{"id":4075,"date":"2024-07-12T11:03:05","date_gmt":"2024-07-12T15:03:05","guid":{"rendered":"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/?p=4075"},"modified":"2024-07-16T10:51:28","modified_gmt":"2024-07-16T14:51:28","slug":"um-dia-no-off","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/um-dia-no-off\/","title":{"rendered":"Um dia no off"},"content":{"rendered":"\n<h4 class=\"wp-block-heading has-text-align-center\">Esta reportagem foi constru\u00edda a partir da experi\u00eancia imersiva das quatro rep\u00f3rteres que, depois de verificarem que ficam mais de nove horas por dia na tela do celular, resolveram que seriam suas pr\u00f3prias fontes personagens. O resultado voc\u00ea acompanha aqui<\/h4>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center has-accent-color has-text-color\"><strong>Texto: Ariane Vilharva | Gabrielly Pedra | Ingrid Prot\u00e1sio | Sarah Neres<\/strong><\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\"\/>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"709\" src=\"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2024\/06\/todas-online-1024x709.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-4390\" srcset=\"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2024\/06\/todas-online-1024x709.jpg 1024w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2024\/06\/todas-online-300x208.jpg 300w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2024\/06\/todas-online-768x532.jpg 768w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2024\/06\/todas-online-1536x1064.jpg 1536w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2024\/06\/todas-online-1200x831.jpg 1200w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2024\/06\/todas-online-1250x866.jpg 1250w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2024\/06\/todas-online-400x277.jpg 400w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2024\/06\/todas-online.jpg 1871w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Ariane, Sarah, Ingrid e Gabrielly, rep\u00f3rteres personagens da mat\u00e9ria | Foto: Glenda Rodrigues<br><\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p>Seria um domingo qualquer de um come\u00e7o de abril tranquilo e chuvoso se n\u00e3o fosse pelo desafio, passar 24 horas sem o celular. A partir da meia-noite o uso foi totalmente restrito. O primeiro pensamento ao nos depararmos com o in\u00edcio da experi\u00eancia foi o arrependimento e, principalmente, como far\u00edamos o tempo passar mais r\u00e1pido.<\/p>\n\n\n\n<p>Ingrid, 20, foi a primeira a come\u00e7ar, antes do hor\u00e1rio, e cumpriu al\u00e9m do tempo estabelecido, foram quase 26 horas sem seu smartphone. \u00c0s 22h40 do s\u00e1bado, desligou o aparelho e o jogou embaixo da cama. \u00c9 como se escondesse aquele objeto que nas pr\u00f3ximas 24 horas se prop\u00f4s a abandonar. Seu principal receio era n\u00e3o conseguir se desconectar \u00e0 meia noite. Em outra casa, \u00e0s 23h, Ariane, 20, bloqueou o aparelho. Diferente de Ingrid, seu pr\u00f3ximo passo foi ligar o computador para assistir um filme pelo Discord, uma esp\u00e9cie de troca, para manter-se fora do \u00f3cio. Enquanto isso, Sarah, 19, aproveitou a \u00faltima hora da noite em um bar, comemorando o anivers\u00e1rio de uma amiga. E Gabrielly, 22, sofreu, ansiosa pelo pr\u00f3ximo dia, se colocou em uma videochamada at\u00e9 meia noite para amenizar o desafio adiante.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>00h00 &#8211; O in\u00edcio<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A luz se manteve acesa para tr\u00eas delas. Gabrielly desligou o celular e o manteve fora do quarto. Sem sono, optou por ler. Ariane tamb\u00e9m fugia do t\u00e9dio no notebook. E burlando o sistema, Sarah continuava na festa com o celular, apenas em circunst\u00e2ncias necess\u00e1rias, justifica ela.