{"id":3793,"date":"2023-12-21T08:01:01","date_gmt":"2023-12-21T12:01:01","guid":{"rendered":"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/?p=3793"},"modified":"2024-02-28T15:17:42","modified_gmt":"2024-02-28T19:17:42","slug":"gol-contra-no-combate-ao-racismo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/gol-contra-no-combate-ao-racismo\/","title":{"rendered":"Gol contra no combate ao racismo"},"content":{"rendered":"\n<h4 class=\"wp-block-heading\">Epis\u00f3dios de discrimina\u00e7\u00e3o mancham tamb\u00e9m o futebol sul-matogrossense<\/h4>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center has-accent-color has-text-color\"><strong>Texto: Alexandra Cavalcanti | Jo\u00e3o Pedro Flores<br>Edi\u00e7\u00e3o: Mariana Pesquero | Murilo Medeiros | Pietra Dorneles<\/strong><\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\"\/>\n\n\n\n<p>Destaque dentro e fora dos campos, o atacante brasileiro do Real Madrid, Vinicius Junior, tem sofrido repetidos ataques racistas em partidas de futebol na Europa. Desde sua atua\u00e7\u00e3o no Flamengo, em 2017, j\u00e1 recebia diversos insultos e agress\u00f5es, chegando a ser atingido por bananas atiradas por torcedores. Em um \u00fanico jogo contra o Atl\u00e9tico de Madrid, em setembro de 2022, a La Liga, campeonato espanhol de futebol, registrou 24 ocorr\u00eancias. \u201cCaso isolado n\u00famero 19\u201d, disse o craque ap\u00f3s sofrer outro ataque racista em outubro de 2023. Foram necess\u00e1rias dez den\u00fancias contra o jogador para que, finalmente, um clube fosse punido.<\/p>\n\n\n\n<p>Do outro lado do globo, o cen\u00e1rio \u00e9 semelhante. Em fevereiro de 2023, em Costa Rica, cidade interiorana de Mato Grosso do Sul, um caso parecido ocorreu no jogo entre o Coxim e o Costa Rica Esporte Clube (CREC), pela 5a rodada do Campeonato Estadual. Ap\u00f3s um gol do time da casa nos acr\u00e9scimos, a equipe de Coxim se irritou e a confus\u00e3o teve in\u00edcio. A Pol\u00edcia Militar invadiu o campo para controlar o tumulto e um dos policiais apontou uma arma para o lateral Richard Bala, do Coxim. \u201cPol\u00edcia apontando arma para jogador? A gente n\u00e3o \u00e9 bandido n\u00e3o. S\u00f3 porque eu sou da cor, me chamou de \u2018seu preto do caralho\u2019\u201d, disse o jogador. O jogo foi encerrado ali.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"679\" src=\"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2023\/12\/WhatsApp-Image-2023-12-18-at-07.52.51-1024x679.jpeg\" alt=\"\" class=\"wp-image-3809\" srcset=\"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2023\/12\/WhatsApp-Image-2023-12-18-at-07.52.51-1024x679.jpeg 1024w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2023\/12\/WhatsApp-Image-2023-12-18-at-07.52.51-300x199.jpeg 300w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2023\/12\/WhatsApp-Image-2023-12-18-at-07.52.51-768x509.jpeg 768w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2023\/12\/WhatsApp-Image-2023-12-18-at-07.52.51-400x265.jpeg 400w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2023\/12\/WhatsApp-Image-2023-12-18-at-07.52.51.jpeg 1071w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Em 2021 foram registrados 158 casos de preconceito contra esportistas brasileiros em partidas oficiais. Dessas, 142 dizem respeito ao futebol, de acordo como Relat\u00f3rio da Discrimina\u00e7\u00e3o Racial &#8211; Foto: Eliel Dias<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p>Os casos de racismo em campo n\u00e3o s\u00e3o novidade em Mato Grosso do Sul. Uma noite de futebol em Corumb\u00e1 em 2015 \u00e9 pouco lembrada pelos lances dentro de campo, mas muito marcada por um ato criminoso de um torcedor do time da