{"id":3283,"date":"2023-06-27T17:17:23","date_gmt":"2023-06-27T21:17:23","guid":{"rendered":"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/?p=3283"},"modified":"2023-06-29T16:16:56","modified_gmt":"2023-06-29T20:16:56","slug":"um-jeito-maroto-de-contar-uma-historia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/um-jeito-maroto-de-contar-uma-historia\/","title":{"rendered":"Um jeito maroto de contar uma hist\u00f3ria"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"has-text-align-center has-accent-color has-text-color\">Texto: <strong>Veruska Donato<\/strong><\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\"\/>\n\n\n\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Comecei esse texto uma, duas, tr\u00eas vezes, na quarta tentativa eu disse a mim mesma: <\/span><\/p>\n\n\n\n<p><strong>&#8211; Basta! <\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Ainda pare\u00e7o a mesma estudante de 30 anos atr\u00e1s, insegura, nervosa, inexperiente\u2026 Nunca fui do texto impresso. Adoro um textinho enxuto. Pontuado. Amo as barras no final do ponto. N\u00e3o vivo sem um clich\u00ea: n\u00e9, pois \u00e9, ent\u00e3o, pr\u00e1, foi assim\u2026 Irresist\u00edvel! Tenho que me policiar se n\u00e3o acabo chamando as imagens:&nbsp; <\/span><\/p>\n\n\n\n<p><strong>&#8211; Mostra a\u00ed \u2026 <\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><span style=\"font-weight: 400\">A verdade \u00e9 que quando entrei na faculdade queria muito ser rep\u00f3rter do Estad\u00e3o, ou da Gazeta Mercantil, eram jornais de gente que lia muito, opinava muito. Eles tinham aquelas explica\u00e7\u00f5es imensas sobre economia, tratados internacionais, acordos entre pol\u00edticos, decis\u00e3o judicial, mas a TV me garfou. Fui pr\u00e1 um teste de v\u00eddeo em 1992, e n\u00e3o voltei. A quase rep\u00f3rter do jornal impresso ficou recalcada em mim, talvez venha da\u00ed a dificuldade em escrever. Fico pensando que serei julgada, testada, rotulada igual produto na prateleira.&nbsp;<\/span><\/p>\n\n\n\n<p><strong>&#8211; Essa n\u00e3o serve! <\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>&#8211; Ih! T\u00e1 vencida\u2026 <\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><span style=\"font-weight: 400\">S\u00f3 n\u00e3o vence mesmo essa minha timidez das letras que v\u00e3o ficar escritas pra todo mundo ver.&nbsp;<\/span><\/p>\n\n\n\n<p><strong>&#8211; Algu\u00e9m a\u00ed pode \u2018desver\u2019? <\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><span style=\"font-weight: 400\">O proj\u00e9til era o meu Estad\u00e3o, dava um frio na barriga quando o professor Eron Brum olhava pr\u00e1 gente e perguntava:&nbsp;<\/span><\/p>\n\n\n\n<p><strong>&#8211; Vai escrever sobre o qu\u00ea? <\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><span style=\"font-weight: 400\">E o medo de falar besteira? Parecia que todo mundo na minha turma sabia escrever, menos eu.&nbsp;<\/span><\/p>\n\n\n\n<p><span style=\"font-weight: 400\">A pauta sobre o grupo Acaba surgiu durante a discuss\u00e3o do Proj\u00e9til, foi o pr\u00f3prio Eron quem sugeriu escrever sobre o grupo que completava 20 anos em 1991. Abracei a ideia. F\u00e1cil n\u00e3o foi. O Proj\u00e9til era um jornal jovem, ningu\u00e9m tinha ouvido falar muito. Vou confessar tamb\u00e9m que nunca tive muito amor pela pauta. Sou rep\u00f3rter, nasci rep\u00f3rter, mas produzir, ligar, marcar entrevista, n\u00e3o \u00e9 das tarefas que eu gosto, mas na faculdade era assim, a gente fazia tudo. Consegui conversar com apenas um dos integrantes do grupo, o Moacir Lacerda, num intervalo de uma apresenta\u00e7\u00e3o no Sesc. Eu tremia. A voz mal saia da garganta, quem dir\u00e1 da boca\u2026 Me sentia inadequada.