<\/p>\n\n\n\n<p>A experi\u00eancia para Sarah teve in\u00edcio \u00e0s 00h58, quando chegou em casa e usou o celular pela \u00faltima vez para informar ao seu pai que estaria off nas pr\u00f3ximas horas. Colocou o aparelho para carregar e foi assistir a corrida de F\u00f3rmula 1. A madrugada seria longa, mas levada pelo sono e com a corrida de F1 paralisada por um acidente na pista, acabou adormecendo, em especial, por n\u00e3o poder interagir nas redes sociais sobre o programa que assistia.<\/p>\n\n\n\n<p>O dia amanheceu, e com a aus\u00eancia do despertador, a percep\u00e7\u00e3o de tempo mudou. Sem saber a hora exata, acordaram quando o corpo pediu. O primeiro pensamento de Ingrid, foi &#8220;Cad\u00ea meu celular?\u201d, seguida da sensa\u00e7\u00e3o de \u201cirrita\u00e7\u00e3o\u201d, por n\u00e3o seguir a rotina di\u00e1ria de acesso imediato. Na casa de Sarah, a luz do sol batia na janela, era um sinal que o desafio realmente come\u00e7ava. Surpreendentemente, a manh\u00e3 foi tranquila, como tinha tarefas a cumprir n\u00e3o pensou no telefone. Sentiu falta da m\u00fasica, e at\u00e9 pensou em usar o antigo r\u00e1dio de sua av\u00f3, mas procurar uma esta\u00e7\u00e3o que gostasse, demandaria tempo. Isso a fez refletir sobre a facilidade de poder escolher o que ouvir no celular.<\/p>\n\n\n\n<p>Ariane acordou quase na hora do almo\u00e7o, seu primeiro impulso foi ver as notifica\u00e7\u00f5es no celular. Tinha bastante, Gmail, Whatsapp, Tiktok e Twitter, todos na tela do aparelho a chamando para o desbloquear. Ela resistiu \u00e0 vontade, levantou e foi curtir o resto de sua manh\u00e3.<\/p>\n\n\n\n<p>Gabrielly acordou atordoada. J\u00e1 havia se preparado mentalmente para o fato de levantar sem despertador, mas n\u00e3o saber o hor\u00e1rio a fez pensar que n\u00e3o tinha outro rel\u00f3gio em casa. Ficou deitada por mais um tempo, receosa de levantar ainda muito cedo. Com a pouca coragem que juntou, decidiu reagir, tomou banho, se arrumou e aproveitou para tomar caf\u00e9 com a m\u00e3e.<\/p>\n\n\n\n\n<p><strong>Meio dia<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>As horas se passaram e com isso a abstin\u00eancia deu sinais. Na casa de Ariane, s\u00f3 estavam ela e sua m\u00e3e, e para aproveitar, do jeito que as duas gostam, o dia foi baseado em assistir filmes, um atr\u00e1s do outro. Se o que ela fazia era apenas uma substitui\u00e7\u00e3o de telas, nem se questionou. No hor\u00e1rio do almo\u00e7o, Ariane teve seu maior inc\u00f4modo at\u00e9 ent\u00e3o. Acostumada a almo\u00e7ar com o celular, sentiu falta do aparelho ao seu lado e teve dificuldade para comer. A partir deste momento, o desconforto se intensificou. Para n\u00e3o quebrar o desafio, de hora em hora ia ao quarto e verificava as notifica\u00e7\u00f5es do celular sem desbloque\u00e1-lo.<\/p>\n\n\n\n<p>Gabrielly almo\u00e7ou com a fam\u00edlia. Na mesa, todos estavam com seus celulares, sua tia jogava ao seu lado e seus primos rolavam a tela das redes sociais. Come\u00e7ou a se sentir deslocada, suas m\u00e3os pareciam procurar pelo aparelho, mas resistiu. Decidiu contar que estava sem celular por um dia e logo vieram as condol\u00eancias dos mais novos e cr\u00edticas dos mais velhos a esta \u201cgera\u00e7\u00e3o conectada\u201d. Sua av\u00f3 aproveitou para contar dos v\u00e1rios meses que passava sem not\u00edcias do marido, enquanto seus tios falavam que n\u00e3o sentiam falta alguma. Agora, a discuss\u00e3o corria em volta deste tema, e a jornalista apenas observava, sem saber o que fazer com as m\u00e3os inquietas.<\/p>\n\n\n\n<p>Em torno de 16h, Ingrid encarou o desafio de uma forma mais intensa. Na av. Afonso Pena, em um barzinho, l\u00e1 estavam alguns jovens, amigos de sua prima que a convidou para assistir a um jogo de futebol. Assim que se sentou, todos os jovens come\u00e7aram a conversar, Ingrid era \u00fanica estranha entre eles, sua sensa\u00e7\u00e3o era de deslocamento, sua mente nesse momento s\u00f3 pensava em pegar o celular e utiliz\u00e1-lo como um ref\u00fagio. Percebeu que sua escapat\u00f3ria em um ambiente n\u00e3o familiar era, obviamente, o aparelho, mas naquele momento estava proibida. Assim, a ansiedade se apresentou e seu \u00fanico desejo naquele momento era que o tempo passasse.