casa. O Corumbaense recebeu o Naviraiense, pela quinta rodada do Campeonato Estadual de Mato Grosso do Sul. No final do jogo, enquanto o time visitante descia as escadas rumo ao vesti\u00e1rio, torcedores locais come\u00e7aram a xingar os jogadores advers\u00e1rios. Um desses insultos foi para o lateral direito do Naviraiense, Ederson Baptista de Souza, o Robinho. \u201cEu desci para o vesti\u00e1rio e voltei para tomar \u00e1gua, quando um rapaz falou \u2018vai seu macaco\u2019. Eu fiquei doido, fiquei indignado e triste. N\u00e3o tenho nem palavras, \u00e9 um neg\u00f3cio que n\u00e3o quero que ningu\u00e9m passe. Foi complicado de verdade\u201d, lamenta Robinho.<\/p>\n\n\n\n<p>O jogador n\u00e3o relatou os insultos racistas ao \u00e1rbitro da partida, mas denunciou aos policiais. \u201cNa hora eles ficaram meio sem entender o que estava acontecendo. Tentaram ir atr\u00e1s dele, mas ele correu no meio da multid\u00e3o e ficou dif\u00edcil de encontrar\u201d. Robinho fez um boletim de ocorr\u00eancia e lembra que a federa\u00e7\u00e3o n\u00e3o fez nada em rela\u00e7\u00e3o ao caso. Apesar do infeliz epis\u00f3dio, um ano depois, em 2016, o jogador se transferiu para o pr\u00f3prio Corumbaense. \u201cEu nem pensei nesse caso na hora de negociar com o clube, s\u00f3 queria ir l\u00e1 e mostrar meu futebol, mostrar que podia fazer um belo campeonato. Foi s\u00f3 esse cidad\u00e3o que fez isso, mas a torcida \u00e9 sensacional, me tratou como um filho, um irm\u00e3o, conheci grandes pessoas por l\u00e1\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>O vice-presidente da Federa\u00e7\u00e3o de Futebol de Mato Grosso do Sul, Marco Ant\u00f4nio Tavares, afirma que o estado registra poucos casos de racismo. Ele, que est\u00e1 desde 1999 na entidade, lembra apenas do caso de Robinho e de um jogador do Coxim no in\u00edcio de 2023. \u201cN\u00f3s encaminhamos esses epis\u00f3dios para o Tribunal de Justi\u00e7a Desportiva (TJD), mas n\u00e3o teve como apurar. Normalmente, quando o jogo \u00e9 filmado, tem como resgatar a imagem e provar, mas em nenhum desses casos houve transmiss\u00e3o\u201d, justifica.<\/p>\n\n\n\n<p>De acordo com o dirigente, todas as den\u00fancias que chegam \u00e0 Federa\u00e7\u00e3o, por mais vagas que sejam, s\u00e3o encaminhadas ao TJD-MS, que inicia uma investiga\u00e7\u00e3o ou abre um processo e convoca as partes para produzir provas. O vice-presidente justifica os poucos relatos de racismo em Mato Grosso do Sul pelo fato de as partidas n\u00e3o terem tanto p\u00fablico nos est\u00e1dios. \u201cO investimento no futebol daqui \u00e9 pequeno, quando a gente leva tr\u00eas mil torcedores \u00e9 diferente de levar 30 ou 40 mil. Nosso maior p\u00fablico foi de cinco mil torcedores, e at\u00e9 por isso n\u00f3s n\u00e3o temos uma a\u00e7\u00e3o preventiva\u201d.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<h5 class=\"wp-block-heading\">Em campo ou em quadra, mais um caso de racismo<\/h5>\n\n\n\n<p>Em 2019, em Chapad\u00e3o do Sul, durante as semifinais do Campeonato Estadual de Futebol de Sal\u00e3o, o jogador da equipe V\u00f3 Maria, Pedro Cabral, acusou dois indiv\u00edduos, um deles funcion\u00e1rio do time advers\u00e1rio, a&nbsp; Sociedade Esportiva e Recreativa Chapad\u00e3o (Serc), de cham\u00e1-lo de macaco. \u201cEst\u00e1vamos ganhando o jogo e saiu uma falta. Levantei e ouvi os caras falando para me sentar. Foi quando eu virei e um deles falou \u2018senta a\u00ed, seu macaco, seu neguinho\u2019. V\u00e1rias pessoas tamb\u00e9m escutaram. Eu n\u00e3o relatei para o \u00e1rbitro, mas o mes\u00e1rio na \u00e9poca disse que tinha escutado tamb\u00e9m\u201d, relata.