{"id":4391,"date":"2024-07-12T14:32:01","date_gmt":"2024-07-12T18:32:01","guid":{"rendered":"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/?p=4391"},"modified":"2024-07-16T10:17:43","modified_gmt":"2024-07-16T14:17:43","slug":"quem-tem-medo-dos-estudantes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/quem-tem-medo-dos-estudantes\/","title":{"rendered":"Quem tem medo dos estudantes?"},"content":{"rendered":"\n<h4 style=\"text-align: center\">Em meio \u00e0 greve de servidores, o movimento estudantil enfrenta desafios com esvaziamento. Reivindica\u00e7\u00f5es hist\u00f3ricas persistem na trajet\u00f3ria de acad\u00eamicos e acad\u00eamicas da UFMS<\/h4>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center has-accent-color has-text-color has-link-color wp-elements-a92c5a3eb3f086fd4ff3561b0a3836be\"><strong>Texto: Ariane Vilharva | Gabrielly Pedra | Ingrid Prot\u00e1sio | Sarah Neres<\/strong><br><strong>Fotos: Gabrielly Pedra<\/strong><\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\"\/>\n\n\n\n<p>A porta verde fluorescente n\u00e3o esconde a sensa\u00e7\u00e3o de abandono. Perto da Caixa Econ\u00f4mica, um mural tem escrito \u201cTire suas d\u00favidas sobre a greve aqui\u201d. Ao lado, o Diret\u00f3rio Central dos Estudantes (DCE). Os acad\u00eamicos que passam por ali, n\u00e3o percebem o aviso. Ao serem perguntados onde fica o DCE, muitos sequer sabem o que significa, mas ele \u00e9 a entidade m\u00e1xima de representa\u00e7\u00e3o dos estudantes da UFMS. Um canal de debate, discuss\u00f5es, palestras e principalmente um meio que garante o contato dos estudantes do curso com os \u00f3rg\u00e3os de representa\u00e7\u00e3o geral. Sua responsabilidade \u00e9 representar o corpo discente na reitoria e nos governos, estudar, discutir, definir e lutar pelos interesses do conjunto dos estudantes dentro da Universidade.<\/p>\n\n\n\n<p>O que h\u00e1 dentro, por\u00e9m, conta outra hist\u00f3ria. Entre v\u00e1rias caixas de doa\u00e7\u00e3o para o Rio Grande do Sul, alunos se mobilizavam para a assembleia sobre a paralisa\u00e7\u00e3o do calend\u00e1rio acad\u00eamico que haveria durante a noite. Uma pergunta escrita num cartaz azul, em letras garrafais, chamou aten\u00e7\u00e3o: \u201cQuem tem medo do povo?\u201d. Em meio a um per\u00edodo nebuloso na hist\u00f3ria do movimento estudantil, o questionamento levanta outra d\u00favida: e quem tem medo do estudante?<\/p>\n\n\n\n<p>Izabella Brytto \u00e9 acad\u00eamica de hist\u00f3ria no campus de Aquidauana, ela \u00e9 tamb\u00e9m a primeira presidente mulher e primeira aluna do interior a assumir a presid\u00eancia do DCE. Para ela, o sentimento de abandono vem pelo desmantelamento da universidade. Izabella acredita que n\u00e3o falta interesse dos alunos em buscarem melhorias, mas sim que existem obst\u00e1culos que os impedem de lutar. \u201cTem uma grande parcela de alunos que n\u00e3o vai se engajar no movimento estudantil, porque ele tem que trabalhar o dia inteiro. Voc\u00ea acha mesmo que uma pessoa que trabalhou o dia inteiro e chegou aqui \u00e0 noite para participar de uma aula e vai chegar na casa dela meia-noite, vai ter tempo e energia para entrar no centro acad\u00eamico para militar para a faculdade?\u2019\u2019.<\/p>\n\n\n\n<p style=\"text-align: center;\"><strong><span style=\"color: #ff0000;\">&#8220;Voc\u00ea acha mesmo que uma pessoa que trabalhou o dia inteiro e chegou aqui \u00e0 noite para participar de uma aula e vai chegar na casa dela meia-noite, vai ter tempo e energia para entrar no centro acad\u00eamico para militar para a faculdade?