{"id":3824,"date":"2023-12-18T10:07:24","date_gmt":"2023-12-18T14:07:24","guid":{"rendered":"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/?p=3824"},"modified":"2024-02-26T09:38:50","modified_gmt":"2024-02-26T13:38:50","slug":"fauna-em-risco","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/fauna-em-risco\/","title":{"rendered":"Fauna em risco"},"content":{"rendered":"\n<h4 class=\"has-text-align-center wp-block-heading\">Animais silvestres nativos do Pantanal sob amea\u00e7a de extin\u00e7\u00e3o<\/h4>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center has-accent-color has-text-color\"><strong>Texto: Anna Luiza Petterman | Marina Gabriely Alves<br>Edi\u00e7\u00e3o: Ingrid Potasio | Isadora Colete | Jo\u00e3o Vitor Marques<\/strong><\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\"\/>\n\n\n\n<p>Se o Pantanal fosse um pa\u00eds, ocuparia a 39 posi\u00e7\u00e3o entre os pa\u00edses com mais biodiversidade do mundo. Entretanto, essa variedade biol\u00f3gica est\u00e1 em risco. Atropelamentos nas rodovias que contornam o bioma, pesca predat\u00f3ria, ca\u00e7a ilegal, desmatamento e queimadas irregulares s\u00e3o exemplos de a\u00e7\u00f5es que impactam diretamente na sobreviv\u00eancia do ecossistema.<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo dados da Organiza\u00e7\u00e3o N\u00e3o Governamental (ONG) SOS Pantanal, o bioma possui cerca de 3.500 esp\u00e9cies de plantas, 650 de aves, 124 de mam\u00edferos, 80 de r\u00e9pteis, 60 de anf\u00edbios e 260 esp\u00e9cies de peixes. A conserva\u00e7\u00e3o desses animais depende de diversos aspectos, principalmente clim\u00e1ticos e humanos.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"685\" src=\"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2023\/12\/foto_07-1024x685.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-3848\" srcset=\"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2023\/12\/foto_07-1024x685.jpg 1024w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2023\/12\/foto_07-300x201.jpg 300w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2023\/12\/foto_07-768x514.jpg 768w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2023\/12\/foto_07-1536x1028.jpg 1536w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2023\/12\/foto_07-2048x1371.jpg 2048w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2023\/12\/foto_07-1200x803.jpg 1200w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2023\/12\/foto_07-1980x1325.jpg 1980w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2023\/12\/foto_07-1250x837.jpg 1250w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2023\/12\/foto_07-400x268.jpg 400w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Foto: Divulga\u00e7\u00e3o\/ICAS<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>A Lista Vermelha de Esp\u00e9cies Amea\u00e7adas da Uni\u00e3o Internacional para a Conserva\u00e7\u00e3o da Natureza (UICN) avaliou animais da fauna do Pantanal como \u2018vulner\u00e1veis\u2019, como a on\u00e7a-pintada, o tamandu\u00e1-bandeira, o cervo-do-pantanal, o tatu-canastra e o udu-de-coroa-azul. A UICN tamb\u00e9m classificou esp\u00e9cies \u2018em perigo\u2019, como a anta, a ariranha, o jacu-de-barriga-castanha e o gato-maracaj\u00e1.