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large is-resized\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2023\/12\/WhatsApp-Image-2023-12-18-at-07.52.10-1024x686.jpeg\" alt=\"\" class=\"wp-image-3808\" width=\"610\" height=\"408\" srcset=\"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2023\/12\/WhatsApp-Image-2023-12-18-at-07.52.10-1024x686.jpeg 1024w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2023\/12\/WhatsApp-Image-2023-12-18-at-07.52.10-300x201.jpeg 300w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2023\/12\/WhatsApp-Image-2023-12-18-at-07.52.10-768x514.jpeg 768w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2023\/12\/WhatsApp-Image-2023-12-18-at-07.52.10-400x268.jpeg 400w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2023\/12\/WhatsApp-Image-2023-12-18-at-07.52.10.jpeg 1077w\" sizes=\"auto, (max-width: 610px) 100vw, 610px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">A Fifa reformulou seu C\u00f3digo Disciplinar em 2019, aumentando as puni\u00e7\u00f5es em caso de preconceito. Ap\u00f3s as mudan\u00e7as, os clubes podem ser punidos com perda de pontos, partidas sem torcida, elimina\u00e7\u00e3o de competi\u00e7\u00f5es e multas de mais de R$100 mil &#8211; Foto: Eliel Dias<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p>Pedro diz que a Federa\u00e7\u00e3o de Futsal de Mato Grosso do Sul n\u00e3o o apoiou. Pelo contr\u00e1rio, disse que o atleta estava inventando a hist\u00f3ria. \u201cA Federa\u00e7\u00e3o se juntou com a Serc e disse que eu n\u00e3o tinha provas, que n\u00e3o foi falado. Provas eu tenho, mas como n\u00e3o fui respaldado pela Federa\u00e7\u00e3o, n\u00e3o levei adiante o caso, muito porque o mes\u00e1rio n\u00e3o quis se indispor. Ele escutou, estava a menos de um metro de dist\u00e2ncia de mim\u201d, detalha.<\/p>\n\n\n\n<p>O jogador faz um apelo para que a estrutura dos campeonatos no estado sejam revistas. \u201cO jogo n\u00e3o tinha pol\u00edcia, n\u00e3o tinha seguran\u00e7a, eram apenas os times numa quadra de futsal. Se tivesse pol\u00edcia, eu poderia correr at\u00e9 eles e seriam tomadas as medidas cab\u00edveis. Hoje, nosso futsal est\u00e1 abandonado neste sentido. Essas coisas poderiam ser revistas\u201d.<\/p>\n\n\n\n<h5 class=\"wp-block-heading\">Da puni\u00e7\u00e3o \u00e0 resist\u00eancia<\/h5>\n\n\n\n<p>Em 2019, a Federa\u00e7\u00e3o Internacional de Futebol (FIFA) remodelou seu C\u00f3digo Disciplinar, incluindo novas medidas para casos de racismo. A puni\u00e7\u00e3o para pessoas (jogadores ou n\u00e3o) acusadas de preconceito \u00e9 a suspens\u00e3o por dez jogos. Aos clubes, as medidas incluem jogar uma partida com n\u00famero reduzido de torcedores e multa de cerca de R$ 110 mil. Se o clube for reincidente, as puni\u00e7\u00f5es podem levar \u00e0 perda de pontos, partidas com port\u00f5es fechados e at\u00e9 exclus\u00e3o da competi\u00e7\u00e3o em que o caso ocorreu.<\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m disso, o atual regulamento deu mais poder aos \u00e1rbitros, que podem interromper as partidas em casos de racismo, seguindo um protocolo de tr\u00eas etapas: solicitar um an\u00fancio p\u00fablico para exigir o fim do comportamento, suspender ou encerrar a partida e declarar derrota de 3 a 0 ao time com torcedores racistas, al\u00e9m de ser aplicada multa de cerca de R$ 56 mil caso o jogo seja paralisado.