{"id":3819,"date":"2023-12-19T14:31:10","date_gmt":"2023-12-19T18:31:10","guid":{"rendered":"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/?p=3819"},"modified":"2024-02-26T09:34:44","modified_gmt":"2024-02-26T13:34:44","slug":"todo-dia-e-dia-de-exu","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/todo-dia-e-dia-de-exu\/","title":{"rendered":"Todo dia \u00e9 dia de Exu"},"content":{"rendered":"\n<h4 class=\"has-text-align-center wp-block-heading\">Ele est\u00e1 em todo lugar. Tem v\u00e1rios nomes, \u00e9 cultuado de diferentes maneiras e usado para fins diversos. Sabe quem \u00e9?<\/h4>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center has-accent-color has-text-color\"><strong>Texto: Maur\u00edcio Aguiar<\/strong><br><strong>Edi\u00e7\u00e3o: Arthur Ayres | Daniel Baptista | Felipe Ara\u00fajo | Marcos Paulo Amaral<\/strong><br><strong>Fotos: Glenda Rodrigues<\/strong><\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\"\/>\n\n\n\n<p>Segunda-feira, 8 de maio de 2023, a tarde mal havia ca\u00eddo quando o cheiro subiu. Manjeric\u00e3o, cravo, arruda, eucalipto e alecrim, al\u00e9m de outras ervas secas. Tudo queimado no carv\u00e3o em brasa, para depois ir para o tur\u00edbulo*. A movimenta\u00e7\u00e3o na rua era maior do que o normal. Alguns de branco, outros de vermelho, alguns vinham \u00e0 p\u00e9, outros chegavam de carro. Todos que entravam ali tiravam o sapato, com exce\u00e7\u00e3o dos poucos visitantes e curiosos. O atabaque come\u00e7ou a tocar por tr\u00e1s da cortina, que escondia a movimenta\u00e7\u00e3o no altar. Quando ela foi aberta devagar, o pai de santo gritou \u201cLaroy\u00ea*! Salve a Umbanda!\u201d, a maioria j\u00e1 sabia: hoje \u00e9 dia de Exu.<\/p>\n<p>Era f\u00e1cil distinguir quem estava ali pela primeira vez. Os olhares curiosos e t\u00edmidos, que se esgueiravam entre as diversas cabe\u00e7as para conseguir enxergar o que se passava no amontoado altar do templo. Os m\u00e9diuns, todos de branco, dividiam espa\u00e7o com as diversas figuras de divindades, africanas e cat\u00f3licas.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"683\" src=\"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2023\/12\/IMG_5405-1024x683.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-3842\" srcset=\"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2023\/12\/IMG_5405-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2023\/12\/IMG_5405-300x200.jpg 300w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2023\/12\/IMG_5405-768x512.jpg 768w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2023\/12\/IMG_5405-1536x1024.jpg 1536w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2023\/12\/IMG_5405-2048x1365.jpg 2048w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2023\/12\/IMG_5405-1200x800.jpg 1200w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2023\/12\/IMG_5405-1980x1320.jpg 1980w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2023\/12\/IMG_5405-1250x833.jpg 1250w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2023\/12\/IMG_5405-400x267.jpg 400w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p>O primeiro dos ritos foi a defuma\u00e7\u00e3o. Todo mundo girava enquanto um dos filhos de santo passava com o tur\u00edbulo entre as fileiras e os bancos. A fuma\u00e7a impregnava o local e emba\u00e7ava a vista. Dos atabaques ressoam o primeiro ponto de macumba, esse para Oxal\u00e1, o rei de todos os orix\u00e1s. O segundo foi para Iemanj\u00e1, protetora dos mares. O terceiro para Ogum, orix\u00e1 guerreiro. O quarto soou para Ox\u00f3ssi, o ca\u00e7ador. O quinto para Oxum, m\u00e3e das \u00e1guas doces. O sexto, para Ians\u00e3, dona das tempestades. Tocou o s\u00e9timo, para Exu abrir os caminhos. Nesse momento, todos se viraram em dire\u00e7\u00e3o \u00e0 porta.