{"id":3290,"date":"2023-06-07T23:39:16","date_gmt":"2023-06-08T03:39:16","guid":{"rendered":"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/?p=3290"},"modified":"2023-06-29T16:25:34","modified_gmt":"2023-06-29T20:25:34","slug":"projetil-tiro-certo-do-curso-de-jornalismo-da-ufms","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/projetil-tiro-certo-do-curso-de-jornalismo-da-ufms\/","title":{"rendered":"Proj\u00e9til, tiro certo do curso de Jornalismo da UFMS"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"has-text-align-center has-accent-color has-text-color\">Texto: <strong>Antonio Carlos Teixeira<\/strong><\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\"\/>\n\n\n<p>A primeira turma de jornalismo da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS), est\u00e1 na hist\u00f3ria do curso por diversos motivos, a come\u00e7ar pela import\u00e2ncia que teve ao desbravar o ensino universit\u00e1rio dessa carreira no estado. At\u00e9 1990, Mato Grosso do Sul n\u00e3o oferecia o curso e tudo o que se relacionava a ele era novidade. Com os professores, a turma moldou a grade curricular e exigiu padr\u00e3o m\u00ednimo de qualidade das aulas, o que ajudou na forma\u00e7\u00e3o do corpo docente. Embora a estrutura fosse prec\u00e1ria, t\u00ednhamos a impress\u00e3o de que estava come\u00e7ando bem.&nbsp;<\/p>\n\n\n<p><span style=\"font-weight: 400\">O lan\u00e7amento do jornal laborat\u00f3rio, o Proj\u00e9til, em setembro de 1990, foi um marco para a primeira turma. A publica\u00e7\u00e3o nos tirou, literalmente, da teoria e nos jogou na pr\u00e1tica. Viramos pauteiros, rep\u00f3rteres, editores e at\u00e9 fot\u00f3grafos. Perto de completar 33 anos, estamos c\u00e1 para comemorar a 100\u00aa edi\u00e7\u00e3o do Proj\u00e9til. Na \u00e9poca, eu n\u00e3o teria apostado um tost\u00e3o furado em tamanha longevidade do jornal.&nbsp;<\/span><\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"369\" height=\"796\" src=\"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2023\/06\/Lara-Liz-Perius-@piratinh-TEXTOantoniocarlos.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-3306\" srcset=\"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2023\/06\/Lara-Liz-Perius-@piratinh-TEXTOantoniocarlos.jpg 369w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2023\/06\/Lara-Liz-Perius-@piratinh-TEXTOantoniocarlos-139x300.jpg 139w\" sizes=\"auto, (max-width: 369px) 100vw, 369px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Imagem: Lara Liz Perius<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Por quatro anos, fomos abrindo picadas na mata virgem para que centenas de estudantes pudessem se preocupar mais com sua forma\u00e7\u00e3o do que com a estrutura\u00e7\u00e3o do curso. Talvez seja por isso que a turma inicial tenha sa\u00eddo com couro duro que nem ferro em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s outras. Os que vieram depois tiveram melhor aprendizado, justamente porque as exig\u00eancias dos desbravadores foram grandes desde o in\u00edcio.&nbsp;<\/span><\/p>\n\n\n\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Nas reda\u00e7\u00f5es, a coisa pega. \u00c9 \u2018onde o filho chora e a m\u00e3e n\u00e3o v\u00ea&#8217;. Quando os jornais impressos dominavam o mercado, por exemplo, cada rep\u00f3rter produzia ao menos tr\u00eas mat\u00e9rias e a apura\u00e7\u00e3o come\u00e7ava do zero. Nos tempos atuais, com not\u00edcias a granel e redes sociais pulsando, o n\u00famero de pautas cumpridas quase dobra.