{"id":2876,"date":"2022-11-25T16:48:13","date_gmt":"2022-11-25T20:48:13","guid":{"rendered":"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/?p=2876"},"modified":"2022-12-02T08:19:40","modified_gmt":"2022-12-02T12:19:40","slug":"essas-mina-e-monstra-acha-que-e-facil-ser-preta","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/essas-mina-e-monstra-acha-que-e-facil-ser-preta\/","title":{"rendered":"Essas mina \u00e9 monstra, acha que \u00e9 f\u00e1cil ser preta?"},"content":{"rendered":"\n<h4 class=\"has-text-align-center wp-block-heading\"><em>Mulheres negras conquistam espa\u00e7o no Hip Hop local e nacional e empoderam outras gera\u00e7\u00f5es de artistas pretos<\/em><\/h4>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center has-accent-color has-text-color\"><strong>Texto: Amanda Souza | <a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/www.instagram.com\/dgustasantos\/\" target=\"_blank\">Gustavo Nascimento<\/a> | <a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/www.instagram.com\/mellissa_ramos\/\" target=\"_blank\">Mellissa Ramos<\/a> | <a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/www.instagram.com\/polyanavera\/\" target=\"_blank\">Polyana Vera<\/a><\/strong><\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator\" \/>\n\n\n\n<p><span style=\"font-weight: 400\">A forma envolvente de <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">flows<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\"> e <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">beats<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\"> do rap, as artes grafitadas nos muros, os movimentos impressionantes do <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">break<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">, um estilo \u00fanico de vestir, correntes de ouro e <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">grillz <\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">nos dentes: esse conjunto representativo do Hip Hop tem conquistado e empoderado a juventude negra e perif\u00e9rica. Mais do que apenas m\u00fasica, \u00e9 um movimento sociocultural que envolve diversas formas de arte. Do <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">BreakDance<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\"> \u00e0s batalhas de rima, do grafite aos grandes festivais de rap, o movimento tem crescido cada vez mais ao redor do mundo.<\/span><\/p>\n\n\n\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Conhecida como <a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/ladyafroo\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Dj LadyAfroo<\/a>, Andressa Santos, 27, traz a valoriza\u00e7\u00e3o da cultura negra, ind\u00edgena e perif\u00e9rica. Dan\u00e7arina e produtora cultural, \u00e9, ainda, co-fundadora das festas Afrogueto e AfrontaMS. Segundo a artista, a ideia dos festivais \u00e9 um resgate de ra\u00edzes, com representa\u00e7\u00f5es do poder que a mulher preta tem. \u201cO nosso rol\u00ea \u00e9 voltado mesmo para a cultura de rua e a cultura <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Black<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">. Mas n\u00e3o s\u00f3 o Hip Hop em si. Vai muito al\u00e9m, trazendo outros ritmos, como samba e a macumba. Fugindo um pouco do foco, com a inten\u00e7\u00e3o de dar visibilidade \u00e0s pessoas pretas e ind\u00edgenas dentro desse cen\u00e1rio\u201d, ressalta. A <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Black Music<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\"> sempre esteve presente em sua vida com refer\u00eancias como Beyonc\u00e9, Rihanna e Karol Conk\u00e1. Al\u00e9m da m\u00fasica, a dan\u00e7a tamb\u00e9m a influenciou, desde quando participava do \u2018Espa\u00e7o FNK\u2019, onde teve contato com o Vogue e outras dan\u00e7as contempor\u00e2neas.<\/span><\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"297\" height=\"430\" src=\"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2022\/11\/GABI-montagem-ladyafro-32323.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-2921\" srcset=\"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2022\/11\/GABI-montagem-ladyafro-32323.jpg 297w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2022\/11\/GABI-montagem-ladyafro-32323-207x300.jpg 207w\" sizes=\"auto, (max-width: 297px) 100vw, 297px\" \/><figcaption>Andressa Nogueira, LadyAfroo, produtora e DJ sul-mato-grossense. Foto: Acervo Andressa Santos.