{"id":3278,"date":"2023-06-23T17:13:02","date_gmt":"2023-06-23T21:13:02","guid":{"rendered":"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/?p=3278"},"modified":"2023-06-29T16:24:57","modified_gmt":"2023-06-29T20:24:57","slug":"bilhete-de-memorias","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/bilhete-de-memorias\/","title":{"rendered":"Bilhete de mem\u00f3rias"},"content":{"rendered":"\n<h4 class=\"has-text-align-center wp-block-heading\">Da Rod\u00f4 Desiste, \u00e0 Onde a Cultura N\u00e3o Faz Morada, fazendo uma Viagem no Trem Abandonado e mergulhando nas antigas P\u00e9rolas de Ilus\u00e3o e terminando nos Frutos que Amadurecem, a edi\u00e7\u00e3o 100 prop\u00f5e uma viagem aos lugares de uma Campo Grande narrados nas p\u00e1ginas do Proj\u00e9til<\/h4>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center has-accent-color has-text-color\">Texto:<strong> <a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/www.instagram.com\/alecavalccanti\/\" target=\"_blank\">Alexandra Cavalcanti<\/a> | <a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/www.instagram.com\/kuraradepsu\/\" data-type=\"URL\" data-id=\"https:\/\/www.instagram.com\/kuraradepsu\/\" target=\"_blank\">Clara Borba<\/a> | <a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/www.instagram.com\/lannaemi\/\" target=\"_blank\">Lanna Emi<\/a> | <a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/www.instagram.com\/pedro_vyeyra\/\" data-type=\"URL\" data-id=\"https:\/\/www.instagram.com\/pedro_vyeyra\/\" target=\"_blank\">Pedro Vieira<\/a><\/strong><\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\"\/>\n\n\n\n<p><span style=\"color: #ffffff\">O caminho tra\u00e7ado nesta reportagem parte de 1990, passando por 2014, 2016, 2017, 2018, at\u00e9 chegar finalmente em 2023, na edi\u00e7\u00e3o 100. Hist\u00f3rias em diferentes espa\u00e7os f\u00edsicos, marcadas por esperan\u00e7as, frustra\u00e7\u00f5es, anseios e principalmente mem\u00f3rias, ficaram gravadas nas publica\u00e7\u00f5es do Proj\u00e9til.<\/span><\/p>\n\n\n\n<p>Ao folhear as p\u00e1ginas de edi\u00e7\u00f5es passadas, nos deparamos com uma Campo Grande diferente da que vivenciamos hoje. Espa\u00e7os culturais que antes eram importantes para a capital e hoje se encontram abandonados, lugares tur\u00edsticos que n\u00e3o acredit\u00e1vamos que um dia ficariam prontos e hoje s\u00e3o expoentes no pa\u00eds. A cidade morena mudou muito com o passar do anos.<\/p>\n\n\n\n<p>Repetimos o convite das rep\u00f3rteres da edi\u00e7\u00e3o 83 e convidamos o leitor a fazer uma viagem por lugares que marcam a hist\u00f3ria de Campo Grande. O bilhete \u00e9 a mem\u00f3ria. Escolha a sua poltrona, o passeio vai come\u00e7ar.<\/p>\n\n\n\n<p><strong><span style=\"color: #ffffff;\">Primeira parada &#8211; Rua Bar\u00e3o do Rio Branco, Amamba\u00ed<\/span><\/strong><\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"539\" src=\"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2023\/06\/primeira-parada-copiar-2-1024x539.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-3550\" srcset=\"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2023\/06\/primeira-parada-copiar-2-1024x539.jpg 1024w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2023\/06\/primeira-parada-copiar-2-300x158.jpg 300w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2023\/06\/primeira-parada-copiar-2-768x404.jpg 768w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2023\/06\/primeira-parada-copiar-2-1536x809.jpg 1536w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2023\/06\/primeira-parada-copiar-2-2048x1078.jpg 2048w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2023\/06\/primeira-parada-copiar-2-1200x632.jpg 1200w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2023\/06\/primeira-parada-copiar-2-1980x1043.jpg 1980w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2023\/06\/primeira-parada-copiar-2-1250x658.jpg 1250w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2023\/06\/primeira-parada-copiar-2-400x211.jpg 400w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Foto esquerda: K\u00edsie Aino\u00e3 &#8211; Campo Grande News | Foto direita: ARCA &#8211; Arquivo Hist\u00f3rico de Campo Grande<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p>A primeira parada n\u00e3o poderia ser em outro lugar que n\u00e3o a antiga rodovi\u00e1ria, ponto que durante 37 anos foi a porta de entrada \u00e0 cidade para milhares de pessoas. A Esta\u00e7\u00e3o Rodovi\u00e1ria Heitor Eduardo Laburu nos d\u00e1 as boas-vindas para iniciarmos nosso passeio.