{"id":3299,"date":"2023-06-27T15:59:25","date_gmt":"2023-06-27T19:59:25","guid":{"rendered":"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/?p=3299"},"modified":"2023-06-30T09:40:10","modified_gmt":"2023-06-30T13:40:10","slug":"a-segunda-vista","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/a-segunda-vista\/","title":{"rendered":"\u00c0 segunda vista"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"has-text-align-center has-accent-color has-text-color\">Texto: <strong>Giulia Mari\u00ea e Marcus Gon\u00e7alves<\/strong><\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\"\/>\n\n\n<p>\u201c\u00c0 primeira vista uma porcaria. Por ser uma produ\u00e7\u00e3o de um curso de jornalismo, \u00e9 uma vergonhazinha. Acho que o aspecto de seman\u00e1rio fechado em fundo de quintal condiz com a realidade local\u201d, provocou Iq Tisara &#8211;\u00a0 personagem criado pelo jornalista Eser C\u00e1ceres para extravasar cr\u00edticas \u00e0 imprensa sul-mato-grossense &#8211; , na capa da edi\u00e7\u00e3o 34 do Proj\u00e9til, em 2001.<\/p>\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"359\" height=\"700\" src=\"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2023\/06\/ombudsman.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-3727\" srcset=\"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2023\/06\/ombudsman.jpg 359w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2023\/06\/ombudsman-154x300.jpg 154w\" sizes=\"auto, (max-width: 359px) 100vw, 359px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Ilustra\u00e7\u00e3o: Giulia Fonseca<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p><span style=\"font-weight: 300;\">Nesta edi\u00e7\u00e3o 100, que revisita algumas mat\u00e9rias hist\u00f3ricas, a desaprova\u00e7\u00e3o de 22 anos atr\u00e1s suscitou o desejo de retornar \u00e0 an\u00e1lise cr\u00edtica da produ\u00e7\u00e3o do jornal. Retomamos o Ombudsman, coluna que j\u00e1 apareceu no Jornal Laborat\u00f3rio, e partindo de uma provoca\u00e7\u00e3o<\/span><i><span style=\"font-weight: 300;\"> \u00e0 la Iq Tisara<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 300;\">, propomos, enquanto meros estudantes que produzem um jornal de \u201cfundo de quintal\u201d, redigir uma segunda vista, com considera\u00e7\u00f5es mais construtivas que as feitas pelo personagem de Eser.<\/span><\/p>\n\n\n\n<p><span style=\"font-weight: 300\">A primeira porta que abrimos \u00e9 a da combatividade. Nas primeiras edi\u00e7\u00f5es do jornal, ela era evidente nas marcas de opini\u00e3o das reportagens e trazia \u00e0 tona cr\u00edticas sobre os assuntos abordados. A capa da primeira edi\u00e7\u00e3o, por exemplo, estampou um esc\u00e2ndalo pol\u00edtico, \u201cO jogo de cena na terra dos compadres\u201d. As edi\u00e7\u00f5es mais atuais n\u00e3o perderam o posicionamento contestador, mas est\u00e3o menos expl\u00edcitas, mais ancoradas nas pautas pouco exploradas pela m\u00eddia local. Parte disso se deve a falsa ideia de propagar conte\u00fados jornal\u00edsticos com imparcialidade autoral.&nbsp;&nbsp;&nbsp;<\/span><\/p>\n\n\n\n<p><span style=\"font-weight: 300\">A porta que abre para a discuss\u00e3o da representa\u00e7\u00e3o feminina \u00e9 outra mudan\u00e7a percebida. No livro \u201cJornal laborat\u00f3rio Proj\u00e9til: Hist\u00f3ria e Discurso\u201d, Isadora Leiria analisa as edi\u00e7\u00f5es de 1990 a 2015 e pontua que \u201cmuitas das mat\u00e9rias que falavam sobre mulheres\u2026eram, em sua maioria, sobre prostitui\u00e7\u00e3o e maternidade\u201d, utilizando termos do \u201cuniverso feminino\u201d<\/span><span style=\"font-weight: 300\">. <\/span><span style=\"font-weight: 300\">A observa\u00e7\u00e3o das edi\u00e7\u00f5es mais recentes indica que essa representa\u00e7\u00e3o machista e distorcida da figura feminina est\u00e1 em vias de supera\u00e7\u00e3o. As mulheres aparecem em mais espa\u00e7os e a maternidade, ainda que presente, explora debates <\/span><span style=\"font-weight: 300\">socialmente<\/span><span style=\"font-weight: 300\"> pertinentes, como na edi\u00e7\u00e3o 84, toda elaborada com perspectiva de g\u00eanero.