<\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Em busca de reconhecimento com seu estilo pr\u00f3prio, a DJ tenta reunir a comunidade negra e a comunidade LGBTQIA+. \u201cA gente tem a chance de lan\u00e7ar outros artistas, como a Black Barbie, a Dj Afropaty. Dar oportunidade para as pessoas pretas poderem ocupar os espa\u00e7os desejados com o estilo apreciado\u201d, afirma. O envolvimento da juventude preta com o mundo do rap e a m\u00fasica apresentada por ela, \u00e9 motivo de mais liberdade e expressividade visual. \u201cAgora, atrav\u00e9s desse crescimento da comunidade, eu acho que os jovens tamb\u00e9m est\u00e3o podendo usar a roupa que quiserem, o cabelo e outras coisas\u201d, conta. LadyAfroo v\u00ea o cen\u00e1rio do rap brasileiro mais feminino, um espa\u00e7o de visibilidade para cada vez mais mulheres, especialmente, as mulheres negras. \u201cHoje em dia as mulheres est\u00e3o entrando cada vez mais em cena no mundo do rap, e o crescimento desse constante movimento tem a tend\u00eancia de s\u00f3 aumentar\u201d, ressalta.<\/span><\/p>\n\n\n\n<p>Popularizado nos guetos da cidade de Nova Iorque, o Hip Hop tem o Rap, o Break Dance ou Breaking e o Grafite Writing como elementos principais e ganhou notoriedade em comunidades negras e latinas marginalizadas, que tinham essa cultura como um escape contra a viol\u00eancia e um meio de protesto para combater a realidade de segrega\u00e7\u00e3o em que viviam, al\u00e9m de uma forma simples e genu\u00edna de divers\u00e3o. Dados do relat\u00f3rio da Nielsen Music afirmam que, em 2017, pela primeira vez na hist\u00f3ria o Hip Hop conseguiu ultrapassar o Rock\u2019n\u2019Roll como g\u00eanero musical mais ouvido nos Estados Unidos. A pesquisa conta ainda, que 8 dos 10 \u00e1lbuns mais escutados no planeta s\u00e3o pertencentes a esse g\u00eanero, destacando artistas como Drake e Kendrick Lamar.<\/p>\n\n\n\n<p>No Brasil, desde a d\u00e9cada de 1980, a cultura Hip Hop come\u00e7ou a ganhar conhecimento com artistas como Sabotage, Heli\u00e3o e Sandr\u00e3o, e grupos de grande renome como Racionais Mcs e Fac\u00e7\u00e3o Central. O estilo musical era feito nas favelas e periferias para expor a realidade de discrimina\u00e7\u00e3o, e a viv\u00eancia das classes mais pobres. A cena do rap brasileiro sempre foi majoritariamente masculina, por\u00e9m grandes nomes como Negra Li, Dina Di e Kmila CDD j\u00e1 abriam caminhos para a inser\u00e7\u00e3o das mulheres no movimento.<\/p>\n\n\n\n<p>Ainda que timidamente, em 2022, j\u00e1 vemos muitas outras mulheres despontando na cena. Gra\u00e7as ao maior acesso \u00e0 informa\u00e7\u00e3o e \u00e0s redes sociais, amplificado pela internet, jovens mulheres negras que cantam suas viv\u00eancias, como Drik Barbosa, Karol Conk\u00e1, Mc Soffia e recentemente, a sul-mato-grossense SoulRa, tem conquistado espa\u00e7o e escrito seus nomes na hist\u00f3ria do rap. Ainda que de forma independente, produzem, publicam e divulgam seus trabalhos.<\/p>\n\n\n\n<h5 class=\"wp-block-heading\"><strong>Drip de Negona<\/strong><\/h5>\n\n\n\n<p>A <a href=\"https:\/\/instagram.com\/afropaty_._\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"> Dj Afropaty<\/a>, 22, cursa Enfermagem\u00a0na Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS) e traz o empoderamento preto n\u00e3o s\u00f3 na sua m\u00fasica, mas tamb\u00e9m na forma de se vestir e se comportar. A artista relata que aos 16 anos, a m\u00fasica cl\u00e1ssica lhe abriu portas e a influenciou a entrar no mundo musical. Foi por meio de aulas de Hip Hop no Instituto Federal de Mato Grosso do Sul (IFMS), que expandiu seus conhecimentos tanto na m\u00fasica como na dan\u00e7a. Esse momento foi um divisor de \u00e1guas, que a fez se encontrar e se identificar com a cultura afro-brasileira e afro-latina. \u201cEu comecei tocando alguns instrumentos como piano e teclado por causa da igreja, at\u00e9 que comecei a tocar em boates, e fui conhecendo novos estilos como o rap, e entrei em um grupo de dan\u00e7as urbanas\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>A