<\/p>\n\n\n\n<p>A exist\u00eancia de iniciativas que estudam sobre a fauna do Pantanal e auxiliam no cuidado e preserva\u00e7\u00e3o das esp\u00e9cies tem se tornado cada vez mais necess\u00e1ria. O Instituto de Conserva\u00e7\u00e3o de Animais Silvestres (ICAS) \u00e9 uma organiza\u00e7\u00e3o sem fins lucrativos, que se dedica \u00e0 conserva\u00e7\u00e3o da biodiversidade por meio de estudos e projetos. Localizado em Campo Grande, o ICAS tem como principal objetivo a conserva\u00e7\u00e3o de duas esp\u00e9cies \u201cic\u00f4nicas\u201d da fauna pantaneira, o tatu-canastra e o tamandu\u00e1-bandeira, atrav\u00e9s dos projetos \u2018Tatu-Canastra\u2019 e \u2018Bandeiras e Rodovias\u2019.<\/p>\n\n\n\n<p>A bi\u00f3loga, doutora em Ecologia e gestora ambiental do ICAS, Andr\u00e9ia Figueiredo, atua como educadora ambiental desde 2009 e em 2018 entrou para a equipe do Instituto. \u201cEu acredito que quanto mais trabalhamos na \u00e1rea da conserva\u00e7\u00e3o de biodiversidade, perde o sentido n\u00e3o trabalharmos os componentes de educa\u00e7\u00e3o e pol\u00edticas p\u00fablicas que envolvem toda a \u00e1rea de educa\u00e7\u00e3o ambiental\u201d. A bi\u00f3loga afirma que o trabalho do Instituto \u00e9 a favor da coexist\u00eancia \u201chumano-fauna\u201d, e apesar do ICAS ter projetos focados em animais em extin\u00e7\u00e3o, o objetivo final \u00e9 a conscientiza\u00e7\u00e3o da popula\u00e7\u00e3o sobre a necessidade desses animais para a manuten\u00e7\u00e3o do ecossistema.<\/p>\n\n\n\n<p>Andr\u00e9ia afirma que mediar os conflitos entre humanos e animais \u00e9 uma das medidas encontradas pelo ICAS para auxiliar na preserva\u00e7\u00e3o da fauna. O tatu-canastra costuma derrubar caixas de colmeias para se alimentar das larvas de abelhas, o que gera preju\u00edzo para os apicultores. Como forma de evitar que os apicultores fa\u00e7am mal a esp\u00e9cie, o Instituto criou o projeto \u2018Canastras e Colmeias\u2019, com materiais sobre como evitar o ataque desse animal, e o selo \u2018Amigo do Tatu-Canastra\u2019 para agregar valor ao produto dos apicultores que aceitaram essa medida de mitiga\u00e7\u00e3o e preserva\u00e7\u00e3o da vida do tatu.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Amea\u00e7a iminente<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>O contato entre o ser humano e o meio ambiente pode ser considerado uma das principais amea\u00e7as para o funcionamento de um ecossistema. A \u201cinvas\u00e3o\u201d das rodovias \u00e0 casa dos animais silvestres \u00e9 um dos fatores de choque entre as esp\u00e9cies, e os atropelamentos e colis\u00f5es veiculares s\u00e3o duas das principais causas de mortalidade na regi\u00e3o. O projeto de pesquisa Bandeiras e Rodovias, idealizado pelo ICAS, atua no monitoramento dessas colis\u00f5es com o objetivo de diminuir os n\u00fameros e alcan\u00e7ar estradas mais seguras para todos.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"681\" src=\"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2023\/12\/foto_04-1024x681.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-3849\" srcset=\"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2023\/12\/foto_04-1024x681.jpg 1024w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2023\/12\/foto_04-300x200.jpg 300w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2023\/12\/foto_04-768x511.jpg 768w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2023\/12\/foto_04-1536x1022.jpg 1536w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2023\/12\/foto_04-2048x1363.jpg 2048w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2023\/12\/foto_04-1200x798.jpg 1200w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2023\/12\/foto_04-1980x1318.jpg 1980w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2023\/12\/foto_04-1250x832.jpg 