<\/p>\n\n\n\n<p>Ariane conseguiu se distrair por umas horas com a final do Paulist\u00e3o. Os momentos em que viu filmes e um jogo de futebol foram os que menos pensou no celular. J\u00e1 Sarah tentou arrumar mais coisas para fazer e, na tentativa de se distrair com canais ao vivo por uma plataforma de streaming, vivenciava a programa\u00e7\u00e3o dada, sem controle sobre ela. As distra\u00e7\u00f5es e a soneca pela tarde fizeram o tempo passar r\u00e1pido. Acordada, apertava o sensor de bot\u00e3o do celular, uma sensa\u00e7\u00e3o de al\u00edvio vinha ao ver o tempo passando, mas ainda muito devagar.<\/p>\n\n\n\n\n<p><strong>Desist\u00eancias <\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>17h12 &#8211; Uma briga moral se estabeleceu. Gabrielly precisava pedir um carro de aplicativo e se preparou horas antes para o momento que iria recorrer ao celular. Disse repetidas vezes para si \u201cn\u00e3o \u00e9 para olhar as mensagens, nem responder as pessoas\u201d. Com o celular j\u00e1 perto, come\u00e7ou a ficar ansiosa e perguntava de minuto em minuto para a m\u00e3e o hor\u00e1rio. Os questionamentos do que acontecia no mundo, se algu\u00e9m queria falar com ela e ainda mais, o desejo de responder mensagens, a desestabilizaram. O cora\u00e7\u00e3o come\u00e7ou a bater mais r\u00e1pido, como se quisesse sair. Andava de um lado para o outro e o ar parecia dif\u00edcil de respirar. N\u00e3o pensou, s\u00f3 ligou o celular de volta, respondeu \u00e0s notifica\u00e7\u00f5es e entrou no carro que havia pedido pelo aplicativo. Sentiu o amargo gosto do fracasso envolto na preocupa\u00e7\u00e3o de admitir que precisava de limites.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"683\" src=\"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2024\/05\/gaby-online-1024x683.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-4102\" srcset=\"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2024\/05\/gaby-online-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2024\/05\/gaby-online-300x200.jpg 300w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2024\/05\/gaby-online-768x512.jpg 768w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2024\/05\/gaby-online-1536x1024.jpg 1536w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2024\/05\/gaby-online-1200x800.jpg 1200w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2024\/05\/gaby-online-1250x834.jpg 1250w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2024\/05\/gaby-online-400x267.jpg 400w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2024\/05\/gaby-online.jpg 1555w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Gabrielly apresentou sinais de ansiedade e foi a primeira a desistir do experimento | Foto: Ariane Vilharva<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p>22h &#8211; Ariane n\u00e3o conseguiu mais, aquelas notifica\u00e7\u00f5es pareciam a convocar \u201cJ\u00e1 se passou tanto tempo, por qu\u00ea n\u00e3o usar o celular s\u00f3 uns minutos?\u201d O que seria s\u00f3 por uns instantes, interrompeu em definitivo a experi\u00eancia. Se sentindo culpada por ter falhado, escreveu sua \u00faltima anota\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p style=\"text-align: center\"><span style=\"color: #ff0000\"><strong> \u201cN\u00e3o aguentei e usei o celular, cai na tenta\u00e7\u00e3o mesmo, j\u00e1 estava agoniada e me sentia numa pris\u00e3o. Ap\u00f3s poder usar, foi como se eu estivesse livre\u201d<\/strong><\/span><\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"683\" src=\"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2024\/05\/ariane-online-1024x683.