DJ tamb\u00e9m usa a moda como forma de resist\u00eancia. A \u201cAfropatricinha&#8221; busca mostrar que, assim como meninas brancas e ricas podem se vestir com cores \u201cfemininas\u201d, brilho, salto alto e toda a pompa, pessoas negras que, historicamente n\u00e3o tem acesso a esses recursos, tamb\u00e9m podem. Afropaty comenta que, na cena LGBTQIA+ atual, n\u00e3o v\u00ea muitas pessoas negras tendo um local de destaque. \u201cGosto de mostrar que a gente como preto entra na cena com a mesma visibilidade de uma menina branca, toda maquiada. Eu trago o pr\u00f3prio poder das patricinhas, levantando a for\u00e7a de uma negra de cabelo cacheado Black\u201d.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-gallery aligncenter columns-1 is-cropped wp-block-gallery-1 is-layout-flex wp-block-gallery-is-layout-flex\"><ul class=\"blocks-gallery-grid\"><li class=\"blocks-gallery-item\"><figure><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"683\" src=\"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2022\/11\/tratada-afropaty-2345678-1024x683.jpg\" alt=\"\" data-id=\"2951\" data-full-url=\"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2022\/11\/tratada-afropaty-2345678.jpg\" data-link=\"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/?attachment_id=2951\" class=\"wp-image-2951\" srcset=\"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2022\/11\/tratada-afropaty-2345678-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2022\/11\/tratada-afropaty-2345678-300x200.jpg 300w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2022\/11\/tratada-afropaty-2345678-768x512.jpg 768w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2022\/11\/tratada-afropaty-2345678-400x267.jpg 400w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2022\/11\/tratada-afropaty-2345678.jpg 1044w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/figure><\/li><\/ul><figcaption class=\"blocks-gallery-caption\">DJ Afro Paty produzindo conte\u00fado para divulga\u00e7\u00e3o art\u00edstica &#8211; Foto:<a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/instagram.com\/keyla.bispo22\" target=\"_blank\"> Keyla Santos<\/a><\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>Em seu Setlist, Afropaty costuma tocar v\u00e1rios estilos, inclusive rap e funk, fugindo do padr\u00e3o pop, quebrando os tabus que j\u00e1 existem. \u201cEu aparento uma imagem, mas se voc\u00ea for ouvir o meu gosto musical, vai se surpreender, eu quebro esses estere\u00f3tipos\u201d, comentou. O p\u00fablico preto da DJ \u00e9 minoria e, assim como a maioria das pessoas negras do pa\u00eds, ainda possui pouco alcance na \u00e1rea em que trabalha. \u201cExiste um p\u00fablico, mas n\u00e3o \u00e9 t\u00e3o valorizado, completamente ao contr\u00e1rio se colocasse uma DJ branca para tocar. \u00c9 uma dificuldade muito grande que eu sinto. Eu posso entregar tudo de mim, dar o meu melhor, mas ainda tenho receio de colocar rap no meu set e ser preta, ainda pesa muito.\u201d relata.<\/p>\n\n\n\n<p>Maria Lu\u00edsa Barbosa Martins, 26, defendeu disserta\u00e7\u00e3o de mestrado na Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul (UEMS) sobre as mulheres no rap nacional e o feminismo negro e acredita que \u00e9 uma tripla resist\u00eancia \u00e0 mulher rapper preta perif\u00e9rica. \u201cEla sofre opress\u00e3o pelo g\u00eanero, classe social e pela ra\u00e7a, e tudo isso vai pesar dentro das suas letras de rap, que tem como principal caracter\u00edstica o linguajar mais violento, pois reproduzem a viol\u00eancia que a sociedade imp\u00f5e sobre elas\u201d, afirma.<\/p>\n\n\n\n<p>Maria Lu\u00edsa relata sobre o ambiente que teria que ser de lutas raciais, empoderamento, den\u00fancia e desigualdade social, mas o preconceito e o machismo instaurado ainda invisibilizam as mulheres que fazem rap, participam de batalhas de rima e dan\u00e7am BreakDance. Ela defende que as mulheres negras no rap tenham visibilidade, al\u00e9m de mais apoio da sociedade. \u201c\u00c9 uma tripla subalterniza\u00e7\u00e3o que eu vejo nessas mulheres, por isso a necessidade de mostrar isso pra algu\u00e9m e aumentar a visualidade\u201d, comenta.