1250w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2023\/12\/foto_04-400x266.jpg 400w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Foto: ICAS<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>Esse encontro na malha rodovi\u00e1ria impacta negativamente os dois lados. Para os animais, os acidentes, na maioria das vezes, s\u00e3o fatais. J\u00e1 para as pessoas, causam danos f\u00edsicos e psicol\u00f3gicos, podendo levar o indiv\u00edduo envolvido a \u00f3bito. Conforme dados da Pol\u00edcia Rodovi\u00e1ria de Mato Grosso do Sul, 614 colis\u00f5es com animais, ocorridas entre 2007 e 2019, tiveram v\u00edtimas fatais ou feridas.<\/p>\n\n\n\n<p>O engenheiro florestal Yuri Ribeiro aponta que o ICAS se dedica aos projetos de conserva\u00e7\u00e3o que adotam as dimens\u00f5es humanas como uma frente de trabalho, atuando na cria\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas p\u00fablicas, articula\u00e7\u00f5es com institui\u00e7\u00f5es do governo e com a educa\u00e7\u00e3o ambiental. \u201cTemos feito um grande trabalho para implementar o que n\u00f3s chamamos de medidas de mitiga\u00e7\u00e3o nas rodovias que s\u00e3o passagens de fauna, cercamento, s\u00e3o todas as modifica\u00e7\u00f5es f\u00edsicas na rodovia que v\u00e3o garantir de alguma forma que n\u00f3s possamos diminuir o impacto que elas causam na fauna silvestre\u201d.<\/p>\n\n\n\n<h5 style=\"text-align: center\"><span style=\"color: #ff0000\">Para diminuir o risco de extin\u00e7\u00e3o dessas esp\u00e9cies, a preserva\u00e7\u00e3o do habitat natural \u00e9 fundamental. Trabalhar com os povos tradicionais do Mato Grosso do Sul e entender as suas rela\u00e7\u00f5es com a fauna e flora do Pantanal \u00e9 uma das possibilidades<\/span><\/h5>\n\n\n\n<p>Yuri trabalha com an\u00e1lise de dados, pol\u00edticas p\u00fablicas e apoio cient\u00edfico em projetos voltados para a conserva\u00e7\u00e3o da biodiversidade no ICAS. Ele explica que as colis\u00f5es veiculares s\u00e3o um problema cr\u00f4nico que afeta todo o estado de Mato Grosso do Sul e envolve muitas esp\u00e9cies que est\u00e3o amea\u00e7adas de extin\u00e7\u00e3o. Entre 2017 e 2020, 2.159 carca\u00e7as de tamandu\u00e1s-bandeira, capivaras e antas foram encontradas em virtude de atropelamentos nas rodovias sul-mato-grossenses, conforme dados levantados pelo instituto.<\/p>\n\n\n\n<p>O lema do Bandeiras e Rodovias \u00e9 garantir estradas mais seguras para todos. Investiga\u00e7\u00f5es realizadas identificaram que algumas esp\u00e9cies s\u00e3o mais afetadas do que outras. A exemplo disso, temos o tamandu\u00e1-bandeira, uma das esp\u00e9cies mais vitimadas pelos atropelamentos.<\/p>\n\n\n\n<p>Outro fator que amea\u00e7a a fauna do pantanal s\u00e3o as ca\u00e7as ilegais, cria\u00e7\u00f5es em cativeiro, tr\u00e1fico e maus-tratos. Segundo levantamento realizado pela Pol\u00edcia Militar Ambiental de Mato Grosso do Sul (PMA-MS), 92 pessoas foram autuadas por crimes ambientais em 2022, totalizando R$1.504 milh\u00e3o em multas. Dessas, 29 praticavam ca\u00e7a ilegal.<\/p>\n\n\n\n<p>Dentre as riquezas do bioma, os vastos rios e plan\u00edcies alagadas s\u00e3o sempre contemplados, assim como os peixes de \u00e1gua doce. Devido a abund\u00e2ncia da vida aqu\u00e1tica, o Pantanal \u00e9 o principal destino de pesca esportiva, amadora e profissional do Brasil. Conforme o mesmo levantamento, cerca de 100 mil pescadores passam pelas \u00e1guas pantaneiras durante os meses em que a pr\u00e1tica \u00e9 liberada. As infra\u00e7\u00f5es mais frequentes est\u00e3o relacionadas ao uso de redes e ao abate de peixes fora dos tamanhos permitidos.