<\/p>\n\n\n\n<p>Exu \u00e9 muita coisa. Nas religi\u00f5es de matriz africana, sua complexidade vai muito al\u00e9m do bem e do mal. Na mitologia iorub\u00e1*, \u00e9 o orix\u00e1 mensageiro, aquele que comunica o plano espiritual com o mundo dos homens, guarda as encruzilhadas e as passagens, decide quem fica e quem vai. No Candombl\u00e9, \u00e9 o primeiro que come \u00e0 mesa. Tem muitos nomes: Legb\u00e1, Elegbar\u00e1, \u00d3nan, Aluvi\u00e1, Odar\u00e1, S\u00e3o Miguel e Santo Ant\u00f4nio. Depende de onde \u00e9 cultuado. Exu \u00e9 mudan\u00e7a e princ\u00edpio de tudo, \u00e9 energia que nunca para de girar. Ele est\u00e1 em todas as pessoas e em todos os lugares, nos terreiros, nas festas, nas feiras, nas m\u00fasicas, nas oferendas, nas ruas, no canto das salas, atr\u00e1s das portas e at\u00e9 no lix\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cB\u00ea, t\u00ea, g\u00ea, p\u00ea, t\u00ea, um, quatro, zero, cinco, nove, c\u00e2mbio Exu, fala majet\u00e9\u201d. \u00c9 assim que Estamira Gomes de Sousa, protagonista do document\u00e1rio hom\u00f4nimo de 2006, dirigido por Marcos Prado, se comunicava com a entidade. Estamira era catadora de lixo, trabalhava e vivia no aterro sanit\u00e1rio do Jardim Gramacho, em Duque de Caxias, no Rio de Janeiro, desativado em 2012.<\/p>\n\n\n\n<h5 style=\"text-align: center\"><span style=\"color: #ff0000\">Laroy\u00ea, Exu! Salve, mensageiro! Ao incorporarem nos m\u00e9diuns, os Exus s\u00e3o cumprimentados pelos demais m\u00e9diuns da gira de Umbanda com o gesto de m\u00e3os cruzadas para baixo e em movimentos circulares.<\/span><\/h5>\n\n\n\n<p>Ela apresentava dist\u00farbios mentais e ficou famosa na regi\u00e3o por seu discurso que misturava loucura e lucidez, morreu aos 70 anos, v\u00edtima de sepse. Sua maneira de se comunicar com o orix\u00e1 chamou aten\u00e7\u00e3o da escola de samba Acad\u00eamicos do Grande Rio, que em 2022 a transformou em fio condutor do seu enredo sobre Exu, e foi coroada campe\u00e3 do carnaval carioca. Na vis\u00e3o da agremia\u00e7\u00e3o, \u2018majet\u00e9\u2019 seria uma refer\u00eancia \u00e0 palavra do franc\u00eas arcaico \u2018majest\u00e9\u2019, que significa majestade.<\/p>\n\n\n\n<p>Na Umbanda, Exu representa um universo de entidades. Pode ser Exu Caveira, Tranca-ruas, Tiriri, Meia-noite, Marab\u00f4, Mirim, Pimenta, Calunga e muito mais. A religi\u00e3o \u00e9dividida em duas linhas de trabalhos: esquerda e direita. Na obra \u2018O Livro da Esquerda na Umbanda\u2019, Janaina Azevedo Corral descreve a esquerda como culto aos Exus e Pombagiras, entidades conhecidas como \u2018povo da rua\u2019 e que atuariam na a\u00e7\u00e3o, rea\u00e7\u00e3o e eleva\u00e7\u00e3o espiritual, j\u00e1 a direita seriam os caboclos e pretos-velhos, que atuam na reestrutura\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o por acaso, a Umbanda seria o espelho do Brasil, com toda a diversidade, grandeza e o \u00f4nus que tal afirma\u00e7\u00e3o carrega. Entre terreiros de ch\u00e3o de terra batida e templos vaidosamente ordenados, este texto abre os caminhos para se conhecer a religi\u00e3o atrav\u00e9s de sua principal entidade, oExu. B\u00ea, t\u00ea, g\u00ea, p\u00ea, t\u00ea, um,quatro, zero, cinco, nove.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Chamado dos orix\u00e1s<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>\u201cExu \u00e9 o dono de toda minha vida, \u00e9 o dono do meu caminho. Exu fica na minha porta, na minha entrada, na minha sa\u00edda. Ele decide o que eu passo, o que eu deixo de passar, decide quem entra, quem sai da minha vida\u201d. \u00c9 assim que, entre tragos do seu cigarro, a m\u00e3e de santo Luara do Ax\u00e9 fala sobre a entidade. Atr\u00e1s dela, as silhuetas de diversas imagens de santo em um grande altar vertical se destacam \u00e0 meia-luz das velas acesas.