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-4103\" srcset=\"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2024\/05\/ariane-online-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2024\/05\/ariane-online-300x200.jpg 300w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2024\/05\/ariane-online-768x512.jpg 768w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2024\/05\/ariane-online-1200x800.jpg 1200w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2024\/05\/ariane-online-1250x833.jpg 1250w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2024\/05\/ariane-online-400x267.jpg 400w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2024\/05\/ariane-online.jpg 1350w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Para Ariane, o v\u00edcio pode ser uma pris\u00e3o mais forte que grades | Foto: Gabrielly Pedra<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p><strong>Resist\u00eancias<\/strong><\/p>\n<p>Sarah come\u00e7ou a sentir irrita\u00e7\u00e3o. O celular estava t\u00e3o perto que chegou a pensar em us\u00e1-lo, mas resistiu. As horas passavam e se aproximava do fim, \u201co quase\u201d era a pior parte. A sensa\u00e7\u00e3o de t\u00e9dio levava o seu olhar diretamente para o smartphone. Sentia vontade de fazer tantas coisas, mas para todas precisaria do celular: assistir tutoriais, ler livros online, ver redes sociais. As anota\u00e7\u00f5es em seu caderno expressam o desespero \u201cN\u00c3O AGUENTO MAIS\u201d. Para aliviar come\u00e7ou a andar pela casa, de um c\u00f4modo para o outro.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"683\" src=\"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2024\/05\/sarah-online-1024x683.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-4104\" srcset=\"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2024\/05\/sarah-online-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2024\/05\/sarah-online-300x200.jpg 300w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2024\/05\/sarah-online-768x512.jpg 768w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2024\/05\/sarah-online-1200x800.jpg 1200w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2024\/05\/sarah-online-1250x833.jpg 1250w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2024\/05\/sarah-online-400x267.jpg 400w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2024\/05\/sarah-online.jpg 1350w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">A desconex\u00e3o fez com que Sarah se sentisse isolada do mundo | Foto: Gabrielly Pedra<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p>Na casa de Ingrid as emo\u00e7\u00f5es se intensificaram, os minutos se tornaram uma eternidade, o tempo se recusava a passar, sua ansiedade aumentava e apesar da vontade de adiantar o uso, respirou e continuou no prop\u00f3sito. Aproximadamente 23h Ingrid foi ao quarto, pegou o celular embaixo da cama e o colocou para carregar, nesse instante s\u00f3 pensava na chegada da meia noite e em uma carga de 100% para us\u00e1-lo ao m\u00e1ximo assim que permitido. Quando o rel\u00f3gio marcou 23h50 ela o ligou, como em uma contagem regressiva. Quando o celular marcou meia noite uma sensa\u00e7\u00e3o de liberdade e al\u00edvio se fez presente.<\/p>\n\n\n\n<p>00h00- Estamos ON<\/p>\n\n\n\n<p>O rel\u00f3gio declara encerrado o mart\u00edrio. Imediatamente, as rep\u00f3rteres que seguiram com o desafio at\u00e9 o hor\u00e1rio proposto abriram as mensagens com uma grande adrenalina para compartilhar as experi\u00eancias com as\/os colegas.<\/p>\n\n\n\n<p style=\"text-align: center\"><span style=\"color: #ff0000\">&#8211;<strong> Eu n\u00e3o aguentava mais! &#8211; Sarah encaminhou no grupo.<\/strong><\/span><br><span style=\"color: #ff0000\"><strong>&#8211; Eu falhei, gente! &#8211; respondeu Gabrielly. <\/strong><\/span><br><span style=\"color: #ff0000\"><strong>&#8211; Que agonia. Eu apertava o bot\u00e3o para ver se tinha notifica\u00e7\u00e3o &#8211; comentou Ariane.