{"id":4285,"date":"2024-07-12T11:10:37","date_gmt":"2024-07-12T15:10:37","guid":{"rendered":"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/?p=4285"},"modified":"2024-07-16T10:11:38","modified_gmt":"2024-07-16T14:11:38","slug":"amor-so-dura-em-liberdade","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/amor-so-dura-em-liberdade\/","title":{"rendered":"Amor s\u00f3 dura em liberdade"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"has-text-align-center has-accent-color has-text-color\"><strong>Texto: Emilly Nunes<\/strong><br><strong>Ilustra\u00e7\u00e3o: Anne Marinho<\/strong><\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\"\/>\n\n\n\n<p>\u201c\u00c9 tudo safadeza. Isso \u00e9 coisa de gente imoral. Quando se apaixonar de verdade, quando encontrar o amor da sua vida, vai deixar essa vida. N\u00e3o d\u00e1 para amar mais de uma pessoa\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Ser\u00e1 mesmo? Antes de tudo, temos que entender os termos monogamia, poligamia e poliamor. O primeiro remete \u00e0 rela\u00e7\u00e3o apenas entre dois indiv\u00edduos. O segundo, \u00e0s v\u00e1rias rela\u00e7\u00f5es afetivo-sexuais ao mesmo tempo. O terceiro \u00e9 outra varia\u00e7\u00e3o que amplia o sentido das rela\u00e7\u00f5es. Tanto a poligamia quanto o poliamor s\u00e3o sin\u00f4nimos da verdadeira discuss\u00e3o do texto, a n\u00e3o monogamia.<\/p>\n\n\n\n<p>A n\u00e3o monogamia tamb\u00e9m remete a qualidade e, n\u00e3o necessariamente, a quantidade das rela\u00e7\u00f5es; \u00e9 entender que n\u00e3o temos a posse da pessoa com quem nos relacionamos. \u00c9 sobre ter autonomia e liberdade para se afei\u00e7oar a quem quiser, e para terminar uma rela\u00e7\u00e3o sem o perigo da retalia\u00e7\u00e3o vinda do desejo do outro.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas de onde veio a rejei\u00e7\u00e3o social \u00e0 liberdade de amar? Essa \u00e9 uma discuss\u00e3o antiga. Aqui no Brasil, vem desde a chegada dos colonizadores. Como explica a obra \u201cDescolonizando Afetos\u201d, de Geni N\u00fa\u00f1es, a sociedade europeia crist\u00e3 cultua um \u00fanico deus, que s\u00f3 se sente amado se for \u00fanico, exatamente da forma que a monogamia se baseia: a n\u00e3o simultaneidade de rela\u00e7\u00f5es rom\u00e2nticas como crit\u00e9rio de fidelidade. A no\u00e7\u00e3o de adult\u00e9rio vem primeiro desse cen\u00e1rio religioso para depois se inserir nos relacionamentos interpessoais. Ao se depararem com o modo como os povos ind\u00edgenas do Brasil se relacionavam e cultuavam sua espiritualidade, centrados no respeito da autonomia, os padres jesu\u00edtas n\u00e3o conseguiam conciliar com sua pr\u00f3pria no\u00e7\u00e3o de casamento, e assim atribu\u00edram a verdade espiritual a si mesmos, e a falsidade aos ind\u00edgenas e suas tradi\u00e7\u00f5es. Foi nesse cen\u00e1rio de coloniza\u00e7\u00e3o que as sociedades ocidentais se expandiram e basearam seu entendimento de rela\u00e7\u00f5es. No Brasil, inclusive existe uma lei que criminaliza a n\u00e3o monogamia, o artigo 235 do C\u00f3digo Penal.<\/p>\n\n\n\n<p>Veja bem, a monogamia \u00e9 de longe um entrave para uma sociedade livre. O preconceito que pessoas n\u00e3o monog\u00e2micas aturam \u00e9 o que devemos problematizar. Monog\u00e2micos se sentem amea\u00e7ados ao se depararem com algu\u00e9m que n\u00e3o desiste da sua liberdade de criar v\u00e1rios la\u00e7os afetivos e sexuais. \u00c9 quase uma ofensa grave propor uma rela\u00e7\u00e3o \u00fanica, exclusividade que os casais monog\u00e2micos exigem at\u00e9 com amizades. Sem contar a ideia do adult\u00e9rio, que potencializa as viol\u00eancias de g\u00eanero, j\u00e1 que, muitas vezes, a namorada ou a esposa passa a ser considerada posse do seu parceiro.