<\/p>\n\n\n\n<p>Usando vestimentas brancas, turbante e maquiagem pesada, Luara tinha acabado de sair de um atendimento com seu or\u00e1culo de b\u00fazios*, feito virtualmente atrav\u00e9s de uma videochamada. Seu or\u00e1culo \u00e9 o da Pomba-gira, ainda muito discriminada dentro da Umbanda. Pombagira \u00e9 considerada a representa\u00e7\u00e3o feminina de Exu e est\u00e1 junto dele nas entidades da linha de esquerda. \u201cExu \u00e9 o rei dos nossos caminhos, \u00e9 o mensageiro do meu orix\u00e1\u201d, diz a m\u00e3e de santo ao jogar no ch\u00e3o a bituca do cigarro que fumava. Uma de suas filhas de santo recolhe e coloca um cinzeiro ao lado de sua cadeira.<\/p>\n\n\n\n<p>Seu terreiro, Tenda de Umbanda Arco-\u00cdris, se caracteriza como um templo inclusivo para a popula\u00e7\u00e3o LGBTQIA+. Localizado no bairro Aero Rancho, em um amplo terreno que de longe lembra uma casa como qualquer outra, o espa\u00e7o ganha vida toda segunda-feira \u00e0 noite. Nos fundos, um escuro quintal de ch\u00e3o de terra se perde na vista conforme a luz se esvai. O lugar \u00e9 reservado para as incorpora\u00e7\u00f5es das entidades de esquerda durante os ritos.<\/p>\n\n\n\n<p>A Umbanda \u00e9 uma religi\u00e3o afro-brasileira que teve suas origens nos rituais dos antigos centros de Cabula, conhecidos na \u00e9poca como macumba. A Cabula surgiu no final do s\u00e9culo XIX na Bahia, sincretizando a cultura mal\u00ea*, bantu* e esp\u00edrita, como uma vertente do Calundu, nome dado \u00e0s comunidades religiosas africanas e suas pr\u00e1ticas na \u00e9poca. Desde ent\u00e3o, j\u00e1 era caracterizada pela mistura de rituais africanos com o catolicismo e cren\u00e7as amer\u00edndias.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large is-resized\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2023\/12\/IMG_3606-683x1024.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-3844\" width=\"467\" height=\"700\" srcset=\"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2023\/12\/IMG_3606-683x1024.jpg 683w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2023\/12\/IMG_3606-200x300.jpg 200w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2023\/12\/IMG_3606-768x1152.jpg 768w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2023\/12\/IMG_3606-1024x1536.jpg 1024w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2023\/12\/IMG_3606-1365x2048.jpg 1365w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2023\/12\/IMG_3606-1200x1800.jpg 1200w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2023\/12\/IMG_3606-1980x2970.jpg 1980w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2023\/12\/IMG_3606-1250x1875.jpg 1250w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2023\/12\/IMG_3606-400x600.jpg 400w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2023\/12\/IMG_3606-scaled.jpg 1707w\" sizes=\"auto, (max-width: 467px) 100vw, 467px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Pequena est\u00e1tua representando a pomba-gira Maria Padilha do Oriente, conhecida como Ninfa, que guia a m\u00e3e de santo Luara do terreiro Tenda de Umbanda Arco-\u00edris<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p>A Cabula se dividiu em diferentes vertentes. A Macumba Popular, sincretiza n\u00e3o apenas pelas caracter\u00edsticas africanas, crist\u00e3s e ind\u00edgenas, mas tamb\u00e9m pr\u00e1ticas religiosas de diversas partes do mundo, influ\u00eancia do fluxo imigrat\u00f3rio que tomou conta do Brasil no in\u00edcio do s\u00e9culo XX. Em seu livro \u2018As religi\u00f5es do Rio\u2019, o