<\/p>\n\n\n\n<h5 class=\"wp-block-heading\">A representa\u00e7\u00e3o das minorias<\/h5>\n\n\n\n<p>Maria Gabriela Da Costa Santos, a DJ Gabis, conta que se considera a \u201crepresenta\u00e7\u00e3o das minorias\u201d. Como mulher acima do peso, a Dj douradense de 26 anos, relata que o Hip Hop sempre esteve presente em seus trabalhos. \u201cEu sempre colocava no meu set de m\u00fasicas da cultura Hip Hop e Black Music, e tive uma aceita\u00e7\u00e3o boa, que fez com que ficasse ainda mais presente no meu som\u201d.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"834\" height=\"834\" src=\"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2022\/11\/Foto-reproducao-instagram-23456.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-2961\" srcset=\"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2022\/11\/Foto-reproducao-instagram-23456.jpg 834w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2022\/11\/Foto-reproducao-instagram-23456-300x300.jpg 300w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2022\/11\/Foto-reproducao-instagram-23456-150x150.jpg 150w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2022\/11\/Foto-reproducao-instagram-23456-768x768.jpg 768w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2022\/11\/Foto-reproducao-instagram-23456-400x400.jpg 400w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2022\/11\/Foto-reproducao-instagram-23456-200x200.jpg 200w\" sizes=\"auto, (max-width: 834px) 100vw, 834px\" \/><figcaption>Maria Gabriela da Costa, Dj Gabis &#8211; Foto: Acervo pessoal<\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p>Assim como Afropaty, Gabis repete a m\u00e1xima sentida por pessoas negras em todo o Brasil: negros precisam dar sempre mais para receber o m\u00ednimo. \u201cEu sinto que por mais que eu seja uma boa Dj, tenho que dar 200% a mais que qualquer DJ h\u00e9tero, homem e branco. Eu sou sempre \u2018julgada\u2019 porque eu realmente n\u00e3o sou um padr\u00e3o, pelo contr\u00e1rio, ent\u00e3o eu tenho que ser mil vezes melhor\u201d, alega.<\/p>\n\n\n\n<p>O rap \u00e9 ligado completamente \u00e0s lutas do povo negro e os elementos que comp\u00f5em o Hip Hop evidenciam isso. Mas o preconceito ainda \u00e9 muito presente na sociedade quando o assunto s\u00e3o rappers negros. A artista comenta que j\u00e1 viveu epis\u00f3dios de racismo enquanto se apresentava, mas que soube contornar a situa\u00e7\u00e3o, fechando a noite com a m\u00fasica \u201cOlho de tigre\u201d, do rapper Djonga, um hino da resist\u00eancia preta, que grita \u201cfogo nos racistas\u201d. \u201cFoi a primeira vez que toquei essa m\u00fasica e a galera foi \u00e0 loucura, simplesmente sensa\u00e7\u00e3o nacional\u201d, completa ela.<\/p>\n\n\n\n<h5 class=\"wp-block-heading\"><strong>Da rua para a rua<\/strong><\/h5>\n\n\n\n<p>Celebrado por levar arte, cor e vida \u00e0s ruas e avenidas, mas erroneamente confundido com vandalismo, o Grafite sempre dividiu opini\u00f5es. Assim como outros elementos do Hip hop, a arte ganhou os muros da cidade de Nova York na d\u00e9cada de 1970, como forma de denunciar a exclus\u00e3o de afro-americanos e imigrantes.<\/p>\n\n\n\n<p>Thallitha Leal, a Tita, 28, est\u00e1 na cena h\u00e1 quase 10 anos e v\u00ea o grafite como um estilo de vida. Ela n\u00e3o se v\u00ea longe da arte e pretende passar essa paix\u00e3o para filhos e netos. \u00danica artista sul-mato-grossense a integrar o crew \u201cCorre das Mina\u201d, teve seu primeiro contato com o of\u00edcio ainda no ensino m\u00e9dio, quando surgiu o interesse em conhecer o mundo do grafite e do Hip Hop. Foi trocando ideias, t\u00e9cnicas e refer\u00eancias que Tita evoluiu dentro da cena. &#8220;N\u00e3o s\u00f3 com os desenhos, mas como ser humano\u201d, comenta. Ela aprendeu a confiar no processo e em seu talento.