{"id":3788,"date":"2023-12-21T07:57:44","date_gmt":"2023-12-21T11:57:44","guid":{"rendered":"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/?p=3788"},"modified":"2024-02-28T15:30:01","modified_gmt":"2024-02-28T19:30:01","slug":"uma-chance-para-viver","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/uma-chance-para-viver\/","title":{"rendered":"Uma chance para viver"},"content":{"rendered":"\n<h4 class=\"has-text-align-center wp-block-heading\">Da descoberta \u00e0 recep\u00e7\u00e3o, a hist\u00f3ria de pessoas que reviveram a partir de uma doa\u00e7\u00e3o. Transplante de \u00f3rg\u00e3os em Mato Grosso do Sul tem obst\u00e1culos, mas resiste<\/h4>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center has-accent-color has-text-color\"><strong>Texto: Jo\u00e3o Pedro Buchara | Lizandra Rocha<br>Infografia: Gabriella Couto<\/strong><\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\"\/>\n\n\n\n<p>De estatura m\u00e9dia, cabelos longos e pretos, a estudante de Contabilidade K\u00e1tia Silva Rocha teve planos interrompidos ao ser diagnosticada com insufici\u00eancia renal em 2020. \u201cFoi dif\u00edcil. Pensei que tudo tinha acabado.\u201d Os primeiros sinais da doen\u00e7a apareceram com o ganho de peso e incha\u00e7os nos p\u00e9s, rosto, p\u00e1lpebras, dores de cabe\u00e7a e tonturas, que a fizeram suspeitar do problema.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image alignwide size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"995\" height=\"664\" src=\"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2023\/12\/WhatsApp-Image-2023-12-18-at-07.46.34.jpeg\" alt=\"\" class=\"wp-image-3804\" srcset=\"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2023\/12\/WhatsApp-Image-2023-12-18-at-07.46.34.jpeg 995w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2023\/12\/WhatsApp-Image-2023-12-18-at-07.46.34-300x200.jpeg 300w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2023\/12\/WhatsApp-Image-2023-12-18-at-07.46.34-768x513.jpeg 768w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2023\/12\/WhatsApp-Image-2023-12-18-at-07.46.34-400x267.jpeg 400w\" sizes=\"auto, (max-width: 995px) 100vw, 995px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Foto: Santa Casa de CG \/ Divulga\u00e7\u00e3o<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>No atendimento do Sistema \u00danico de Sa\u00fade (SUS) descobriu que estava com insufici\u00eancia renal em est\u00e1gio cinco e com apenas 10% de funcionamento de um dos rins. \u201cN\u00e3o estava acreditando no resultado do exame e questionei o m\u00e9dico do porqu\u00ea estar com a doen\u00e7a se urinava normal?\u201d. Engana-se quem pensa que a insufici\u00eancia renal ocorre somente quando o indiv\u00edduo para de urinar.<\/p>\n\n\n\n<p>Existem duas condi\u00e7\u00f5es da doen\u00e7a. A aguda, que pode ser revertida a base de medicamentos e a cr\u00f4nica, que necessita da realiza\u00e7\u00e3o do transplante, mas tamb\u00e9m tem revers\u00e3o. Fatores como press\u00e3o alta e diabetes contribuem para o surgimento da doen\u00e7a, que no caso de K\u00e1tia, j\u00e1 era cr\u00f4nica e autoimune. \u201cNunca imaginei essa situa\u00e7\u00e3o de um dia precisar fazer hemodi\u00e1lise, entrar em uma fila de transplante e esperar por um \u00f3rg\u00e3o compat\u00edvel. Eu tinha que aceitar, mas a verdade \u00e9 que at\u00e9 hoje n\u00e3o aceito.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>O pensamento de que morreria naquele mesmo ano era constante, pois seria imposs\u00edvel sobreviver com apenas 10% dos rins funcionais, exceto pela hemodi\u00e1lise, seu maior medo. O emocional ficou fragilizado devido a redu\u00e7\u00e3o de alimentos e l\u00edquidos, junto ao uso constante de medicamentos sugeridos pelo m\u00e9dico. Em meio \u00e0 dificuldade, sua irm\u00e3, Dalila, a ajudou a enfrentar a situa\u00e7\u00e3o e n\u00e3o a deixou desistir. A partir desta conversa, seus pensamentos mudaram e uma nova perspectiva tomou conta.