{"id":2907,"date":"2022-11-28T09:40:04","date_gmt":"2022-11-28T13:40:04","guid":{"rendered":"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/?p=2907"},"modified":"2022-11-28T09:40:05","modified_gmt":"2022-11-28T13:40:05","slug":"carta-aberta-ao-meu-pequeno-eu","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/carta-aberta-ao-meu-pequeno-eu\/","title":{"rendered":"Carta aberta ao meu pequeno Eu"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"has-text-align-center\"><strong><span style=\"color:#e02828\" class=\"tadv-color\">Helder Carvalho<\/span><\/strong><\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator\"\/>\n\n\n\n<p>Dedinho, como est\u00e1 por a\u00ed? Aqui, acho que est\u00e1 tudo bem. Faz tanto tempo que n\u00e3o conversamos, acredito que nem me reconhe\u00e7a. Para te falar a verdade, \u00e0s vezes, nem eu me reconhe\u00e7o. Foram 20 anos ap\u00f3s nosso \u00faltimo anivers\u00e1rio de cinco aninhos. Faz uns dias que venho refletindo sobre como te devo uma explica\u00e7\u00e3o sobre essa loucura que virou nossa vida, como tudo virou uma montanha-russa sem destino. O maior spoiler que posso dar \u00e9 que nada saiu como planejado! E fica tranquilo, que foi a melhor coisa que aconteceu.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"828\" height=\"593\" src=\"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2022\/11\/scan-vinicius-2.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-2920\" srcset=\"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2022\/11\/scan-vinicius-2.jpg 828w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2022\/11\/scan-vinicius-2-300x215.jpg 300w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2022\/11\/scan-vinicius-2-768x550.jpg 768w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2022\/11\/scan-vinicius-2-400x286.jpg 400w\" sizes=\"auto, (max-width: 828px) 100vw, 828px\" \/><figcaption>Ilustra\u00e7\u00e3o: Vinicius Davis Ramos<\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p>Me recordo de quando t\u00ednhamos apenas seis anos e voc\u00ea contou pro nosso pai o quanto amava dan\u00e7ar, como aquilo te fazia sentir a pessoa mais incr\u00edvel do universo. Junto dessa coragem, me lembro tamb\u00e9m do frio na barriga, do medo, da vontade de me esconder dele. E o al\u00edvio, que veio logo em seguida, quando papai nos apoiou e nos incentivou a continuar. Ter o abra\u00e7o dele e v\u00ea-lo comemorar cada vez que a gente voltava da escola com um bilhete cheio de medidas e tecidos para novos figurinos de mais uma apresenta\u00e7\u00e3o que hav\u00edamos nos metido, era a melhor sensa\u00e7\u00e3o que um menino-bailarina de 6 anos, que amava dan\u00e7ar e se soltar, poderia ter.<\/p>\n\n\n\n<p>Voc\u00ea se lembra de quando come\u00e7amos a sonhar sobre nossa primeira profiss\u00e3o? Eu fico rindo disso. Crian\u00e7a fantasia tanto, n\u00f3s fantasiamos tudo. Veterin\u00e1rio, era isso que quer\u00edamos ser. Voc\u00ea falava o tempo todo que queria curar os animaizinhos como os humanos eram curados. A gente sonhou em ser m\u00e9dico, arquiteto, professor, dentista, dan\u00e7arino e astronauta. Os pensamentos nos extremos n\u00e3o nos impossibilitaram de sonhar. \u00c9 meu pequeno eu, n\u00e3o conclu\u00edmos esses sonhos iniciais.<\/p>\n\n\n\n<p>Queria que a gente n\u00e3o precisasse ter passado pelo que veio depois de uns anos. Nossos pais se separaram e nos culpamos por isso por um bom tempo, embora n\u00e3o tiv\u00e9ssemos culpa de nada. Fique orgulhoso Dedinho, ficamos do lado da nossa rainha todo o tempo que ela precisou para se recuperar do que nos assombrou. Foram \u00e1rduas dificuldades e supera\u00e7\u00f5es, o quanto nossa m\u00e3e precisou ser forte para criar tr\u00eas crian\u00e7as sozinha, nunca parou de lutar. Nosso pai se distanciou. Talvez, essa aus\u00eancia tenha sido um dos motivos para nossas piores \u00e9pocas. N\u00e3o, n\u00e3o foi f\u00e1cil, mas estou aqui para te contar que vencemos alguns obst\u00e1culos.