<\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m disso, conforme levantamento do G1 Natureza em parceria com as autoridades locais, a cada 204km2, apenas um fiscal estava encarregado da miss\u00e3o de preservar o Pantanal e combater a ca\u00e7a e a pesca ilegal, assim como os demais crimes ambientais. Pela necessidade de ter um flagrante da a\u00e7\u00e3o, fiscalizar e punir quem pratica essas atividades s\u00e3o as maiores dificuldades das autoridades respons\u00e1veis.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"678\" src=\"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2023\/12\/foto_01-1024x678.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-3850\" srcset=\"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2023\/12\/foto_01-1024x678.jpg 1024w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2023\/12\/foto_01-300x199.jpg 300w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2023\/12\/foto_01-768x509.jpg 768w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2023\/12\/foto_01-1536x1017.jpg 1536w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2023\/12\/foto_01-2048x1356.jpg 2048w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2023\/12\/foto_01-1200x795.jpg 1200w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2023\/12\/foto_01-1980x1311.jpg 1980w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2023\/12\/foto_01-1250x828.jpg 1250w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2023\/12\/foto_01-400x265.jpg 400w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Foto: Raquel Alves\/INCAB<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>Para al\u00e9m das a\u00e7\u00f5es exclusivamente humanas, o habitat desses animais frequentemente \u00e9 afetado por fen\u00f4menos naturais. O fogo acontece no Pantanal h\u00e1 mais de 8 mil anos e se tratava de uma etapa de renova\u00e7\u00e3o do bioma. Contudo, a interven\u00e7\u00e3o humana por meio do desmatamento e do agroneg\u00f3cio intensificaram a perman\u00eancia, intensidade e volume desses inc\u00eandios florestais, afetando negativamente a vida pantaneira.<\/p>\n\n\n\n<p>O bi\u00f3logo e atual diretor de comunica\u00e7\u00e3o do Instituto SOS Pantanal, Gustavo Figueir\u00f4a, explica que as not\u00edcias veiculadas s\u00e3o estrat\u00e9gicas e transmitem informa\u00e7\u00f5es importantes sobre o que est\u00e1 acontecendo no bioma. \u201cTemos uma linha de atua\u00e7\u00e3o que \u00e9 em inc\u00eandios florestais, com o programa brigadas pantaneiras. A gente ajudou na forma\u00e7\u00e3o de 24 brigadas espalhadas pelo Pantanal, distribuindo equipamentos e treinando cada uma. Tamb\u00e9m fazemos o monitoramento do fogo e disponibilizamos para elas diariamente\u201d. De 2020 a 2022, houve uma redu\u00e7\u00e3o de mais de 86% dos focos de calor nas \u00e1reas onde as brigadas t\u00eam a sua \u00e1rea de atua\u00e7\u00e3o, o que impacta diretamente na preserva\u00e7\u00e3o da fauna.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>ConservA\u00c7\u00c3O<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Para diminuir o risco de extin\u00e7\u00e3o dessas esp\u00e9cies, a preserva\u00e7\u00e3o do habitat natural \u00e9 fundamental. A ONG Ecologia e A\u00e7\u00e3o (Ecoa), fundada em 1989 na capital sul-mato-grossense, re\u00fane bi\u00f3logos, cientistas sociais, arquitetos, engenheiros e comunicadores que desenvolvem projetos e incentivam pol\u00edticas p\u00fablicas para a conserva\u00e7\u00e3o ambiental e a sustentabilidade nos meios rural e urbano. Trabalhar com os povos tradicionais do Mato Grosso do Sul e entender as suas rela\u00e7\u00f5es com a fauna e flora do Pantanal \u00e9 uma vertente valorizada pela ONG.