jornalista Jo\u00e3o do Rio descreveu a diversidade presente nos praticantes da macumba da \u00e9poca. \u201cA mistura na macumba n\u00e3o estava presente somente nos mitos, ritos e doutrinas, mas, tamb\u00e9m, estava no campo social que era totalmente heterog\u00eaneo\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Em 1939, em uma tentativa de unifica\u00e7\u00e3o, foi criada a Uni\u00e3o Esp\u00edrita da Umbanda do Brasil. Como consequ\u00eancia, a \u201cUmbanda branca\u201d promoveu uma tentativa de afastamento de suas ra\u00edzes africanas, adotando as obras de Allan Kardec como fundamentos da doutrina umbandista, enquanto as entidades de origem africana e ind\u00edgena, como caboclos, preto-velhos e Exus, eram vistos por uma \u00f3tica racista e representados de forma vulgar: a \u201cUmbanda Preta\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Com o tempo, houve o resgate das ra\u00edzes africanas, hoje presentes nas vertentes populares, com maior aceita\u00e7\u00e3o de sincretismos, e na tra\u00e7ada, com mais influ\u00eancias do Candombl\u00e9. Atualmente, de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estat\u00edstica (IBGE), quase 600 mil pessoas se declaram praticantes da Umbanda ou Candombl\u00e9 no Brasil. Em Mato Grosso do Sul, pouco mais de 6 mil pessoas se identificam como membros destas religi\u00f5es. As cren\u00e7as de matriz africana tendem a ser uma heran\u00e7a de fam\u00edlia, passadas de pais para filhos, como \u00e9 o caso da m\u00e3e Luara. Sua fam\u00edlia materna era candomblecista e a paterna umbandista.<\/p>\n\n\n\n<p>Filha de Oxumar\u00e9, orix\u00e1 do movimento e dos ciclos vitais que geram as transforma\u00e7\u00f5es, Luara teve sua primeira experi\u00eancia espiritual aos quatorze anos, quando sua sa\u00fade come\u00e7ou a ser afetada, experienciando desmaios. \u201cMinha m\u00e3e me levava a diversos m\u00e9dicos e ningu\u00e9m sabia o que tinha de errado comigo\u201d, conta. Sua av\u00f3, uma ialorix\u00e1* do Candombl\u00e9, falou que Luara estava recebendo um chamado dos orix\u00e1s e que seria necess\u00e1rio fazer um bori* na menina.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large is-resized\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2023\/12\/exu2-683x1024.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-3867\" width=\"422\" height=\"633\" srcset=\"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2023\/12\/exu2-683x1024.jpg 683w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2023\/12\/exu2-200x300.jpg 200w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2023\/12\/exu2-768x1152.jpg 768w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2023\/12\/exu2-1024x1536.jpg 1024w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2023\/12\/exu2-1365x2048.jpg 1365w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2023\/12\/exu2-1200x1800.jpg 1200w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2023\/12\/exu2-1250x1875.jpg 1250w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2023\/12\/exu2-400x600.jpg 400w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2023\/12\/exu2.jpg 1600w\" sizes=\"auto, (max-width: 422px) 100vw, 422px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">M\u00e3e Luara incorporada pela entidade Cigana do Oriente<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p>Para Luara, o caminho a ser seguido foi o sacerd\u00f3cio, que ela exerce h\u00e1 mais de dez anos. \u201cEu gostaria de descobrir porque existia a incorpora\u00e7\u00e3o, ent\u00e3o eu fui pra Umbanda, que a gente classifica como a religi\u00e3o-m\u00e3e de todo o espiritismo, em que a gente se descobre, descobre as nossas entidades e pode trabalhar e ajudar ao pr\u00f3ximo atrav\u00e9s das nossas entidades\u201d, explica. Ela come\u00e7ou na Tenda de Umbanda Cacique da Pena Vermelha, em Campo Grande, e aos 22 anos abriu seu pr\u00f3prio templo, que classifica como o mais inclusivo da cidade.