{"id":4468,"date":"2024-07-12T14:30:14","date_gmt":"2024-07-12T18:30:14","guid":{"rendered":"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/?p=4468"},"modified":"2024-07-16T10:18:10","modified_gmt":"2024-07-16T14:18:10","slug":"resistencia-em-declinio","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/resistencia-em-declinio\/","title":{"rendered":"Resist\u00eancia em decl\u00ednio"},"content":{"rendered":"\n<h4 class=\"wp-block-heading has-text-align-center\">Qual o papel do movimento sindicalista atualmente? Greve de docentes e servidores t\u00e9cnicos escancaram esvaziamento da luta sindical<\/h4>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center has-accent-color has-text-color has-link-color wp-elements-c170922ff0bdf982f43dc37b4dd2043d\"><strong>Texto: Julia Nogueira| Marcos Paulo Amaral | Mariana Pesquero<br>Fotos: Arthur Ayres<\/strong><\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\"\/>\n\n\n\n<p>Em um audit\u00f3rio cercado por discuss\u00f5es, vota\u00e7\u00f5es e decis\u00f5es iminentes, enquanto um cen\u00e1rio de incerteza se desenrola, professores da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS) se re\u00fanem, durante o m\u00eas de maio de 2024, para mais uma Assembleia sobre a greve. Entre os docentes atentos, um chama a aten\u00e7\u00e3o. H\u00e1 uma luz refletindo em seu rosto, ele parece concentrado no que est\u00e1 fazendo. Passa o dedo de um lado para o outro, um \u201cMatch\u201d surge na tela, seguido de um \u201cOi\u201d enviado em mensagem. Na tela do celular, um app de namoro.<\/p>\n\n\n\n<p>O homem \u00e9 um dos professores da universidade e \u00e9 sindicalizado. Ap\u00f3s navegar pelo aplicativo de relacionamento, o docente embarca no mundo dos jogos, avan\u00e7ando de fase em fase, assim como a assembleia avan\u00e7ava na discuss\u00e3o. No audit\u00f3rio esvaziado, algumas pessoas est\u00e3o concentradas, mas n\u00e3o necessariamente no debate. Esse epis\u00f3dio, ainda que isolado, acaba revelando um sintoma contempor\u00e2neo que reflete em um movimento sindical atual disperso e enfraquecido.<\/p>\n\n\n\n<p>O cientista social e coordenador do curso de Ci\u00eancias Sociais da UFMS, Ricardo Luiz, explica que a for\u00e7a dos sindicatos anos atr\u00e1s residia em sua capacidade de representar, congregar e mobilizar a classe trabalhadora. \u201cDurante certo tempo da hist\u00f3ria do capitalismo moderno, o mundo do trabalho reunia as pessoas de maneira mais fixa, tanto nas f\u00e1bricas, por exemplo, quanto atrav\u00e9s de v\u00ednculos trabalhistas mais est\u00e1veis\u201d, explica. Essa situa\u00e7\u00e3o est\u00e1 no document\u00e1rio Ch\u00e3o de F\u00e1brica, do diretor Renato Tapaj\u00f3s, lan\u00e7ado em 2018 e veiculado pelo Cine Greve, programa\u00e7\u00e3o do curso de Audiovisual da UFMS. O document\u00e1rio narra a hist\u00f3ria do Novo Sindicalismo Brasileiro, apresentando um panorama hist\u00f3rico sobre as lutas sindicais e pol\u00edticas dos trabalhadores. A \u201cgrande greve dos trabalhadores do ABC Paulista\u201d \u00e9 um exemplo, visto que foi uma das maiores, se n\u00e3o a maior, greve do movimento trabalhista brasileiro. N\u00e3o \u00e0 toa, um dos maiores expoentes daquela greve vive, hoje, seu terceiro mandato como Presidente da Rep\u00fablica.<\/p>\n\n\n\n<p>Uma mobiliza\u00e7\u00e3o que fez com que milhares de pessoas se dispusessem a lutar pelos seus direitos \u00e9 algo grandioso e que n\u00e3o vemos no cen\u00e1rio atual brasileiro diante da greve das institui\u00e7\u00f5es federais de ensino, em 2024. Apesar de n\u00e3o ser a mesma classe que pauta a greve em quest\u00e3o, \u00e9 poss\u00edvel fazer uma conex\u00e3o entre aquela \u201cgrande greve dos trabalhadores do ABC Paulista\u201d com a perda de for\u00e7a do movimento sindicalista nos dias de hoje.