\u2019\u2019<\/span><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Izabella frisa a import\u00e2ncia do di\u00e1logo direto com os Centros Acad\u00eamicos, os pr\u00f3-reitores e reitoria, por meio de reuni\u00f5es peri\u00f3dicas, sendo essas denominadas Comiss\u00f5es da entidade de base (CEBS). S\u00e3o reuni\u00f5es fechadas e assembleias gerais onde podem participar todos os estudantes. \u201cEnt\u00e3o a gente vai tendo esse trabalho de atuar junto com o Centros Acad\u00eamicos para que a gest\u00e3o n\u00e3o tome uma posi\u00e7\u00e3o sozinha, mas que sempre que as nossas posi\u00e7\u00f5es sejam tiradas em conson\u00e2ncia na CEBS junto com as nossas entidades de base para que a gente n\u00e3o fique cada um indo para um lado\u2019\u2019.<\/p>\n\n\n\n<p>A gest\u00e3o de Izabella \u00e9 a primeira comandada por uma mulher, o que a coloca em situa\u00e7\u00f5es desgastantes. Ela conta que coisas antes insignificantes, tornaram-se problemas de sua responsabilidade ap\u00f3s a posse. \u201cEu apanho o triplo por ser mulher o que se fosse um homem na minha posi\u00e7\u00e3o n\u00e3o apanharia metade e isso eu posso afirmar at\u00e9 agora tamb\u00e9m, \u00e9 tr\u00eas vezes mais ainda\u2019\u2019.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"683\" height=\"1024\" src=\"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2024\/06\/Iza-editado-para-online-1-683x1024.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-4419\" srcset=\"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2024\/06\/Iza-editado-para-online-1-683x1024.jpg 683w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2024\/06\/Iza-editado-para-online-1-200x300.jpg 200w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2024\/06\/Iza-editado-para-online-1-768x1152.jpg 768w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2024\/06\/Iza-editado-para-online-1-1024x1536.jpg 1024w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2024\/06\/Iza-editado-para-online-1-400x600.jpg 400w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2024\/06\/Iza-editado-para-online-1.jpg 1037w\" sizes=\"auto, (max-width: 683px) 100vw, 683px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Presidente do DCE da UFMS Izabella Brytto  em entrevista para o Proj\u00e9til<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p><strong>Nas ruas, nas pra\u00e7as, quem disse que sumiu?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>No dia 29 de maio, aconteceu a assembleia geral de estudantes para a discuss\u00e3o de pautas, como o movimento grevista de docentes e t\u00e9cnicos e a solidariedade dos estudantes para com esse movimento, que come\u00e7ou h\u00e1 mais de tr\u00eas meses no dia 11 de mar\u00e7o com os t\u00e9cnico-administrativos reivindicando reajuste salarial e se ampliou para a greve dos docentes no come\u00e7o de abril, onde cobram a reestrutura\u00e7\u00e3o de carreira, revoga\u00e7\u00e3o de normas aprovadas em governos anteriores e a recomposi\u00e7\u00e3o salarial, que n\u00e3o acontece desde 2017. A suspens\u00e3o do calend\u00e1rio acad\u00eamico tamb\u00e9m foi pauta principal na assembleia, al\u00e9m dos repasses DCE e de entidades de base, que falaram sobre o Restaurante Universit\u00e1rio da Cidade Universit\u00e1ria, onde alunos relataram terem passado mal por causa da comida.<\/p>\n\n\n\n<p>No entanto, como cada docente pode escolher sua posi\u00e7\u00e3o de entrar ou n\u00e3o em greve, alguns cursos paralisaram por inteiro suas atividades e outros ficaram com mat\u00e9rias desfalcadas, enquanto outra parte da Universidade continua com aulas normalmente, como o curso de Jornalismo.