{"id":3333,"date":"2023-06-27T16:13:26","date_gmt":"2023-06-27T20:13:26","guid":{"rendered":"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/?p=3333"},"modified":"2023-06-30T10:24:28","modified_gmt":"2023-06-30T14:24:28","slug":"o-jogo-dos-compadres-a-frente-do-projetil","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/o-jogo-dos-compadres-a-frente-do-projetil\/","title":{"rendered":"O jogo dos compadres \u00e0 frente do Proj\u00e9til"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"has-text-align-center has-accent-color has-text-color\">Texto:<strong> <a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/www.instagram.com\/mauaguiarr\/\" data-type=\"URL\" data-id=\"https:\/\/www.instagram.com\/mauaguiarr\/\" target=\"_blank\">Maur\u00edcio Aguiar<\/a> | <a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/www.instagram.com\/rafaellamrx\/\" data-type=\"URL\" data-id=\"https:\/\/www.instagram.com\/rafaellamrx\/\" target=\"_blank\">Rafaella Moura<\/a><\/strong> <br>Ilustra\u00e7\u00e3o:<strong> Marina Duart<\/strong>e<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\"\/>\n\n\n<p>\u201cUm cara que n\u00e3o tem medo, que tem coragem, que enfrenta e que chuta a canela dos poderosos\u201d, descreve um dos compadres quando se refere ao trabalho complexo do not\u00f3rio rep\u00f3rter e egresso da primeira turma do at\u00e9 ent\u00e3o curso de Comunica\u00e7\u00e3o Social &#8211; Habilita\u00e7\u00e3o em Jornalismo da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS), Rubens Valente. Mal sabe ele que fez refer\u00eancia a si pr\u00f3prio e aos seus compadres, os quais mantiveram com dilig\u00eancia e empenho o trilhar de uma longa e renomada produ\u00e7\u00e3o do Jornal Laborat\u00f3rio ao longo dos anos. Na etimologia, a palavra \u201ccompadre\u201d est\u00e1 diretamente ligada a \u201cquem coopera com o pai\u201d. Nesse caso, um pai que n\u00e3o \u00e9 nem pai, mas \u00e9 a forma de um substantivo masculino que dita as regras do jogo. O Compadre complementa que Rubens Valente \u00e9 \u201co grande exemplo do sujeito que enfrenta, porque o jornalismo precisa disso\u201d. Manda quem pode, obedece quem tem ju\u00edzo. Se hoje Rubens \u00e9 o fruto do filho que enfrenta, \u00e9 porque o pai-que-n\u00e3o-\u00e9-pai-mas-que-\u00e9-substantivo-masculino precisa. O pai \u00e9 o Jornalismo. O filho \u00e9 o Proj\u00e9til. E os Compadres\u2026 como posso melhor apresent\u00e1-los a voc\u00eas?<\/p>\n<p><strong>Pe\u00e7as do tabuleiro<\/strong><\/p>\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"748\" height=\"275\" src=\"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2023\/06\/PROFS3.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-3366\" srcset=\"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2023\/06\/PROFS3.png 748w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2023\/06\/PROFS3-300x110.png 300w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2023\/06\/PROFS3-400x147.png 400w\" sizes=\"auto, (max-width: 748px) 100vw, 748px\" \/><\/figure>\n\n\n<p>Na linguagem semi\u00f3tica, beira a semelhan\u00e7a entre o pantaneiro \u201cvelho do rio\u201d e o mais caricato dos viajantes do tempo \u2018hollywoodianos\u2019. H\u00e1 quem diga que Edson Silva \u00e9 uma lenda. Outros afirmam que ele \u00e9 um fato. Fato ou hip\u00f3tese, o primeiro dos Compadres \u00e9 incontestavelmente lembrado pela palavra \u201cimers\u00e3o\u201d. Desde suas exig\u00eancias aos processos imersivos