<\/p>\n\n\n\n<h5 style=\"text-align: center;\"><strong><span style=\"color: #ff0000;\">\u201cA greve \u00e9 um grito de resist\u00eancia \u00e0 precariza\u00e7\u00e3o e \u00e0s tentativas de naturaliz\u00e1-la\u201d<\/span><\/strong><\/h5>\n\n\n\n<p>Ricardo explica que a greve \u00e9 o exerc\u00edcio de um direito, um meio para legitimar quest\u00f5es e objetivos, partindo dos mais variados interesses. \u00c9 um instrumento de luta que atravessa o s\u00e9culo e abrange todas as classes trabalhadoras. \u201cA greve \u00e9 um grito de resist\u00eancia \u00e0 precariza\u00e7\u00e3o e \u00e0s tentativas de naturaliz\u00e1-la. Se trata de um esfor\u00e7o de luta por um sal\u00e1rio digno e por condi\u00e7\u00f5es dignas de trabalho. Dignidade n\u00e3o \u00e9 privil\u00e9gio, \u00e9 parte do que nos define como humanos\u201d, esclarece o professor. Num contexto que pode ser caracterizado como confuso e amb\u00edguo, seu papel e sua relev\u00e2ncia enquanto mecanismo de transforma\u00e7\u00e3o social s\u00e3o colocados em debate. Tendo isso em vista, \u00e9 importante o questionamento: qual o lugar da greve no Brasil atual?<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"768\" src=\"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2024\/07\/FOTO-Sheila-RGB-1024x768.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-4484\" srcset=\"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2024\/07\/FOTO-Sheila-RGB-1024x768.jpg 1024w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2024\/07\/FOTO-Sheila-RGB-300x225.jpg 300w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2024\/07\/FOTO-Sheila-RGB-768x576.jpg 768w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2024\/07\/FOTO-Sheila-RGB-1536x1152.jpg 1536w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2024\/07\/FOTO-Sheila-RGB-2048x1536.jpg 2048w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2024\/07\/FOTO-Sheila-RGB-1200x900.jpg 1200w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2024\/07\/FOTO-Sheila-RGB-1980x1485.jpg 1980w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2024\/07\/FOTO-Sheila-RGB-1250x938.jpg 1250w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2024\/07\/FOTO-Sheila-RGB-400x300.jpg 400w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Sheila Denize acredita que a \u00fanica forma de conseguir os direitos trabalhistas, seja por meio da greve<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p>Para Sheila Denize Barbosa, membra da diretoria executiva da Associa\u00e7\u00e3o dos Docentes da UFMS (Adufms), a resposta \u00e9 simples: a greve representa uma retomada da democracia. Com o hist\u00f3rico de governos autorit\u00e1rios e repressivos, a possibilidade de debate pela busca de direitos j\u00e1 \u00e9 um avan\u00e7o. \u201cS\u00f3 o espa\u00e7o criado para debater, para falar sobre a import\u00e2ncia, trazer argumentos favor\u00e1veis ou contr\u00e1rios, isso \u00e9 importante, \u00e9 a retomada da democracia. A gente estava vendo isso sendo sufocado pela sociedade de uma forma geral, criminalizado principalmente\u201d, relata.<\/p>\n\n\n\n<p>Sheila explica que \u00e9 justamente essa press\u00e3o realizada pelo movimento grevista a respons\u00e1vel pela garantia de direitos nas universidades. Apesar disso, a escolha pela ades\u00e3o ou n\u00e3o \u00e0 paralisa\u00e7\u00e3o \u00e9 individual, e, historicamente, sempre dividiu opini\u00f5es entre os docentes. \u201cA gente sempre teve uma ades\u00e3o de alguns cursos paralisando e outros n\u00e3o, ent\u00e3o fica muito mais a crit\u00e9rio. A categoria deflagrou em assembleia com professores filiados ou n\u00e3o para participarem, e decidiu pela greve. Tem que ser uma decis\u00e3o acatada pela categoria, mas isso historicamente n\u00e3o acontece. A greve n\u00e3o atinge 100% dos docentes\u201d, explica. Dos 1790 docentes da UFMS, apenas 10% estavam presentes na assembleia para a discuss\u00e3o sobre a greve, de forma online ou presencial.