<\/p>\n\n\n\n<p>Durante a assembleia, estudantes de diversos campus da UFMS acompanharam tanto presencialmente como virtualmente. Todas as pautas foram votadas e alguns estudantes tiveram a oportunidade de verbalizar suas insatisfa\u00e7\u00f5es e descontentamentos. Um dos estudantes presentes verbalizou \u201cQuase nenhum dos nossos professores aderiram \u00e0 greve, mas como estudante isso n\u00e3o me desanima porque s\u00f3 a gente sabe que a UFMS n\u00e3o \u00e9 dez igual eles colocam l\u00e1 na frente, s\u00f3 a gente como estudante sabe como \u00e9 comer nesse RU, pagando quatorze reais\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Entre debates acalorados, a noite foi marcada pela vota\u00e7\u00e3o da suspens\u00e3o do calend\u00e1rio acad\u00eamico. Ap\u00f3s alguns estudantes presentes repassarem o link da vota\u00e7\u00e3o do online, os votantes que contavam com 232 pessoas, subiram para 505, e demonstrou um movimento dos estudantes contr\u00e1rio a suspens\u00e3o. O resultado foi 49,1% contra e 48,9% a favor, e presencialmente foram 89 votos a favor, quatro contra e uma absten\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m das vota\u00e7\u00f5es, as pautas dos demais campus t\u00eam ganhado for\u00e7a. Com problemas de transporte, alimenta\u00e7\u00e3o, falta de aux\u00edlio e professores, a presidente ressaltou o abandono que esses p\u00f3los est\u00e3o sofrendo. \u201cO que eu quero que voc\u00eas entendam como alunos da capital \u00e9 que os campis do interior est\u00e3o abandonados, n\u00f3s ficamos \u00e0 margem no movimento estudantil\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Em entrevista, Izabella contou que tem auxiliado a forma\u00e7\u00e3o de Centros Acad\u00eamicos e representantes do diret\u00f3rio acad\u00eamico nos demais campus da UFMS, que j\u00e1 come\u00e7aram em algumas unidades, como a de Tr\u00eas Lagoas, Corumb\u00e1 e Chapad\u00e3o do Sul. \u201cE ent\u00e3o s\u00e3o essas pautas primeiro \u00e9 reerguer o movimento estudantil. Botar de novo o alicerce para poder a\u00ed numa pr\u00f3xima gest\u00e3o poder trabalhar com um pouco mais de tranquilidade, n\u00e9? Ent\u00e3o acho que a prioridade principal foi erguer o movimento estudantil, principalmente no interior que tava apagado durante muitos anos\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Aqui est\u00e1 presente o movimento estudantil <\/strong><\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"800\" height=\"588\" src=\"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2024\/06\/Protestos4-editado-para-o-online.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-4427\" srcset=\"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2024\/06\/Protestos4-editado-para-o-online.jpg 800w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2024\/06\/Protestos4-editado-para-o-online-300x221.jpg 300w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2024\/06\/Protestos4-editado-para-o-online-768x564.jpg 768w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2024\/06\/Protestos4-editado-para-o-online-400x294.jpg 400w\" sizes=\"auto, (max-width: 800px) 100vw, 800px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Em 2008 estudantes reivindicam melhorias para o curso de Direito<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p>Os movimentos estudantis, s\u00e3o acima de tudo movimentos sociais com prop\u00f3sito de reivindicar melhorias para os estudantes. E no centro da discuss\u00e3o est\u00e1 o ambiente educacional universit\u00e1rio, que promove o debate cr\u00edtico e articula os acad\u00eamicos em pautas sociais, pol\u00edticas e econ\u00f4micas, \u00e9 a forma de mostrarem sua obje\u00e7\u00e3o \u00e0s atitudes que os ferem. A integra\u00e7\u00e3o em movimentos de luta, protestos em rua e paralisa\u00e7\u00e3o das atividades \u00e9 a for\u00e7a bruta para serem ouvidos.