na constru\u00e7\u00e3o de reportagens para o Proj\u00e9til \u00e0s imers\u00f5es em sua fortaleza, dividindo uma boa comida e m\u00fasica ao lado de seus alunos e alunas. Ao seu ver, os estudantes &#8220;t\u00eam que ser perturbados\u201d. O Compadre \u00e9 calmo e fala baixo, mas no ensino, faz arder a inquieta\u00e7\u00e3o de enxergar os procedimentos jornal\u00edsticos do Proj\u00e9til como se eles estivessem vivendo uma distopia. \u201cO aluno tem que sonhar com a pauta, ele tem que ver a pauta como um fantasma que a noite o chama para responder determinadas coisas\u201d, completa Edson. Destoando dos cen\u00e1rios fict\u00edcios de fantasmas e viagens no tempo, o professor aposentado se comprometeu com a realidade ao atuar na linha de frente do Proj\u00e9til, por 24 edi\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>O segundo Compadre \u00e9 um novo-velho conhecido. Para as novas turmas, \u00e9 uma refer\u00eancia em forma de um gabarito do Proj\u00e9til desenhado \u00e0 m\u00e3o. Para as turmas mais antigas, \u00e9 as m\u00e3os que fizeram o desenho de p\u00e1ginas do jornal virarem refer\u00eancia. Quem desenha n\u00e3o tem pressa. Sabe errar e tentar de novo. Ainda que com leveza, tem a \u00e2nsia de fazer com que o Jornalismo seja feito e entregue nos prazos. Mesmo que seja em uma mesa de bar. \u201cO trabalho faz parte da vida, a gente n\u00e3o precisa se estressar\u201d \u00e9 a lembran\u00e7a acesa de sua trajet\u00f3ria \u00e0 frente do Proj\u00e9til. Jos\u00e9 M\u00e1rcio Licerre sabia os tantos meios, mas ensinou seus alunos, alunas e compadres a se libertarem do metodismo para executar uma produ\u00e7\u00e3o. \u201cN\u00e3o d\u00e1 pra gente andar de Ferrari, mas de fusquinha a gente chega l\u00e1\u201d, apontou ao ser indagado sobre os processos de planejamento gr\u00e1fico do jornal laborat\u00f3rio. O sarro e a brincadeira, aliados ao profissionalismo e \u00e0 dedica\u00e7\u00e3o \u00e1rdua, levaram Licerre a participar de 66 edi\u00e7\u00f5es do jornal.<\/p>\n<p>Existe um paradoxo entre os jornalistas. Devem falar muito ou pouco? Observar ou fazer perguntas? A \u00fanica certeza \u00e9 que, para ser jornalista, tem que ser bom narrador. O terceiro Compadre \u00e9 o que a gente escuta por a\u00ed sobre um \u201ccontador de hist\u00f3rias\u201d. Alguns dos tantos quase-jornalistas que j\u00e1 lotaram as salas de aula de Mario Luiz Fernandes devem se recordar da sua experi\u00eancia no Rock in Rio de 1991 e como o Compadre aproveitou os shows s\u00f3 com o dinheiro da passagem no bolso. O Bo\u00eamio at\u00e9 se aventura em versar letras de m\u00fasica. \u00c9 o narrador-compositor das melhores hist\u00f3rias de Balzac. &#8220;\u00c0s vezes voc\u00ea enfrenta muito discurso contr\u00e1rio dentro de uma iniciativa que \u00e9 muito positiva\u201d, relata o Compadre ao fazer refer\u00eancia \u00e0s reivindica\u00e7\u00f5es e mudan\u00e7as que o curso e o jornal sofreram ao longo dos anos de atividade. Mario Luiz assumiu o Proj\u00e9til na edi\u00e7\u00e3o 62 e se manteve at\u00e9 2014, na edi\u00e7\u00e3o 82.