<\/p>\n\n\n\n<p>Como no pr\u00f3prio mundo em que vivemos, o Grafite \u00e9 um movimento predominantemente masculino. O machismo est\u00e1 nas falas, opini\u00f5es e palpites. A grafiteira conta que o segredo \u00e9 confiar no pr\u00f3prio trabalho e n\u00e3o abaixar a cabe\u00e7a. \u201cSendo uma mina que est\u00e1 na caminhada h\u00e1 mais tempo, tento passar a vis\u00e3o de que n\u00e3o precisamos do aval do homem para legitimar nosso rol\u00ea, temos que ocupar espa\u00e7os e abrir caminho para as pr\u00f3ximas gera\u00e7\u00f5es de mulheres grafiteiras\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Arte de rua, feita para as ruas, o Grafite alcan\u00e7a milh\u00f5es de pessoas e \u00e9, desde sua cria\u00e7\u00e3o, uma forma de se expressar, comunicar e at\u00e9 protestar contra as desigualdades e injusti\u00e7as. Para Tita, uma mensagem, uma ilustra\u00e7\u00e3o ou qualquer que seja a arte grafitada pode tocar e fazer refletir e, levar a mensagem da resist\u00eancia. Existe um receio da popula\u00e7\u00e3o, que confunde a arte com baderna, mas \u00e9 uma pequena parcela que n\u00e3o conhece a sua import\u00e2ncia como express\u00e3o art\u00edstica e social. \u201cA minha luta n\u00e3o \u00e9 individual, \u00e9 coletiva. O Grafite \u00e9 revolucion\u00e1rio, n\u00e3o s\u00f3 na vida do grafiteiro, mas das pessoas que passam na rua e admiram sua arte. \u00c9 preciso mudar a ideia das pessoas e valorizar mais essa arte\u201d.<\/p>\n\n\n\n<h5 class=\"wp-block-heading\">Poesia, voz e protesto<\/h5>\n\n\n\n<p>A segunda edi\u00e7\u00e3o do \u201cCamp\u00e3o Cultural \u2013 Festival de Arte, Cultura, Diversidade e Cidadania\u201d, em setembro de 2022, veio para valorizar e divulgar nossas hist\u00f3rias e heran\u00e7as culturais, informar e tornar ainda mais conhecidos nossos artistas sul-mato-grossenses. Toda cultura \u00e9 viva, din\u00e2mica e diversificada e, por isso mesmo, as transforma\u00e7\u00f5es s\u00e3o constantes. Este ano o festival trouxe para a popula\u00e7\u00e3o, de forma gratuita, desde oficinas de artesanato at\u00e9 a oportunidade de ter contato com artistas nacionais.<\/p>\n\n\n\n<p>Isabelle Ramos, 26 anos, poetisa e jurada da batalha de Slam do Camp\u00e3o Cultural, enfatizou a import\u00e2ncia de trazer essa cultura para a sociedade. \u201cFazer algo que gostamos pode funcionar como v\u00e1lvula de escape perante todos os nossos sofrimentos, e o Slam \u00e9 uma cultura de periferia. Ter a oportunidade de trazer isso para o centro da cidade, em uma das pra\u00e7as principais da capital, \u00e9 maravilhoso. As pessoas que nos silenciam ou que n\u00e3o gostam, ter\u00e3o que escutar\u201d, completou. O slam \u00e9 um espa\u00e7o livre e democr\u00e1tico para artistas protestarem e resistirem atrav\u00e9s da poesia. Local de fala e escuta, tratando de temas que v\u00e3o desde pol\u00edtica at\u00e9 natureza, fam\u00edlia e sociedade, t\u00eam trazido ainda visibilidade para pautas feministas, negras e ind\u00edgenas, em lugares que nem sempre estes assuntos t\u00eam espa\u00e7o.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"683\" src=\"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2022\/11\/tratadaonline-finalizada-1-1024x683.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-2963\" srcset=\"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2022\/11\/tratadaonline-finalizada-1-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2022\/11\/tratadaonline-finalizada-1-300x200.jpg 300w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2022\/11\/tratadaonline-finalizada-1-768x512.jpg 768w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2022\/11\/tratadaonline-finalizada-1-1536x1024.jpg 1536w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2022\/11\/tratadaonline-finalizada-1-1200x800.jpg 1200w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2022\/11\/tratadaonline-finalizada-1-1250x833.jpg 1250w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2022\/11\/tratadaonline-finalizada-1-400x267.jpg 400w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2022\/11\/tratadaonline-finalizada-1.jpg 1728w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><figcaption>&nbsp;Proje\u00e7\u00e3o do palco da Batalha de Slam &#8211; Foto: Mariana Britto<\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p>J\u00e1 para Leandro Marques, 39 anos, organizador do Camp\u00e3o, o evento traz para a juventude atual empoderamento e uma oportunidade de reencontro com a sua cultura. \u201cA partir do momento que voc\u00ea conhece sua cultura, o lugar que voc\u00ea habita e a hist\u00f3ria desse lugar, voc\u00ea come\u00e7a valorizar mais, um empoderamento total, o orgulho daqui aumenta muito, e voc\u00ea acredita que vamos colher muitas coisas incr\u00edveis com essas sementes que est\u00e3o sendo plantadas nesses primeiros festivais do Camp\u00e3o Cultural aqui em Campo Grande\u201d, ressalta. Muito al\u00e9m do rap e das batalhas de rima, o movimento Hip Hop engloba tamb\u00e9m a dan\u00e7a, moda, grafite e todo um estilo de vida que define essa cultura t\u00e3o importante e relevante hoje em dia.