<\/p>\n\n\n\n<p>O bi\u00f3logo e Diretor Presidente da Ecoa, Andr\u00e9 Siqueira, afirma que todas as a\u00e7\u00f5es da ONG impactam a prote\u00e7\u00e3o da fauna. \u201cNa Agenda de Conserva\u00e7\u00e3o e Desenvolvimento do Pantanal no Cerrado a gente trata desde a cria\u00e7\u00e3o e gest\u00e3o de \u00e1reas protegidas, at\u00e9 o trabalho diretamente com os grupos extrativistas, povos e comunidades tradicionais. Todos eles manejam esp\u00e9cies das mais diversificadas poss\u00edveis.\u201d Para que a fauna seja preservada, o habitat natural em que vive deve ser conservado e a popula\u00e7\u00e3o precisa ser conscientizada sobre a import\u00e2ncia desses animais no ecossistema.<\/p>\n\n\n\n<p>Andr\u00e9 evidencia que a biodiversidade da flora do Pantanal contribuiu diretamente para a quantidade de esp\u00e9cies animais naturais do bioma. O bi\u00f3logo afirma que o desmatamento n\u00e3o influencia apenas na preserva\u00e7\u00e3o da fauna como tamb\u00e9m no turismo do Pantanal. \u201c\u00c9 extremamente prejudicial para a \u00e1rea o desmatamento e a altera\u00e7\u00e3o do solo para a agricultura\u201d. O bi\u00f3logo reitera a import\u00e2ncia da fiscaliza\u00e7\u00e3o de \u00f3rg\u00e3os governamentais e das pol\u00edcias militar, ambiental e federal para garantir o cumprimento da lei quanto \u00e0 preserva\u00e7\u00e3o do bioma e ao bem-estar dos animais.<\/p>\n\n\n\n<h5 style=\"text-align: center\"><span style=\"color: #ff0000\">O desmatamento regular ou irregular, queimadas e a introdu\u00e7\u00e3o de esp\u00e9cies ex\u00f3ticas s\u00e3o os principais fatores de risco \u00e0 preserva\u00e7\u00e3o do habitat e da vida dos animais silvestres do Pantanal<\/span><\/h5>\n\n\n\n<p>De acordo com a ONG WWF-Brasil (Fundo Mundial Para a Natureza), a pecu\u00e1ria n\u00e3o sustent\u00e1vel, a monocultura da cana-de-a\u00e7\u00facar e da soja e a contamina\u00e7\u00e3o de solos e dos recursos h\u00eddricos com insumos agr\u00edcolas s\u00e3o pontos que dificultam a conserva\u00e7\u00e3o da fauna e flora do Pantanal. As iniciativas de ONG\u2019s como a Ecoa, o SOS Pantanal e o Icas s\u00e3o importantes para produzir estudos constantes sobre o bioma e as adversidades encontradas pelos animais silvestres em seu habitat natural. Mas al\u00e9m das a\u00e7\u00f5es de ONG\u2019s, a conscientiza\u00e7\u00e3o da popula\u00e7\u00e3o acerca do cuidado com a fauna e flora \u00e9 necess\u00e1ria para evitar a extin\u00e7\u00e3o desses animais.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"678\" src=\"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2023\/12\/foto_06-1024x678.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-3851\" srcset=\"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2023\/12\/foto_06-1024x678.jpg 1024w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2023\/12\/foto_06-300x199.jpg 300w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2023\/12\/foto_06-768x509.jpg 768w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2023\/12\/foto_06-1536x1017.jpg 1536w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2023\/12\/foto_06-2048x1356.jpg 2048w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2023\/12\/foto_06-1200x795.jpg 1200w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2023\/12\/foto_06-1980x1311.jpg 1980w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2023\/12\/foto_06-1250x828.jpg 