<\/p>\n\n\n\n<p>Dentro do movimento, a Uni\u00e3o Nacional dos Estudantes (UNE) \u00e9 a entidade m\u00e1xima de representa\u00e7\u00e3o, a organiza\u00e7\u00e3o atua ativamente em a\u00e7\u00f5es pol\u00edticas e tratativas com autoridades governamentais. Criada em 1937, a UNE foi oficializada como representa\u00e7\u00e3o estudantil durante a segunda guerra mundial, mas perdeu sua legalidade na Ditadura Militar. A entidade foi o primeiro alvo do golpe de 1964, tendo sua sede metralhada e incendiada por militares. <\/p>\n\n\n\n<p>Aqui, na Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS), nos gritos dos estudantes que j\u00e1 passaram, o passado escreve o presente. Agnaldo Teixeira, de 57 anos, estudou F\u00edsica na UFMS no fim da d\u00e9cada de 1980. Ex-presidente do centro acad\u00eamico no per\u00edodo p\u00f3s ditadura, relata que as coisas eram diferentes. A atua\u00e7\u00e3o do (DCE) era ainda mais limitada e dividida entre polos ideol\u00f3gicos de direita e esquerda. Mas a censura n\u00e3o era aceita por ambos os lados, que se uniam rapidamente. Je vous salue Marie, filme proibido no Brasil em 1986, contava com a exibi\u00e7\u00e3o j\u00e1 agendada pelo DCE. A amea\u00e7a foi prender os alunos caso o filme fosse transmitido, mesmo com o risco de serem detidos o longa foi ao ar. Agnaldo conta que quando os estudantes souberam, desceram para a sala do diret\u00f3rio, onde seria exibido o filme, para dar for\u00e7a ao movimento, e que ele ficou longe da porta pela grande quantidade de acad\u00eamicos no local. \u201cN\u00e3o apareceu um carro de pol\u00edcia, nem ningu\u00e9m da universidade. E at\u00e9 hoje eu nunca assisti o filme, n\u00e3o fa\u00e7o ideia do que se trata\u201d, comenta rindo ao lembrar.<\/p>\n\n\n\n<p>Tamb\u00e9m na \u00e9poca, o restaurante universit\u00e1rio j\u00e1 apresentava problemas. \u201cTudo era muito mal feito e muitas vezes dif\u00edcil de comer. Ent\u00e3o um dia quando eu cheguei l\u00e1, n\u00e3o eram os funcion\u00e1rios que estavam servindo, eles estavam parados do lado e os alunos de v\u00e1rios cursos \u00e9 que foram servir. O que aconteceu \u00e9 que tava t\u00e3o ruim quando eles chegaram para comer, que eles afastaram os servidores, come\u00e7aram a preparar alguns alimentos e servir os alunos. O que foi combinado \u00e9 que depois que comessem, era pra levar o bandej\u00e3o pra frente da reitoria como protesto, e assim fizemos\u201d. Depois disso, o reitor se comprometeu com as melhorias, que duraram um per\u00edodo, mas que se repetem nos dias de hoje.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cSe eu n\u00e3o me engano, n\u00f3s t\u00ednhamos coisa de tr\u00eas ou quatro professores efetivos. Todo o restante da grade do curso era de professor volunt\u00e1rio. Excelentes professores volunt\u00e1rios, mas muitas vezes a gente tinha que ir atr\u00e1s dos professores e eventualmente eles nos deixavam no meio do semestre\u201d. Em 2008, esse era o cen\u00e1rio para T\u00e1cio Neves, hoje Servidor P\u00fablico da Uni\u00e3o, na \u00e9poca, estudante e presidente do Centro Acad\u00eamico Jorge Eust\u00e1cio Frias (CAJEF).<\/p>\n\n\n\n<p>Curso inaugurado em 1996, o Direito n\u00e3o contava com salas de aulas pr\u00f3prias, as aulas eram ministradas no meio do corredor. Na \u00e9poca, a movimenta\u00e7\u00e3o dos alunos aconteciam presencialmente ou pelo orkut. T\u00e1cio conta que todas as salas possu\u00edam um l\u00edder, que era respons\u00e1vel por passar as demandas para o Centro Acad\u00eamico. No fim, a indigna\u00e7\u00e3o era de todos, e uma posi\u00e7\u00e3o foi tomada. O ex-presidente do Centro Acad\u00eamico Jorge Eust\u00e1cio Frias (CAJEF) relembra que primeiro se mobilizaram e conversaram com os professores, com a reitoria e tiveram o apoio da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB). Eles ainda fizeram protestos no per\u00edodo em que houve concurso para professores na Universidade. Mas alguns meses depois, sem sucesso, se uniram a uma briga maior.