<\/p>\n\n\n\n<p>Com mais de 55 filhos de santo, m\u00e3e Luara acredita que o cerne da Umbanda est\u00e1 na possibilidade de ajudar o pr\u00f3ximo e de praticar a caridade. Seu discurso \u00e9 semelhante ao de muitos outros da religi\u00e3o. Pedagoga de forma\u00e7\u00e3o, a umbandista realiza trabalhos sociais no bairro onde sua tenda est\u00e1 localizada e ressalta a import\u00e2ncia da religi\u00e3o na sua vida.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<h5 style=\"text-align: center\"><span style=\"color: #ff0000\">\u201cA Umbanda me tirou de uma depress\u00e3o, salvou a minha vida. As minhas entidades salvaram a minha vida, ent\u00e3o a Umbanda para mim \u00e9 a minha vida\u201d, celebra.<\/span><\/h5>\n\n\n\n<p>Mulher e bissexual, Luara \u00e9 casada com um homem trans e j\u00e1 sofreu LGBTfobia de outros praticantes de religi\u00f5es de matriz africana, inclusive de seus pais. Na comunidade umbandista de Campo Grande, sofre com alcunhas, que seus detratores usam para discriminar os frequentadores de sua tenda. \u201cAqui tenho filhos gays, l\u00e9sbicas, trans e travestis. Todos eles podem ser o que eles quiserem aqui dentro, porque a gente ensina que orix\u00e1 e entidade n\u00e3o diferenciam o ser humano\u201d, afirma.<\/p>\n\n\n\n<p>Por ser uma religi\u00e3o nacional, a Umbanda reflete a pluralidade brasileira de ra\u00e7a, g\u00eanero e classe social. Consequentemente, toda a complexidade que qualifica as rela\u00e7\u00f5es sociais determinadas por esses fatores. Dentro da pr\u00f3pria comunidade umbandista, h\u00e1 relatos de diversos tipos de preconceito. \u201cOs pais de santo de hoje menosprezam aquele Exu que chega urrando, porque o Exu dele \u00e9 classudo, anda de terno e toma da melhor bebida. Existem preconceitos dentro da pr\u00f3pria religi\u00e3o, de sacerdote para sacerdote\u201d, explica.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Culto solit\u00e1rio<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Nos fundos de sua casa no bairro Ana Maria do Couto, regi\u00e3o norte de Campo Grande, o eletrot\u00e9cnico Alexandre Borrego realiza atendimentos medi\u00fanicos em um pequeno quarto na varanda. A ed\u00edcula transformada em um templo pessoal, re\u00fane seu or\u00e1culo de b\u00fazios \u2013 cuidadosamente ornamentado \u2013, uma mesa com dezenas de orix\u00e1s e santos e algumas oferendas espalhadas pelo ch\u00e3o. Um pequeno aparador quase escondido reserva espa\u00e7o para as representa\u00e7\u00f5es de pretos velhos e caboclos.<\/p>\n\n\n\n<p>De camiseta, bermuda e chinelos, a apresenta\u00e7\u00e3o de Alexandre nada lembra a de m\u00e3e Luara. Desprovido de vaidade e de papas na l\u00edngua, antes mesmo que qualquer questionamento pudesse ser feito, o religioso faz o primeiro indagamento. \u201cVoc\u00ea conhece a Umbanda?\u201d Quando a resposta \u00e9 d\u00fabia, ele afirma: \u201ca Umbanda nada mais \u00e9 do que um culto de mortos\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Alexandre ingressou na Umbanda quando se viu diante da necessidade de realizar um trabalho para sua esposa. Foi nesse momento que sua mediunidade se manifestou. A influ\u00eancia familiar tamb\u00e9m desempenhou papel significativo, uma vez que seus pais seguiam a Umbanda tra\u00e7ada. Seu primeiro ritual envolveu a devo\u00e7\u00e3o a Ogum e Ians\u00e3, conhecido como \u201cdeitada\u201d, um cerimonial que ancora a energia dos orix\u00e1s na mente da pessoa que participa do ritual.