<\/p>\n\n\n\n<p>Nos apaixonamos pela primeira vez com 13 anos e como foi estranho sentir algo assim por algu\u00e9m. Sim, era uma menina. Que luta interna maluca estar apaixonado e saber que, no fundo, aquilo n\u00e3o nos deixaria contentes conosco. Mas como voc\u00ea j\u00e1 deve imaginar, nos entregamos com tamanha intensidade que nem passou pela nossa cabe\u00e7a o tamanho do tombo que viria. Veio. Nossa primeira desilus\u00e3o amorosa n\u00e3o foi a \u00faltima. Quatro anos depois tivemos nossa primeira experi\u00eancia com algu\u00e9m do mesmo sexo. Foi assustador e, ao mesmo tempo, li-ber-ta-dor. Vivenciar aquilo nos fez come\u00e7ar a entender, em uma fa\u00edsca, quem \u00e9ramos\u2026<\/p>\n\n\n\n<p>O amor, n\u00e9? Ser\u00e1 que voc\u00ea com cinco anos imaginava que um dia iriamos amar algu\u00e9m al\u00e9m dos nossos pais? N\u00f3s fomos capazes, e amamos verdadeiramente. Mas al\u00e9m de aprender como o amor \u00e9 bom, entendemos que ele pode machucar no mesmo n\u00edvel. Amamos com todas as nossas for\u00e7as algu\u00e9m que nos destruiu. Aqui nesse plano, e nesse presente, ouvimos que essas coisas nos servem de aprendizado, por\u00e9m ainda me pergunto se gostaria mesmo de ter aprendido dessa maneira. Reitero que n\u00e3o, mas pesou na bagagem e faz parte da nossa vida.<\/p>\n\n\n\n<p>Voc\u00ea n\u00e3o sonhou na nossa inf\u00e2ncia e eu nunca pensei na nossa juventude em viver quatro anos de militarismo. Pois \u00e9, estivemos na Marinha, vivenciamos experi\u00eancias surreais, essenciais para nosso crescimento como pessoa. Disciplina e hierarquia foram importantes pra orientar nossa vida. Mas aquele lugar nunca nos representou. Tomei coragem para &#8220;desistir&#8221; de algo est\u00e1vel e ir atr\u00e1s de outra coisa que me fizesse bem. Um algo com o qual eu me identificasse, afinal, todos os cursos que j\u00e1 havia iniciado, nunca foram conclu\u00eddos. Ap\u00f3s um ano sab\u00e1tico, realizando tudo que nos foi tirado no militarismo, a liberdade de ser.<\/p>\n\n\n\n<p>Voc\u00ea deve estar se perguntando: como estamos agora? Estamos bem? O que conquistamos? E te respondo. Hoje, finalmente nos encontramos em uma \u00e1rea que esteve sempre presente em nossas vidas: a comunica\u00e7\u00e3o. Finalmente, posso te dizer que aquela profiss\u00e3o dos sonhos est\u00e1 chegando. A cada dia que passa me sinto mais \u00e0 vontade e capaz de me inserir nesse mundo imenso que \u00e9 o jornalismo. Acredito que encontrei minha \u00e1rea. O fotojornalismo tem me tirado sorrisos e suspiros que jamais imaginei sentir. Por isso n\u00e3o haveria outro lugar para estar no Proj\u00e9til, al\u00e9m da editoria de imagem.<\/p>\n\n\n\n<p>J\u00e1 n\u00e3o estamos mais t\u00e3o perto do colo da nossa m\u00e3e e a saudade faz morada todos os dias, mas o que nos motiva \u00e9 ver o quanto ela est\u00e1 orgulhosa e anseia por nosso futuro. Queria te dizer que estamos no processo. Se sentir bem \u00e9 algo moment\u00e2neo. Desde j\u00e1, queria te pedir perd\u00e3o por n\u00e3o realizar nossos sonhos de quando t\u00ednhamos apenas cinco anos e te dizer que estou tentando ser o mais aut\u00eantico poss\u00edvel com nossa crian\u00e7a interior. Espero que esteja orgulhoso da pessoa que nos tornamos.<\/p>\n\n\n\n<p>Tornamo-nos? Sim. Temos nos tornado exatamente o perfil que admiramos tanto. Aprendemos de maneira dolorosa ser independente, valorizar todo esfor\u00e7o que nossa m\u00e3e fez e estamos buscando, a cada dia, estabilidade. Nosso foco hoje \u00e9 justamente crescer profissionalmente e como pessoa. Sei que voc\u00ea, assim como eu, almeja uma velhice tendo acesso \u00e0 sa\u00fade b\u00e1sica, moradia, uma vida tranquila e confort\u00e1vel para n\u00f3s e nossos futuros filhos ou netos, se caso tivermos. Esperamos n\u00e3o deixar nossa crian\u00e7a interior morrer, \u00e9 ela que nos salvar\u00e1 das dores do mundo. At\u00e9 a pr\u00f3xima com mais detalhes sobre a nossa vida.<\/p>\n\n\n\n<p>Com amor, seu futuro presente.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-buttons is-content-justification-center is-layout-flex wp-block-buttons-is-layout-flex\">\n<div class=\"wp-block-button\"><a class=\"wp-block-button__link\" href=\"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/projetil-99\/\">voltar para edi\u00e7\u00e3o 99<\/a><\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Helder Carvalho Dedinho, como est\u00e1 por a\u00ed? Aqui, acho que est\u00e1 tudo bem. Faz tanto tempo que n\u00e3o conversamos, acredito que nem me reconhe\u00e7a. Para te falar a verdade, \u00e0s vezes, nem eu me reconhe\u00e7o. Foram 20 anos ap\u00f3s nosso \u00faltimo anivers\u00e1rio de cinco aninhos. 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