<\/p>\n\n\n\n<p>Depois de cinco meses de acompanhamento com um urologista na Santa Casa, a hemodi\u00e1lise iniciou em agosto. O rim que estava com 10% de funcionamento, agora ficou com apenas 6% e, para sobreviver, precisava do aux\u00edlio de uma m\u00e1quina que funciona como um rim artificial que filtra o sangue por meio do uso de um acesso capilar, retirando l\u00edquidos e toxinas do \u00f3rg\u00e3o tr\u00eas vezes na semana durante quatro horas.<\/p>\n\n\n\n<p>Um cateter foi colocado no pesco\u00e7o por 41 dias. Depois, K\u00e1tia realizou a cirurgia da f\u00edstula arteriovenosa (FAV), que \u00e9 a jun\u00e7\u00e3o da veia com a art\u00e9ria no antebra\u00e7o esquerdo onde ficaram duas agulhas de grossos calibres 16g. Esse procedimento serve para a pessoa suportar as quatro horas de hemodi\u00e1lise e n\u00e3o causar danos \u00e0 estrutura das veias, que podem arrebentar.<\/p>\n\n\n\n<p>A perda de nutrientes ocasionados pela hemodi\u00e1lise fez com que emagrecesse e precisasse tomar o suplemento apropriado para renais cr\u00f4nicos. \u201cPor ele ser caro, tive que entrar na Defensoria P\u00fablica para conseguir e depois que comecei a us\u00e1-lo passei menos mal e fui ganhando peso.\u201d Al\u00e9m das complica\u00e7\u00f5es, a f\u00edstula causou dilata\u00e7\u00f5es nas veias chamadas aneurismas venosos.<\/p>\n\n\n\n<h5 class=\"wp-block-heading\">O t\u00e3o sonhado momento<\/h5>\n\n\n\n<p>Em janeiro de 2023, o telefone tocou \u00e0s 7h da manh\u00e3 de uma ter\u00e7a-feira. A liga\u00e7\u00e3o da Santa Casa foi para informar que conseguiram um rim compat\u00edvel com K\u00e1tia. \u201cQuando escutei da enfermeira, n\u00e3o acreditei. A primeira pessoa que contei foi minha m\u00e3e. Meu pai chorou muito de alegria e ao mesmo tempo de tristeza, porque para eu viver uma pessoa teve que morrer.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>As informa\u00e7\u00f5es que repassaram sobre o doador foram somente a idade e causa da morte, um rapaz de 20 anos, que deu entrada no hospital ap\u00f3s sofrer um traumatismo craniano resultante de um atropelamento. Ele ficou quatro dias internado e fez uma cirurgia, mas n\u00e3o resistiu. A fam\u00edlia, ciente do seu desejo de ser doador enquanto vivo, autorizou a doa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>A capta\u00e7\u00e3o dos \u00f3rg\u00e3os iniciou \u00e0s 14 h. Emocionada e ao mesmo tempo com medo de morrer na mesa de cirurgia, o sentimento de ansiedade s\u00f3 cessou ao deitar na maca estreita e ir para o centro cir\u00fargico quatro horas depois. Na sala, havia aproximadamente 20 m\u00e9dicos. Uma sonda foi colocada para manter o controle urin\u00e1rio, e imunossupressores na veia para evitar a rejei\u00e7\u00e3o do \u00f3rg\u00e3o. \u00c0 meia-noite, acordou no Centro de Terapia Intensiva (CTI) j\u00e1 transplantada, com a press\u00e3o, batimentos card\u00edacos e satura\u00e7\u00e3o do pulm\u00e3o conferidos. \u201cAssim que o rim foi colocado em mim ele j\u00e1 funcionou e, desde a hora do transplante, havia produzido 700 ml de urina.\u201d<\/p>\n\n\n\n<h5 class=\"wp-block-heading\">Olhar cl\u00ednico<\/h5>\n\n\n\n<p>A Santa Casa \u00e9 o hospital p\u00fablico que mais realiza transplantes de \u00f3rg\u00e3os no Mato Grosso do Sul, principalmente de rim, que \u00e9 o mais procurado. De acordo com a Central Estadual de Transplantes, mais de 160 pessoas est\u00e3o na fila de espera pelo \u00f3rg\u00e3o. Al\u00e9m disso, o rim pode demorar um tempo para funcionar, algo considerado comum vindo de um doador falecido. Essa demora \u00e9 chamada de fun\u00e7\u00e3o tardia do enxerto, que ocorre quando o \u00f3rg\u00e3o ainda est\u00e1 em fase de adapta\u00e7\u00e3o, pois um terceiro rim \u00e9 colocado e ligado por uma anastomose, interven\u00e7\u00e3o feita para juntar veia, art\u00e9ria e ureter do paciente com o \u00f3rg\u00e3o transplantado.