{"id":4500,"date":"2024-07-12T14:25:36","date_gmt":"2024-07-12T18:25:36","guid":{"rendered":"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/?p=4500"},"modified":"2024-07-16T09:52:00","modified_gmt":"2024-07-16T13:52:00","slug":"faz-o-l","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/faz-o-l\/","title":{"rendered":"&#8220;Faz o L&#8221;"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"has-text-align-center has-accent-color has-text-color has-link-color wp-elements-44d99f77f50a02857500a9e91d6b15dc\"><strong>Texto: Sandy Ruiz<\/strong><br><strong>Ilustra\u00e7\u00e3o: Anne Evelyne Marinho<\/strong><\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\"\/>\n\n\n<p>Ao longo do primeiro semestre de 2024, a greve dos t\u00e9cnicos e docentes dos institutos e universidades federais ganhou for\u00e7a. Ao todo, at\u00e9 meados do m\u00eas de junho, 62 institui\u00e7\u00f5es de ensino superior aderiram \u00e0 paralisa\u00e7\u00e3o, segundo o balan\u00e7o feito pelo Sindicato Nacional dos Docentes das Institui\u00e7\u00f5es de Ensino Superior (Andes-SN). Os grevistas reivindicam uma recomposi\u00e7\u00e3o do or\u00e7amento das universidades, melhorias nas condi\u00e7\u00f5es de trabalho, al\u00e9m de reajuste salarial.<\/p>\n<p>Segundo uma pesquisa de opini\u00e3o feita pelo Instituto Quaest, 78% da popula\u00e7\u00e3o entende como justa a greve dos docentes, enquanto apenas 19% entende como injusta e, cerca de 3% n\u00e3o tem uma opini\u00e3o formada sobre o tema. Apesar dos dados demonstrarem que a maior parte da popula\u00e7\u00e3o seja favor\u00e1vel \u00e0 greve, no cen\u00e1rio das redes sociais esse apoio n\u00e3o se confirma.<\/p>\n<p>Desde que foi anunciada, a greve tem gerado muita pol\u00eamica nos diversos meios de comunica\u00e7\u00e3o e divide opini\u00f5es entre a popula\u00e7\u00e3o, polarizadas entre quem \u00e9 contra ou a favor. Inclusive, algo a destacar \u00e9 que ao abrir os coment\u00e1rios em not\u00edcias de jornais em redes sociais, ironias e deboches a respeito da situa\u00e7\u00e3o s\u00e3o frequentes.<\/p>\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"595\" height=\"548\" src=\"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2024\/07\/dESENHO-TEXTO-SANDY-RGB-1.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-4711\" srcset=\"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2024\/07\/dESENHO-TEXTO-SANDY-RGB-1.jpg 595w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2024\/07\/dESENHO-TEXTO-SANDY-RGB-1-300x276.jpg 300w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2024\/07\/dESENHO-TEXTO-SANDY-RGB-1-400x368.jpg 400w\" sizes=\"auto, (max-width: 595px) 100vw, 595px\" \/><\/figure>\n<\/div>\n\n<p>Dentre as manchetes que anunciaram a greve, o perfil da Jovem Pan News, em 24 de maio, anunciou o seguinte: \u201cUniversidades Federais rejeitam acordo proposto pelo governo e decidem manter greve\u201d. Ao abrir a aba de coment\u00e1rios, n\u00e3o demora muito para esbarrar com coment\u00e1rios inflamados. \u201cProfessores de esquerda tem mais \u00e9 que passar por isso\u201d; \u201cmilitantes dentro de sala de aula. Agora engole o choro e continua trabalhando\u201d e claro, o mais t\u00edpico e frequente de todos, \u201cFaz o L\u201d.