&nbsp;<\/span><\/p>\n\n\n\n<p><span style=\"font-weight: 400\">O material para o impresso era mais bem acabado em raz\u00e3o da periodicidade di\u00e1ria. O assunto tinha que estar bem redondinho para merecer espa\u00e7o. No m\u00e1ximo, deixava-se para amanh\u00e3 eventual su\u00edte, caso o assunto pedisse. Fora isso, fazia-se hoje, lia-se amanh\u00e3. Se perdesse algo, seria recuperado somente no dia seguinte e publicado dois dias depois. \u201cFuros\u201d e \u201cbarrigas\u201d eram comuns. <\/span><\/p>\n\n\n\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Diante dessas considera\u00e7\u00f5es, o Proj\u00e9til se tornou a principal realiza\u00e7\u00e3o do curso de Jornalismo. Foi criado \u00e0 imagem e semelhan\u00e7a do seu corpo de alunos da \u00e9poca. Publica\u00e7\u00e3o afiada, questionadora, incisiva. Bala letal, com dire\u00e7\u00e3o e sem excesso \u2013 e C\u00f3digo de \u00c9tica ao lado da m\u00e1quina de escrever. A maioria de n\u00f3s aprendeu jornalismo dividindo velhas m\u00e1quinas de escrever com outros colegas, cujas apura\u00e7\u00f5es eram feitas sob chuva ou sol, no calor de 34 graus da nossa Campo Grande. \u00d4nibus era o transporte mais utilizado.&nbsp;<\/span><\/p>\n\n\n\n<p><span style=\"font-weight: 400\">A primeira edi\u00e7\u00e3o, evidentemente, foi hist\u00f3rica como \u00e9 agora a de n\u00famero 100. No meu caso, dividi com a Gilmara Leite a produ\u00e7\u00e3o da reportagem sobre os fantasmas do Tribunal de Contas do Estado. Suamos para apurar o material &#8212; com d\u00favidas de iniciantes e ousadia de veteranos. Saber, por exemplo, at\u00e9 onde vai a import\u00e2ncia do material em apura\u00e7\u00e3o, sem se deixar levar pela \u00e2nsia de v\u00ea-lo publicado. Mais: reduzir o risco de se resvalar no sensacionalismo, ou exagerar na pitada de pimenta.&nbsp;<\/span><\/p>\n\n\n\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Dilemas do in\u00edcio ao fim, que se ampliavam para quem estava na condi\u00e7\u00e3o de aprendiz, embora tiv\u00e9ssemos o acompanhamento de professores experimentados, com v\u00e1rios anos de atua\u00e7\u00e3o na grande m\u00eddia. D\u00favidas que desaguavam na Reda\u00e7\u00e3o do Proj\u00e9til. Na conversa com nosso editor, sempre a frase marcante: retratar o fato com a maior fidelidade poss\u00edvel. O restante, acrescentava, \u00e9 acess\u00f3rio, ou secos e molhados. Frio na barriga sentido por todos os colegas de turma. E, por fim, a emo\u00e7\u00e3o de lamber sua primeira cria, sentimento t\u00e3o gostoso que voc\u00ea n\u00e3o quer mais que termine.&nbsp;<\/span><\/p>\n\n\n\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Que daqui a outros 30 anos algum aluno da turma que produz o Proj\u00e9til n\u00famero 100 tenha boas hist\u00f3rias para contar aos que vierem depois. E tudo se renova para que o moinho n\u00e3o pare de girar.<\/span><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Antonio Carlos Teixeira \u00e9 jornalista, graduado na primeira turma de Comunica\u00e7\u00e3o Social com habilita\u00e7\u00e3o em Jornalismo da UFMS. Atualmente, \u00e9 assessor de imprensa da Receita Federal em Mato Grosso do Sul.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-buttons is-content-justification-center is-layout-flex wp-container-core-buttons-is-layout-16018d1d wp-block-buttons-is-layout-flex\">\n<div class=\"wp-block-button\"><a class=\"wp-block-button__link has-background-color has-accent-background-color has-text-color has-background wp-element-button\" href=\"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/?page_id=3670\">voltar para edi\u00e7\u00e3o 100<\/a><\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Texto: Antonio Carlos Teixeira A primeira turma de jornalismo da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS), est\u00e1 na hist\u00f3ria do curso por diversos motivos, a come\u00e7ar pela import\u00e2ncia que teve ao desbravar o ensino universit\u00e1rio dessa carreira no estado. 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