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<h5 style=\"text-align: center\"><strong><span style=\"color: #ff0000\">\u201cAcham que o movimento sindical est\u00e1 ali para atrapalhar, pelo contr\u00e1rio, a gente est\u00e1 aqui para ajudar\u201d<\/span><\/strong><\/h5>\n\n\n\n<p>Segundo a diretora, isso ocorre pois a grande maioria dos professores da UFMS s\u00e3o rec\u00e9m concursados e, por isso, nunca participaram de um movimento grevista e n\u00e3o sabem como agir diante dele. Analisando um passado n\u00e3o t\u00e3o distante, encontramos governos repressivos que descredibilizaram e, at\u00e9 mesmo, criminalizaram o sindicalismo, contribuindo para seu enfraquecimento nessa nova gera\u00e7\u00e3o. \u201cGrande parte das conquistas dos trabalhadores vem do movimento sindical e as pessoas n\u00e3o conseguem entender essas quest\u00f5es. Acham que o movimento sindical est\u00e1 ali para atrapalhar, pelo contr\u00e1rio, a gente est\u00e1 aqui para ajudar\u201d, afirma Sheila. Essas quest\u00f5es contribuem para o sentimento de interroga\u00e7\u00e3o que assombra a comunidade acad\u00eamica, al\u00e9m do comprometimento do per\u00edodo letivo.<\/p>\n\n\n\n<p>Esse quadro de incerteza, diante da atual situa\u00e7\u00e3o, reflete a conjuntura atual do sindicalismo: os sindicatos, em paralelo com as transforma\u00e7\u00f5es sociais, passam por um momento de mudan\u00e7a, em que os indiv\u00edduos buscam se identificar e serem representados de maneiras mais diversas. \u201cOs sujeitos contempor\u00e2neos se veem diante da dif\u00edcil, por\u00e9m necess\u00e1ria, tarefa de inventar formas de representa\u00e7\u00e3o, organiza\u00e7\u00e3o e mobiliza\u00e7\u00e3o, capazes de congregar uma diversidade de experi\u00eancias, com base numa abertura ao novo e \u00e0 diferen\u00e7a em constante transforma\u00e7\u00e3o\u201d, afirma Ricardo Luiz.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Al\u00e9m da doc\u00eancia<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Adriane Maier \u00e9 t\u00e9cnica de enfermagem, trabalha na UFMS h\u00e1 22 anos e aderiu \u00e0 greve dos t\u00e9cnicos e servidores desde seu in\u00edcio. Ela explica que a escolha pela ades\u00e3o vem da ideia de que o movimento \u00e9 o \u00fanico instrumento que os servidores disp\u00f5em para terem suas demandas atendidas. Na verdade, a greve \u00e9 o \u00faltimo instrumento de reivindica\u00e7\u00e3o utilizado, quando todas as outras tentativas de di\u00e1logo com o governo n\u00e3o trouxeram resultado. \u201cQuando estoura a greve \u00e9 porque a gente j\u00e1 tentou um milh\u00e3o de coisas antes e n\u00e3o conseguimos nada. A greve \u00e9 o \u00faltimo recurso que a gente tem, o \u00faltimo recurso que a gente encontra como servidor, n\u00e3o \u00e9 uma coisa que a gente queira fazer\u201d, afirma Adriane.<\/p>\n\n\n\n<p>Aliada ao sindicalismo desde o come\u00e7o de sua carreira, a primeira coisa que Adriane fez ao assumir sua posse como t\u00e9cnica foi se filiar ao Sindicato dos Trabalhadores em Educa\u00e7\u00e3o Funda\u00e7\u00e3o UFMS (Sista) e Instituto Federal de Educa\u00e7\u00e3o, Ci\u00eancia e Tecnologia de Mato Grosso do Sul (IFMS), \u00f3rg\u00e3o que, na sua opini\u00e3o, a representa dentro da Universidade. Ela conta que, desde o in\u00edcio do movimento trabalhista, o sindicalismo em n\u00edvel t\u00e9cnico sempre se mostrou mais forte do que o de docentes, o que justifica, muitas vezes, a baixa participa\u00e7\u00e3o de professores nas assembl\u00e9ias e debates. \u201cO professor n\u00e3o tem conhecimento de base para a quest\u00e3o sindical, ele tem conhecimento na \u00e1rea de trabalho dele, mas n\u00e3o tem forma\u00e7\u00e3o sindical\u201d, explica.