{"id":4172,"date":"2024-07-12T11:03:56","date_gmt":"2024-07-12T15:03:56","guid":{"rendered":"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/?p=4172"},"modified":"2024-07-16T10:50:06","modified_gmt":"2024-07-16T14:50:06","slug":"tempo-para-liberdade","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/tempo-para-liberdade\/","title":{"rendered":"Tempo para liberdade"},"content":{"rendered":"\n<h4 class=\"wp-block-heading has-text-align-center\">Desequil\u00edbrio entre descanso e trabalho evidencia categorias de desigualdade nos momentos de lazer dos campo-grandenses<\/h4>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center has-accent-color has-text-color\"><strong>Texto: Ana Beatriz Leal | Ra\u00edssa Rojas<br>Fotos: Pietra Dorneles<\/strong><\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\"\/>\n\n\n\n<p>\u201cSemana passada eu estava na praia, essa semana estou aqui, semana que vem eu vou para um cruzeiro\u201d. Em um projeto volunt\u00e1rio de yoga, onde algumas aulas s\u00e3o ministradas gratuitamente em uma manh\u00e3 de domingo na capital do estado de Mato Grosso do Sul (MS), uma senhora chamou aten\u00e7\u00e3o pelos seus movimentos. Se esticava. Se sustentava e se equilibrava, principalmente. Elizabeth Asato, mulher asi\u00e1tica de 68 anos, \u00e9 m\u00e9dica neurologista e acupunturista, formada pela Universidade de S\u00e3o Paulo (USP), e hoje vive sua aposentadoria da melhor forma poss\u00edvel (segundo grande maioria das pessoas), viajando e fazendo yoga.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n\n\n<p>Enquanto isso, Diego Albertino, homem preto de 20 anos, estudante de Sistemas de Informa\u00e7\u00e3o na Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS), ganha aproximadamente R$10,20 por hora em seu est\u00e1gio e passa mais de tr\u00eas horas por dia no transporte p\u00fablico. Como o est\u00e1gio \u00e9 longe, ele se adianta para poder pegar a linha 070 e chegar a tempo nos compromissos de estudo e profissionais. O segundo \u00f4nibus vem no hor\u00e1rio de pico, e ele precisa ir do trabalho at\u00e9 a universidade. Com o fim da aula, mais uma condu\u00e7\u00e3o, com \u00faltima parada, finalmente, em casa.<\/p>\n\n\n\n\n\n<p>Lazer \u00e9 o tempo que sobra do hor\u00e1rio de trabalho e\/ou do cumprimento de obriga\u00e7\u00f5es (sejam elas trabalhistas, religiosas, sociais ou qualquer outra), aproveit\u00e1vel para o exerc\u00edcio de atividades prazerosas, de acordo com Junior Vagner Silva, professor da disciplina de Estudos do Lazer no curso de Educa\u00e7\u00e3o F\u00edsica da UFMS. Mas quando sobra tempo para o lazer? Diego afirma que tenta abrir espa\u00e7o para se distrair das obriga\u00e7\u00f5es. \u201cCaso n\u00e3o tenha nenhuma atividade pendente da faculdade fico assistindo alguma s\u00e9rie at\u00e9 o hor\u00e1rio de ir para o est\u00e1gio\u201d, explica.<\/p>\n\n\n\n<h5 style=\"text-align: center\"><span style=\"color: #ff0000\">&#8220;Lazer \u00e9 o tempo que sobra do hor\u00e1rio de trabalho e\/ou do cumprimento de obriga\u00e7\u00f5es&#8221;<\/span><\/h5>\n\n\n\n<p>O estudante sabe da import\u00e2ncia de manter momentos de lazer como parte da rotina e, por mais que goste de pr\u00e1ticas comuns para outras pessoas, como algumas atividades f\u00edsicas, seu hobby favorito \u00e9 jogar no computador ou celular. Diego afirma inclusive que separa uma porcentagem do seu sal\u00e1rio para o lazer e que gostaria de montar um espa\u00e7o para realizar suas partidas de jogos online, um setup gamer. Por enquanto este \u00e9 um sonho distante comparado a outras prioridades.