<\/p>\n\n\n\n<p>Colocar os p\u00e9s neste lugar, deveria ser como adentrar em um ba\u00fa de hist\u00f3rias, mas a verdadeira sensa\u00e7\u00e3o \u00e9 outra. O medo instaurado por um local que se tornou ponto de tr\u00e1fico de drogas e de prostitui\u00e7\u00e3o, nos cercou e o que deveria ser nossa primeira parada, acabou se tornando a \u00faltima. Nossa equipe atual buscou organiza\u00e7\u00f5es que pudessem acompanhar nossa visita \u00e0 antiga esta\u00e7\u00e3o rodovi\u00e1ria, a qual a resposta foi de que pararam de realizar as idas por causa do perigo que encontraram na regi\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Apesar da ang\u00fastia, prosseguimos nosso caminho. E logo na Avenida Ernesto Geisel, a ansiedade j\u00e1 nos consome. Subindo a rua Dom Aquino, nos deparamos com lojas abertas e trabalhadores na rua, n\u00e3o parece o filme de terror que est\u00e1vamos \u00e0 espera. Virando \u00e0 esquerda, na rua Joaquim Nabuco, a vis\u00e3o \u00e9 de um tapume amassado e pichado, continuando o contorno do local, na rua Bar\u00e3o do Rio Branco o medo retorna. Aqui as lojas est\u00e3o todas fechadas, e de longe podemos ver pessoas fazendo o uso de drogas. Apesar da grande movimenta\u00e7\u00e3o de carros, a percep\u00e7\u00e3o de abandono \u00e9 gritante. N\u00e3o conseguimos nos adentrar mais, a rua Vasconcelos Fernandes, que abrigava a entrada do terminal rodovi\u00e1rio, n\u00e3o nos \u00e9 nada convidativa. \u201c\u00c9 uma Cracol\u00e2ndia ali\u201d, afirma o engenheiro civil Elias Lino.<\/p>\n\n\n\n<h5 style=\"text-align: center;\"><span style=\"color: #e02828;\">Outrora, o local que ainda fantasiava receber turistas, vive hoje a desilus\u00e3o de uma reforma intermin\u00e1vel<\/span><\/h5>\n\n\n\n<p>O engenheiro nos explica que as coisas pioram de noite e as consequ\u00eancias v\u00e3o al\u00e9m do pr\u00e9dio. \u201cEles est\u00e3o invadindo a obra e fazendo o furto de material l\u00e1 dentro. N\u00f3s solicitamos a vigil\u00e2ncia, inclusive, tem alguns hot\u00e9is l\u00e1 pr\u00f3ximo que estavam reclamando\u201d. Devido \u00e0s diversas reclama\u00e7\u00f5es que fizeram a instala\u00e7\u00e3o dos tapumes.<\/p>\n\n\n\n<p>No entorno, a heran\u00e7a de um lugar que foi a chegada de milhares de turistas \u00e9 percebida na exist\u00eancia de pelo menos cinco hot\u00e9is ao redor, que v\u00eam sofrendo com os ataques das pessoas em situa\u00e7\u00e3o de rua. \u201cEles chegam \u00e0 noite, e pegam pau e pedra. Eles ficam jogando no tapume, a\u00ed aquela barulheira que eles fazem, espanta os clientes\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Em 2014, na edi\u00e7\u00e3o 83, as rep\u00f3rteres Fernanda Nogueira, Jacqueline Gon\u00e7alo e Nicolle Ignacio tiveram uma oportunidade diferente da nossa, as aspirantes a jornalistas puderam passar o dia no antigo cart\u00e3o de visitas da cidade de forma segura. A grande diferen\u00e7a j\u00e1 se deu na recep\u00e7\u00e3o do local que as recebeu por meio de uma placa \u201cBem vindo a Campo Grande &#8211; Welcome to Campo Grande\u201d. A sombra de um passado que aguardava passageiros do Brasil e a fora, j\u00e1 n\u00e3o recebia turistas h\u00e1 quatro anos, mas a esperan\u00e7a ainda pairava no centro comercial.<\/p>\n\n\n\n<p>Na expectativa de viajantes, o local armazenava uma variedade de cacarecos. Garrafas de cerveja, mochilas, camisetas, rel\u00f3gios, fones de ouvido, fotografias 3&#215;4, \u00f3culos, malas, roupas de banho, CDs e at\u00e9 mesmo uma variedade de discos de vinil, eram encontrados. \u201cA Rodovi\u00e1ria Antiga, certamente, \u00e9 o lugar para encontrar raridades&#8221;, afirmaram as autoras. Apesar da falta de novos visitantes, o ambiente n\u00e3o estava abandonado. Taxistas e homens no bar preenchiam o vazio deixado pelo esquecimento.<\/p>\n\n\n\n<p>Na edi\u00e7\u00e3o 100, a placa que nos recebe \u00e9 outra, \u201cObra: requalifica\u00e7\u00e3o da \u00e1rea p\u00fablica do Terminal Rodovi\u00e1rio Heitor Eduardo Laburu, no munic\u00edpio de Campo Grande\u201d. Outrora, o local que ainda fantasiava receber turistas, vive hoje a desilus\u00e3o de uma reforma intermin\u00e1vel. O ex-senador Nelsinho Trad foi o primeiro a realizar a promessa; em 2019, o pol\u00edtico foi respons\u00e1vel por viabilizar os recursos para as obras no pr\u00e9dio. Dois anos depois foi a vez do ex-prefeito Marquinhos Trad, que apresentou no anivers\u00e1rio da cidade o projeto de revitaliza\u00e7\u00e3o do local. No dia primeiro de julho de 2022, Adriane Lopes, a atual prefeita, assinou a ordem de servi\u00e7o para um novo in\u00edcio de obras.<\/p>\n\n\n\n<p>O pr\u00e9dio inaugurado em 16 de outubro de 1976 foi alvo de promessas vazias de reformas que nunca se concretizaram. A afirma\u00e7\u00e3o \u00e9 que dessa vez a obra estar\u00e1 pronta no feriado de 26 de agosto neste ano, mas, Elias Lino j\u00e1 nos adianta que n\u00e3o tem como a constru\u00e7\u00e3o ser finalizada a tempo. Enquanto continuamos no aguardo da obra ser conclu\u00edda, podemos passar para nossa segunda parada.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Segunda parada &#8211; Avenida Afonso Pena, Centro<\/strong><\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"618\" src=\"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2023\/06\/CASAERTE-1-1024x618.