<\/span><\/p>\n\n\n\n<p><span style=\"font-weight: 300\">Contudo, por mais que exista uma preocupa\u00e7\u00e3o em representar as mulheres em diferentes &#8211; e mais amplos &#8211; contextos, acontecem erros graves na apresenta\u00e7\u00e3o da identidade de fontes &#8211; algo incab\u00edvel para um jornal que se intitula progressista. Na edi\u00e7\u00e3o 99, Nala Delgado Arruda, conhecida como Afropaty, foi fonte de duas reportagens e uma delas usou seu nome morto &#8211; por mais que o pr\u00f3prio termo j\u00e1 deixe claro o impacto negativo deste uso. <\/span><span style=\"font-weight: 300\">Nala traz \u00e0 tona, ainda, outra porta que precisa ser aberta pelo Proj\u00e9til, o fontismo. Ela, que tamb\u00e9m \u00e9 aluna da UFMS, foi entrevistada duas vezes na mesma edi\u00e7\u00e3o. Este \u00e9 um fen\u00f4meno recorrente na vida do estudante de jornalismo, que, por vezes, percorre o caminho mais simples e apela para a rede de contatos pr\u00f3xima, deixando de abordar fontes que poderiam agregar mais \u00e0s reportagens.&nbsp;<\/span><\/p>\n\n\n\n<p><span style=\"font-weight: 300\">Outra janela entreaberta \u00e9 a parceria com o grupo \u201cPensar o Desenho\u201d, do curso de Artes Visuais da UFMS. A colabora\u00e7\u00e3o possibilita a troca entre acad\u00eamicas\/os e a produ\u00e7\u00e3o de ilustra\u00e7\u00f5es por profissionais em forma\u00e7\u00e3o; em contrapartida, no que diz respeito \u00e0 produ\u00e7\u00e3o da capa, usando a fala do professor Silvio Pereira na <strong><span style=\"color: #ff0000\">coletiva do Proj\u00e9til<\/span><\/strong>,<\/span><span style=\"font-weight: 300\">&nbsp;pode servir tamb\u00e9m como uma \u201cmuleta\u201d. Ao terceirizar o primeiro ponto de contato do p\u00fablico com o jornal, nos livramos do desafio de \u201cfisgar\u201d o\/a leitor\/a. Instigar algu\u00e9m a ler um jornal em tempos de acesso f\u00e1cil &#8211; e raso &#8211; \u00e0 informa\u00e7\u00e3o \u00e9 desafiador e, talvez, seja por isso que evitamos encar\u00e1-lo.&nbsp;<\/span><\/p>\n\n\n\n<p><span style=\"font-weight: 300\">A \u00faltima porta, que as edi\u00e7\u00f5es t\u00eam mantido aberta, \u00e9 a da liberdade editorial. O jornal investe nas marcas de opini\u00e3o e insiste em temas socialmente relevantes, muitas vezes deixados de lado pelos grandes ve\u00edculos, seja pela falta de tempo ou por suas cargas pol\u00eamicas. Ainda assim, h\u00e1 uma certa repeti\u00e7\u00e3o tem\u00e1tica e a prefer\u00eancia por t\u00f3picos de cultura e comportamento, que deixam outros assuntos, como economia e pol\u00edtica,&nbsp; em segundo plano.<\/span><\/p>\n\n\n\n<p><span style=\"font-weight: 300;\">O jornal \u00e9 laborat\u00f3rio e \u201cquem n\u00e3o publicou no jornal Proj\u00e9til, n\u00e3o passou pelo curso de Jornalismo da UFMS\u201d, sentenciou o professor Jos\u00e9 Marcio Licerre<\/span><span style=\"font-weight: 300;\">. Para viver essa experi\u00eancia \u00e9 necess\u00e1rio estarmos abertos a lidar com o que est\u00e1 intr\u00ednseco ao processo de aprendizado laboratorial: as tentativas, os erros e os acertos. E tamb\u00e9m, a cr\u00edtica.<\/span><\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-buttons is-content-justification-center is-layout-flex wp-container-core-buttons-is-layout-16018d1d wp-block-buttons-is-layout-flex\">\n<div class=\"wp-block-button\"><a class=\"wp-block-button__link has-background-color has-accent-background-color has-text-color has-background wp-element-button\" href=\"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/?page_id=3670\">voltar para edi\u00e7\u00e3o 100<\/a><\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Texto: Giulia Mari\u00ea e Marcus Gon\u00e7alves \u201c\u00c0 primeira vista uma porcaria. Por ser uma produ\u00e7\u00e3o de um curso de jornalismo, \u00e9 uma vergonhazinha. Acho que o aspecto de seman\u00e1rio fechado em fundo de quintal condiz com a realidade local\u201d, provocou Iq Tisara &#8211;\u00a0 personagem criado pelo jornalista Eser C\u00e1ceres para extravasar cr\u00edticas \u00e0 imprensa sul-mato-grossense [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":35,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[30],"tags":[],"class_list":["post-3299","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-opiniao100"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3299","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-json\/wp\/v2\/users\/35"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=3299"}],"version-history":[{"count":7,"href":"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3299\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":3729,"href":"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3299\/revisions\/3729"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=3299"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=3299"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=3299"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}