<\/p>\n\n\n\n<p>Na Europa, a Uni\u00e3o das Associa\u00e7\u00f5es Europeias de Futebol (UEFA) segue a mesma linha da FIFA. O C\u00f3digo Disciplinar da entidade europeia prev\u00ea a suspens\u00e3o de pelo menos dez partidas ou um per\u00edodo espec\u00edfico para pessoas envolvidas em atos de racismo. J\u00e1 os clubes podem ser punidos com, no m\u00ednimo, fechamento parcial do est\u00e1dio e multa. Em caso de reincid\u00eancia, o jogo seguinte ser\u00e1 realizado a portas fechadas e o clube ser\u00e1 multado em 50 mil euros, valor equivalente a R$ 264 mil. Caso haja qualquer infra\u00e7\u00e3o subsequente, o clube pode ser punido com mais de uma partida a portas fechadas, fechamento do est\u00e1dio, perda do jogo, redu\u00e7\u00e3o de pontos ou desclassifica\u00e7\u00e3o na competi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Na Am\u00e9rica do Sul, n\u00e3o \u00e9 incomum jogadores brasileiros sofrerem racismo quando h\u00e1 uma partida internacional, seja pelas competi\u00e7\u00f5es da Libertadores da Am\u00e9rica ou pela Sul-Americana. De janeiro a maio de 2022, a Confedera\u00e7\u00e3o Sul-Americana de Futebol (Conmebol) registrou nove casos de racismo, sendo seis pela Libertadores e tr\u00eas na Sul-Americana. Todos tinham atletas brasileiros como v\u00edtimas.<\/p>\n\n\n\n<p>A frequ\u00eancia desse crime em tais competi\u00e7\u00f5es tem sido recorrente e as cr\u00edticas \u00e0 Conmebol fizeram com que a entidade endurecesse as penas. A multa passou de trinta mil d\u00f3lares para cem mil d\u00f3lares, cerca de R$ 500 mil, podendo chegar aos quatrocentos mil d\u00f3lares, ou R$ 2 milh\u00f5es, se o clube for reincidente. As equipes tamb\u00e9m podem ser penalizadas com jogos com port\u00f5es parcialmente ou totalmente fechados.<\/p>\n\n\n\n<p>Em fevereiro de 2023, a Confedera\u00e7\u00e3o Brasileira de Futebol (CBF) instituiu puni\u00e7\u00f5es em todos os campeonatos nacionais, que incluem multa de at\u00e9 R$ 500 mil, perda de mando de campo ou jogo com port\u00f5es fechados e perda de pontos.<\/p>\n\n\n\n<p>O Regulamento Geral de Competi\u00e7\u00f5es (RGC) da CBF diz que \u201cconsidera-se de extrema gravidade a infra\u00e7\u00e3o de cunho discriminat\u00f3rio praticada por dirigentes, representantes e profissionais dos clubes, atletas, t\u00e9cnicos, membros de Comiss\u00e3o T\u00e9cnica, torcedores e equipes de arbitragem em competi\u00e7\u00f5es coordenadas pela CBF\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>A Confedera\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m pode encaminhar o caso ao Superior Tribunal de Justi\u00e7a Desportiva (STJD) para julgar e, se for o caso, aplicar a perda de pontos ao clube infrator. Al\u00e9m de penas administrativas, o caso pode ser encaminhado \u00e0s autoridades competentes, para apurar e responsabilizar os infratores na justi\u00e7a comum.<\/p>\n\n\n\n<p>Somadas \u00e0s puni\u00e7\u00f5es de entidades oficiais, jogadores e clubes tamb\u00e9m t\u00eam realizado manifesta\u00e7\u00f5es pelo combate ao racismo. S\u00e3o atos como colocar frases de enfrentamento ao racismo nas camisas dos times europeus, entrar em campo com faixas pedindo o fim da discrimina\u00e7\u00e3o, usar uniformes especiais no dia da Consci\u00eancia Negra ou fazer gestos antes da bola rolar, como se ajoelhar e levantar a m\u00e3o fechada, em refer\u00eancia \u00e0 manifesta\u00e7\u00e3o antirracista hist\u00f3rica dos atletas norte-americanos em homenagem ao movimento dos Panteras Negras nas Olimp\u00edadas de 1968.<\/p>\n\n\n\n<h5 class=\"wp-block-heading\">Racismo em foco<\/h5>\n\n\n\n<p>O Observat\u00f3rio da Discrimina\u00e7\u00e3o Racial no Futebol \u00e9 um projeto independente idealizado com o objetivo de monitorar e noticiar os casos de racismo no futebol brasileiro. Al\u00e9m disso, tamb\u00e9m divulga e desenvolve a\u00e7\u00f5es para acabar com o preconceito. Desde 2014, lan\u00e7a anualmente em parceria com a Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) o Relat\u00f3rio da Discrimina\u00e7\u00e3o Racial, que n\u00e3o fala apenas de casos no futebol, mas tamb\u00e9m relata epis\u00f3dios em outros esportes que envolvam atletas brasileiros, assim como outras formas de preconceito e discrimina\u00e7\u00e3o, como machismo, lgbtfobia e xenofobia.