&nbsp;<\/span><\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-full\"><a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/fernan_darts\/\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"383\" height=\"551\" src=\"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2023\/06\/Fernanda-Flores-@fernan_darts-TEXTOveruska5.jpg\" alt=\"Imagem: Fernanda Fl\u00f4res\" class=\"wp-image-3302\" srcset=\"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2023\/06\/Fernanda-Flores-@fernan_darts-TEXTOveruska5.jpg 383w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2023\/06\/Fernanda-Flores-@fernan_darts-TEXTOveruska5-209x300.jpg 209w\" sizes=\"auto, (max-width: 383px) 100vw, 383px\" \/><\/a><figcaption class=\"wp-element-caption\">Imagem: <a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/fernan_darts\/\" data-type=\"URL\" data-id=\"https:\/\/www.instagram.com\/fernan_darts\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Fernanda Fl\u00f4res<\/a><\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p><strong>&#8211; Onde botar as m\u00e3os, o gravador? Anoto no papel ? <\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><span style=\"font-weight: 400\">N\u00e3o vou esconder que meu come\u00e7o como jornalista foi dif\u00edcil. N\u00e3o tinha vontade de falar ao mundo, o mundo era um lugar grande demais, tava de bom tamanho ser ouvida na minha rua. Para minha sorte, meu entrevistado era generoso, um dos melhores que j\u00e1 entrevistei. Ele entendeu meu nervosismo, me deixou \u00e0 vontade. Com ele aprendi a nunca esconder minhas emo\u00e7\u00f5es numa reportagem. Se n\u00e3o entendo do assunto que eu vou falar com o entrevistado, eu digo. Se acho que o entrevistado t\u00e1 me enrolando, eu digo tamb\u00e9m. Aprendi ali naquele primeiro dia do resto da minha vida de jornalista que emo\u00e7\u00f5es s\u00e3o importantes para qualquer jornalista.&nbsp;<\/span><\/p>\n\n\n\n<p><span style=\"font-weight: 400\">E \u00e9 com emo\u00e7\u00e3o que li minha primeira reportagem da vida, recentemente. Obrigada turma de agora do Jornalismo da UFMS.&nbsp;<\/span><\/p>\n\n\n\n<p><strong>&#8211; Foi um presente!<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><span style=\"font-weight: 400\">O grupo Acaba completou 50 anos de carreira. Eu cheguei aos 31 anos de jornalismo. N\u00e3o vou dizer aqui que h\u00e1 alguma semelhan\u00e7a entre n\u00f3s porque n\u00e3o h\u00e1 mesmo. S\u00e3o apenas palavras. Um jeito maroto de contar uma hist\u00f3ria.<\/span><\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"436\" height=\"573\" src=\"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2023\/06\/Fernanda-Flores-@fernan_darts-TEXTOveruska1.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-3304\" srcset=\"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2023\/06\/Fernanda-Flores-@fernan_darts-TEXTOveruska1.jpg 436w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2023\/06\/Fernanda-Flores-@fernan_darts-TEXTOveruska1-228x300.jpg 228w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2023\/06\/Fernanda-Flores-@fernan_darts-TEXTOveruska1-400x526.jpg 400w\" sizes=\"auto, (max-width: 436px) 100vw, 436px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Imagem: <a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/fernan_darts\/\" data-type=\"URL\" data-id=\"https:\/\/www.instagram.com\/fernan_darts\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Fernanda Fl\u00f4res<\/a><\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p><b>Veruska Donato \u00e9 jornalista formada na turma de 1994 do curso de Comunica\u00e7\u00e3o Social habilita\u00e7\u00e3o em Jornalismo da UFMS, e atualmente \u00e9 apresentadora da TV MS.<\/b><\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-buttons is-content-justification-center is-layout-flex wp-container-core-buttons-is-layout-16018d1d wp-block-buttons-is-layout-flex\">\n<div class=\"wp-block-button\"><a class=\"wp-block-button__link has-background-color has-accent-background-color has-text-color has-background wp-element-button\" href=\"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/?page_id=3670\">voltar para edi\u00e7\u00e3o 100<\/a><\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Texto: Veruska Donato Comecei esse texto uma, duas, tr\u00eas vezes, na quarta tentativa eu disse a mim mesma: &#8211; Basta! 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