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-3545\" srcset=\"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2023\/06\/CASAERTE-1-1024x618.jpg 1024w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2023\/06\/CASAERTE-1-300x181.jpg 300w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2023\/06\/CASAERTE-1-768x464.jpg 768w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2023\/06\/CASAERTE-1-1536x927.jpg 1536w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2023\/06\/CASAERTE-1-2048x1236.jpg 2048w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2023\/06\/CASAERTE-1-1200x724.jpg 1200w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2023\/06\/CASAERTE-1-1980x1195.jpg 1980w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2023\/06\/CASAERTE-1-1250x755.jpg 1250w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2023\/06\/CASAERTE-1-400x241.jpg 400w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/figure>\n<\/div>\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large is-resized\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2023\/06\/morada-bais-copiar-1024x918.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-3555\" width=\"339\" height=\"303\" srcset=\"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2023\/06\/morada-bais-copiar-1024x918.jpg 1024w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2023\/06\/morada-bais-copiar-300x269.jpg 300w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2023\/06\/morada-bais-copiar-768x689.jpg 768w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2023\/06\/morada-bais-copiar-1536x1378.jpg 1536w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2023\/06\/morada-bais-copiar-2048x1837.jpg 2048w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2023\/06\/morada-bais-copiar-1200x1076.jpg 1200w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2023\/06\/morada-bais-copiar-1980x1776.jpg 1980w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2023\/06\/morada-bais-copiar-1250x1121.jpg 1250w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2023\/06\/morada-bais-copiar-400x359.jpg 400w\" sizes=\"auto, (max-width: 339px) 100vw, 339px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Foto PB: ARCA &#8211; Arquivo Hist\u00f3rico de Campo Grande | Fotos coloridas: Lanna Emi<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p>Entre tr\u00eas convers\u00f5es \u00e0 esquerda e uma \u00e0 direita, chegamos na nossa segunda parada. Refletido nas paredes amarelas desbotadas, as mem\u00f3rias do que a Moradas dos Ba\u00eds j\u00e1 foi, se perdem no tempo. Ap\u00f3s ser usada como resid\u00eancia, pens\u00e3o, passar por um inc\u00eandio e ser reformada novamente, a casa permanece \u00e0 deriva do passar dos anos. Atualmente, o primeiro sobrado em alvenaria da cidade se encontra abandonado. As escadas que um dia serviram para adentrar ao pr\u00e9dio, se tornaram um banco para os pedestres cansados que passam pela avenida.<\/p>\n\n\n\n<p>O ponto representava um peda\u00e7o importante do passado de Campo Grande e da fam\u00edlia Ba\u00eds, e recebia visitantes frequentemente. Por seis anos, entre 2015 e 2021, o Sesc cuidou da administra\u00e7\u00e3o, permitindo que o local fosse casa de diversas exposi\u00e7\u00f5es art\u00edsticas, incluindo artes da pr\u00f3pria Casa do Artes\u00e3o. \u201cEspa\u00e7os expositivos de artes visuais, sala de cinema, caf\u00e9s liter\u00e1rios, programa\u00e7\u00e3o infantil com oficinas, cine clubinho e conta\u00e7\u00e3o de hist\u00f3rias, festival de circo, shows musicais, pe\u00e7a de teatro, restaurante com comida t\u00edpica sul-mato-grossense. Estas s\u00e3o atividades oferecidas pelo lugar\u201d, cita Maria Paula Garcia na edi\u00e7\u00e3o 88, que na \u00e9poca p\u00f4de visitar o local.<\/p>\n\n\n\n<p>Hoje, as portas e janelas marrons com detalhes brancos est\u00e3o fechadas, para os visitantes e para a equipe do Proj\u00e9til atual, que observa de fora devido a interdi\u00e7\u00e3o por riscos estruturais. O olhar que podemos ter por tr\u00e1s dos port\u00f5es fechados, \u00e9 saudosista. Relembramos do espa\u00e7o que um dia visitamos para conhecer mais a hist\u00f3ria da cidade, onde pudemos acompanhar diversos shows. Na edi\u00e7\u00e3o 100, encontramos um lugar que afirmamos, \u00e9 onde a cultura n\u00e3o faz mais morada.<\/p>\n\n\n\n<h5 style=\"text-align: center;\"><span style=\"color: #e02828;\">Na edi\u00e7\u00e3o 100, encontramos um lugar que afirmamos, \u00e9 onde a cultura n\u00e3o faz mais morada<\/span><\/h5>\n\n\n\n<p>O monumento contrasta com as paredes vibrantes rec\u00e9m- pintadas e uma ilumina\u00e7\u00e3o amarelada, apenas a uma quadra de dist\u00e2ncia. Atravessando a Avenida Afonso Pena a p\u00e9, damos de cara com uma casa enorme em uma esquina pra l\u00e1 de movimentada. O reflexo de um fantasma do passado e o presente que se separam apenas por uma rua.