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c0 medida que Alexandre buscava desenvolver sua espiritualidade, sua sa\u00fade come\u00e7ou a deteriorar, impactando adversamente sua vida financeira e pessoal. Diante da falta de solu\u00e7\u00f5es aparentes, decidiu frequentar o Templo F\u00e9, Amor e Caridade, ao notar que este n\u00e3o trabalhava com a linha de esquerda. Quando incorporou pela primeira vez, pouco menos de um ano desde sua entrada na religi\u00e3o, veio uma crian\u00e7a chamada Pedrinho.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"683\" src=\"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2023\/12\/exu1-1024x683.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-3868\" srcset=\"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2023\/12\/exu1-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2023\/12\/exu1-300x200.jpg 300w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2023\/12\/exu1-768x512.jpg 768w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2023\/12\/exu1-1536x1024.jpg 1536w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2023\/12\/exu1-2048x1365.jpg 2048w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2023\/12\/exu1-1200x800.jpg 1200w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2023\/12\/exu1-1980x1320.jpg 1980w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2023\/12\/exu1-1250x833.jpg 1250w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2023\/12\/exu1-400x267.jpg 400w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Tronqueira da Umbanda Omoloc\u00f3, envolvida em mist\u00e9rios, \u00e9 um anteparo contra as energias negativas e cont\u00e9m imola\u00e7\u00e3o a entidades<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p>Sua experi\u00eancia com Exu aconteceu quando saiu do templo e come\u00e7ou a realizar trabalhos em sua pr\u00f3pria casa. Quem o visitou primeiro, do povo da rua, foi o Exu Calunga, entidade que no passado trabalhava com sua tia. Quando Calunga recuou, apareceu o Exu Tranca-ruas.<\/p>\n\n\n\n<p>Considerado respons\u00e1vel pela limpeza astral dos caminhos, Tranca-ruas \u00e9 o guardi\u00e3o das almas e das encruzilhadas, respons\u00e1vel por abrir as passagens e afastar os eguns, esp\u00edritos de pessoas mortas, evolu\u00eddos e espiritualizados ou obsessores, os famosos \u2018encostos\u2019, que obstruem os caminhos, causando desordem e obst\u00e1culos. O Tranca-ruas atua nas estradas e nos cemit\u00e9rios, \u00e9 ele quem ajuda os esp\u00edritos a fazerem a passagem.<\/p>\n\n\n\n<p>Uma heran\u00e7a do embranquecimento da Umbanda foi a estereotipiza\u00e7\u00e3o das entidades de esquerda, totalmente relegadas por certas vertentes, como a branca, na qual o racismo religioso minimizou as ra\u00edzes africanas. \u201cOs trabalhos com a esquerda sempre foram deixados de lado pela Umbanda. Chamam os Exus para limpar a porcaria dos outros, eles sempre vem no final da gira para recolher o lixo. N\u00e3o \u00e9 legal voc\u00ea tratar eles dessa forma\u201d, adverte Alexandre.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<h5 style=\"text-align: center\"><span style=\"color: #ff0000\">Os Exus renegados foram buscar seu lugar na Quimbanda, que durante muito tempo ficou conhecida como \u2018magia negra\u2019, a parte ruim da Umbanda.<\/span><\/h5>\n\n\n\n<p>Caracterizada pelo culto aos Exus e Pombagiras, a Quimbanda \u00e9 uma filosofia religiosa de origem afro-brasileira. Ainda n\u00e3o h\u00e1 um consenso quanto \u00e0 sua defini\u00e7\u00e3o. Alguns argumentam que \u00e9 uma religi\u00e3o propriamente dita, outros dizem ser uma linha da Umbanda que trabalha apenas com as entidades da esquerda. \u2018O Livro Negro da Quimbanda\u2019, da Ordo Volucer Serpentes, define a Quimbanda como um sistema tribal de culto aos ancestrais divinizados, atrav\u00e9s de rituais, liba\u00e7\u00f5es e evoca\u00e7\u00f5es a diversos espir\u00edtos e entidades.