<\/strong><\/span><br><span style=\"color: #ff0000\"><strong>&#8211; Um terror! &#8211; respondeu Ingrid. &#8211; Eu desliguei a bomba e escondi, n\u00e3o tenho esse controle todo.<\/strong><\/span><br><span style=\"color: #ff0000\"><strong>&#8211; Meu Deus! Acho que vou limitar meu tempo de uso nas redes sociais. &#8211; Finalizou Sarah, depois de uma autoan\u00e1li<span style=\"color: #ff0000\">s<\/span><\/strong>e.<\/span><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Conex\u00e3o com especialistas<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p style=\"text-align: left\">De acordo com a pesquisa Tecnologia da informa\u00e7\u00e3o e Comunica\u00e7\u00e3o (TIC) Domic\u00edlios, de 2023, feita pelo Centro Regional de Estudos para o Desenvolvimento da Sociedade da Informa\u00e7\u00e3o, no Brasil, quase 27 milh\u00f5es de jovens entre 16 e 24 anos acessam a internet todos os dias. E al\u00e9m da faixa et\u00e1ria, as rep\u00f3rteres tamb\u00e9m se incluem em outro dado, do Relat\u00f3rio Digital Global, de 2024, realizado pela \u201c<em>We are social<\/em>\u2019 e a \u201c<em>Meltwater<\/em>\u201d, que mostra que o Brasil ocupa a segunda posi\u00e7\u00e3o nos pa\u00edses com o maior tempo de tela: uma m\u00e9dia di\u00e1ria de 9h13min.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"936\" height=\"626\" src=\"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2024\/06\/Infograficoeditadoooo-1.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-4392\" srcset=\"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2024\/06\/Infograficoeditadoooo-1.jpg 936w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2024\/06\/Infograficoeditadoooo-1-300x201.jpg 300w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2024\/06\/Infograficoeditadoooo-1-768x514.jpg 768w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2024\/06\/Infograficoeditadoooo-1-400x268.jpg 400w\" sizes=\"auto, (max-width: 936px) 100vw, 936px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Dados do Relat\u00f3rio Digital Global de 2024 | Arte: Jo\u00e3o Antonio<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>A necessidade de conex\u00e3o vem de um est\u00edmulo que \u00e9 caracterizado por qualquer agente que provoque uma rea\u00e7\u00e3o motriz, ou seja, uma for\u00e7a que impulsiona, que faz prender o usu\u00e1rio na internet. A depend\u00eancia n\u00e3o qu\u00edmica e a qu\u00edmica s\u00e3o baseadas no est\u00edmulo, no sistema de recompensa, o psiquiatra Iago Davan\u00e7o afirma que \u00e9 isso que nos faz continuar a consumir aquilo.<\/p>\n\n\n\n<p>A falta de consci\u00eancia em rela\u00e7\u00e3o ao tempo gasto, \u00e9 o principal reflexo da depend\u00eancia. Por fazerem parte do cotidiano, a princ\u00edpio, as redes sociais n\u00e3o parecem nocivas. Por\u00e9m, a psic\u00f3loga Mariana Baroni, destaca que a utiliza\u00e7\u00e3o excessiva pode acarretar em depress\u00e3o e ansiedade. \u201cVai criando um n\u00edvel de depress\u00e3o na pessoa, porque ela t\u00e1 vendo a vida passar, mas ela n\u00e3o consegue sair dali, n\u00e3o consegue deixar as telas justamente por conta dessa depend\u00eancia\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Os algoritmos se baseiam na an\u00e1lise de dados e selecionam informa\u00e7\u00f5es de nosso interesse, o que causa um ciclo vicioso. O professor visitante na Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS), pesquisador e mestre em An\u00e1lises de Meios de Comunica\u00e7\u00e3o, Carlos Bus\u00f3n explica a depend\u00eancia fisiol\u00f3gica do v\u00edcio. \u201cQuando voc\u00ea t\u00e1 t\u00e3o feliz dentro do sistema, voc\u00ea n\u00e3o quer sair dele. Ent\u00e3o o que fazem estes sistemas, \u00e9 com que a gente fique com a dopamina em elo com a informa\u00e7\u00e3o\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>A dopamina \u00e9 um neurotransmissor que, dentre suas principais fun\u00e7\u00f5es, atua como mensageira na estimula\u00e7\u00e3o do c\u00e9rebro na cria\u00e7\u00e3o do prazer e da motiva\u00e7\u00e3o. O problema \u00e9 que as redes sociais interferem na quantidade liberada de dopamina, se usadas por muito tempo. O psiquiatra Iago Davan\u00e7o conta que o excesso de est\u00edmulo afeta a mudan\u00e7a de comportamento, pode gerar maior irritabilidade e ansiedade, assim como interferir na concentra\u00e7\u00e3o e no esquecimento.