<\/p>\n\n\n\n<p>A Casa do Artes\u00e3o nos recebe de bra\u00e7os abertos e portas de vidro que apresentam o que o local tem de melhor, o interior. O espa\u00e7o aconchegante, repleto de tijolinhos e madeira \u00e0 vista, contempla as obras de v\u00e1rios artes\u00e3os, que s\u00e3o os destaques do ponto tur\u00edstico. A artes\u00e3 Sotera Sanches da Silva nos explica como o ponto tur\u00edstico faz parte da hist\u00f3ria de sua fam\u00edlia. \u201cMinha sogra come\u00e7ou, e agora meu filho continua, o Mariano Neto\u201d. Ela conta que antes mesmo da abertura da Casa do Artes\u00e3o, sua sogra, Concei\u00e7\u00e3o Freitas da Silva, j\u00e1 produzia os famosos Bugrinhos e hoje, o neto da famosa artes\u00e3 paraguaia preenche as paredes do ponto tur\u00edstico. A hist\u00f3ria \u00e9 que os bugres surgiram de um sonho de Concei\u00e7\u00e3o, que acordou, pegou uma rama de mandioca e deu vida a seu primeiro bugrinho. A figura emblem\u00e1tica j\u00e1 viajou o Brasil representando o Mato Grosso do Sul, e passou at\u00e9 mesmo por museus como o MASP, Museu de Arte de S\u00e3o Paulo, e podemos encontr\u00e1-la aqui. Dona Sotera aproveitou para nos avisar. \u201cTem que comprar um totem para segurar o homem, hein\u201d?<\/p>\n\n\n\n<p>Na continua\u00e7\u00e3o da parede que observamos os bugrinhos, nos deparamos com uma parede de nichos at\u00e9 o teto que atrai o olhar e apresenta a jun\u00e7\u00e3o da modernidade da decora\u00e7\u00e3o com a tradi\u00e7\u00e3o ind\u00edgena do barro cozido e esculturas de madeira. Cestas tran\u00e7adas, animais de madeira, artes de papel, vasos decorados, bolsas de palha, todos se espalham pelo ambiente em arm\u00e1rios dispostos cuidadosamente para dar destaque aos artesanatos.<\/p>\n\n\n\n<p>O ponto tur\u00edstico fechou em 2021 para reforma e retornou este ano com tudo revitalizado. \u201cA casa est\u00e1 muito linda\u201d, afirma Eliane Torres, diretora da Casa do Artes\u00e3o. Desde um pouco antes da pandemia de covid-19 o local vinha passando por dificuldades ap\u00f3s a reforma, e hoje est\u00e1 recebendo tr\u00eas vezes mais turistas do que nos \u00faltimos cinco anos, segundo a diretora.<\/p>\n\n\n\n<p>No balc\u00e3o perto da porta, um caderno cheio de nomes e cidades. Nosso espanto \u00e9 grande ao perceber que a maioria das cidades encontradas ficam fora do estado. Visitantes de todas as partes do Brasil, vieram para levar um pedacinho de Mato Grosso do Sul, assinaram o caderno e carregaram consigo lembran\u00e7as na bagagem. Atualmente, a Casa do Artes\u00e3o recebe em m\u00e9dia 200 visitantes por dia. \u201c\u00c0s vezes at\u00e9 mais, \u00e0s vezes vem um \u00f4nibus de turista, \u00e0s vezes vem escolas participar, conhecer a casa\u201d, cita Eliane.<\/p>\n\n\n\n<p>Enquanto observamos as esculturas sul-mato-grossenses, vemos v\u00e1rios visitantes entrar e sair da casa. \u201cEu j\u00e1 tinha vindo aqui, mas agora retornei com o Yuri, para mostrar a nossa cultura\u201d, diz o visitante Fernando Campos Peixoto, mestrando em Educa\u00e7\u00e3o. O jovem conta como acha importante valorizar a cultura do povo do Mato Grosso do Sul, \u201cS\u00e3o artesanatos muito bonitos, n\u00e9? Muito valiosos e que eu acho que vale muito a pena\u201d. Yuri Carvalho, estudante de Filosofia, veio do Rio de Janeiro para fazer sua faculdade e est\u00e1 encantado com a cultura do estado. \u201cEstou achando bem interessante, \u00e9 bem bonito, n\u00e9? S\u00e3o obras realmente bem artesanais, reflete bastante a cultura sul-mato-grossense\u201d. Acompanhamos o passeio dos jovens e com nossa sacolinha de lembran\u00e7as na m\u00e3o, aproveitamos a deixa para prosseguir para nosso pr\u00f3ximo destino.<\/p>\n\n\n\n<h5><strong>Terceira parada &#8211; Avenida Cal\u00f3geras, Centro<\/strong><\/h5>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"822\" src=\"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2023\/06\/esplanada-nova-1-1-1024x822.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-3549\" srcset=\"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2023\/06\/esplanada-nova-1-1-1024x822.jpg 1024w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2023\/06\/esplanada-nova-1-1-300x241.jpg 300w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2023\/06\/esplanada-nova-1-1-768x616.jpg 768w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2023\/06\/esplanada-nova-1-1-1536x1233.jpg 1536w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2023\/06\/esplanada-nova-1-1-2048x1643.jpg 2048w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2023\/06\/esplanada-nova-1-1-1200x963.jpg 1200w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2023\/06\/esplanada-nova-1-1-1980x1589.jpg 1980w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2023\/06\/esplanada-nova-1-1-1250x1003.jpg 1250w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2023\/06\/esplanada-nova-1-1-400x321.jpg 400w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Fotos PB: ARCA &#8211; Arquivo Hist\u00f3rico de Campo Grande | Foto colorida: Lanna Emi<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p>Adentrando o centro da cidade, subindo a rua 14 de Julho, chegamos ao nosso pr\u00f3ximo destino, a Esplanada Ferrovi\u00e1ria. A rua est\u00e1 vazia o bastante para ter uma imagem s\u00f3bria do monumento tombado. Os ladrilhos junto \u00e0s paredes com a pintura desgastada, marcam o in\u00edcio da avenida, nos levando \u00e0 uma viagem no tempo.