<\/p>\n\n\n\n<p>Cerca de 200 estudantes ocuparam a reitoria por mais de duas semanas. O movimento teve o principal objetivo a paridade de votos para elei\u00e7\u00e3o do reitor da Universidade, em que os docentes contam com 70% dos votos. Ap\u00f3s dois meses de mobiliza\u00e7\u00e3o, o movimento criou um site para informar sobre a ocupa\u00e7\u00e3o. \u201cLevantamos in\u00fameros problemas que nos permitem dizer que a universidade vive uma crise institucional. Buscando ser vistos e ouvidos, ocupamos a reitoria\u201d.&nbsp; De acordo com o site, essa era uma das justificativas assinadas pelo Comit\u00ea da Ocupa\u00e7\u00e3o da Reitoria da UFMS.<\/p>\n\n\n\n<p style=\"text-align: center\"><span style=\"color: #ff0000\"><strong>\u201cLevantamos in\u00fameros problemas que nos permitem dizer que a universidade vive uma crise institucional. Buscando ser vistos e ouvidos, ocupamos a reitoria\u201d<\/strong><\/span><\/p>\n\n\n\n<p>A ocupa\u00e7\u00e3o aconteceu dentro e fora do pr\u00e9dio. A maioria permaneceu ao lado de fora para n\u00e3o ter danos ao patrim\u00f4nio p\u00fablico. T\u00e1cio conta que eles se dividiram em pequenos bairros. \u201cColocamos umas barracas. O pessoal ficava meio que l\u00e1 fora e eu lembro que faziam cotas para contribu\u00edrem\u201d. Mesmo com a \u00e1gua e luz cortadas, os estudantes conseguiram cozinhar e permanecer o tempo inteiro ali.<\/p>\n\n\n\n<p>O processo de desocupa\u00e7\u00e3o foi por uma ordem judicial e a Pol\u00edcia Federal interveio atr\u00e1s dos l\u00edderes do movimento. A ordem estipulava um prazo de algumas horas para a retirada dos estudantes. Os acad\u00eamicos permaneceram at\u00e9 o hor\u00e1rio limite. O ato final foi marcado por discursos, mas a luta dos estudantes n\u00e3o terminou com a ocupa\u00e7\u00e3o, ap\u00f3s esse epis\u00f3dio alguns sofreram amea\u00e7a de morte e o DCE foi condenado a pagar 14 mil reais por danos ao patrim\u00f4nio p\u00fablico para a Universidade. Como saldo positivo, o curso de Direito conseguiu professores efetivos.<\/p>\n\n\n\n<p>Em 2012, durante 123 dias, 58 universidades federais deflagraram greve, sendo considerada a maior paralisa\u00e7\u00e3o j\u00e1 realizada no pa\u00eds. As reivindica\u00e7\u00f5es come\u00e7aram pelos professores que lutavam por reajuste no piso salarial e a elabora\u00e7\u00e3o de um plano de carreira \u00fanico, os estudantes atuaram em solidariedade com os docentes e t\u00e9cnicos e tamb\u00e9m reivindicavam suas pautas. La\u00eds Rondis, 31, hoje professora de Geografia na rede estadual, na \u00e9poca estudava Engenharia Ambiental na UFMS e fez parte do Centro Acad\u00eamico no seu primeiro ano de curso, e logo depois passou a compor a chapa no DCE eleito de 2011 a 2012.<\/p>\n\n\n\n<p>Entre as pautas que os estudantes debatiam, estava a perman\u00eancia de bolsas estudantis e a falta de estrutura dos c\u00e2mpus, problema esse que se mant\u00e9m at\u00e9 os dias de hoje. \u201cTinha muito problema de infraestrutura, os blocos da engenharia, o Bloco 7, n\u00e3o podia ligar o ar condicionado que se ligasse n\u00e3o aguentava o padr\u00e3o e ca\u00eda e era o bloco da Engenharia El\u00e9trica, ent\u00e3o isso era muito contradit\u00f3rio\u2019\u2019.