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"637\" height=\"900\" src=\"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2024\/02\/chance-de-viver-infografia.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-4027\" srcset=\"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2024\/02\/chance-de-viver-infografia.jpg 637w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2024\/02\/chance-de-viver-infografia-212x300.jpg 212w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2024\/02\/chance-de-viver-infografia-400x565.jpg 400w\" sizes=\"auto, (max-width: 637px) 100vw, 637px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p>A nefrologista Rafaela Campanhol, explica que o transplante renal funciona como um tratamento e n\u00e3o como cura, diferente do transplante de medula \u00f3ssea, por exemplo. \u201cVoc\u00ea vai substituir a fun\u00e7\u00e3o de um rim que n\u00e3o funciona, por um \u00f3rg\u00e3o transplantado que n\u00e3o \u00e9 seu e por isso ter\u00e1 que fazer o uso de medicamentos para o resto da vida\u201d. Muitos pacientes optam por n\u00e3o querer transplantar, motivados pelo medo ou pela adapta\u00e7\u00e3o \u00e0 hemodi\u00e1lise. Outros, que desejam, podem ser interrompidos por conta da condi\u00e7\u00e3o cl\u00ednica. \u201cCaso seja da escolha do paciente se manter na hemodi\u00e1lise, ele deve saber que ela tem suas sequelas e complica\u00e7\u00f5es. Muitas delas s\u00e3o doen\u00e7as \u00f3sseas relacionadas \u00e0 parte renal, anemia e piora na parte card\u00edaca\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Cada \u00f3rg\u00e3o tem um tempo determinado para ficar fora do corpo humano. O rim \u00e9 o \u00fanico \u00f3rg\u00e3o que pode ficar at\u00e9 48 horas fora do corpo.<\/p>\n\n\n\n<p>Marley da Silva Costa \u00e9 psic\u00f3loga nas cl\u00ednicas Associa\u00e7\u00e3o Beneficente Dos Renais Cr\u00f4nicos (Abrec) e Pr\u00f3-renal e atua como analista de comportamento e instrutora de <em>mindfulness<\/em> funcional, uma terapia interpessoal de aten\u00e7\u00e3o plena. Para ela, pessoas que est\u00e3o na fila de espera por um transplante podem ficar com o psicol\u00f3gico abalado e nesse momento, a ajuda psicol\u00f3gica se torna indispens\u00e1vel. \u201cA presen\u00e7a de conversas proporcionadas pela Abrec gerou o aumento no n\u00famero de pacientes renais que buscam a ajuda psicol\u00f3gica. Al\u00e9m disso, a roda de conversa tamb\u00e9m abre espa\u00e7o aos familiares que buscam entender sobre o assunto\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>A participa\u00e7\u00e3o e compreens\u00e3o da fam\u00edlia se torna algo fundamental. A coordenadora da Central Estadual de Transplantes (CET) em MS, Claire Carmem, explica que diversas vezes, a falta de conhecimento dos familiares no assunto, aliada ao medo de interferir na integridade f\u00edsica do falecido, resulta em impedimento para os transplantes. \u201cA Legisla\u00e7\u00e3o brasileira prev\u00ea que a autoriza\u00e7\u00e3o da doa\u00e7\u00e3o de \u00f3rg\u00e3os de uma pessoa falecida seja feita somente por algu\u00e9m da fam\u00edlia. Ent\u00e3o, para que isso seja poss\u00edvel \u00e9 necess\u00e1rio que ainda em vida, a pessoa manifeste para seus familiares o desejo de ser um doador\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Mato Grosso do Sul ocupa o quarto lugar no ranking regional de rejei\u00e7\u00e3o para doa\u00e7\u00f5es de \u00f3rg\u00e3os do pa\u00eds. Para auxiliar na problem\u00e1tica, existem na maioria dos estados as CET que s\u00e3o ligadas \u00e0 Central Nacional, em Bras\u00edlia. Em Mato Grosso do Sul, o centro fica na capital, encarregado de administrar todas as atividades relacionadas \u00e0 doa\u00e7\u00e3o de \u00f3rg\u00e3os, tecidos e transplantes.