<\/p>\n\n\n\n<p>No modo de produ\u00e7\u00e3o capitalista, o tempo se tornou sin\u00f4nimo de dinheiro, logo, perder tempo \u00e9 perder dinheiro. A maneira como se encara essa realidade depende principalmente do contexto em que a pessoa est\u00e1 inserida. O professor Junior fundamenta que o lazer \u00e9 dependente do poder aquisitivo, afinal, se voc\u00ea tem dinheiro, voc\u00ea tem mais op\u00e7\u00f5es de passatempo. Na sociedade moderna, a ideia de lazer se baseia em um conceito conservador e religioso, o sagrado purifica e o profano \u00e9 condenado. At\u00e9 hoje, algu\u00e9m que usufrui do tempo dispon\u00edvel \u00e9 frequentemente chamado de \u201cvagabundo\u201d ou \u201cvadio\u201d, explica o professor.<\/p>\n\n\n\n<h5 style=\"text-align: center\"><span style=\"color: #ff0000\">No modo de produ\u00e7\u00e3o capitalista, o tempo se tornou sin\u00f4nimo de dinheiro, logo, perder tempo \u00e9 perder dinheiro.<\/span><\/h5>\n\n\n\n<p><strong>Bater canela<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Rotina \u00e9 o h\u00e1bito de fazer algo sempre do mesmo modo, de maneira autom\u00e1tica. \u00c0s 5h toca o despertador, antes do dia amanhecer. O sono \u00e9 precioso e cada minuto a mais na cama faz diferen\u00e7a. O tempo passa e j\u00e1 \u00e9 hora de levantar. O caf\u00e9 s\u00f3 se der tempo nessa correria que \u00e9 a rotina. Esta costuma ser a manh\u00e3 de Isabella Rodrigues, mulher preta de 24 anos, estudante de Geografia da UFMS, m\u00e3e e esposa. J\u00e1 no fim de sua licen\u00e7a-maternidade, que durou seis meses, ela precisou retornar ao servi\u00e7o de recreadora de uma creche. Isabella conta como seu dia come\u00e7a muito cedo, muito agitado e com muito choro. \u201cAcho que essa \u00e9 a pior parte, conciliar crian\u00e7a com casa. \u00c9 punk, voc\u00ea n\u00e3o sabe o que quer limpar primeiro, se \u00e9 o filho, a casa ou voc\u00ea\u201d.<\/p>\n\n\n\n<h5 style=\"text-align: center\"><span style=\"color: #ff0000\">\u201cQueria trabalhar a quest\u00e3o da leitura, mas n\u00e3o consigo nem relaxar a mente. Isso \u00e9 uma coisa que eu gostaria muito, tirar o olho do celular e ler\u201d<\/span><\/h5>\n\n\n\n<p>Nessa jornada dupla (a reportagem \u201cQuando a necessidade priva a liberdade\u201d, na p\u00e1gina 28 desta edi\u00e7\u00e3o, trata deste assunto), a rotina \u00e9 inimiga do lazer. A recreadora explica que seu hobby \u00e9 na verdade ter um tempo de qualidade, ir na casa de uma amiga comer uma pipoca diferente ou tomar uma casquinha no shopping. \u201cEu gosto mesmo \u00e9 de bater canela\u201d, at\u00e9 brinca. \u201cGosto muito de viajar, mas se antes era dif\u00edcil agora \u00e9 tr\u00eas vezes pior\u201d, conta. O tempo \u00e9 um importante marcador, por\u00e9m a parte financeira tamb\u00e9m a afasta de algumas metas, e o reflexo de todo esse cen\u00e1rio \u00e9 uma cabe\u00e7a ocupada e cansada. \u201cQueria trabalhar a quest\u00e3o da leitura, mas n\u00e3o consigo nem relaxar a mente. Isso \u00e9 uma coisa que eu gostaria muito, tirar o olho do celular e ler\u201d, desabafa Isabella.<\/p>\n\n\n\n<p>O contexto em que voc\u00ea est\u00e1 inserido pode dizer muito sobre seus valores e passatempos. Mas, e quando o meio que mais te influencia \u00e9 o virtual? Isabella suspira ao responder sua rotina ideal. \u201cAquelas rotina de instagram, sabe\u2026? acho que s\u00f3 acordando \u00e0s 7h e tomando um ch\u00e1 em paz eu j\u00e1 ficaria feliz\u201d. Al\u00e9m das barreiras econ\u00f4micas para o lazer, ele tamb\u00e9m pode ser padronizado e idealizado. O estilo de vida perfeito \u00e9 exposto nas redes sociais por jovens de classe m\u00e9dia alta, em sua maioria pessoas brancas: caf\u00e9 da manh\u00e3 \u00e0s 9h e cama arrumada para dormir \u00e0s 21h. Nesse hor\u00e1rio o dia de Isabella est\u00e1 longe de acabar, pois \u00e9 quando termina a aula, e ela ainda tem que pegar o \u00f4nibus, com seu filho, para retornar \u00e0 casa.