<\/p>\n\n\n\n<p>Na tentativa de validar a escolha de estar com um parceiro por vez, estere\u00f3tipos foram criados sobre a n\u00e3o monogamia. Um deles \u00e9 que os parceiros n\u00e3o se amam de verdade. Na verdade, quando decidem se relacionar romanticamente, as pessoas n\u00e3o monog\u00e2micas possuem a mesma capacidade de afeto pelos seus parceiros, e a quantidade de rela\u00e7\u00f5es n\u00e3o define de modo algum a qualidade e o tamanho do amor que compartilham. Um exemplo \u00e9 o trisal formado entre Diogo, Graziela e Nat\u00e1lia, influencers do perfil \u2018Vivendo a Tr\u00eas\u2019 nas redes sociais. Em sua hist\u00f3ria, houve situa\u00e7\u00f5es em que o ci\u00fames tomou conta, e quase levou ao t\u00e9rmino da rela\u00e7\u00e3o. Por\u00e9m, com muito di\u00e1logo, os tr\u00eas compreenderam seus sentimentos e limites, e est\u00e3o juntos h\u00e1 quatro anos.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"768\" src=\"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2024\/06\/desenho-poli-amor-1024x768.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-4317\" srcset=\"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2024\/06\/desenho-poli-amor-1024x768.jpg 1024w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2024\/06\/desenho-poli-amor-300x225.jpg 300w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2024\/06\/desenho-poli-amor-768x576.jpg 768w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2024\/06\/desenho-poli-amor-1536x1152.jpg 1536w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2024\/06\/desenho-poli-amor-1200x900.jpg 1200w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2024\/06\/desenho-poli-amor-1250x937.jpg 1250w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2024\/06\/desenho-poli-amor-400x300.jpg 400w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2024\/06\/desenho-poli-amor.jpg 1890w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p>A fal\u00e1cia mais difundida \u00e9 que n\u00e3o monog\u00e2micos s\u00e3o os maiores disseminadores de infec\u00e7\u00f5es sexualmente transmiss\u00edveis (ISTs), por se relacionarem com m\u00faltiplas pessoas. Esse \u00e9 um pensamento perigoso, ing\u00eanuo e preconceituoso. Ser consciente e praticar sexo seguro \u00e9 responsabilidade de cada um, assim como os relacionamentos.<\/p>\n\n\n\n<p>Temos a impress\u00e3o que os mais jovens t\u00eam aceitado mais as rela\u00e7\u00f5es n\u00e3o monog\u00e2micas em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 gera\u00e7\u00e3o passada. A exposi\u00e7\u00e3o nas redes sociais e a luta contra o patriarcado podem ser compreendidos como fatores motivacionais desse cen\u00e1rio, afinal, a monogamia acaba por acentuar a viol\u00eancia masculina contra as mulheres (sim, sempre elas), tanto f\u00edsica como psicol\u00f3gica. O consentimento, a liberdade e a honestidade, que s\u00e3o a base das rela\u00e7\u00f5es poliamorosas, t\u00eam atra\u00eddo a nova gera\u00e7\u00e3o progressista, que parece ser mais aberta a aceitar diferen\u00e7as. Pelo menos \u00e9 o que esperamos, mas por enquanto, fica a pergunta: somos livres para amar?<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-buttons is-layout-flex wp-block-buttons-is-layout-flex\">\n<div class=\"wp-block-button aligncenter\"><a class=\"wp-block-button__link has-accent-background-color has-background wp-element-button\" href=\"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/projetil-102\/\">VOLTAR PARA A EDI\u00c7\u00c3O 102<\/a><\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Texto: Emilly NunesIlustra\u00e7\u00e3o: Anne Marinho \u201c\u00c9 tudo safadeza. Isso \u00e9 coisa de gente imoral. Quando se apaixonar de verdade, quando encontrar o amor da sua vida, vai deixar essa vida. N\u00e3o d\u00e1 para amar mais de uma pessoa\u201d. Ser\u00e1 mesmo? Antes de tudo, temos que entender os termos monogamia, poligamia e poliamor. 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