<\/p>\n\n\n\n<p>Categ\u00f3rico, Alexandre diz que o racismo na religi\u00e3o est\u00e1 presente desde a sua cria\u00e7\u00e3o, quando Z\u00e9lio proibiu o culto \u00e0s entidades de esquerda em suas casas. A forte influ\u00eancia do catolicismo marca a Umbanda at\u00e9 hoje, com muitos terreiros estruturados com base no patriarcado e pouco inclusivos com a popula\u00e7\u00e3o LGBTQIA +. Em refer\u00eancia \u00e0 sua \u00faltima passagem por um templo de Umbanda, o religioso relata uma experi\u00eancia que o fez abandonar de vez os terreiros.<\/p>\n<p>Durante a pandemia de Covid-19, foi um dos poucos, dentro da comunidade em que participava, que se manifestou a favor do fechamento do templo durante o pico de mortes. Os outros fi\u00e9is, coagidos pelo discurso negacionista do pai de santo, optaram pelo sil\u00eancio. Alexandre e os poucos que se manifestaram foram banidos do terreiro e o pai de santo, at\u00e9 o que se sabe, nunca se vacinou. \u201cFoi dado o recado ali de quem que ele estava apoiando\u201d, conclui.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>\u00c0 esquerda<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A dualidade entre esquerda e direita est\u00e1 presente nos dois principais campos sociais, a pol\u00edtica e a religi\u00e3o. Em uma breve explica\u00e7\u00e3o, a rela\u00e7\u00e3o entre esquerda e direita na pol\u00edtica pode ser definida da seguinte maneira: a esquerda inclui ideias progressistas e libert\u00e1rias, j\u00e1 a direita \u00e9 definida pelo conservadorismo e a manuten\u00e7\u00e3o da hierarquia social. Na Fran\u00e7a, onde os conceitos surgiram durante a Revolu\u00e7\u00e3o Francesa, a esquerda \u00e9 vista como o \u201cpartido do movimento\u201d e a direita como o \u201cpartido da ordem\u201d. O autor que aqui vos escreve com a m\u00e3o direita assume que tem afinidade com a esquerda.<\/p>\n\n\n\n<p>J\u00e1 na religi\u00e3o, a esquerda tem implica\u00e7\u00f5es t\u00e3o complexas quanto. Na catequese, me lembro bem quando ensinaram que o pai nosso se faz com a m\u00e3o direita, na \u00e9poca n\u00e3o entendi o porqu\u00ea. Descobri mais tarde que os canhotos foram perseguidos na Inquisi\u00e7\u00e3o no s\u00e9culo 12 porque associavam o uso da m\u00e3o esquerda \u00e0 bruxaria, vai entender. J\u00e1 na Umbanda, as entidades da esquerda s\u00e3o aquelas que n\u00e3o aceitaram as normas sociais impostas, que foram contra o sistema em vida e representam a margem da sociedade.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2018O Livro Negro da Quimbanda\u2019 define Exu como aquele que desconstr\u00f3i o politicamente correto, que quebra as leis da sociedade, que transgride, que est\u00e1 fora dos comportamentos aceitos e impostos. Ele seria o oposto da civilidade e da moralidade, ele \u00e9 oposi\u00e7\u00e3o, subversividade e insubmiss\u00e3o. De qualquer forma, a esquerda, seja l\u00e1 qual ela for, \u00e9 sempre vista como insubordinada, inquieta, revolucion\u00e1ria e extrema.<\/p>\n\n\n\n<p>No desfile da Grande Rio sobre Exu, Estamira veio na \u00faltima alegoria, representando o lix\u00e3o da sociedade em um carro todo reciclado. N\u00e3o apenas o lix\u00e3o em seu sentido literal, onde h\u00e1 o dep\u00f3sito de tudo aquilo que \u00e9 descartado pela sociedade, que \u00e9 a principal fonte de renda de diversas pessoas marginalizadas e quando reciclado \u00e9 transformado em coisa nova.<\/p>\n<p>O lix\u00e3o ali tamb\u00e9m \u00e9 figurado, \u00e9 a representa\u00e7\u00e3o da desigualdade social, que exclui para fora dos limites da cidade o que foge da norma social, estes s\u00e3o os Exus da vida real, que por fim ser\u00e3o os Exus do plano espiritual. \u00c9 roda que nunca para de girar.