{"id":3801,"date":"2023-12-21T08:04:40","date_gmt":"2023-12-21T12:04:40","guid":{"rendered":"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/?p=3801"},"modified":"2024-02-28T15:38:00","modified_gmt":"2024-02-28T19:38:00","slug":"de-copo-em-copo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/de-copo-em-copo\/","title":{"rendered":"De copo em copo"},"content":{"rendered":"\n<h4 class=\"has-text-align-center wp-block-heading\">Cada vez mais influenciado pelas redes sociais, consumo de bebidas alco\u00f3licas na adolesc\u00eancia pode ser traum\u00e1tico<\/h4>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center has-accent-color has-text-color\"><strong>Texto: Isadora Colete | J\u00falia Nogueira | Keyla Santos | Mariana Pesquero<\/strong><br><strong>Edi\u00e7\u00e3o: J\u00falia Nogueira | Fernanda S\u00e1 | Maria Gabriela Arcanjo<\/strong><\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\"\/>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"471\" height=\"489\" src=\"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2023\/12\/WhatsApp-Image-2023-12-18-at-09.57.17.jpeg\" alt=\"\" class=\"wp-image-3843\" srcset=\"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2023\/12\/WhatsApp-Image-2023-12-18-at-09.57.17.jpeg 471w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2023\/12\/WhatsApp-Image-2023-12-18-at-09.57.17-289x300.jpeg 289w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2023\/12\/WhatsApp-Image-2023-12-18-at-09.57.17-400x415.jpeg 400w\" sizes=\"auto, (max-width: 471px) 100vw, 471px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Ilustra\u00e7\u00e3o: Milena Melo<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p>Tr\u00eas jovens sozinhos em uma pra\u00e7a conhecida por abrigar usu\u00e1rios de drogas. Todos completamente b\u00eabados, sem conseguir levantar do banco em que estavam sentados. A pra\u00e7a fica em frente \u00e0 Unidade de Pronto Atendimento (UPA) do bairro Moreninhas, em Campo Grande (MS). Os funcion\u00e1rios da UPA nem chamam mais a Pol\u00edcia Militar, pois o caso j\u00e1 se tornou comum &#8211; as viaturas pararam de atender aos chamados. Como eles t\u00eam menos de 18 anos, tampouco podem ser abordados sem a presen\u00e7a de um respons\u00e1vel, ent\u00e3o ficam por ali mesmo. Mais um dia comum em uma sociedade que testemunha silenciosamente o crescimento do alcoolismo entre adolescentes.<\/p>\n\n\n\n<p>O aumento do consumo de bebidas alco\u00f3licas entre jovens de 14 a 17 anos est\u00e1 levando muitos a precisarem de ajuda m\u00e9dica. \u00c9 o caso de Jo\u00e3o (nome fict\u00edcio), que aos 16 anos frequentou uma festa open bar e sofreu um coma alco\u00f3lico. O jovem afirma que come\u00e7ou a beber por influ\u00eancia de seus amigos mais pr\u00f3ximos. \u201cNa primeira vez que bebi eu tinha 14 anos. Como sempre andei com pessoas mais velhas, praticamente todo mundo bebia e parecia legal, ent\u00e3o foi mais por curiosidade\u201d. De acordo com pesquisa de 2019 do Centro de Informa\u00e7\u00f5es sobre \u00c1lcool e Sa\u00fade (CISA), 12,5 anos \u00e9 a idade m\u00e9dia que os adolescentes iniciam a ingest\u00e3o de bebidas alco\u00f3licas, sendo que 43,8% deles consomem em festas e 17,8% entre amigos.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image is-style-default\">\n<figure class=\"aligncenter size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"670\" src=\"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2023\/12\/WhatsApp-Image-2023-12-18-at-07.32.35-1024x670.jpeg\" alt=\"\" class=\"wp-image-3802\" srcset=\"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2023\/12\/WhatsApp-Image-2023-12-18-at-07.32.35-1024x670.jpeg 1024w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2023\/12\/WhatsApp-Image-2023-12-18-at-07.32.35-300x196.jpeg 300w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2023\/12\/WhatsApp-Image-2023-12-18-at-07.32.35-768x503.jpeg 768w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2023\/12\/WhatsApp-Image-2023-12-18-at-07.32.35-400x262.jpeg 