<\/p>\n<p><em>Je ne sais pas parler fran\u00e7ais<\/em>, mas ele deve at\u00e9 tentar. Mesmo com toda a bagagem de um jornalista p\u00f3s-doutor, o quarto compadre vive um sonho adolescente no disfarce comum do universit\u00e1rio: camiseta, cal\u00e7a jeans e adidas superstar nos p\u00e9s. Com seu esp\u00edrito regado \u00e0 juventude, Marcos Paulo da Silva chegou para assumir o Proj\u00e9til confundindo os antigos credos e propondo mudan\u00e7as para se adequar \u00e0 modernidade. \u201cSe a gente n\u00e3o come\u00e7asse a trabalhar com as novas gera\u00e7\u00f5es e elas n\u00e3o passassem a entender o jornalismo como uma media\u00e7\u00e3o importante da sociedade, a gente \u2018taria ferrado\u2019\u201d, explica o Compadre ao utilizar g\u00edrias e tantos outros termos que contrariam a norma culta da l\u00edngua. L\u00edngua essa que se mistura entre os jarg\u00f5es e idiomas, fazendo com que o \u201cEmep\u00ea\u201d buscasse a refer\u00eancia para a reformula\u00e7\u00e3o do Proj\u00e9til entre o sotaque bonito e a forma cr\u00edtica-moderna do peri\u00f3dico <em>Le Monde Diplomatique<\/em>. Entre aulas e caf\u00e9s com estudantes nas cantinas da Universidade, Marcos Paulo participou ativamente de tr\u00eas edi\u00e7\u00f5es do jornal. Bem aquelas que desencadearam a nova proposta gr\u00e1fica e editorial do Proj\u00e9til.<\/p>\n<p>A pressa \u00e9 t\u00edpica do jornalista. Mas na universidade tamb\u00e9m aprendemos a ter pressa. Seja para cruzar o campus em busca da sala ou para finalizar uma pauta. Ao passar pelo Corredor Central, observamos a urg\u00eancia de alguns. Se est\u00e1 sempre correndo, trajando uma polo e nunca olhando para o lado, podemos estar falando da mesma pessoa. Se voc\u00ea chutou \u201c\u00e9 jornalista!\u201d, acertou. \u00c9 professor, tamb\u00e9m. Silvio da Costa Pereira, o \u00faltimo compadre, tem a pressa e a coragem de enfrentar quem acredita na perfei\u00e7\u00e3o. Com seu olhar imag\u00e9tico, enxerga o mundo atrav\u00e9s de lentes. Como uma c\u00e2mera, Silvo \u00e9 um anal\u00f3gico vivendo em tempos digitais. \u201cPara manter o Proj\u00e9til, a gente considera que \u00e9 muito importante ter papel ainda, transformar ele simplesmente no online acho que n\u00e3o cabe\u201d, refor\u00e7a ao optar pela lentid\u00e3o dos processos produtivos de um jornal impresso. Silvio assumiu a dire\u00e7\u00e3o do Proj\u00e9til em tempos pr\u00e9-pand\u00eamicos, em 2019, e continuou no per\u00edodo de total distanciamento social, nas edi\u00e7\u00f5es 94 a 97.<\/p>\n<p><strong>O jogo<\/strong><\/p>\n<p>Seria ir\u00f4nico se o \u00fanico dia da semana que chovesse fosse justamente o dia da coletiva que reuniria cinco dos professores orientadores de edi\u00e7\u00f5es passadas do Proj\u00e9til. Bem, na sexta-feira, 14 de abril, choveu. Dentro do Anfiteatro Mar\u00e7al de Souza, o tempo passou diferente. Eram mais de 30 anos de Proj\u00e9til para serem contados em pouco mais de duas horas. O professor Edson j\u00e1 se desculpou com anteced\u00eancia. \u201cUma das marcas que eu acabei deixando aqui no curso \u00e9 que eu falo demais, t\u00e1? O que \u00e9 ruim para um rep\u00f3rter que sou. O rep\u00f3rter deve falar pouco e ouvir muito\u201d, brincou.<\/p>\n<p>Comecemos do come\u00e7o. A primeira edi\u00e7\u00e3o foi lan\u00e7ada menos de um ano depois do in\u00edcio do curso de Jornalismo da UFMS. Edson destaca a primeira reportagem de capa da hist\u00f3ria do Proj\u00e9til, \u201cO jogo de cena na terra dos compadres\u201d, que 33 anos depois influencia o t\u00edtulo deste texto. Na \u00e9poca, a reportagem buscava abordar os acordos pol\u00edticos em Mato Grosso do Sul. A capa causou impacto no jornalismo local ao falar sobre pol\u00edtica de maneira escrachada.