<\/p>\n\n\n\n<p>Marcelo Carvalho, diretor do Observat\u00f3rio, percebeu as mudan\u00e7as no futebol em rela\u00e7\u00e3o ao racismo nos \u00faltimos anos. Em sua perspectiva, os esfor\u00e7os para combater o racismo dentro do futebol t\u00eam aumentado, assim como a conscientiza\u00e7\u00e3o sobre a quest\u00e3o racial e a import\u00e2ncia de uma postura antirracista. \u201cA luta contra o racismo tem recebido mais aten\u00e7\u00e3o, resultando em a\u00e7\u00f5es mais abrangentes para enfrentar o problema\u201d, afirma.<br data-rich-text-line-break=\"true\">Segundo o Relat\u00f3rio de 2021 (ano da \u00faltima pesquisa), foram registrados 158 casos de preconceito no futebol e outros esportes, dos quais 137 (87%) aconteceram no Brasil e 21 (13%) com atletas brasileiros no exterior. Destes, 124 (78%) dizem respeito ao futebol e 34 (22%) a outros esportes.<\/p>\n\n\n\n<p>De 2016 a 2019, os n\u00fameros dos casos de discrimina\u00e7\u00e3o no esporte brasileiro aumentaram ano ap\u00f3s ano. Em 2020, os casos tiveram uma queda de 50,65%, por\u00e9m, foi um ano at\u00edpico, pois n\u00e3o havia torcedores nos est\u00e1dios. Em 2021, a volta do p\u00fablico aos est\u00e1dios ap\u00f3s a pandemia ocorreu em outubro, mas bastaram tr\u00eas meses para igualar o n\u00famero recorde de casos de racismo.<\/p>\n\n\n\n<h5 class=\"wp-block-heading\">Uni\u00e3o esportiva<\/h5>\n\n\n\n<p>Epis\u00f3dios de racismo nas quadras e campos, assim como em qualquer outro esporte, s\u00e3o profundamente perturbadores e mostram que h\u00e1 um longo caminho a percorrer na luta contra o racismo. O lugar que deveria ser um ambiente de competi\u00e7\u00e3o saud\u00e1vel e de inclus\u00e3o, muitas vezes se torna palco para manifesta\u00e7\u00f5es de \u00f3dio.<\/p>\n\n\n\n<p>Esses incidentes remetem \u00e0 urg\u00eancia de promover a educa\u00e7\u00e3o e a conscientiza\u00e7\u00e3o sobre a diversidade, al\u00e9m de implementar medidas rigorosas contra a discrimina\u00e7\u00e3o nos esportes, seja ela de ra\u00e7a. g\u00eanero, orienta\u00e7\u00e3o sexual, etc. \u00c9 fundamental que atletas, treinadores, dirigentes e f\u00e3s se unam para rejeitar qualquer forma de discrimina\u00e7\u00e3o, defendendo valores de respeito, igualdade e justi\u00e7a.<\/p>\n\n\n\n<p>O esporte tem o poder de unir pessoas de diferentes origens, culturas e etnias. Portanto, \u00e9 essencial criar um ambiente onde todos se sintam valorizados e respeitados, independentemente de sua cor de pele. Somente atrav\u00e9s da educa\u00e7\u00e3o, empatia e a\u00e7\u00e3o coletiva \u00e9 poss\u00edvel combater o racismo e suas consequ\u00eancias no esporte e na sociedade como um todo.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-buttons is-layout-flex wp-block-buttons-is-layout-flex\">\n<div class=\"wp-block-button aligncenter\"><a class=\"wp-block-button__link wp-element-button\" href=\"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/projetil-101\/\">VOLTAR PARA a EDI\u00c7\u00c3O 101<\/a><\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Epis\u00f3dios de discrimina\u00e7\u00e3o mancham tamb\u00e9m o futebol sul-matogrossense Texto: Alexandra Cavalcanti | Jo\u00e3o Pedro FloresEdi\u00e7\u00e3o: Mariana Pesquero | Murilo Medeiros | Pietra Dorneles Destaque dentro e fora dos campos, o atacante brasileiro do Real Madrid, Vinicius Junior, tem sofrido repetidos ataques racistas em partidas de futebol na Europa. 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