<\/p>\n\n\n\n<p>Apesar disso, na psiquiatria n\u00e3o se diagnostica a depend\u00eancia tecnol\u00f3gica como doen\u00e7a, pois al\u00e9m de ser uma an\u00e1lise muito individual, existe uma dificuldade da percep\u00e7\u00e3o desses casos. Davan\u00e7o ainda explica que n\u00e3o h\u00e1 medicamentos espec\u00edficos para isso. \u201cOlha, isso aqui \u00e9 para depend\u00eancia do Instagram, isso aqui \u00e9 de joguinhos. N\u00e3o tem, mas t\u00eam medica\u00e7\u00f5es para ajudar na quest\u00e3o do impulso\u201d. Alguns medicamentos e antidepressivos, podem ajudar, por exemplo, a aumentar o tempo entre o pensar no uso e o uso de fato.<\/p>\n\n\n\n<p>Apesar dos pesares, as redes sociais tamb\u00e9m t\u00eam muitos pontos positivos na vida de jovens e adolescentes, \u00e9 ali que eles podem se comunicar e se expressar, criar um senso de pertencimento e at\u00e9 mesmo colaborar para a auto express\u00e3o e a auto estima. Ainda, \u00e9 importante ressaltar que de modo algum \u00e0s rep\u00f3rteres buscaram o auto diagn\u00f3stico, o exerc\u00edcio foi apenas uma maneira de refletir sobre at\u00e9 que ponto somos livres ou ref\u00e9ns da tecnologia. Por enquanto, estamos presas!.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"683\" height=\"1024\" src=\"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2024\/05\/Ingrid-online-683x1024.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-4105\" srcset=\"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2024\/05\/Ingrid-online-683x1024.jpg 683w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2024\/05\/Ingrid-online-200x300.jpg 200w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2024\/05\/Ingrid-online-768x1152.jpg 768w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2024\/05\/Ingrid-online-1024x1536.jpg 1024w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2024\/05\/Ingrid-online-1365x2048.jpg 1365w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2024\/05\/Ingrid-online-1200x1800.jpg 1200w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2024\/05\/Ingrid-online-1980x2970.jpg 1980w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2024\/05\/Ingrid-online-1250x1875.jpg 1250w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2024\/05\/Ingrid-online-400x600.jpg 400w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2024\/05\/Ingrid-online-scaled.jpg 1707w\" sizes=\"auto, (max-width: 683px) 100vw, 683px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">O aplicativo mais usado por Ingrid \u00e9 o Instagram, em m\u00e9dia, a jornalista o utiliza 2 horas por dia | Foto: Gabrielly Pedra<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<div class=\"wp-block-buttons is-layout-flex wp-block-buttons-is-layout-flex\">\n<div class=\"wp-block-button aligncenter\"><a class=\"wp-block-button__link has-primary-color has-accent-background-color has-text-color has-background wp-element-button\" href=\"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/projetil-102\/\"><strong>Voltar para a edi\u00e7\u00e3o 102<\/strong><\/a><\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Esta reportagem foi constru\u00edda a partir da experi\u00eancia imersiva das quatro rep\u00f3rteres que, depois de verificarem que ficam mais de nove horas por dia na tela do celular, resolveram que seriam suas pr\u00f3prias fontes personagens. 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