<\/p>\n<h5 style=\"text-align: center;\"><span style=\"color: #e02828;\">\u201cVoc\u00ea chega \u2018de cara\u2019. Um cursinho de merda, com professores que ningu\u00e9m conhecia direito e j\u00e1 chega chutando a canela da pol\u00edtica. O Proj\u00e9til j\u00e1 chegou mostrando a que veio\u201d, relembrou.<\/span><\/h5>\n<p>Na pr\u00e1tica, o jornal laborat\u00f3rio tem como objetivo simular a experi\u00eancia de uma reda\u00e7\u00e3o jornal\u00edstica. Mas, diferente de reda\u00e7\u00f5es tradicionais, M\u00e1rcio Licerre ressalta a liberdade dos alunos e alunas no Jornal Laborat\u00f3rio. \u201cA casa \u00e9 contra ou a favor? No Proj\u00e9til n\u00e3o tem isso [&#8230;] N\u00e3o podemos ter medo. Chegar hoje \u00e0 cent\u00e9sima edi\u00e7\u00e3o \u00e9 um neg\u00f3cio que d\u00e1 pra largar a m\u00e3o, n\u00e3o d\u00e1 pra pegar leve e esquecer\u201d, considerou. Para chegar \u00e0 edi\u00e7\u00e3o 100, o Proj\u00e9til passou por aproximadamente 23 professores, cerca de mil estudantes e \u00e9 o \u00fanico jornal laborat\u00f3rio impresso perene do curso de Jornalismo da UFMS. At\u00e9 hoje, o reflexo da primeira turma que o produziu pode ser visto em seu nome. Decidido em uma prec\u00e1ria vota\u00e7\u00e3o em sala de aula, o nome \u2018Proj\u00e9til\u2019 foi idealizado com uma subvers\u00e3o em mente, que fosse um \u201ctiro certeiro\u201d ao chegar nas bancas.<\/p>\n<p>A fun\u00e7\u00e3o do professor-orientador em um jornal laborat\u00f3rio \u00e9 difusa. N\u00e3o \u00e9 um editor-chefe, mas est\u00e1 ali para guiar os e as estudantes e garantir que o produto final seja entregue. Como no mito de Prometeu, que d\u00e1 o fogo e ensina a brincar, cabe aos mortais decidirem o que fazer com ele. Com mais de dez anos de experi\u00eancia como editor-chefe, M\u00e1rio assumiu que dividir fun\u00e7\u00f5es n\u00e3o foi uma tarefa f\u00e1cil quando chegou ao Proj\u00e9til. \u201cEssa foi minha primeira grande dificuldade, era uma turma de trinta alunos e tinha que negociar com eles. Eu n\u00e3o estava na posi\u00e7\u00e3o de editor, mas sim de mediador, para trabalhar um produto que mexe na cabe\u00e7a dos alunos\u201d, contou.<\/p>\n<p>\u201cO professor tem que enfiar uns neg\u00f3cios na cabe\u00e7a do aluno para ele ficar perturbado. Ele tem que se incomodar com aquilo que o professor est\u00e1 falando\u201d, defendeu Edson. De fato, quem pisa no Proj\u00e9til nunca sai do jeito que entrou. Resultado do processo imersivo e de reflex\u00e3o que as reportagens requerem. Na edi\u00e7\u00e3o 31, uma das primeiras tem\u00e1ticas do Proj\u00e9til, esse processo de imers\u00e3o foi levado ao limite. Edson e Licerre, junto ao professor Marcos Morandi, propuseram aos estudantes uma viagem \u00e0 cidade de Bonito, que serviria de inspira\u00e7\u00e3o para as pautas. Nesse processo, os acad\u00eamicos encontraram descasos ambientais e problemas sociais. A turma retornaria \u00e0 Bonito para distribuir o jornal, mas a prefeitura \u2018desconvidou\u2019 estudantes e professores, dizendo para nunca mais colocarem o p\u00e9 l\u00e1. \u201c\u00d3timo, cumprimos a nossa tarefa\u201d, conclui Edson, que encontrou na negativa, o inc\u00f4modo que o jornalismo tanto almeja causar.<\/p>\n<p>Outra edi\u00e7\u00e3o emblem\u00e1tica para os compadres foi a 68, lan\u00e7ada durante a comemora\u00e7\u00e3o de 20 anos do jornal, em 2010, com orienta\u00e7\u00e3o de Licerre, M\u00e1rio, Silvio e o professor M\u00e1rio Ramires. A reportagem de capa \u201cO neg\u00f3cio do c\u00e2ncer\u201d se aprofundou no desvio de recursos para o tratamento da doen\u00e7a no estado.