<\/p>\n\n\n\n\n\n<p>Isabella afirma que nunca teve rede de apoio e que desde o in\u00edcio da maternidade foi s\u00f3 ela e o esposo. \u201cNa medida do poss\u00edvel, cada um faz sua parte\u201d. Mas qual parte \u00e9 responsabilidade apenas das mulheres? Na sociedade, \u00e9 comum alguns tipos de trabalhos serem associados \u00e0 fun\u00e7\u00e3o feminina, como o zelo pela casa e a cria\u00e7\u00e3o dos filhos e, essa sobrecarga influencia diretamente no curto tempo de lazer existente para as m\u00e3es. Se sobra algum intervalo \u00e9 porque ainda est\u00e1 faltando algo para fazer. E se depois disso, ela conseguir algum tempo, seu lazer provavelmente ser\u00e1 como uma figura materna, e n\u00e3o s\u00f3 como indiv\u00edduo.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Pontos de respiro<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>O lazer envolve intencionalidade e expressividade de acordo com o professor do curso de Artes Visuais da UFMS Paulo Antonini. Ele explica que geralmente acontece uma esp\u00e9cie de jogo l\u00fadico, onde h\u00e1 uma rela\u00e7\u00e3o de prazer. Logo, a partir do momento em que esse ato n\u00e3o \u00e9 mais prazeroso, ele deixa de se configurar como lazer. Ent\u00e3o, ao monetizar um hobby, por exemplo, \u00e9 comum que a atividade perca a espontaneidade e aos poucos se torne uma obriga\u00e7\u00e3o. H\u00e1 quem mesmo com disponibilidade de tempo ou dinheiro capitalize seu hobby. Clara Rodrigues, de 21 anos, \u00e9 estudante de Arquitetura e Urbanismo e no in\u00edcio do ano se encontrou em uma nova atividade: o croch\u00ea.<\/p>\n\n\n\n<p>A jovem conta que aprendeu a crochetar com a irm\u00e3. Agora, a pr\u00e1tica j\u00e1 faz parte da sua rotina. \u201cGeralmente, eu fa\u00e7o croch\u00ea depois do almo\u00e7o, antes de ir pra academia, e tamb\u00e9m antes de dormir, sempre para relaxar\u201d. Clara diz que foi bastante influenciada pelas redes sociais e conta que esse tipo de conte\u00fado cresceu muito nas plataformas digitais. \u201cMeu pai sempre me chama de velhinha quando eu estou fazendo, mas quando eu posto no instagram todo mundo elogia\u201d, brinca. Entre v\u00e1rios pontos, l\u00e3s e linhas, a crocheteira viu uma oportunidade de empreender com a pr\u00e1tica, n\u00e3o por necessidade, mas para aproveitar o resultado final. Ela e a irm\u00e3 j\u00e1 pensaram em montar uma loja online. Quando questionada se n\u00e3o tem receio de \u2018estragar\u2019 seu hobby por comercializ\u00e1-lo, ela logo responde. \u201cAt\u00e9 tenho, mas a\u00ed \u00e9 s\u00f3 parar\u201d.<\/p>\n\n\n\n\n\n<p>\u00c9 comum associar a produ\u00e7\u00e3o e o consumo como momentos de lazer. Mas para o professor Paulo, o lazer n\u00e3o pressup\u00f5e gasto, compromisso com a qualidade ou at\u00e9 mesmo frequ\u00eancia na pr\u00e1tica. Ele explica as barreiras e dom\u00ednios para se compreender esse tempo. \u201cAcima de tudo, o lazer depende da atitude do sujeito, que pode ser inclusive de n\u00e3o fazer nada\u201d, adverte.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Sa\u00fade em movimento<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>\u201cN\u00e3o \u00e9 lazer, \u00e9 sa\u00fade mental. \u00c9 sa\u00fade f\u00edsica!