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter size-full is-resized\"><a href=\"https:\/\/youtube.com\/shorts\/bchGZG4UzH0\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2022\/11\/Imagem-video.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-2970\" width=\"472\" height=\"829\" srcset=\"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2022\/11\/Imagem-video.jpg 472w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2022\/11\/Imagem-video-171x300.jpg 171w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2022\/11\/Imagem-video-400x703.jpg 400w\" sizes=\"auto, (max-width: 472px) 100vw, 472px\" \/><\/a><figcaption><a href=\"https:\/\/youtube.com\/shorts\/bchGZG4UzH0\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Performance das Djs<\/a> <\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator\" \/>\n\n\n\n<h5 class=\"wp-block-heading\">Gloss\u00e1rio<\/h5>\n\n\n\n<ul>\n<li><strong>Flows<\/strong>: Ritmo e som geral da m\u00fasica (voz do cantor, tom, instrumentos).<\/li>\n<li><strong>Beat<\/strong>: Batida que d\u00e1 ritmo e velocidade nas batalhas de rima.<\/li>\n<li><strong>BreakDance<\/strong>: Estilo de dan\u00e7a de rua, origin\u00e1ria da cultura hip hop.<\/li>\n<li><strong>Grillz<\/strong>: Enfeites de metal e at\u00e9 pedras preciosas usadas nos dentes, geralmente por rappers.<\/li>\n<li><strong>Grafite Writing<\/strong>: Arte na forma de uma inscri\u00e7\u00e3o caligrafada, com elabora\u00e7\u00e3o mais complexa que a picha\u00e7\u00e3o ou desenho pintado.<\/li>\n<li><strong>Vogue\/Ballroom<\/strong>: Movimento que re\u00fane dan\u00e7a, desfile e toda uma cultura de celebra\u00e7\u00e3o e acolhimento a pessoas negras e LGBTQIA +.<\/li>\n<li><strong>LGBTQIA+<\/strong>: Sigla que representa orienta\u00e7\u00f5es sexuais e identidades de g\u00eanero, respectivamente l\u00e9sbicas, gays, bissexuais, transg\u00eaneros, queer, Intersexo, assexual e mais.<\/li>\n<li><strong>Slam Poetry<\/strong>: S\u00e3o competi\u00e7\u00f5es de poesia recitada por autoria pr\u00f3pria, por poetas que defendem sua composi\u00e7\u00e3o atrav\u00e9s de performances que contemplam corpo e voz como instrumento no ato de declamar.<\/li>\n<li><strong>Setlist<\/strong>: Lista com as ordens das m\u00fasicas, utilizada por m\u00fasicos, bandas e Djs.<\/li>\n<li><strong>Crew<\/strong>: grupos ou coletivos de grafiteiros.<\/li>\n<\/ul>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-buttons is-content-justification-center is-layout-flex wp-block-buttons-is-layout-flex\">\n<div class=\"wp-block-button\"><a class=\"wp-block-button__link\" href=\"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/projetil-99\/\">VOLTAR PARA EDI\u00c7\u00c3O 99<\/a><\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Mulheres negras conquistam espa\u00e7o no Hip Hop local e nacional e empoderam outras gera\u00e7\u00f5es de artistas pretos Texto: Amanda Souza | Gustavo Nascimento | Mellissa Ramos | Polyana Vera A forma envolvente de flows e beats do rap, as artes grafitadas nos muros, os movimentos impressionantes do break, um estilo \u00fanico de vestir, correntes de [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":35,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[27],"tags":[],"class_list":["post-2876","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-reportagem99"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2876","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-json\/wp\/v2\/users\/35"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=2876"}],"version-history":[{"count":7,"href":"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2876\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":3253,"href":"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2876\/revisions\/3253"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=2876"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=2876"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=2876"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}