{"id":2785,"date":"2022-11-25T17:00:28","date_gmt":"2022-11-25T21:00:28","guid":{"rendered":"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/?p=2785"},"modified":"2022-12-02T09:22:35","modified_gmt":"2022-12-02T13:22:35","slug":"filhos-do-abandono","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/filhos-do-abandono\/","title":{"rendered":"Filhos do abandono"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"has-text-align-center has-accent-color has-text-color\"><strong>Amanda Ferreira<\/strong><\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator\" \/>\n\n\n\n<p>Uma pesquisa realizada pelo Sistema Nacional de Ado\u00e7\u00e3o e Acolhimento (SNA), afirma que MS possui em 2022, 634 crian\u00e7as e adolescentes vivendo em casas de acolhimento. Destas, a maior parte \u00e9 de jovens maiores de 16 anos, segundo dados do Conselho Nacional de Justi\u00e7a de 2010. A solicita\u00e7\u00e3o de ado\u00e7\u00e3o desta faixa et\u00e1ria \u00e9 muito baixa e precisa ser compreendida.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"600\" height=\"337\" src=\"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2022\/11\/orfaos-1.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-2796\" srcset=\"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2022\/11\/orfaos-1.png 600w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2022\/11\/orfaos-1-300x169.png 300w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2022\/11\/orfaos-1-400x225.png 400w\" sizes=\"auto, (max-width: 600px) 100vw, 600px\" \/><figcaption>Conforme o Sistema Nacional de Ado\u00e7\u00e3o e Acolhimento (SNA) houve apenas uma ado\u00e7\u00e3o de jovens de jovens negros em 2019 no estado do MS &#8211; Foto: <a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/pt.dreamstime.com\/motortion_info\" target=\"_blank\">motortion\/dreamstime<\/a><br><\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p>Os abrigos exercem apenas a fun\u00e7\u00e3o de uma moradia provis\u00f3ria para uma crian\u00e7a que precisa de prote\u00e7\u00e3o tempor\u00e1ria, n\u00e3o assumindo a responsabilidade afetiva de se tornar um lar para estas pessoas. Ap\u00f3s completarem 18 anos, eles s\u00e3o obrigados pela<a href=\"http:\/\/www.planalto.gov.br\/ccivil_03\/_ato2015-2018\/2017\/lei\/l13509.htm\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"> lei N\u00ba 13.509\/2017<\/a> a deixarem os abrigos para seguirem suas vidas, com ou sem perspectivas de um futuro promissor.<\/p>\n\n\n\n<p>Diversas pol\u00edticas p\u00fablicas para atender esses jovens com mais de 18 anos, que acabaram de sair dos abrigos e orfanatos, foram criadas em Mato Grosso do Sul para garantir assist\u00eancia. Programas de jovem aprendiz e cursos t\u00e9cnicos s\u00e3o oferecidos para essa parcela da sociedade com o intuito de desenvolver o intelecto profissional e proporcionar o ingresso no mercado de trabalho. Na pr\u00e1tica, a realidade \u00e9 bem perversa, aponta o Levantamento Nacional dos Abrigos para Crian\u00e7as e Adolescentes da Rede.<\/p>\n\n\n\n<p>Muitos destes programas s\u00f3 aceitam jovens que est\u00e3o cursando o ensino m\u00e9dio ou com algum conhecimento espec\u00edfico da \u00e1rea de atua\u00e7\u00e3o do curso. Um cen\u00e1rio muitas vezes inalcan\u00e7\u00e1vel para os indiv\u00edduos que acabaram de sair dos abrigos, onde a maioria est\u00e1 seriada em anos diferentes, n\u00e3o correspondendo com a idade ao seu n\u00edvel escolar. Nem todos os abrigados frequentam escolas.<\/p>\n\n\n\n<p>Em rela\u00e7\u00e3o ao analfabetismo, o levantamento do encontrou, entre os abrigados em MS, de 15 a 18 anos, uma propor\u00e7\u00e3o dos que n\u00e3o sabiam ler nem escrever considerada muito elevada, quando comparada com os \u00edndices nacionais para essa faixa et\u00e1ria: 16,8%, quando o \u00edndice geral do Brasil para esta faixa situa-se em torno de 3%, segundo os dados do IBGE.<\/p>\n\n\n\n<p>Esses jovens maiores de 16 anos passam por diversas crises emocionais quando pensam no futuro. Pois sabem que ap\u00f3s os 12 anos as chances de encontrar um lar caem drasticamente. Uma pesquisa realizada, a partir de 2019, pelo CNJ aponta que crian\u00e7as de 12 a 16 anos foram adotadas apenas 22 vezes, comparada \u00e0s 96 crian\u00e7as de at\u00e9 2 anos que sa\u00edram dos abrigos neste mesmo ano. Ainda, dados apurados pelo CNJ afirmam que em 2022 foram registrados 49 casos de ado\u00e7\u00e3o de meninos brancos com menos de 2 anos de idade, comparado aos poucos 18 tr\u00e2mites de ado\u00e7\u00e3o em MS que fogem desse perfil.<\/p>\n\n\n\n<p>Esses adolescentes convivem com um cron\u00f4metro pendurado ao redor do pesco\u00e7o. S\u00e3o v\u00edtimas da burocracia de um processo adotivo, mas tamb\u00e9m do preconceito pelas fam\u00edlias adotantes. O processo de ado\u00e7\u00e3o para a faixa et\u00e1ria dos maiores de 16 anos \u00e9 baixa, sendo a maior procura crian\u00e7as do sexo masculino brancas de 4 a 6 anos de idade, resultando num percentual de 51.9% de meninos adotados em compara\u00e7\u00e3o a 41,8% de meninas pretas com a mesma idade sendo adotadas, conforme dados do CNJ.<\/p>\n\n\n\n<p>A partir do ano de 2019, o percentual de crian\u00e7as negras adotadas foi de 3% comparado aos 22% de crian\u00e7as brancas adotadas, conforme informa dados do CNJ.<\/p>\n\n\n\n<p>Pela situa\u00e7\u00e3o de extrema vulnerabilidade, essa minoria maior de 18 anos lida com a press\u00e3o de serem adultos sozinhos, sem assist\u00eancia e sem futuro. Dado de mais de 15 anos feito pelo Levantamento Nacional, mostrou que no Brasil o total de jovens e crian\u00e7as que foram acolhidos por abrigos e passaram a viver em situa\u00e7\u00e3o de rua, foi de 15%. Esta porcentagem alarmante reafirma que ao sa\u00edrem das casas de acolhimento estes jovens, na faixa et\u00e1ria dos 18 anos, acabam colhendo as consequ\u00eancias dos diversos tipos de abandono sofridos durante suas vidas. Procuram refugio nas drogas, no crime e tamb\u00e9m apelam para prostitui\u00e7\u00e3o como modo de sobreviv\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-buttons is-content-justification-center is-layout-flex wp-block-buttons-is-layout-flex\">\n<div class=\"wp-block-button\"><a class=\"wp-block-button__link\" href=\"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/projetil-99\/\">voltar para edi\u00e7\u00e3o 99<\/a><\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Amanda Ferreira Uma pesquisa realizada pelo Sistema Nacional de Ado\u00e7\u00e3o e Acolhimento (SNA), afirma que MS possui em 2022, 634 crian\u00e7as e adolescentes vivendo em casas de acolhimento. 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