<\/p>\n<h5 style=\"text-align: center;\"><span style=\"color: #e02828;\">A repercuss\u00e3o da mat\u00e9ria em Campo Grande fez com que outros ve\u00edculos locais tamb\u00e9m investigassem o assunto, que posteriormente virou reportagem no Fant\u00e1stico, programa da TV Globo.<\/span><\/h5>\n<p>A tiragem e o n\u00famero de edi\u00e7\u00f5es do Proj\u00e9til variaram muito ao longo dos anos. Nos primeiros anos, o jornal laborat\u00f3rio n\u00e3o era um projeto centralizado, mas resultado de uma colabora\u00e7\u00e3o entre as disciplinas de Edi\u00e7\u00e3o, Reda\u00e7\u00e3o e Planejamento Gr\u00e1fico.<\/p>\n<p><strong>Gambito da Rainha<\/strong><\/p>\n<p>O jornalismo est\u00e1 sempre em constante mudan\u00e7a. Marcos Paulo chegou na UFMS em 2013 e o Proj\u00e9til j\u00e1 era hist\u00f3rico, mas havia passado por pequenas mudan\u00e7as editoriais. Quando ele assumiu a orienta\u00e7\u00e3o do jornal laborat\u00f3rio, em 2018 \u2013 junto a professora Rafaella Peres \u2013, houve uma renova\u00e7\u00e3o. \u201cEu assumi meio que no susto. Havia um desafio colocado pela coordena\u00e7\u00e3o do curso de diminuir a velocidade e aumentar o investimento em reportagem\u201d, afirmou.<\/p>\n<p>A reformula\u00e7\u00e3o do Plano Pedag\u00f3gico de Curso centralizou a produ\u00e7\u00e3o do Proj\u00e9til em duas disciplinas, Jornal Laborat\u00f3rio I e II. Assim, o n\u00famero de publica\u00e7\u00f5es anuais diminuiu de quatro para duas. Do ponto de vista editorial, outra grande mudan\u00e7a foi a implementa\u00e7\u00e3o de uma din\u00e2mica da divis\u00e3o de trabalhos, mais pr\u00f3xima de uma reda\u00e7\u00e3o jornal\u00edstica. As turmas passaram a ser divididas em editorias transversais: executiva, arte, opini\u00e3o, imagem e reportagem. Em meio \u00e0 crise do jornal impresso, a edi\u00e7\u00e3o 90 chegou \u00e0s ruas trazendo o novo Proj\u00e9til, modernizado e pensado para novas gera\u00e7\u00f5es.<\/p>\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"177\" height=\"514\" src=\"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2023\/06\/CAPAS.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-3374\" srcset=\"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2023\/06\/CAPAS.png 177w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2023\/06\/CAPAS-103x300.png 103w\" sizes=\"auto, (max-width: 177px) 100vw, 177px\" \/><\/figure>\n<\/div>\n\n<p>\u201cQuando eu cheguei no Proj\u00e9til, o projeto gr\u00e1fico era feito lambendo cola Pritt&#8221;, relembrou Licerre sobre o processo gr\u00e1fico das primeiras edi\u00e7\u00f5es, a reforma visual do jornal prop\u00f4s mudan\u00e7as est\u00e9ticas e estruturais. O logotipo perdeu suas bordas arredondadas para dar espa\u00e7o \u00e0s formas retas e, as fotos emblem\u00e1ticas de capa se tornaram ilustra\u00e7\u00f5es realizadas em parceria com o grupo \u201cPensar o Desenho\u201d, do curso de Artes Visuais da UFMS. As editorias receberam cores que as diferenciaram e nomes fantasiosos como \u201cAspas\u201d, que nomeia a editoria de entrevistas Ping-Pong. Al\u00e9m da utiliza\u00e7\u00e3o de mais espa\u00e7o em branco para demarcar respiros na p\u00e1gina, houve tamb\u00e9m a inser\u00e7\u00e3o de outros recursos visuais, como as infografias.