\u201d, exclama a professora do projeto Yoga para todos, Ana Paula Ferreira, mulher branca de 45 anos, e ainda disserta sobre o idealismo contempor\u00e2neo de uma sociedade saud\u00e1vel. Conceituar o tempo de lazer como um hobby n\u00e3o \u00e9 desvalorizar nem menosprezar a a\u00e7\u00e3o. O projeto \u00e9 motivado pela teimosia e amor das professoras envolvidas e tem como objetivo oferecer aulas de forma gratuita para a popula\u00e7\u00e3o, em escolas, parques entre outros.<\/p>\n\n\n\n<h5 style=\"text-align: center;\"><span style=\"color: #ff0000;\">\u00a0Conceituar o tempo de lazer como um hobby n\u00e3o \u00e9 desvalorizar nem menosprezar a a\u00e7\u00e3o.<\/span><\/h5>\n\n\n\n<p>No \u00faltimo domingo de cada m\u00eas, \u00e0s 8h, \u00e9 realizado um aul\u00e3o de yoga no Parque das Na\u00e7\u00f5es Ind\u00edgenas, que re\u00fane mais de 80 pessoas. E a atividade n\u00e3o se limita ao famoso parque. A partir desta ideia de descentraliza\u00e7\u00e3o urbana para acesso ao lazer, o projeto conta com uma vers\u00e3o itinerante, uma esp\u00e9cie de rod\u00edzio de locais para os encontros com o intuito de tentar democratizar o acesso \u00e0 pr\u00e1tica, que trabalha tanto a sa\u00fade f\u00edsica quanto a mental.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 fun\u00e7\u00e3o do governo garantir ambientes adequados que auxiliam a pr\u00e1tica do lazer, independente do local. A Secretaria Municipal de Cultura e Turismo de Campo Grande (MS) administra 32 pra\u00e7as e a Funda\u00e7\u00e3o Municipal de Esportes (Funesp) coordena 34 pra\u00e7as e parques. Sem bancos, lixeiras, sanit\u00e1rios ou bebedouros, v\u00e1rias delas precisam de reparos, como a Pra\u00e7a do Jacy e a Pra\u00e7a Dom Ant\u00f4nio Barbosa, de acordo com o documento Diagn\u00f3stico das Pra\u00e7as Oficiais de Campo Grande (MS), publicado em 2021 pela Ag\u00eancia Municipal de Meio Ambiente e Planejamento Urbano. Cabe aos \u00f3rg\u00e3os da prefeitura a manuten\u00e7\u00e3o desses espa\u00e7os, que s\u00e3o uma das \u00fanicas op\u00e7\u00f5es para a comunidade ao seu redor.<\/p>\n\n\n\n<p>Carlos Alberto Rocha, homem branco de 61 anos, militar aposentado, mora em uma \u00e1rea nobre da cidade, perto do Parque das Na\u00e7\u00f5es Ind\u00edgenas. O idoso acorda cedo nas ter\u00e7as e quintas e, \u00e0s vezes, at\u00e9 no final de semana para realizar seu exerc\u00edcio aer\u00f3bico, correndo ao redor do parque. Al\u00e9m disso, tamb\u00e9m pratica hipismo e tem seu pr\u00f3prio cavalo. H\u00e1 uma inveja idealizada da vida de um aposentado, por assumir que em sua rotina n\u00e3o existem obriga\u00e7\u00f5es, liberando-o para os prazeres do lazer. Essa pode at\u00e9 ser a viv\u00eancia de quem consegue usufruir dos benef\u00edcios de uma previd\u00eancia, de uma heran\u00e7a ou de outra realidade aquisitiva. Caso contr\u00e1rio, a perspectiva \u00e9 trabalhar e levar uma vida de posterga\u00e7\u00e3o do tempo de qualidade.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1000\" height=\"662\" src=\"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2024\/05\/DSC_6319.