<\/p>\n\n\n\n<p>Nas folhas em preto e branco, da segunda edi\u00e7\u00e3o do Proj\u00e9til, encontramos o registro de uma verdadeira viagem ao Trem do Pantanal. A melodia, no caso, era cantada pelos vendedores ambulantes, \u201cGeladinha! Picol\u00e9! Chipa! Queijo! Coxinha! Peixe frito!\u201d. Em 1990, os rep\u00f3rteres do jornal acompanharam 400 passageiros no trajeto de Campo Grande a Corumb\u00e1.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cFazendeiros, pe\u00f5es, \u00edndios, negros, paraguaios, bolivianos, hippies, turistas, mulheres gr\u00e1vidas, velhos, crian\u00e7as chorando no colo das m\u00e3es, mo\u00e7as que n\u00e3o s\u00e3o t\u00e3o mo\u00e7as assim\u201d compunham os diferentes sotaques ouvidos pelos autores, Eldi In\u00eas Willms e L\u00fadio da Silva. A viagem para conhecer o Pantanal Sul-mato-grossense apresentava mais do que uma vista nas janelas. Desde turistas que buscavam uma experi\u00eancia inesquec\u00edvel, at\u00e9 viajantes ass\u00edduos, que realizavam viagens rotineiras, a verdadeira obra retratada pelos rep\u00f3rteres, era a miscigena\u00e7\u00e3o encontrada no trem. Durante a segunda edi\u00e7\u00e3o, os rep\u00f3rteres apresentaram a amea\u00e7a que a integra\u00e7\u00e3o cultural sofria, \u201cA insensibilidade do Governo Federal quer tirar dos trilhos\u201d. Apenas cinco anos ap\u00f3s a publica\u00e7\u00e3o do jornal, o trem de passageiros entre Campo Grande e Corumb\u00e1 foi desativado.<\/p>\n\n\n\n<p>Quase 30 anos depois do primeiro relato do trem no Proj\u00e9til, novos rep\u00f3rteres retornam ao local que semeou a cidade. Na edi\u00e7\u00e3o 88, os estudantes de jornalismo, Adrian Albuquerque, Daniel Catuver e Gabriela Coniutti, retratam o peso que a constru\u00e7\u00e3o da ferrovia teve na popula\u00e7\u00e3o campo-grandense. Os futuros jornalistas pontuam a import\u00e2ncia da constru\u00e7\u00e3o do trem para a miscigena\u00e7\u00e3o da cidade e apresentam a tristeza de um ex-chefe de esta\u00e7\u00e3o, com o fim da linha. \u201cA estrada de ferro Noroeste do Brasil (NOB) continua a atravessar a mem\u00f3ria daqueles que tiveram suas vidas marcadas pela ferrovia\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Em 2023, podemos observar bem a fachada. As cores que um dia foram amareladas, hoje passaram a ter uma matiz azul desbotada, quase branca. Os ladrilhos nos guiam para os port\u00f5es de entrada, lanternas de papel iluminam o vazio que os trilhos deixaram. O espa\u00e7o que um dia serviu para levar passageiros a uma viagem, hoje encontrou um novo destino.<\/p>\n\n\n\n<h5 style=\"text-align: center;\"><span style=\"color: #e02828;\">A estrada de ferro Noroeste do Brasil (NOB) continua a atravessar a mem\u00f3ria daqueles que tiveram suas vidas marcadas pela ferrovia<\/span><\/h5>\n\n\n\n<p>Caminhar pela antiga ferrovia \u00e9 sin\u00f4nimo de viver uma nova carga hist\u00f3rica. \u201cN\u00e3o s\u00f3 quem vem de fora, mas o pr\u00f3prio campo-grandense pode conhecer um pouco da nossa hist\u00f3ria atrav\u00e9s da ferrovia\u201d, afirma Ram\u00e3o Barros Leite, gestor da plataforma cultural. O trajeto na edi\u00e7\u00e3o 100, gira em torno de um palco que recebe exposi\u00e7\u00f5es de arte, brech\u00f3s, feiras livres, apresenta\u00e7\u00f5es de teatro, m\u00fasica e dan\u00e7a, interven\u00e7\u00f5es art\u00edsticas, ateli\u00ea, entre outras manifesta\u00e7\u00f5es culturais.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cEspa\u00e7os para apresenta\u00e7\u00f5es culturais s\u00e3o de fundamental import\u00e2ncia para qualquer cidade\u201d, afirma Espedito Di Montebranco, idealizador da Cerim\u00f4nia do Pr\u00eamio Campo Grande ao Teatro. A Esplanada Ferrovi\u00e1ria foi um dos locais selecionados para sediar a premia\u00e7\u00e3o no m\u00eas de abril, apresentando a pe\u00e7a \u201cAs Miragens do Asfalto\u201d. A escolha se deu justamente por ser uma obra que retrata a hist\u00f3ria do fim da esta\u00e7\u00e3o de passageiros dos trens da estrada de ferro Noroeste do Brasil. Al\u00e9m de ser fundamental para a apresenta\u00e7\u00e3o da encena\u00e7\u00e3o, o lugar se torna ainda mais relevante ao notar que a capital est\u00e1 com um d\u00e9ficit de recintos dedicados ao teatro. Os teatros Municipal Jos\u00e9 Oct\u00e1vio Guizzo, Aracy Balabanian, Prosa e o Centro de Conven\u00e7\u00f5es Rubens Gil de Camillo est\u00e3o fechados &#8211; alguns para reforma e outros de forma definitiva &#8211; por anos. \u201cPrecisamos de espa\u00e7os que funcionem. Onde tenha estrutura para receber desde os pequenos a grandes espet\u00e1culos\u201d, afirma Espedito. Representando a cultura sul-mato-grossense, os trof\u00e9us da premia\u00e7\u00e3o eram os Bugrinhos feitos por Mariano Antunes Cabral Silva.<\/p>\n\n\n\n<p>E n\u00e3o s\u00f3 para espet\u00e1culos teatrais que a plataforma \u00e9 relevante. Desde 2006, \u00e9 de trem que o carnaval chega em Campo Grande.