<\/p>\n<p>Apesar de assumir a orienta\u00e7\u00e3o do Proj\u00e9til apenas em 2019, Silvio foi quem iniciou o processo de digitaliza\u00e7\u00e3o dos impressos, em 2011, para preservar a mem\u00f3ria do jornal. Com o aux\u00edlio de estudantes, as edi\u00e7\u00f5es foram hospedadas na plataforma digital <a href=\"https:\/\/issuu.com\/projetil\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><em>issuu<\/em><\/a>, com exce\u00e7\u00e3o de duas, que n\u00e3o tiveram seus exemplares encontrados. A edi\u00e7\u00e3o 59, que teve como tema central o sexo, e a 22, que ilustrou a capa com uma bunda, foram censuradas pelo site.<\/p>\n<h5 style=\"text-align: center;\"><span style=\"color: #e02828;\"><strong>\u201cNas redes sociais aceitam que a gente sugira matar pessoas ou estimular Hitler, mas n\u00e3o pode botar uma boca ou uma bunda\u201d, apontou. <\/strong><\/span><\/h5>\n<p>Outro passo para modernizar o Proj\u00e9til foi a cria\u00e7\u00e3o de uma vers\u00e3o online com conte\u00fado extra. Na vis\u00e3o de Silvio, a principal dificuldade era conciliar as produ\u00e7\u00f5es impressas com o material online, devido ao processo desgastante. \u201cAcho que o Proj\u00e9til ideal seria transm\u00eddia, que passa pelo papel e por outras redes, se complementando\u201d, comentou.<\/p>\n<p>A pandemia da Covid-19 foi outra dificuldade. \u201cD\u00e1 pra resumir a produ\u00e7\u00e3o na pandemia em uma palavra, que \u00e9 ca\u00f3tica\u201d contou Silvio. A turma da edi\u00e7\u00e3o 95, que teria 40 pessoas, foi resumida a oito e se aliou \u00e0 disciplina optativa de Infografia. Afinal, \u201co Proj\u00e9til n\u00e3o pode parar\u201d. Com o distanciamento social, os processos produtivos se complexificaram e outras interfer\u00eancias, para al\u00e9m da sala de aula, acometeram os estudantes. A fun\u00e7\u00e3o do professor orientador ganhou outros ares, n\u00e3o apenas de mediador, mas tamb\u00e9m de motivador.<\/p>\n<p><strong>Xeque-Mate<\/strong><\/p>\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"539\" height=\"436\" src=\"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2023\/06\/KATAERAFA.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-3375\" srcset=\"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2023\/06\/KATAERAFA.png 539w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2023\/06\/KATAERAFA-300x243.png 300w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2023\/06\/KATAERAFA-400x324.png 400w\" sizes=\"auto, (max-width: 539px) 100vw, 539px\" \/><\/figure>\n<\/div>\n\n<p>Lideran\u00e7a, na lingu\u00edstica, \u00e9 um substantivo feminino desde que o mundo \u00e9 mundo. Chega a ser c\u00f4mico e beira o tr\u00e1gico que homens, historicamente, ocupem posi\u00e7\u00f5es de lideran\u00e7a no Proj\u00e9til, enquanto a participa\u00e7\u00e3o feminina tende a diminuir no desencadear do processo hier\u00e1rquico. A L\u00edngua Portuguesa fez da lideran\u00e7a uma mulher. A l\u00edngua palp\u00e1vel faz ecoar sons de reivindica\u00e7\u00e3o por espa\u00e7os ativos de revolu\u00e7\u00e3o. N\u00e3o \u00e9 \u00e0 toa que a revolu\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m \u00e9 substantivo feminino.<\/p>\n<p>Em meio a tantos compadres, pais e filhos, a hist\u00f3ria n\u00e3o se repete. N\u00e3o d\u00e1 pra dizer que todo homem precisa mesmo de uma m\u00e3e. Longe de n\u00f3s tamb\u00e9m reduzir duas pot\u00eancias ao maternar de homens. A dualidade que atende o chamado do Proj\u00e9til no presente mais se parece com \u00f3leo e \u00e1gua. Elas s\u00e3o duas energias complementares. Em um mundo ideal e fantasioso, elas possivelmente seriam irm\u00e3s, daquelas de filmes de 1980 que passam na sess\u00e3o da tarde. Diferentes na altura, no jeito de se vestir, de se comportar, mas que n\u00e3o conseguiriam ocupar esse mesmo lugar se n\u00e3o fossem juntas. Uma escuta mais que fala. Outra fala mais que escuta. Uma segue a pol\u00edtica da cautela. A outra se precipita sem pol\u00edticas. Ainda que ambas saibam o peso e a medida de suas diferen\u00e7as, s\u00e3o indissoci\u00e1veis. As Comadres, se \u00e9 que assim podemos dizer, deram um xeque-mate no jogo hegem\u00f4nico de compadres \u00e0 frente do Proj\u00e9til.