<\/p>\n\n\n\n<p>Durante a greve, no dia 5 de junho, 15 mil pessoas, entre universit\u00e1rios e servidores federais do Brasil inteiro protestaram em Bras\u00edlia, a a\u00e7\u00e3o organizada pela UNE reuniu 44 DCEs. A marcha come\u00e7ou em frente a Biblioteca Nacional e seguiu at\u00e9 o Minist\u00e9rio da Educa\u00e7\u00e3o, onde os universit\u00e1rios buscavam contato com o ent\u00e3o ministro Aloizio Mercadante. \u201cAqui a gente construiu o comando local, n\u00e9? Eu n\u00e3o cheguei a representar no Comando Nacional. N\u00e3o fiquei em Bras\u00edlia, s\u00f3 fui pro para manifesta\u00e7\u00f5es e atos que a gente fez, mas eu fiquei 100% no comando local articulando aqui.\u2019\u2019<\/p>\n\n\n\n<p>Com a forte ades\u00e3o da greve em \u00e2mbito nacional, La\u00eds conta que houveram avan\u00e7os significativos atrav\u00e9s da press\u00e3o dos estudantes, ao conseguir verba maior as assist\u00eancias, a reestrutura\u00e7\u00e3o de alguns campus e no or\u00e7amento de bolsas. A professora frisa tamb\u00e9m que n\u00e3o foram her\u00f3is que \u201cconseguiram melhorar tudo\u201d, mas a greve serviu para tensionar aquelas pautas e lutar para a melhoria das estruturas oferecidas aos estudantes.<\/p>\n\n\n\n<p>A greve dos docentes das Institui\u00e7\u00f5es Federais de Ensino em 2015 foi considerada a greve mais longa da hist\u00f3ria, no total foram 125 dias. Os professores exigiam melhores condi\u00e7\u00f5es de trabalho, reajuste salarial para ativos e aposentados e maior autonomia, com as universidades sem verbas, a greve foi o \u00faltimo recurso para pressionar o Governo Federal, na \u00e9poca comandado por Dilma Rousseff (PT), assim no dia 28 de maio iniciaram a greve na sede do Sindicato Nacional dos Docentes das Institui\u00e7\u00f5es de Ensino Superior (Andes-SN) em Bras\u00edlia com a instala\u00e7\u00e3o do Comando Nacional de Greve (CNG).<\/p>\n\n\n\n<p>Em 2019, ocorreu um dos grandes movimentos dos \u00faltimos 10 anos a favor do ensino, nomeado de Tsunami da educa\u00e7\u00e3o, milhares de pessoas entre t\u00e9cnicos, professores, estudantes e pesquisadores foram \u00e0s ruas protestar em defesa da educa\u00e7\u00e3o brasileira e contra os cortes do Minist\u00e9rio da Educa\u00e7\u00e3o, decretados pelo ent\u00e3o ministro, Abraham Weintraub, durante o governo de Jair Bolsonaro (PL). Os protestos eram contra o bloqueio de 30% na verba das institui\u00e7\u00f5es de ensino federais, dentre as 60 universidades e quase 40 institutos em todo o pa\u00eds. O lema em forma de grito, reafirmava a for\u00e7a estudantil. &#8220;Este sistema n\u00e3o vale: lutamos por justi\u00e7a, direitos e liberdade&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p style=\"text-align: center;\"><span style=\"color: #ff0000;\"><strong>&#8220;Este sistema n\u00e3o vale: lutamos por justi\u00e7a, direitos e liberdade&#8221;<\/strong><\/span><\/p>\n\n\n\n<p>Em meio a essas movimenta\u00e7\u00f5es, a UFMS tamb\u00e9m foi palco desses protestos. Em julho, o Abraham Weintraub anunciou o programa \u2018Future-se\u2019, com a proposta de maior autonomia financeira \u00e0s universidades e institutos federais por meio de incentivo \u00e0 capta\u00e7\u00e3o de recursos pr\u00f3prios e ao empreendedorismo. Como forma de protesto contra o projeto do Governo Federal, os estudantes da UFMS, ap\u00f3s uma assembleia geral com presen\u00e7a de cerca de 90 participantes, decidiram ocupar o Bloco XI. Os acad\u00eamicos realizaram atividades e debates no espa\u00e7o e foram resistentes aos cortes de \u00e1gua e luz feitos pela Institui\u00e7\u00e3o durante cinco dias de ocupa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Alice Soares, 23, na \u00e9poca estudante de Hist\u00f3ria, Militante da Uni\u00e3o da Juventude Comunista de Mato Grosso do Sul, participou ativamente da ocupa\u00e7\u00e3o em 2019. \u201cA\u00ed tem o in\u00edcio do Tsunami