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-4278\" srcset=\"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2024\/05\/DSC_6319.jpg 1000w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2024\/05\/DSC_6319-300x199.jpg 300w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2024\/05\/DSC_6319-768x508.jpg 768w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2024\/05\/DSC_6319-400x265.jpg 400w\" sizes=\"auto, (max-width: 1000px) 100vw, 1000px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">O aposentado Carlos Alberto em um domingo chuvoso no Parque das Na\u00e7\u00f5es \u00cdndigenas<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>A famosa frase atribu\u00edda ao fil\u00f3sofo chin\u00eas, Conf\u00facio, \u201cEscolha um trabalho que voc\u00ea ama e voc\u00ea nunca ter\u00e1 que trabalhar um dia sequer na vida\u201d, traz uma reflex\u00e3o sobre qual o limite entre desejo e necessidade quando se trata da escolha da profiss\u00e3o. Ao nos enxergarmos em uma sociedade que comercializa a felicidade engarrafada e vende uma vida perfeita, \u00e9 f\u00e1cil cair em armadilhas gen\u00e9ricas sobre o que nos faz ou pode nos fazer bem, ainda mais quando n\u00e3o h\u00e1 outra escolha.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cO lazer \u00e9 inato, mas para algumas pessoas ele \u00e9 reprimido\u201d, refor\u00e7a o professor Junior. Equilibrar o tempo de qualidade entre as obriga\u00e7\u00f5es \u00e9 uma fun\u00e7\u00e3o injusta, cruel e ao mesmo tempo extremamente importante. \u00c9 costume ansiar pelo dia do pagamento, pelas f\u00e9rias no fim do ano, pelo fim da semana, fim do m\u00eas e fim do ano. Uma vida que quer sempre antecipar os dias, em algum momento chega na \u00fanica certeza inevit\u00e1vel, o fim.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Lazer \u00e9 sa\u00fade<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Quando falamos de sa\u00fade mental, a maioria das pessoas defende que um momento de pausa \u00e9 essencial, tanto das atividades produtivas, laborais, quanto tamb\u00e9m das atividades b\u00e1sicas para a manuten\u00e7\u00e3o da nossa pr\u00f3pria vida. Para Thaize de Souza Reis, psic\u00f3loga e professora do curso de Psicologia da UFMS, desvalorizar o tempo dedicado ao lazer pode fazer mal para a sa\u00fade mental. Ela afirma que somos seres sociais e que esses momentos possibilitam a viv\u00eancia da sensa\u00e7\u00e3o de pertencimento.<\/p>\n\n\n\n<p>A psic\u00f3loga explica que o lazer \u00e9 importante tanto para o coletivo, em rela\u00e7\u00e3o a vida social, como para a individualidade, e indica que devemos pensar nesses momentos como ferramentas para a produ\u00e7\u00e3o de horm\u00f4nios e neurotransmissores. \u201cOs nossos problemas de sa\u00fade mental est\u00e3o totalmente relacionados a esse modo de produ\u00e7\u00e3o da vida\u201d, Thaize afirma que h\u00e1 uma explora\u00e7\u00e3o de alguns grupos sociais, considerando classe, g\u00eanero e ra\u00e7a. \u201cA solu\u00e7\u00e3o passa por uma revis\u00e3o da nossa forma de existir, de produzir e de reproduzir a vida como sociedade\u201d, conclui.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-buttons is-content-justification-center is-layout-flex wp-container-core-buttons-is-layout-16018d1d wp-block-buttons-is-layout-flex\">\n<div class=\"wp-block-button\"><a class=\"wp-block-button__link has-background-color has-accent-background-color has-text-color has-background has-link-color has-text-align-center wp-element-button\" href=\"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/projetil-102\/\">VOLTAR PARA A EDI\u00c7\u00c3O 102<\/a><\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Desequil\u00edbrio entre descanso e trabalho evidencia categorias de desigualdade nos momentos de lazer dos campo-grandenses Texto: Ana Beatriz Leal | Ra\u00edssa RojasFotos: Pietra Dorneles \u201cSemana passada eu estava na praia, essa semana estou aqui, semana que vem eu vou para um cruzeiro\u201d. 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