1250w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2023\/12\/foto_06-400x265.jpg 400w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Foto: Raquel Alves\/INCAB<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>A bi\u00f3loga e doutora em Ecologia e Conserva\u00e7\u00e3o pela Universidade Federal de Mato Grosso do Sul Elizabete Costa afirma que conserva\u00e7\u00e3o e preserva\u00e7\u00e3o s\u00e3o conceitos diferentes nos estudos em Ecologia. Unidades de conserva\u00e7\u00e3o s\u00e3o \u00e1reas que sofreram \u201calgum grau de interfer\u00eancia\u201d, enquanto \u201cpreservar \u00e9 um conceito mais amplo\u201d. A exist\u00eancia de esp\u00e9cies da fauna e flora que estejam em extin\u00e7\u00e3o ou que sejam representativas de uma regi\u00e3o, e conserva\u00e7\u00e3o do perfil caracter\u00edstico do bioma local, s\u00e3o elementos que determinam a cria\u00e7\u00e3o de uma \u00e1rea de conserva\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo Elizabete, o desmatamento regular ou irregular, queimadas e a introdu\u00e7\u00e3o de esp\u00e9cies ex\u00f3ticas s\u00e3o os principais fatores de risco \u00e0 preserva\u00e7\u00e3o do habitat e da vida dos animais silvestres do Pantanal. A ocorr\u00eancia de a\u00e7\u00f5es humanas realizadas em regi\u00f5es do seu entorno, como a constru\u00e7\u00e3o de rodovias, atividade agropecu\u00e1ria e o assoreamento de rios, como o rio Taquari, s\u00e3o fatores que acarretam no desequil\u00edbrio do ecossistema pantaneiro. A bi\u00f3loga afirma que a forma\u00e7\u00e3o do Pantanal como uma jun\u00e7\u00e3o de diferentes biomas brasileiros, faz com que ele seja \u201cmuito resiliente\u201d \u00e0s altera\u00e7\u00f5es provocadas pela a\u00e7\u00e3o humana.<\/p>\n\n\n\n<p>No dia cinco de junho de 2022 o Governo do estado de Mato Grosso do Sul anunciou o Projeto Sementes do Taquari, que consiste no reflorestamento de uma \u00e1rea de 1.800 hectares de solo degradado, localizada nas cabeceiras do Taquari, rio da regi\u00e3o norte do estado que passa pelo Pantanal. Com investimento de 6 milh\u00f5es de reais, ser\u00e1 o maior projeto de recupera\u00e7\u00e3o ambiental em unidade de conserva\u00e7\u00e3o do Brasil. Essa medida de reflorestamento auxilia, al\u00e9m da revitaliza\u00e7\u00e3o da regi\u00e3o, na readequa\u00e7\u00e3o do ambiente para a fauna local. Mas, al\u00e9m de medidas de recupera\u00e7\u00e3o, iniciativas de mitiga\u00e7\u00e3o mostram-se urgentes para que esses espa\u00e7os n\u00e3o precisem de uma revitaliza\u00e7\u00e3o constante e os animais silvestres possam se desenvolver com seguran\u00e7a em seus habitats.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-buttons is-layout-flex wp-block-buttons-is-layout-flex\">\n<div class=\"wp-block-button aligncenter\"><a class=\"wp-block-button__link has-background-color has-accent-background-color has-text-color has-background wp-element-button\" href=\"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/projetil-101\/\">Voltar para a edi\u00e7\u00e3o 101<\/a><\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Animais silvestres nativos do Pantanal sob amea\u00e7a de extin\u00e7\u00e3o Texto: Anna Luiza Petterman | Marina Gabriely AlvesEdi\u00e7\u00e3o: Ingrid Potasio | Isadora Colete | Jo\u00e3o Vitor Marques Se o Pantanal fosse um pa\u00eds, ocuparia a 39 posi\u00e7\u00e3o entre os pa\u00edses com mais biodiversidade do mundo. Entretanto, essa variedade biol\u00f3gica est\u00e1 em risco. 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