na educa\u00e7\u00e3o, puxado pela UNE. E durante uma semana a gente faz essa ocupa\u00e7\u00e3o do Bloco 6, protestando contra a tentativa de privatizar as universidades federais, que permite que organiza\u00e7\u00f5es sociais e privadas atuem dentro da educa\u00e7\u00e3o\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>A estudante ainda destaca que a ocupa\u00e7\u00e3o foi pensada justamente para ser uma semana antes do ato unificado para dar visibilidade e um \u201cpontap\u00e9\u201d dentro e fora da universidade na luta contra o projeto Futura-se. \u201cResistimos uma semana naquela ocupa\u00e7\u00e3o e terminamos no dia que o ato unificado iria acontecer. O ato seria na avenida Costa e Silva, ent\u00e3o a gente saiu da ocupa\u00e7\u00e3o direto para a rua\u2019\u2019.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"678\" src=\"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2024\/06\/Protesto2-editado-para-online-1024x678.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-4429\" srcset=\"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2024\/06\/Protesto2-editado-para-online-1024x678.jpg 1024w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2024\/06\/Protesto2-editado-para-online-300x199.jpg 300w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2024\/06\/Protesto2-editado-para-online-768x509.jpg 768w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2024\/06\/Protesto2-editado-para-online-1200x795.jpg 1200w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2024\/06\/Protesto2-editado-para-online-1250x828.jpg 1250w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2024\/06\/Protesto2-editado-para-online-400x265.jpg 400w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2024\/06\/Protesto2-editado-para-online.jpg 1478w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Estudantes protestam na UFMS em 2022<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p><strong>Os jovens s\u00e3o engajados?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Durante a Assembleia, a presidente do DCE destacou a import\u00e2ncia de retomar o sentido de movimento estudantil na UFMS, atrav\u00e9s da luta pelos direitos dos estudantes. \u201cN\u00f3s precisamos retomar a coletividade e retomar esse sentido de movimento estudantil e retomar um pouco do g\u00e1s que \u00e9 a juventude. Poder ir l\u00e1 e brigar por aquilo que nos \u00e9 de direito. Porque voc\u00eas v\u00e3o me desculpar, com respeito a todas as categorias. Mas quem come a comida podre todo dia do RU n\u00e3o \u00e9 o professor, n\u00e3o \u00e9 o t\u00e9cnico, n\u00e3o \u00e9 o Turine, n\u00e3o \u00e9 a Camila, n\u00e3o \u00e9 o Albert, n\u00e3o \u00e9 ningu\u00e9m! Quem come essa comida todos os dias \u00e9 a gente, ent\u00e3o \u00e9 a gente que tem que bater l\u00e1 na porta da reitoria e falar \u201ce a\u00ed vai resolver isso a\u00ed agora de um jeito bom ou a gente vai ter que come\u00e7ar a fazer problema aqui?\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center has-accent-color has-text-color has-link-color wp-elements-c0ab2a39b5048254f3496993dcc65f75\"><strong>\u201cE a\u00ed vai resolver isso a\u00ed agora de um jeito bom ou a gente vai ter que come\u00e7ar a fazer problema aqui?