{"id":3782,"date":"2023-12-21T08:01:22","date_gmt":"2023-12-21T12:01:22","guid":{"rendered":"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/?p=3782"},"modified":"2024-02-28T15:15:21","modified_gmt":"2024-02-28T19:15:21","slug":"sobre-duas-rodas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/sobre-duas-rodas\/","title":{"rendered":"Sobre duas rodas"},"content":{"rendered":"\n<h4 class=\"has-text-align-center wp-block-heading\">As hist\u00f3rias de pilotos profissionais pelas vias da Cidade Morena<\/h4>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center has-accent-color has-text-color\"><strong>Texto: Glenda Rodrigues | Milena Melo<\/strong><\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\"\/>\n\n\n\n<p>A mobilidade urbana, elemento vital em uma cidade contempor\u00e2nea, se expressa em uma diversidade de formatos, profiss\u00f5es e ve\u00edculos. Dentro desse universo, a mudan\u00e7a que vem com o tempo traz hist\u00f3rias daqueles que vivem de levar pessoas a todo canto da cidade.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image alignwide size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1500\" height=\"1000\" src=\"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2024\/02\/glenda-10.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-3964\" srcset=\"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2024\/02\/glenda-10.jpg 1500w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2024\/02\/glenda-10-300x200.jpg 300w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2024\/02\/glenda-10-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2024\/02\/glenda-10-768x512.jpg 768w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2024\/02\/glenda-10-1200x800.jpg 1200w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2024\/02\/glenda-10-1250x833.jpg 1250w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2024\/02\/glenda-10-400x267.jpg 400w\" sizes=\"auto, (max-width: 1500px) 100vw, 1500px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Foto: Glenda Rodrigues<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>Neste labirinto de ruas e avenidas, os mototaxistas se encontram pilotando entre as veias da cidade, ou sentados em seus pontos, conversando com os colegas e contando a hist\u00f3rias da cidade pelos olhos daqueles que vivem sobre duas rodas.<\/p>\n\n\n\n<p>Phablo Casanova, 34 anos, est\u00e1 na profiss\u00e3o de mototaxista desde que voltou de Portugal, em 2015. No velho continente, fazia pr\u00f3teses dent\u00e1rias. Voltou ao Brasil escolhendo o of\u00edcio de mototaxista pelo qual se diz apaixonado, mas reclama do violento e mal educado tr\u00e2nsito da cidade. Considera como marca do tr\u00e2nsito da capital o uso inadequado de seta e a falta de gentileza com os demais.\u201cGeralmente os acidentes com moto acontecem com batida por tr\u00e1s, porque n\u00e3o pensam em quem vem atr\u00e1s. Eles acham que n\u00e3o podem estar \u00e0 frente ou atr\u00e1s da pessoa amanh\u00e3. Ent\u00e3o isso \u00e9 uma coisa do campo-grandense, \u00e9 muito mal educado\u201d.<\/p>\n\n\n\n\n\n<p>O ponto 49, onde Phablo tem alvar\u00e1 para trabalhar, est\u00e1 cravado na regi\u00e3o central da capital, a Pra\u00e7a Ary Coelho, na esquina da Avenida Afonso Pena com a Rua 14 de Julho. O forte fluxo de pedestres indo e voltando do trabalho e dos estudos \u00e9 uma caracter\u00edstica da regi\u00e3o. Muitos deles, que perdem o \u00f4nibus nos v\u00e1rios pontos da pra\u00e7a, buscam os mototaxistas para chegarem a tempo a seus compromissos.