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"768\" src=\"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2024\/07\/Foto-Tecnica-em-enfermagem-RGB-1024x768.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-4486\" srcset=\"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2024\/07\/Foto-Tecnica-em-enfermagem-RGB-1024x768.jpg 1024w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2024\/07\/Foto-Tecnica-em-enfermagem-RGB-300x225.jpg 300w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2024\/07\/Foto-Tecnica-em-enfermagem-RGB-768x576.jpg 768w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2024\/07\/Foto-Tecnica-em-enfermagem-RGB-1536x1152.jpg 1536w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2024\/07\/Foto-Tecnica-em-enfermagem-RGB-2048x1536.jpg 2048w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2024\/07\/Foto-Tecnica-em-enfermagem-RGB-1200x900.jpg 1200w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2024\/07\/Foto-Tecnica-em-enfermagem-RGB-1980x1485.jpg 1980w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2024\/07\/Foto-Tecnica-em-enfermagem-RGB-1250x938.jpg 1250w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2024\/07\/Foto-Tecnica-em-enfermagem-RGB-400x300.jpg 400w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Adriane, desde que entrou na Universidade, n\u00e3o deixou um segundo de trabalhar pelos direitos dos t\u00e9cnicos<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p>A imagem que vemos hoje \u00e9 a de assembleias vazias e que n\u00e3o s\u00e3o levadas a s\u00e9rio, contribuindo para o enfraquecimento do movimento grevista e, consequentemente, para o movimento sindical como um todo. Lucivaldo Alves dos Santos, coordenador geral do Sista, entende que esse cen\u00e1rio \u00e9 fruto de um problema: a dif\u00edcil mobiliza\u00e7\u00e3o dos trabalhadores, advinda de uma dificuldade de comunicar a necessidade de fazer greve. \u201cAgora n\u00f3s chegamos naquele problema de como fazer a transmiss\u00e3o dessa necessidade, para que as pessoas entendam que o papel do sindicato \u00e9 defend\u00ea-los\u201d, conta.<\/p>\n\n\n\n<p>Lucivaldo afirma com tranquilidade que os docentes das universidades t\u00eam grande responsabilidade pelo enfraquecimento do movimento grevista. \u201cA falta de ades\u00e3o dos professores sempre atrapalhou. A gera\u00e7\u00e3o de docentes que est\u00e1 a\u00ed \u00e9 na faixa dos 30, 35, 40 anos, faz com que eles n\u00e3o se mobilizem, n\u00e3o acreditem muito\u201d. Os t\u00e9cnicos entraram em greve no dia 13 de mar\u00e7o, j\u00e1 os professores, no dia 1\u00ba de maio.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"768\" height=\"1024\" src=\"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2024\/07\/Foto-Lucivaldo-768x1024.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-4487\" srcset=\"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2024\/07\/Foto-Lucivaldo-768x1024.jpg 768w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2024\/07\/Foto-Lucivaldo-225x300.jpg 225w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2024\/07\/Foto-Lucivaldo-1152x1536.jpg 1152w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2024\/07\/Foto-Lucivaldo-1536x2048.jpg 1536w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2024\/07\/Foto-Lucivaldo-1200x1600.jpg 1200w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2024\/07\/Foto-Lucivaldo-1980x2640.jpg 1980w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2024\/07\/Foto-Lucivaldo-1250x1667.jpg 1250w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2024\/07\/Foto-Lucivaldo-400x533.jpg 400w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2024\/07\/Foto-Lucivaldo-scaled.jpg 1920w\" sizes=\"auto, (max-width: 