocracia em vertigem\u201d. Ela sempre precisou lutar para ser consolidada, e nunca esteve imune aos ataques, questionamentos e desmontes. E eu, que sempre pensei em deixar o pa\u00eds, nunca me senti uma brasileira t\u00e3o necess\u00e1ria quanto agora para defender a nossa democracia. A melhor not\u00edcia \u00e9 que h\u00e1 muitos jovens brasileiros que se sentem iguais a mim. Nunca antes o n\u00famero de jovens entre 16 e 17 anos que tiraram o t\u00edtulo de eleitor cresceu tanto. Quando eu nasci, a democracia brasileira completou 16 anos. Ela j\u00e1 tinha idade para votar. Existe uma eleitora entre n\u00f3s.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-buttons is-content-justification-center is-layout-flex wp-block-buttons-is-layout-flex\">\n<div class=\"wp-block-button\"><a class=\"wp-block-button__link\" href=\"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/projetil-99\/\">VOLTAR PARA EDI\u00c7\u00c3O 99<\/a><\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ana Carolina Gon\u00e7alves Quando eu nasci, a democracia brasileira tinha rec\u00e9m completado 16 anos. Os per\u00edodos realmente democr\u00e1ticos na hist\u00f3ria do Brasil parecem n\u00e3o ser a regra da pol\u00edtica nacional. Por esse motivo, percebo que o pa\u00eds legado \u00e0 minha gera\u00e7\u00e3o \u00e9 um Brasil muito diferente daquele herdado pelos meus pais e av\u00f3s. 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