\u201d<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 quase un\u00e2nime a vis\u00e3o de que o estudante da Cidade Universit\u00e1ria da UFMS hoje n\u00e3o se movimenta tanto quanto em tempos anteriores. De todos os entrevistados nesta reportagem, a maioria cita o qu\u00e3o engajados os estudantes eram, o qu\u00e3o vivo o campus era, entre salas e corredores, e que durante os anos foi se apagando. Claro que n\u00e3o \u00e9 dem\u00e9rito, s\u00e3o gera\u00e7\u00f5es diferentes, com viv\u00eancias diferentes, mas \u00e9 curioso. Para o acad\u00eamico de Arquitetura e Urbanismo, Otniel Sousa, que tamb\u00e9m atua como volunt\u00e1rio no DCE e participa de modo ativo no MUP, ocupar a universidade com eventos culturais, saraus e rodas de conversas \u00e9 o que d\u00e1 vida \u00e0 universidade, onde se faz necess\u00e1rio esse espa\u00e7o de conviv\u00eancia entre os alunos. \u201cA gente quer de novo voltar a trazer essa essa cultura de conviv\u00eancia, mesmo com a greve\u201d. Ap\u00f3s tr\u00eas meses de movimento paredista, no dia 27 de junho o Governo Federal assinou em conjunto com as entidades representativas dos professores e servidores t\u00e9cnico-administrativos o fim da greve.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"771\" src=\"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2024\/06\/Protestos1-para-online-editado-1024x771.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-4430\" srcset=\"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2024\/06\/Protestos1-para-online-editado-1024x771.jpg 1024w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2024\/06\/Protestos1-para-online-editado-300x226.jpg 300w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2024\/06\/Protestos1-para-online-editado-768x578.jpg 768w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2024\/06\/Protestos1-para-online-editado-1200x903.jpg 1200w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2024\/06\/Protestos1-para-online-editado-1250x941.jpg 1250w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2024\/06\/Protestos1-para-online-editado-400x301.jpg 400w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2024\/06\/Protestos1-para-online-editado.jpg 1301w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Protesto de estudantes em 2022<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<div class=\"wp-block-buttons is-content-justification-center is-layout-flex wp-container-core-buttons-is-layout-16018d1d wp-block-buttons-is-layout-flex\">\n<div class=\"wp-block-button is-style-fill\"><a class=\"wp-block-button__link has-accent-background-color has-background has-text-align-center wp-element-button\" href=\"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/projetil-103\/\">Voltar para a edi\u00e7\u00e3o 103<\/a><\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em meio \u00e0 greve de servidores, o movimento estudantil enfrenta desafios com esvaziamento. Reivindica\u00e7\u00f5es hist\u00f3ricas persistem na trajet\u00f3ria de acad\u00eamicos e acad\u00eamicas da UFMS Texto: Ariane Vilharva | Gabrielly Pedra | Ingrid Prot\u00e1sio | Sarah NeresFotos: Gabrielly Pedra A porta verde fluorescente n\u00e3o esconde a sensa\u00e7\u00e3o de abandono. Perto da Caixa Econ\u00f4mica, um mural tem [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":35,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[39],"tags":[],"class_list":["post-4391","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-reportagem103"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4391","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-json\/wp\/v2\/users\/35"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=4391"}],"version-history":[{"count":11,"href":"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4391\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":4900,"href":"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4391\/revisions\/4900"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=4391"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=4391"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=4391"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}