400w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2023\/12\/WhatsApp-Image-2023-12-18-at-07.32.35.jpeg 1085w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Foto: Ariane Vilharva<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p>Hoje, aos 18 anos, Jo\u00e3o confessa que foi a pior experi\u00eancia com bebida que j\u00e1 teve. \u201cComecei a beber um, dois copos, e a\u00ed quando fui ver j\u00e1 estava passando mal, cambaleando. Fui ao banheiro, vomitei muito, e quando voltei me senti mole e apagou tudo\u201d. Ele morava no interior do estado, e estava na capital sob os cuidados de uma amiga que o levou ao hospital, onde passou parte da noite em observa\u00e7\u00e3o m\u00e9dica.<\/p>\n\n\n\n<p>Os pais devem ser os primeiros a apresentar o \u00e1lcool para seus filhos? Existe uma hora certa para come\u00e7ar a beber? Como educar os jovens para que consumam de forma consciente? O que os leva a esse h\u00e1bito t\u00e3o cedo?<br>A internet pode ser um palco para instigar crian\u00e7as e adolescentes ao consumo de \u00e1lcool. Em 2018, pesquisadores da Universidade de Bergen conduziram um estudo que avaliou o envolvimento de 11.236 estudantes universit\u00e1rios em postagens sobre bebidas alco\u00f3licas. Os resultados revelaram que 96,7% deles tinham sido expostos e em 81% dos casos a mensagem era favor\u00e1vel ao \u00e1lcool, enquanto apenas 40% tinham teor negativo.<\/p>\n\n\n\n<p>Um dos casos que chamou a aten\u00e7\u00e3o foi o da influenciadora digital e tiktoker Belle Belinha, de 17 anos. A adolescente viralizou aos 15 anos ao postar v\u00eddeos saindo para festas e aglomera\u00e7\u00f5es no bairro da Liberdade (SP), em 2021. A m\u00e3e da influencer chegou a ser investigada pelo Minist\u00e9rio P\u00fablico de S\u00e3o Paulo (MPSP), ap\u00f3s um v\u00eddeo postado na plataforma em que ela oferecia bebida alco\u00f3lica para uma crian\u00e7a. O MPSP afirmou que o conte\u00fado incentivava crian\u00e7as e adolescentes a consumir bebida alco\u00f3lica, a ter comportamentos obscenos e frequentar casas noturnas desacompanhados dos respons\u00e1veis.<\/p>\n\n\n\n<p>O psiquiatra e professor da Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS), Kleber Vargas, explica que o f\u00e1cil acesso \u00e0s bebidas alco\u00f3licas \u00e9 um dos motivos para o alto consumo nessa faixa et\u00e1ria. \u201cExistem algumas teorias que tentam explicar porque os jovens atualmente t\u00eam consumido bebida alco\u00f3lica cada vez mais cedo. Muito provavelmente \u00e9 uma cultura que existe no pa\u00eds, onde h\u00e1 uma propaganda forte que faz com que os jovens associem divers\u00e3o ao consumo de bebida alco\u00f3lica\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>O m\u00e9dico esclarece que n\u00e3o existe hora certa para iniciar a ingest\u00e3o de \u00e1lcool, o ideal seria n\u00e3o beber. Contudo, por mais que toda situa\u00e7\u00e3o deva ser individualizada, quanto mais tarde se inicia o consumo, menos prejudicial ele ser\u00e1. \u201cDepois dos 21 anos seria um per\u00edodo menos arriscado porque ap\u00f3s essa idade a maior parte do Sistema Nervoso Central est\u00e1 formada, ent\u00e3o haveria menos consequ\u00eancias pelo consumo da bebida alco\u00f3lica, mas isso n\u00e3o \u00e9 uma regra\u201d<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-buttons is-layout-flex wp-block-buttons-is-layout-flex\">\n<div class=\"wp-block-button aligncenter\"><a class=\"wp-block-button__link wp-element-button\" href=\"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/projetil-101\/\">voltar para a edi\u00e7\u00e3o 101<\/a><\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Cada vez mais influenciado pelas redes sociais, consumo de bebidas alco\u00f3licas na adolesc\u00eancia pode ser traum\u00e1tico Texto: Isadora Colete | J\u00falia Nogueira | Keyla Santos | Mariana PesqueroEdi\u00e7\u00e3o: J\u00falia Nogueira | Fernanda S\u00e1 | Maria Gabriela Arcanjo Tr\u00eas jovens sozinhos em uma pra\u00e7a conhecida por abrigar usu\u00e1rios de drogas. 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