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Trilhos do carnaval<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Falar de samba, amor, m\u00fasica e folia, \u00e9 falar de carnaval. Em Campo Grande, no cora\u00e7\u00e3o da cidade, uma das mais antigas agremia\u00e7\u00f5es carnavalescas do estado mant\u00e9m a chama da cultura popular acesa: o Cord\u00e3o Valu.<\/p>\n\n\n\n<p><span style=\"color: #ffffff\">O bloco carnavalesco surgiu como uma forma de resist\u00eancia cultural e segue at\u00e9 os dias atuais como um s\u00edmbolo da folia e uma das principais formas de animar as ruas da capital durante o carnaval. Por\u00e9m, muito al\u00e9m da festa, o cord\u00e3o tamb\u00e9m \u00e9 s\u00edmbolo de resist\u00eancia. Fundado em 1935, por Silvana Valu, junto ao seu marido Jefferson Contar, o cord\u00e3o nasceu da vontade de trazer os foli\u00f5es para fora dos clubes de elite e coloc\u00e1-los para sambar nas ruas p\u00fablicas, um lugar de todos. E, desde ent\u00e3o, ao longo dos anos, enfrenta uma s\u00e9rie de desafios para manter viva a tradi\u00e7\u00e3o dos antigos carnavais de rua.<\/span><\/p>\n\n\n\n<p>Conseguir o espa\u00e7o p\u00fablico e acess\u00edvel \u00e9 um dos grandes desafios. A Esplanada Ferrovi\u00e1ria, que \u00e9 palco de festa, \u00e9 alvo frequente de discuss\u00f5es anuais daqueles que desejam mudar o local do Carnaval em Campo Grande. Segundo Silvana, toda vez que o cen\u00e1rio cultural avan\u00e7a, uma delega\u00e7\u00e3o, movimentada por uma onda conservadora, resolve discutir o fim do carnaval no local. \u201cA gente mostra que o povo gosta, coloca 50 mil foli\u00f5es na rua e a onda conservadora vem novamente para discutir onde o carnaval deve ser feito, e se deve ser feito\u201d, comenta a idealizadora do bloco.<\/p>\n\n\n\n<p>Com um cen\u00e1rio cultural defasado, o poder de deselitizar o carnaval campo-grandense trouxe uma mudan\u00e7a na forma de se ver a festa, mas alguns desafios, comentados por Silvana na edi\u00e7\u00e3o 87 do proj\u00e9til em 2016, ainda persistem. Dentre eles, o principal \u00e9 o incentivo financeiro direcionado \u00e0 cultura na capital. \u201cConforme o bloco cresceu, o p\u00fablico aumentou, ent\u00e3o demanda muito mais [&#8230;] desde a estrutura at\u00e9 as negocia\u00e7\u00f5es com o poder p\u00fablico\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p><span style=\"color: #ffffff\">O Cord\u00e3o Valu possui cerca de 80 anos de exist\u00eancia, mas somente em 2023 recebeu apoio do Governo do Estado, que ajudou com a estrutura e com as caixas de som. Segundo Silvana, apesar do apoio, todos os anos s\u00e3o uma luta constante, que v\u00e3o de motivos financeiros at\u00e9 culturais. \u201cAinda falta muita coisa, a gente precisa de um olhar especial para a cultura, precisa discutir muito mais sobre a cultura na nossa cidade, precisa revisitar tudo isso\u201d.<\/span><\/p>\n\n\n\n<p><span style=\"color: #ffffff;\"><strong>Quarta parada &#8211; Avenida Afonso Pena, Ch\u00e1cara Cachoeira<\/strong><\/span><\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large is-resized\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2023\/06\/AQUARIO-copiar-1024x721.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-3552\" width=\"592\" height=\"416\" srcset=\"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2023\/06\/AQUARIO-copiar-1024x721.jpg 1024w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2023\/06\/AQUARIO-copiar-300x211.jpg 300w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2023\/06\/AQUARIO-copiar-768x541.jpg 768w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2023\/06\/AQUARIO-copiar-1536x1081.jpg 1536w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2023\/06\/AQUARIO-copiar-2048x1442.jpg 2048w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2023\/06\/AQUARIO-copiar-1200x845.jpg 1200w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2023\/06\/AQUARIO-copiar-1980x1394.jpg 1980w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2023\/06\/AQUARIO-copiar-1250x880.jpg 1250w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2023\/06\/AQUARIO-copiar-400x282.jpg 400w\" sizes=\"auto, (max-width: 592px) 100vw, 592px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Foto PB: aquariotransparente.ms.gov.br | Foto superior colorida: Eduardo Nunes | Foto inferior colorida: Clara Borba<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p>Mesmo em uma sexta-feira de manh\u00e3, o tr\u00e1fego at\u00e9 o Bioparque Pantanal j\u00e1 entregava a multid\u00e3o \u00e0 nossa espera. Subindo a avenida Mato Grosso e contornando o Parque das Na\u00e7\u00f5es, nos deparamos com um mar de carros que des\u00e1gua rua abaixo. O empreendimento recebe milhares de pessoas, sejam eles turistas ou moradores da cidade &#8211; todos os dias. No caminho, o maior aqu\u00e1rio de \u00e1gua doce do mundo j\u00e1 se mostra de longe. Lotado por todos os cantos, o <span style=\"color: #ffffff\">Bioparque<\/span> do Pantanal se imp\u00f5e e \u00e9 citado pela diretora do aqu\u00e1rio, Maria Fernanda Balestieri, como orgulho do Mato Grosso do Sul. Por\u00e9m, nem sempre foi assim. Na edi\u00e7\u00e3o 87 o registro foi outro. &#8220;O que seria motivo de orgulho ainda n\u00e3o se tornou realidade\u201d, dizem Ketlen Gomes e Vit\u00f3ria Teslenco.