768px) 100vw, 768px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Lucivaldo Alves pede mais ades\u00e3o por parte dos docentes, principalmente dos mais jovens<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p>Como dito por Sheila Denize, Lucivaldo refor\u00e7a a no\u00e7\u00e3o de que os servidores atuais n\u00e3o experienciaram a viv\u00eancia da greve, ainda mais levando em conta uma realidade onde grande parte deles trabalha de forma remota. Tendo em vista que os trabalhadores parecem ter perdido o engajamento nas quest\u00f5es sindicais, o coordenador do Sista v\u00ea a participa\u00e7\u00e3o atual do movimento sob outra perspectiva, como uma conquista. \u201cDiante do cen\u00e1rio que n\u00f3s vivemos hoje, n\u00f3s estamos conseguindo fazer assembleias com 200 pessoas. N\u00f3s est\u00e1vamos fazendo assembleias antes da greve com 25, 30 pessoas. Ent\u00e3o, apesar de todo mundo imaginar que \u00e9 pequeno, para n\u00f3s n\u00e3o \u00e9 pequeno\u201d.<\/p>\n\n\n\n<h5 style=\"text-align: center\"><strong><span style=\"color: #ff0000\">\u201cAs pessoas precisam ocupar as ruas novamente sem medo de serem perseguidas\u201d<\/span><\/strong><\/h5>\n\n\n\n<p>Sheila ainda acredita que o pr\u00f3ximo passo \u00e9 continuar resistindo. \u201c\u00c9 preciso que os trabalhadores voltem a se organizar, voltem com as suas bases para fortalecer o movimento sindical, correr atr\u00e1s dos direitos. As pessoas precisam ocupar as ruas novamente sem medo de serem perseguidas\u201d, declara. A representante da Adufms explica que \u00e9 preciso aproveitar o momento e ocupar o espa\u00e7o que os docentes t\u00eam, por direito, para negociar. Assim, revertendo, de acordo com ela, o passado de repress\u00e3o, entendendo que, mesmo n\u00e3o tendo grandes avan\u00e7os, os docentes est\u00e3o sendo recebidos para um di\u00e1logo.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>A nova gera\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>O avan\u00e7o da tecnologia fez com que a sociedade passasse a se posicionar sobre diversas pautas atrav\u00e9s de telas de celular ou computador. Mobiliza\u00e7\u00f5es nas redes sociais, compartilhamentos de movimentos, discuss\u00f5es em coment\u00e1rios de v\u00eddeos, textos e fotos, parecem ter reduzido a vontade dessa nova gera\u00e7\u00e3o de ir \u00e0s ruas.<\/p>\n\n\n\n<h5 style=\"text-align: center\"><strong><span style=\"color: #ff0000\">\u201cO ser humano est\u00e1 muito individualista, prefere fazer a luta sozinho em vez de fazer a luta coletiva e se juntar, socializando for\u00e7as\u201d<\/span><\/strong><\/h5>\n\n\n\n<p>Nessa onda de mudan\u00e7as, a maneira como o indiv\u00edduo se relaciona com a sociedade e realiza seu papel como membro dela, tamb\u00e9m se transformou. A busca por direitos e representa\u00e7\u00e3o tem ocupado cada vez mais a internet. Enquanto mobiliza\u00e7\u00f5es s\u00e3o organizadas nas redes sociais, assembleias encontram-se esvaziadas e movimentos, na pr\u00e1tica, t\u00eam pouca ades\u00e3o. \u201cHoje eu n\u00e3o preciso me juntar com mais ningu\u00e9m, eu preciso somente de um teclado, um monitor e eu vou para rede social me defender\u201d, afirma Lucivaldo. Para ele, o que falta \u00e9 pensar no coletivo. \u201cO ser humano est\u00e1 muito individualista, prefere fazer a luta sozinho em vez de fazer a luta coletiva e se juntar, socializando for\u00e7as\u201d, opina.<\/p>\n\n\n\n<p>A velha guarda, como \u00e9 chamado o pequeno grupo de pessoas que administra os sindicatos atualmente, \u00e9 considerada, por muitos, desatualizada, e sua for\u00e7a obsoleta. Por esse motivo, a busca por grupos mais representativos, como coletivos feministas e LGBTQIAPN+, tem aumentado, visto que est\u00e3o mais ativos nas redes sociais e atingem com maior facilidade a comunidade acad\u00eamica, o que chama a aten\u00e7\u00e3o da juventude sedenta por ir \u00e0 luta.