<\/p>\n\n\n\n<p>A uma quadra dali, no ponto de motot\u00e1xi localizado na esquina da Rua Rui Barbosa com a Avenida Afonso Pena, trabalha Obadias Marcos Silva Peres, 52 anos, corumbaense e mototaxista desde 2006. A preocupa\u00e7\u00e3o de sua fam\u00edlia \u00e9 com os perigos de assalto e do tr\u00e2nsito, aos quais fica exposto, mas com rela\u00e7\u00e3o a este, afirma adotar uma dire\u00e7\u00e3o defensiva, j\u00e1 que o benef\u00edcio previdenci\u00e1rio com aux\u00edlio acidente n\u00e3o cobre os custos mensais. \u201cN\u00e3o sou uma pessoa que procura andar correndo, sabe? J\u00e1 recusei muitas corridas por essa situa\u00e7\u00e3o da pessoa chegar, precisar ir em determinado lugar, mas a gente percebe que n\u00e3o d\u00e1 pra fazer isso nesse tempo. N\u00e3o \u00e9 vantajoso, porque se eu me envolver em um acidente, sou aut\u00f4nomo, pegar o benef\u00edcio que eu vou receber se eu me envolver num acidente n\u00e3o vai ser o valor que eu fa\u00e7o no m\u00eas trabalhando\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>No lado sul da Pra\u00e7a Ary Coelho, virado para a Rua 15 de novembro, S\u00e9rgio Luiz Carvalho, 60 anos, aguarda sozinho em seu ponto de motot\u00e1xi o pr\u00f3ximo pedido de entrega de encomenda. H\u00e1 27 anos na profiss\u00e3o, leva consigo as marcas e hist\u00f3rias dessa longa jornada. Venceu c\u00e2ncer de pele no rosto, foi v\u00edtima de assalto com arma de fogo, mas tamb\u00e9m j\u00e1 viveu hist\u00f3rias que lhe abrem o sorriso, como a de uma passageira que saiu de um pagode e contou que estava escondida do marido l\u00e1, mas foi flagrada por ele no final da corrida. S\u00e9rgio tamb\u00e9m reclama da falta de educa\u00e7\u00e3o dos motoristas e de fiscaliza\u00e7\u00e3o no tr\u00e2nsito, al\u00e9m da grande quantidade de buracos no asfalto, que aumentam o gasto com a manuten\u00e7\u00e3o da moto e representam risco para o exerc\u00edcio da profiss\u00e3o..<\/p>\n\n\n\n\n\n<p>Desde o nascimento da profiss\u00e3o de mototaxista na Cidade Morena, as mudan\u00e7as tecnol\u00f3gicas marcaram sua hist\u00f3ria. No in\u00edcio, os pedidos de corrida chegavam pelo hoje quase aposentado telefone fixo. Com a chegada dos smartphones, os passageiros passaram a acionar os mototaxistas por aplicativos. O que era apenas um avan\u00e7o tecnol\u00f3gico na comunica\u00e7\u00e3o com o cliente fez surgir um concorrente forte: o Uber Moto. As principais diferen\u00e7as entre o trabalho de mototaxistas e o da empresa por aplicativo s\u00e3o: a exist\u00eancia de ponto e telefone fixo neles, uma op\u00e7\u00e3o de contato com os clientes que ainda utilizam esse tipo de aparelho. Al\u00e9m disso, h\u00e1 a fiscaliza\u00e7\u00e3o deles pela Prefeitura, que concede para cada profissional um n\u00famero de alvar\u00e1 e um ponto para trabalhar, com prazo de validade. Os mototaxistas trabalham no ponto em esquema de rod\u00edzio entre si, registrando em folha simples a ordem de trabalho entre eles. Os cursos preparat\u00f3rios para a profiss\u00e3o, exig\u00eancias da Prefeitura, s\u00e3o pagos por conta pr\u00f3pria.<\/p>\n\n\n\n<p>Os custos para se atualizar e se manter regularmente na profiss\u00e3o de motot\u00e1xi, e a forte concorr\u00eancia dos profissionais por aplicativo, diminu\u00edram a vantagem financeira atingida no auge dessa hist\u00f3ria sobre duas rodas. Se no passado, a atividade surgiu como op\u00e7\u00e3o das elitizadas corridas de t\u00e1xi e do lento transporte p\u00fablico, suas atuais caracter\u00edsticas diminuem o interesse de ingresso na profiss\u00e3o. S\u00e9rgio Carvalho mostra seu capacete com fita adesiva riscando o antigo n\u00famero de seu alvar\u00e1. Optou ao longo dos anos por trabalhar de forma aut\u00f4noma, como piloto de aplicativo e tamb\u00e9m entregando encomendas, a pedido do com\u00e9rcio local.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-buttons is-layout-flex wp-block-buttons-is-layout-flex\">\n<div class=\"wp-block-button aligncenter\"><a class=\"wp-block-button__link wp-element-button\" href=\"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/projetil-101\/\"><strong>VOLTAR PARA a eDI\u00c7\u00c3O 101<\/strong><\/a><\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>As hist\u00f3rias de pilotos profissionais pelas vias da Cidade Morena Texto: Glenda Rodrigues | Milena Melo A mobilidade urbana, elemento vital em uma cidade contempor\u00e2nea, se expressa em uma diversidade de formatos, profiss\u00f5es e ve\u00edculos. 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