<\/p>\n\n\n\n<p>Em 2017 a equipe de rep\u00f3rteres encontrou uma cena muito diferente, apenas dois seguran\u00e7as em frente \u00e0 obra. A constru\u00e7\u00e3o estava paralisada h\u00e1 anos devido a uma briga na justi\u00e7a e mesmo com engenheiros afirmando que faltavam 5% para ser finalizada, o aqu\u00e1rio s\u00f3 foi inaugurado em mar\u00e7o de 2022. O Bioparque n\u00e3o tinha previs\u00e3o de inaugura\u00e7\u00e3o e mesmo assim j\u00e1 prometia ser uma obra grandiosa e inovadora. O nome da mat\u00e9ria j\u00e1 evidenciava o retrato escrito por elas, \u201cP\u00e9rola de Ilus\u00f5es\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Hoje, os resqu\u00edcios de uma obra que levou 11 anos para ser conclu\u00edda sumiram. Os dois seguran\u00e7as foram substitu\u00eddos por uma fachada lotada de adolescentes, crian\u00e7as correndo, um grupo de estudantes sorridentes e v\u00e1rias fam\u00edlias. Um casal de carteiros e sua filha nos contam como estavam ansiosos pelo passeio e que agendaram a visita ao Bioparque assim que souberam que passariam pela cidade. \u201cSomos de Rio Brilhante, e assim como as crian\u00e7as estamos encantados com os peixes e a beleza individual de cada um, n\u00e9? Foi um passeio muito legal\u201d, afirmou Eleudimar Silveira Gomes.<\/p>\n\n\n\n<p>A diretora do ponto tur\u00edstico, acredita que a empolga\u00e7\u00e3o que o casal de visitantes teve para conhecer o aqu\u00e1rio, \u00e9 resultado de um efeito de perman\u00eancia que o local tem causado nos turistas. \u201cEsse turista que antes poderia passar por Campo Grande para poder ir pra algum ponto tur\u00edstico como Bonito e Pantanal, hoje, ele fica pra poder conhecer o Bioparque\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Ao observar o nosso entorno, n\u00e3o s\u00e3o s\u00f3 os turistas que est\u00e3o animados com o passeio. Ao lado de entusiastas, prosseguimos o caminho e logo que chegamos no balc\u00e3o de agendamento, recebemos uma pulseira laranja, que nos d\u00e1 a permiss\u00e3o de iniciarmos a nossa \u00faltima excurs\u00e3o. A estrutura \u00e9 marcante j\u00e1 nos primeiros passos. O teto de vidro \u00e9 alto, em formato de domo, e as costelas formadas de metal d\u00e3o a impress\u00e3o de sermos min\u00fasculos, apenas um peixinho na vasta imensid\u00e3o. A grandiosidade do local impressiona e os vibrantes tons de azul, vermelho e amarelo do andar, chamam aten\u00e7\u00e3o como um recife de corais.<\/p>\n\n\n\n<p>Descendo para o pr\u00f3ximo andar de escada rolante, se encontram v\u00e1rios esp\u00e9cimes de sementes, animais empalhados, uma cole\u00e7\u00e3o de insetos e uma exposi\u00e7\u00e3o para deficientes visuais que conta com o toque para explorar tipos de fauna e flora diversos, todas as se\u00e7\u00f5es com um especialista designado para informar os visitantes. A parte inicial apresenta v\u00e1rias obras e animais regionais dispostos em um corredor com luzes e holofotes, que d\u00e3o destaque e introduzem a cultura regional com alguns elementos.<\/p>\n\n\n\n<p>Uma entrada leva a um vasto corredor iluminado apenas pelo reflexo dos enormes tanques de \u00e1gua. Eles cont\u00eam diversas esp\u00e9cies: peixes, arraias, axolotes, cobras, jacar\u00e9s e at\u00e9 duas tartarugas em um espa\u00e7o com abertura externa. V\u00e1rias crian\u00e7as se sentam em almofadas na frente dos aqu\u00e1rios, que s\u00e3o enfeitados com corais e plantas coloridas atraindo o olhar de quem passa. Os tanques tem\u00e1ticos de cada continente tamb\u00e9m d\u00e3o vida ao ambiente que tenta trazer a fauna de v\u00e1rias culturas \u00e0 vida. Mais a frente, a parte que mais impressiona os visitantes nos espera. Entramos em um corredor transparente, onde as paredes e o teto s\u00e3o feitos de vidro, permitindo uma vis\u00e3o panor\u00e2mica de um ambiente aqu\u00e1tico surpreendente. \u00c0 medida que passamos pelo t\u00fanel, a sensa\u00e7\u00e3o \u00e9 de estar submerso, imerso em um mundo submarino onde os peixes acompanham os movimentos dos visitantes, criando a ilus\u00e3o de todos nadarem juntos. Uma vis\u00e3o completamente destoante das mem\u00f3rias que se associavam com o Bioparque Pantanal.<\/p>\n\n\n\n<p>A compara\u00e7\u00e3o e a curiosidade permeiam as linhas do novo e do velho Proj\u00e9til. Quais promessas foram realizadas? Como o lugar rodeado de sonhos ilus\u00f3rios, tornou-se um dos principais pontos tur\u00edsticos da capital? As expectativas foram cumpridas? \u201cEu vejo que a gente foi at\u00e9 al\u00e9m\u201d, nos responde a diretora.