<\/p>\n\n\n\n<p>A necessidade dos sindicatos atuais se reinventarem \u00e9 real e urgente. A hist\u00f3ria j\u00e1 constru\u00edda fez com que o movimento permanecesse vivo at\u00e9 hoje, mas n\u00e3o parece ser o suficiente para manter acesa a alma do sindicalismo contempor\u00e2neo. \u00c9 o que Lucivaldo acredita. \u201cSe o movimento n\u00e3o se reinventar, daqui a 10 anos ele entra em extin\u00e7\u00e3o por completo, e isso vai afetar a nossa busca por direitos\u201d.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large is-resized\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"830\" height=\"1024\" src=\"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2024\/07\/FOTO-jornal-rgb-830x1024.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-4485\" style=\"width:365px;height:auto\" srcset=\"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2024\/07\/FOTO-jornal-rgb-830x1024.jpg 830w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2024\/07\/FOTO-jornal-rgb-243x300.jpg 243w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2024\/07\/FOTO-jornal-rgb-768x947.jpg 768w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2024\/07\/FOTO-jornal-rgb-1245x1536.jpg 1245w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2024\/07\/FOTO-jornal-rgb-1661x2048.jpg 1661w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2024\/07\/FOTO-jornal-rgb-1200x1480.jpg 1200w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2024\/07\/FOTO-jornal-rgb-1980x2442.jpg 1980w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2024\/07\/FOTO-jornal-rgb-1250x1542.jpg 1250w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2024\/07\/FOTO-jornal-rgb-400x493.jpg 400w\" sizes=\"auto, (max-width: 830px) 100vw, 830px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Jornal de 1985 que retrata a greve \u00e9poca<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<div class=\"wp-block-buttons is-horizontal is-content-justification-center is-layout-flex wp-container-core-buttons-is-layout-499968f5 wp-block-buttons-is-layout-flex\">\n<div class=\"wp-block-button\"><a class=\"wp-block-button__link has-background-color has-accent-background-color has-text-color has-background has-link-color has-text-align-center wp-element-button\" href=\"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/projetil-103\/\">voltar PARA a edi\u00e7\u00e3o 103<\/a><\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Qual o papel do movimento sindicalista atualmente? Greve de docentes e servidores t\u00e9cnicos escancaram esvaziamento da luta sindical Texto: Julia Nogueira| Marcos Paulo Amaral | Mariana PesqueroFotos: Arthur Ayres Em um audit\u00f3rio cercado por discuss\u00f5es, vota\u00e7\u00f5es e decis\u00f5es iminentes, enquanto um cen\u00e1rio de incerteza se desenrola, professores da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":35,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[39],"tags":[],"class_list":["post-4468","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-reportagem103"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4468","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-json\/wp\/v2\/users\/35"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=4468"}],"version-history":[{"count":7,"href":"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4468\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":4816,"href":"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4468\/revisions\/4816"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=4468"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=4468"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=4468"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}