<\/p>\n<p>N\u00e3o que seja uma surpresa, um jornal, j\u00e1 conhecido por estar alinhado ao discurso conservador, ter um p\u00fablico com opini\u00f5es t\u00e3o tendenciosas quanto as dele. Por\u00e9m, ser\u00e1 que a preocupa\u00e7\u00e3o dessas pessoas \u00e9 de fato com a educa\u00e7\u00e3o? O que esses coment\u00e1rios revelam \u00e9, na verdade, um desd\u00e9m pela pauta e um ataque a professoras e professores com posi\u00e7\u00f5es pol\u00edticas progressistas. Como se fosse um crime questionar o sucateamento hist\u00f3rico da educa\u00e7\u00e3o neste pa\u00eds.<\/p>\n<p>Esses ataques n\u00e3o se restringem a perfis conservadores. Seja qual for o jornal, esquerda ou direita, de renome estadual ou at\u00e9 nacional, \u00e9 praticamente imposs\u00edvel fugir dessa epidemia de coment\u00e1rios desinformativos, que revelam a incapacidade, de parte da popula\u00e7\u00e3o, em argumentar sobre temas t\u00e3o importantes para o pa\u00eds. \u201cSocialista, comunista e esquerdista\u201d s\u00e3o palavras utilizadas como sin\u00f4nimos da universidade p\u00fablica. \u201c&#8230; Fa\u00e7am o L agora!!!! A greve acabou por qu\u00ea? Conseguiram o qu\u00ea, caros doutrinadores e disseminadores das ideologias socialista, comunista, esquerdista, e ista!\u201d, este \u00e9 um dos coment\u00e1rios retirado da manchete \u201cGreve de professores da UFMG termina ap\u00f3s 51 dias\u201d publicado em 5 de junho pelo jornal mineiro, O Tempo.<\/p>\n<p>Quando se trata do cen\u00e1rio local, nos dois ciberjornais mais acessados da capital, como o Campo Grande News e o Midiamax, a situa\u00e7\u00e3o n\u00e3o melhora muito. Esses jornais acabam se tornando palco para deboches feitos por quem desvaloriza intencionalmente o trabalho feito dentro das universidades p\u00fablicas. Nas mat\u00e9rias: \u201cProfessores da UFMS entrar\u00e3o em greve a partir de 1 de maio\u201d, publicado em 23 de abril pelo Campo Grande News, ou no Midiamax, \u201cGreve na UFMS: 50% dos professores aderem a paralisa\u00e7\u00e3o por novo acordo salarial\u201d, publicado em 26 de abril, chovem desinforma\u00e7\u00e3o. Os leitores\/as culpabilizam apenas o governo atual pelo desmonte da educa\u00e7\u00e3o, sem levar em conta que esse sucateamento vem ocorrendo h\u00e1 muito tempo, por meio de cortes de verbas na educa\u00e7\u00e3o e o preju\u00edzo a servidores, estudantes e \u00e0 popula\u00e7\u00e3o como um todo.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, grande parte desses discursos tamb\u00e9m afirmam que quem votou no PT deve \u201cengolir o choro\u201d, ou seja, n\u00e3o pode reclamar. O que, mais uma vez, \u00e9 contradit\u00f3rio, visto que cobrar o governo n\u00e3o \u00e9 apenas um direito, mas um dever de todos, em especial dos eleitores, faz parte de uma sociedade democr\u00e1tica. Mas o que vemos n\u00e3o s\u00e3o argumentos l\u00f3gicos, mas um ciclo de desinforma\u00e7\u00e3o que se mant\u00e9m, de coment\u00e1rio em coment\u00e1rio.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-buttons is-content-justification-center is-layout-flex wp-container-core-buttons-is-layout-16018d1d wp-block-buttons-is-layout-flex\">\n<div class=\"wp-block-button is-style-fill\"><a class=\"wp-block-button__link has-background-color has-accent-background-color has-text-color has-background has-link-color has-text-align-center wp-element-button\" href=\"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/projetil-103\/\">VOLTAR PARA A EDI\u00c7\u00c3O 103<\/a><\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Texto: Sandy RuizIlustra\u00e7\u00e3o: Anne Evelyne Marinho Ao longo do primeiro semestre de 2024, a greve dos t\u00e9cnicos e docentes dos institutos e universidades federais ganhou for\u00e7a. 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