<\/p>\n\n\n\n<p>As rep\u00f3rteres da edi\u00e7\u00e3o 87 escrevem sobre a previs\u00e3o de 24 tanques no ponto tur\u00edstico. Na edi\u00e7\u00e3o 100, podemos confirmar a presen\u00e7a de 269 tanques. O crescimento \u00e9 not\u00f3rio. Maria Fernanda afirma que o alcance tido em menos de um ano de visita\u00e7\u00e3o, foi al\u00e9m do esperado. As 40 mil esp\u00e9cies j\u00e1 foram observadas por turistas de 91 pa\u00edses, &#8220;Se for considerar a quantidade total de pa\u00edses reconhecidos pela ONU, que s\u00e3o 163, n\u00f3s j\u00e1 alcan\u00e7amos 47%\u201d, cita a diretora.<\/p>\n\n\n\n<p>Ainda na estrutura\u00e7\u00e3o dos planos para receber a popula\u00e7\u00e3o, era previsto receber apenas 300 pessoas por dia, mas antes mesmo que abrisse, as vagas aumentaram para 600, \u201cN\u00f3s come\u00e7amos com 600, ampliamos para 1000 pessoas por dia e hoje n\u00f3s estamos recebendo 2000 pessoas\u201d. Desde maio de 2023, as visitas passaram a acontecer de ter\u00e7a a s\u00e1bado de manh\u00e3 e \u00e0 tarde, para melhor atender a demanda. Aos domingos e segundas o complexo permanece fechado para opera\u00e7\u00f5es internas.<\/p>\n\n\n\n<p>J\u00e1 programando quando iremos voltar, nos despedimos do nosso city tour aqui, aguardando o dia que as pr\u00f3ximas edi\u00e7\u00f5es do Proj\u00e9til voltar\u00e3o a narrar o trajeto campo-grandense.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Frutos que amadurecem<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Dois anos de pandemia antecedem a cria\u00e7\u00e3o do que viria a ser a maior feira cultural de MS. Criada em agosto de 2022, a Feira do Bosque da Paz, no Carand\u00e1 Bosque, surgiu da vontade de reviver o espa\u00e7o p\u00fablico abandonado. A criadora, Karina Zamboni, viu em pra\u00e7as vazias a possibilidade de transforma\u00e7\u00e3o, \u201cA cultura, quando ela vem para a pra\u00e7a, se torna acess\u00edvel a qualquer pessoa.<\/p>\n\n\n\n<p>Qualquer um pode vir e passear na pra\u00e7a, \u00e9 diferente de quando voc\u00ea faz uma feira num lugar privado, que voc\u00ea se sente acuado \u201c. Realizada no terceiro domingo de cada m\u00eas, a Feira est\u00e1 apenas na 6\u00aa edi\u00e7\u00e3o, mas j\u00e1 abre caminhos para 586 expositores e cerca de 13 mil passantes.<\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m dela, outras feiras se consolidaram em Campo Grande, como a Feira Bol\u00edvia, da Pra\u00e7a do Peixe, da Lagoa Itatiaia e Bosque Cambur\u00e9. Por\u00e9m, apesar das feiras n\u00e3o serem uma novidade, a expans\u00e3o delas na capital aparece como algo diferente em raz\u00e3o do tamanho e da grande quantidade de p\u00fablico que passou a frequentar.<\/p>\n\n\n\n<p>Como na edi\u00e7\u00e3o 87 do Proj\u00e9til, em que a reportagem \u201cFrutos do abandono\u201d abordou feirantes que ainda lutavam para conquistar espa\u00e7os p\u00fablicos. Para Karina, as feiras s\u00f3 obtiveram reconhecimento depois da crise sanit\u00e1ria. \u201cAp\u00f3s a pandemia, muita gente perdeu o emprego e o poder p\u00fablico acabou sentindo a necessidade de colocar essas pessoas para trabalhar e ajudar todo mundo, da\u00ed a gente conseguiu o espa\u00e7o\u201d. Atualmente, nota-se um crescimento da oportunidade de promo\u00e7\u00e3o da cultura e valoriza\u00e7\u00e3o da produ\u00e7\u00e3o artesanal, mas fica uma d\u00favida: at\u00e9 que ponto a cultura \u00e9 acess\u00edvel quando a maioria dessas feiras se concentra em bairros nobres?<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-buttons is-layout-flex wp-block-buttons-is-layout-flex\">\n<div class=\"wp-block-button aligncenter\"><a class=\"wp-block-button__link has-background-color has-accent-background-color has-text-color has-background wp-element-button\" href=\"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/?page_id=3670\">VOLTAR PARA EDI\u00c7\u00c3O 100<\/a><\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Da Rod\u00f4 Desiste, \u00e0 Onde a Cultura N\u00e3o Faz Morada, fazendo uma Viagem no Trem Abandonado e mergulhando nas antigas P\u00e9rolas de Ilus\u00e3o e terminando nos Frutos que Amadurecem, a edi\u00e7\u00e3o 100 prop\u00f5e uma viagem aos lugares de uma Campo Grande narrados nas p\u00e1ginas do Proj\u00e9til Texto: Alexandra Cavalcanti | Clara Borba | Lanna Emi [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":35,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[31],"tags":[],"class_list":["post-3278","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-reportagem100"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3278","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-json\/wp\/v2\/users\/35"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=3278"}],"version-history":[{"count":22,"href":"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3278\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":3707,"href":"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3278\/revisions\/3707"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=3278"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=3278"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=3278"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}