<\/p>\n\n\n\n<h5 class=\"wp-block-heading\">Cicatrizes contam hist\u00f3rias<\/h5>\n\n\n\n<p>Any Raissa Ferro, 30 anos, \u00e9 estudante de Letras da Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul (UEMS) e tamb\u00e9m rec\u00e9m-transplantada do rim, assim como K\u00e1tia, descobriu que precisaria da cirurgia em 2020. Por\u00e9m, havia diferen\u00e7as da enfermidade, apesar dos sintomas serem os mesmos. \u201cNo come\u00e7o, achei que os incha\u00e7os fossem normais pelo cansa\u00e7o j\u00e1 que eu subia escadas diariamente. Mas no momento em que meu rosto ficou inchado o dia inteiro e minha barriga parecia uma gr\u00e1vida de nove meses, percebi que tinha algo errado.\u201d<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-full is-resized\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2023\/12\/WhatsApp-Image-2023-12-18-at-07.47.38.jpeg\" alt=\"\" class=\"wp-image-3806\" width=\"467\" height=\"353\" srcset=\"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2023\/12\/WhatsApp-Image-2023-12-18-at-07.47.38.jpeg 933w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2023\/12\/WhatsApp-Image-2023-12-18-at-07.47.38-300x227.jpeg 300w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2023\/12\/WhatsApp-Image-2023-12-18-at-07.47.38-768x581.jpeg 768w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2023\/12\/WhatsApp-Image-2023-12-18-at-07.47.38-400x303.jpeg 400w\" sizes=\"auto, (max-width: 467px) 100vw, 467px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Foto: Geovanna Bortolli<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p>Foi constatado que ela tinha S\u00edndrome Nefr\u00f3tica com glomerulonefrite, doen\u00e7a rara, considerada agressiva, recente e que ainda n\u00e3o possui estudos cient\u00edficos para o seu entendimento ou medica\u00e7\u00e3o apropriados. De acordo com o m\u00e9dico, at\u00e9 ent\u00e3o nenhum brasileiro havia sido diagnosticado e foram poucos os casos notificados nos Estados Unidos. Por conta disso, o tratamento foi feito com medica\u00e7\u00f5es e fisioterapia que n\u00e3o garantiam efic\u00e1cia. \u201cO m\u00e9dico me falou que como n\u00e3o havia um par\u00e2metro nacional, iria me tratar com base em estudos dos EUA, mas l\u00e1 \u00e9 outra realidade, poderia n\u00e3o dar certo e n\u00e3o deu\u201d.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"950\" height=\"718\" src=\"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2023\/12\/WhatsApp-Image-2023-12-18-at-07.47.09.jpeg\" alt=\"\" class=\"wp-image-3805\" srcset=\"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2023\/12\/WhatsApp-Image-2023-12-18-at-07.47.09.jpeg 950w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2023\/12\/WhatsApp-Image-2023-12-18-at-07.47.09-300x227.jpeg 300w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2023\/12\/WhatsApp-Image-2023-12-18-at-07.47.09-768x580.jpeg 768w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2023\/12\/WhatsApp-Image-2023-12-18-at-07.47.09-400x302.jpeg 400w\" sizes=\"auto, (max-width: 950px) 100vw, 950px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Mesmo ap\u00f3s dois anos, as cicatrizes das cirurgias permanecem no bra\u00e7o de Any Rayssa &#8211; Foto: Geovanna Bortolli<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p>Raissa deveria fazer seis sess\u00f5es de pulsoterapia, para injetar altas doses de medica\u00e7\u00e3o direto na veia. Na terceira sess\u00e3o, o organismo n\u00e3o estava reagindo bem ao tratamento. Iniciou ent\u00e3o, outro m\u00e9todo que fazia o uso de medica\u00e7\u00e3o para paciente j\u00e1 transplantados e precisou entrar na justi\u00e7a para ter acesso. \u201cDepois de dois meses tentando, consegui tomar a medica\u00e7\u00e3o, mas s\u00f3 dava uma rea\u00e7\u00e3o que era diarreia. Esta rea\u00e7\u00e3o foi a respons\u00e1vel por fazer eu perder 36% da fun\u00e7\u00e3o renal\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Ela precisou fazer oito cirurgias para colocar a f\u00edstula que lhe causou cicatrizes nos dois bra\u00e7os e pesco\u00e7o. Durante dois meses de hemodi\u00e1lise, descobriu um tumor benigno no cora\u00e7\u00e3o e precisou fazer a cirurgia para retirar. Deu continuidade ao tratamento tr\u00eas vezes na semana, o que a fez passar mal e ser hospitalizada. Desta vez, seu quadro era cr\u00edtico, uma hidrocefalia, ocasionada pela press\u00e3o no c\u00e9rebro, que foi eliminada com o uso de uma v\u00e1lvula de drenagem.