<\/p>\n<p>O Jornal Laborat\u00f3rio do curso de Jornalismo da UFMS, em sua cent\u00e9sima edi\u00e7\u00e3o, \u00e9 um g\u00eanero flex\u00edvel comandado por mulheres. Katarini Miguel e Rafaella Peres assumiram a responsabilidade de reconstruir narrativas e reescrever uma hist\u00f3ria que, por muito tempo, foi escrita sob a \u00f3tica de uma coordena\u00e7\u00e3o masculina. Hist\u00f3ria essa que excederia os 12 mil caracteres dispon\u00edveis, mas que pode ser lida e relida desde a edi\u00e7\u00e3o 98, de 2022. E o Proj\u00e9til? O Proj\u00e9til realmente n\u00e3o para.<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Que o jogo \u00e0 frente do Proj\u00e9til siga \u00e0 lideran\u00e7a, <br \/>no substantivo feminino.<\/span><\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-buttons is-content-justification-center is-layout-flex wp-container-core-buttons-is-layout-16018d1d wp-block-buttons-is-layout-flex\">\n<div class=\"wp-block-button\"><a class=\"wp-block-button__link has-accent-background-color has-background wp-element-button\" href=\"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/projetil-em-transicao\/\">Confira a raio-x com a linha do tempo do Proj\u00e9til<\/a><\/div>\n<\/div>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-buttons is-layout-flex wp-block-buttons-is-layout-flex\">\n<div class=\"wp-block-button aligncenter\"><a class=\"wp-block-button__link has-background-color has-accent-background-color has-text-color has-background wp-element-button\" href=\"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/?page_id=3670\">VOLTAR PARA EDI\u00c7\u00c3O 100<\/a><\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Texto: Maur\u00edcio Aguiar | Rafaella Moura Ilustra\u00e7\u00e3o: Marina Duarte \u201cUm cara que n\u00e3o tem medo, que tem coragem, que enfrenta e que chuta a canela dos poderosos\u201d, descreve um dos compadres quando se refere ao trabalho complexo do not\u00f3rio rep\u00f3rter e egresso da primeira turma do at\u00e9 ent\u00e3o curso de Comunica\u00e7\u00e3o Social &#8211; Habilita\u00e7\u00e3o em [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":35,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[29],"tags":[],"class_list":["post-3333","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-especial"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3333","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-json\/wp\/v2\/users\/35"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=3333"}],"version-history":[{"count":25,"href":"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3333\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":3740,"href":"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3333\/revisions\/3740"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=3333"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=3333"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=3333"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}