{"id":2881,"date":"2022-11-28T09:38:20","date_gmt":"2022-11-28T13:38:20","guid":{"rendered":"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/?p=2881"},"modified":"2022-11-28T09:38:21","modified_gmt":"2022-11-28T13:38:21","slug":"a-envergonhada-menstruacao-de-todo-mes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/a-envergonhada-menstruacao-de-todo-mes\/","title":{"rendered":"A envergonhada menstrua\u00e7\u00e3o de todo m\u00eas"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"has-text-align-center\"><strong><span style=\"color:#e02828\" class=\"tadv-color\">Maria Luiza Massulo<\/span><\/strong><\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator\"\/>\n\n\n\n<p>Al\u00ed, no cantinho da sala, um grupo de meninas cochicham baixo umas com as outras, visivelmente agitadas. Uma delas menstruou no auge dos seus dez anos. As informa\u00e7\u00f5es que permeiam a conversa com as amigas s\u00e3o bastante superficiais. N\u00e3o passam daquilo que a m\u00e3e, envergonhada, conseguiu explicar.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"531\" height=\"435\" src=\"http:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2022\/11\/Opinativo-Menarca-1.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-2905\" srcset=\"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2022\/11\/Opinativo-Menarca-1.jpg 531w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2022\/11\/Opinativo-Menarca-1-300x246.jpg 300w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2022\/11\/Opinativo-Menarca-1-400x328.jpg 400w\" sizes=\"auto, (max-width: 531px) 100vw, 531px\" \/><figcaption>Ilustra\u00e7\u00e3o: <a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/marinacozta\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Marina Cozta<\/a><\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p>Mesmo que em idades, lugares e contextos diferentes, essa mem\u00f3ria de uma primeira menstrua\u00e7\u00e3o nebulosa, repleta de incertezas, estigmas e tabus, \u00e9 comum entre muitas mulheres. De acordo com a <a href=\"https:\/\/capricho.abril.com.br\/beleza\/tabu-pesquisa-mostra-como-menstruacao-afeta-autoestima-de-jovens\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">pesquisa Menstruation Taboos<\/a>, realizada pela revista Capricho com o apoio da Abril Intelig\u00eancias, em 2018, 49% das mulheres n\u00e3o sabiam o que estava acontecendo, ou tinham pouca informa\u00e7\u00e3o a respeito, quando passaram pela menarca. \u00c9 esse in\u00edcio, desajeitado, vergonhoso, e repleto de informa\u00e7\u00f5es sobre como ela pode ser escondida e n\u00e3o sobre como ela de fato funciona, que nos ensina, ainda na inf\u00e2ncia, que a menstrua\u00e7\u00e3o se passa em sil\u00eancio.<\/p>\n\n\n\n<p>Definir em que momento a menstrua\u00e7\u00e3o passou a ser um grande tabu \u00e9 extremamente dif\u00edcil, afinal ela sempre intrigou a humanidade das mais diferentes formas. Para algumas sociedades antigas era visto como algo m\u00edstico e sagrado e o sangue menstrual era utilizado para magias de amor e cura. Foi com alguns fil\u00f3sofos, todos homens interessados em \u00f3rg\u00e3os reprodutores alheios, que o sangue menstrual passou a ser sin\u00f4nimo de impureza, vergonha e at\u00e9 de toxicidade.<\/p>\n\n\n\n<p>Ainda que exista, hoje, um forte movimento para que possamos voltar a encarar a menstrua\u00e7\u00e3o de forma divina, a vergonha ainda \u00e9 o que perdura e \u00e9 tamanha que muitas vezes agimos como se o sangramento menstrual nem existisse, ou, quando n\u00e3o podemos ignor\u00e1-lo, tentamos fazer com que as outras pessoas desconhe\u00e7am a sua exist\u00eancia. Os absorventes ficam escondidos nos bolsos das cal\u00e7as, espremidos na m\u00e3o fechada enquanto corremos para o banheiro, ou em bolsinhas discretas, nas quais ningu\u00e9m diria que est\u00e3o os tamp\u00f5es. Al\u00e9m disso, diferentes express\u00f5es s\u00e3o criadas para que n\u00e3o precisemos, sequer, citar a palavra menstrua\u00e7\u00e3o durante uma conversa casual. Essa timidez n\u00e3o \u00e9 infundada, afinal diversas piadinhas inconvenientes costumam vir \u00e0 tona quando uma cal\u00e7a manchada, ou um coment\u00e1rio bobo, revelam esse per\u00edodo do m\u00eas. Segundo <a href=\"https:\/\/www.unicef.org\/brazil\/comunicados-de-imprensa\/unicef-leva-absorventes-e-informacao-mais-de-55-mil-adolescentes-e-jovens-que-menstruam#:~:text=Em%20enquete%20realizada%20pelo%20UNICEF,73%25%20sentiram%20constrangimento%20nesses%20ambientes.