<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\"\/>\n\n\n\n<p><strong>Gloss\u00e1rio<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Bantu:<\/strong> grupo etnolingu\u00edstico localizado principalmente na \u00c1frica subsariana e que engloba cerca de 400 subgrupos \u00e9tnicos diferentes;<\/p>\n<p><strong>Bori:<\/strong> nas religi\u00f5es de matriz africana, \u00e9 um complexo ritual de oferenda que busca canalizar a paz, tranquilidade, sa\u00fade e equil\u00edbrio, podendo ser classificado como um rito de inicia\u00e7\u00e3o no Candombl\u00e9, por\u00e9m pouco usado na Umbanda.<\/p>\n<p><strong>B\u00fazios:<\/strong> uma das artes divinat\u00f3rias utilizado nas religi\u00f5es tradicionais africanas e na religi\u00f5es da di\u00e1spora africana instaladas em muitos pa\u00edses das Am\u00e9ricas.<\/p>\n<p><strong>Ialorix\u00e1:<\/strong> \u00e9 a sacerdotisa de um terreiro, seja ele de Candombl\u00e9, Umbanda ou Quimbanda.<\/p>\n<p><strong>Iorub\u00e1:<\/strong> povo negro da \u00c1frica ocidental, a sudoeste da Nig\u00e9ria, no Daom\u00e9 e no Togo. A cultura iorub\u00e1 foi introduzida no Brasil pelos negros da Costa dos Escravos, sendo comum, em nosso pa\u00eds, chamar-se \u201cnag\u00f4\u201d aos iorub\u00e1s e a sua l\u00edngua;<\/p>\n<p><strong>Laroy\u00ea:<\/strong> \u201cLaroy\u00ea, Exu\u201d, que tamb\u00e9m pode ser escrito como \u201cLaroi\u00ea, Exu\u201d, \u00e9 uma express\u00e3o usada como sauda\u00e7\u00e3o \u00e0 entidade Exu. Ela pode ser traduzida como \u201cSalve, mensageiro\u201d;<\/p>\n<p><strong>Mal\u00ea:<\/strong> denomina\u00e7\u00e3o atribu\u00edda, especialmente na Bahia, a negro mu\u00e7ulmano trazido do Noroeste da \u00c1frica (hau\u00e7\u00e1, tapa, bornu etc.);<\/p>\n<p><strong>Tur\u00edbulo:<\/strong> Vaso suspenso por pequenas correntes, usado nos templos para nele queimar-se o incenso; incens\u00e1rio;<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-buttons is-layout-flex wp-block-buttons-is-layout-flex\">\n<div class=\"wp-block-button aligncenter\"><a class=\"wp-block-button__link has-background-color has-accent-background-color has-text-color has-background wp-element-button\" href=\"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/projetil-101\/\"><strong>Voltar para a edi\u00e7\u00e3o 101<\/strong><\/a><\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ele est\u00e1 em todo lugar. Tem v\u00e1rios nomes, \u00e9 cultuado de diferentes maneiras e usado para fins diversos. Sabe quem \u00e9? Texto: Maur\u00edcio AguiarEdi\u00e7\u00e3o: Arthur Ayres | Daniel Baptista | Felipe Ara\u00fajo | Marcos Paulo AmaralFotos: Glenda Rodrigues Segunda-feira, 8 de maio de 2023, a tarde mal havia ca\u00eddo quando o cheiro subiu. Manjeric\u00e3o, cravo, [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":35,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[33],"tags":[],"class_list":["post-3819","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-reportagem101"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3819","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-json\/wp\/v2\/users\/35"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=3819"}],"version-history":[{"count":13,"href":"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3819\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":3949,"href":"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3819\/revisions\/3949"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=3819"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=3819"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=3819"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}