<\/p>\n\n\n\n<p>Em 2021, a esperan\u00e7a de conseguir entrar na fila de espera de um transplante era m\u00ednima dada \u00e0 quantidade de cirurgias que realizou. Mas ap\u00f3s os exames de aptid\u00e3o, conseguiu entrar na lista nacional em abril de 2022 e recebeu a not\u00edcia que seria transplantada em 8 de mar\u00e7o de 2023. \u201cFiquei mega feliz porque estava realizando um sonho de verdade, pois muitas pessoas desacreditaram em fazer o transplante aqui em MS e eu consegui.\u201d O doador era um funcion\u00e1rio da sa\u00fade de 35 anos, que tinha o desejo de doar seus \u00f3rg\u00e3os. O t\u00e9cnico de enfermagem salvou n\u00e3o s\u00f3 a vida de Raissa, mas tamb\u00e9m de tr\u00eas pessoas que aguardavam por um \u00f3rg\u00e3o. Saber que o doador era algu\u00e9m da \u00e1rea da sa\u00fade fez com que aprendesse a valorizar mais os profissionais da \u00e1rea, mas n\u00e3o s\u00e3o s\u00f3 eles que devem saber a import\u00e2ncia da doa\u00e7\u00e3o de \u00f3rg\u00e3os. Informar, conscientizar e se importar s\u00e3o os caminhos para mais casos de transplantes bem-sucedidos.<\/p>\n\n\n\n<h5 class=\"wp-block-heading\">Gloss\u00e1rio<\/h5>\n\n\n<p>Capilar: acesso que retira e rep\u00f5e o sangue da hemodi\u00e1lise;<\/p>\n<p>F\u00edstula: canal patol\u00f3gico que liga duas v\u00edsceras que comunicam entre si;<\/p>\n<p>Cateter: dispositivo interno utilizado para infundir medicamentos na corrente sangu\u00ednea;<\/p>\n<p>Aneurismas venosos: les\u00f5es vasculares benignas que representa\u00e7\u00e3o dilata\u00e7\u00e3o de um segmento da veia;<\/p>\n<p>Nefrose: dist\u00farbio renal que faz o corpo excretar prote\u00ednas em excesso na urina;<\/p>\n<p>Anastomose: liga\u00e7\u00e3o de art\u00e9rias e veias em um \u00f3rg\u00e3o para comunicarem entre si;<\/p>\n<p>L\u00fapus: doen\u00e7a inflamat\u00f3ria autoimune;<\/p>\n<p>Hidrocefalia: aumento da quantidade de l\u00edquido no c\u00e9rebro<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-buttons is-layout-flex wp-block-buttons-is-layout-flex\">\n<div class=\"wp-block-button aligncenter\"><a class=\"wp-block-button__link wp-element-button\" href=\"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/projetil-101\/\">VOlTAR PARA a EDI\u00c7\u00c3O 101<\/a><\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Da descoberta \u00e0 recep\u00e7\u00e3o, a hist\u00f3ria de pessoas que reviveram a partir de uma doa\u00e7\u00e3o. Transplante de \u00f3rg\u00e3os em Mato Grosso do Sul tem obst\u00e1culos, mas resiste Texto: Jo\u00e3o Pedro Buchara | Lizandra RochaInfografia: Gabriella Couto De estatura m\u00e9dia, cabelos longos e pretos, a estudante de Contabilidade K\u00e1tia Silva Rocha teve planos interrompidos ao ser [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":35,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[33],"tags":[],"class_list":["post-3788","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-reportagem101"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3788","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-json\/wp\/v2\/users\/35"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=3788"}],"version-history":[{"count":10,"href":"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3788\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":4047,"href":"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3788\/revisions\/4047"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=3788"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=3788"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=3788"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}