\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">enquete realizada pela UNICEF e pela UNFPA, em 2021<\/a>, 73% das mulheres afirmam terem passado por situa\u00e7\u00f5es constrangedoras em lugares p\u00fablicos durante o per\u00edodo menstrual.<\/p>\n\n\n\n<p>Enquanto isso, h\u00e1 diversas meninas que, por falta de conhecimento, n\u00e3o sabem como cuidar do pr\u00f3prio corpo durante a menstrua\u00e7\u00e3o, passando horas sem trocar os absorventes, utilizando de forma errada e contribuindo para o surgimento de diversas infec\u00e7\u00f5es. Se engana quem acredita que quando a educa\u00e7\u00e3o necess\u00e1ria n\u00e3o acontece a partir da fam\u00edlia, acontecer\u00e1 no ambiente escolar. A verdade \u00e9 que, a pesquisa citada acima, revela que 71% das meninas afirmam nunca terem tido aulas, palestras ou rodas de conversa sobre cuidados na menstrua\u00e7\u00e3o na escola. As dificuldades s\u00e3o ainda maiores para aquelas que n\u00e3o possuem acesso nem aos produtos b\u00e1sicos para a realiza\u00e7\u00e3o de uma higiene menstrual. Atualmente, de acordo com o estudo <a href=\"https:\/\/www.unicef.org\/brazil\/relatorios\/pobreza-menstrual-no-brasil-desigualdade-e-violacoes-de-direitos\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">\u201cPobreza Menstrual no Brasil: desigualdade e viola\u00e7\u00f5es de direitos\u201d, de 2021, realizado pela UNFPA e UNICEF<\/a>, mais de 4 milh\u00f5es de mulheres n\u00e3o t\u00eam acesso a itens m\u00ednimos de cuidados menstruais. E quando faltam absorventes, tudo vale, lencinhos, uma folha de jornal, um miolo de p\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Os \u00fanicos realmente beneficiados pela manuten\u00e7\u00e3o desse tabu s\u00e3o as grandes empresas de higiene, que lucram com o com\u00e9rcio de produtos menstruais. Com propagandas \u201csensacionais\u201d, que prometem seguran\u00e7a e liberdade para que mulheres possam enfim usar roupas claras sem se preocuparem com as poss\u00edveis manchas. Na pr\u00e1tica de esportes, o com\u00e9rcio de absorventes procura manter essa avers\u00e3o \u00e0 menstrua\u00e7\u00e3o, vendendo um ideal quase inalcan\u00e7\u00e1vel do que seria o per\u00edodo menstrual perfeito. Tamb\u00e9m \u00e9 de grande costume dessas marcas refor\u00e7ar a rela\u00e7\u00e3o que constantemente \u00e9 feita entre a menstrua\u00e7\u00e3o e a sujeira, o mau cheiro e etc.<\/p>\n\n\n\n<p>Lutar para que esse tabu se transforme em algo natural \u00e9 permitir que meninas lidem de forma mais tranquila com a menstrua\u00e7\u00e3o, sem precisarem se limitar durante o per\u00edodo menstrual e serem agressivas com o pr\u00f3prio corpo, se submetendo ao desconforto. Com a educa\u00e7\u00e3o conseguiremos fazer com que as meninas entendam que n\u00e3o \u00e9 nojento e vergonhoso, nem m\u00edstico e espiritual. A menstrua\u00e7\u00e3o \u00e9 apenas um processo natural do ciclo reprodutivo feminino, que expulsa o endom\u00e9trio quando n\u00e3o h\u00e1 a fecunda\u00e7\u00e3o. \u00c9 s\u00e9rio que ainda fazemos um esc\u00e2ndalo por causa disso?<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"886\" height=\"269\" src=\"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2022\/11\/Opinativo-Menarca-2.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-2890\" srcset=\"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2022\/11\/Opinativo-Menarca-2.jpg 886w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2022\/11\/Opinativo-Menarca-2-300x91.jpg 300w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2022\/11\/Opinativo-Menarca-2-768x233.jpg 768w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2022\/11\/Opinativo-Menarca-2-400x121.jpg 400w\" sizes=\"auto, (max-width: 886px) 100vw, 886px\" \/><figcaption>Ilustra\u00e7\u00e3o: <a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/marinacozta\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Marina Cozta<\/a><\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-buttons is-content-justification-center is-layout-flex wp-block-buttons-is-layout-flex\">\n<div class=\"wp-block-button\"><a class=\"wp-block-button__link\" href=\"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/projetil-99\/\">Voltar para edi\u00e7\u00e3o 99<\/a><\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Maria Luiza Massulo Al\u00ed, no cantinho da sala, um grupo de meninas cochicham baixo umas com as outras, visivelmente agitadas. 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