{"id":4506,"date":"2024-07-12T14:10:49","date_gmt":"2024-07-12T18:10:49","guid":{"rendered":"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/?p=4506"},"modified":"2024-07-16T09:53:00","modified_gmt":"2024-07-16T13:53:00","slug":"uma-greve-se-sobrepoe-a-uma-tragedia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/uma-greve-se-sobrepoe-a-uma-tragedia\/","title":{"rendered":"Uma greve se sobrep\u00f5e a uma trag\u00e9dia?"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"has-text-align-center has-accent-color has-text-color has-link-color wp-elements-99e11596396ee9af8ce1db0cae3dbe92\"><strong>Texto: Emilly Nunes<\/strong><br><strong>Ilustra\u00e7\u00e3o: Jo\u00e3o Ant\u00f4nio<\/strong><\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\"\/>\n\n\n<p>A resposta \u00e9 simples. Mas antes, \u00e9 necess\u00e1rio entender o cen\u00e1rio geral.<\/p>\n<p>Uma luta hist\u00f3rica, o reajuste salarial dos docentes \u00e9 um tema discutido no m\u00ednimo uma vez por ano. Para que os direitos sejam respeitados e garantidos, \u00e9 necess\u00e1rio fazer barulho, sair da cadeira, marchar e bater na mesa pelas reivindica\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Para que eles sejam ouvidos, a greve \u00e9 o meio de transporte. Importante e necess\u00e1ria, as mobiliza\u00e7\u00f5es fazem parte da necessidade de exigir a reposi\u00e7\u00e3o das perdas salariais &#8211; o motivo central &#8211; e, tamb\u00e9m, melhores condi\u00e7\u00f5es trabalhistas, contra a precariza\u00e7\u00e3o do ambiente de trabalho assistida ano ap\u00f3s ano. N\u00e3o vamos nem detalhar, aqui, por exemplo, o estado de alguns banheiros das universidades. Nosso assunto \u00e9 outro.<\/p>\n<p>Deflagrada nacionalmente em 15 de abril, aderida em primeiro de maio na Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS), a greve dos docentes, veja bem, \u00e9 uma ramifica\u00e7\u00e3o da luta pelo direito trabalhista do servidor p\u00fablico, no nosso caso, servidor federal. No ambiente acad\u00eamico estamos t\u00e3o focados em nosso local que, por vezes, esquecemos que fazemos parte de um cen\u00e1rio maior. Al\u00e9m de professores e professoras, outros servidores p\u00fablicos aderiram \u00e0 paralisa\u00e7\u00e3o. T\u00e9cnicos, administra\u00e7\u00e3o, e a enfermagem do Hospital Universit\u00e1rio que, apesar do acordo feito em maio deste ano, ainda conta com os servidores de regime \u00fanico em greve.<\/p>\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"871\" height=\"456\" src=\"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2024\/07\/Digital-uma-greve-se-sobrepoe-a-uma-tragedia-1.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-4735\" srcset=\"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2024\/07\/Digital-uma-greve-se-sobrepoe-a-uma-tragedia-1.jpg 871w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2024\/07\/Digital-uma-greve-se-sobrepoe-a-uma-tragedia-1-300x157.jpg 300w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2024\/07\/Digital-uma-greve-se-sobrepoe-a-uma-tragedia-1-768x402.jpg 768w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2024\/07\/Digital-uma-greve-se-sobrepoe-a-uma-tragedia-1-400x209.jpg 400w\" sizes=\"auto, (max-width: 871px) 100vw, 871px\" \/><\/figure>\n\n\n<p>Sim, a luta \u00e9 antiga, constante e necess\u00e1ria. Este ano, contudo, precisamos considerar um acontecimento que, al\u00e9m do controle de qualquer um, mudou imediatamente a prioridade do Governo: as enchentes no Rio Grande do Sul (RS). Mais de cem mortos, 85 desaparecidos e 650 mil pessoas fora de casa, segundo balan\u00e7o da Defesa Civil. Esse evento catastr\u00f3fico, al\u00e9m de afetar centenas\/milhares de vidas, causou enormes preju\u00edzos econ\u00f4micos e reconfigura\u00e7\u00e3o territorial em alguns casos. Um estado inteiro foi devastado por uma for\u00e7a da natureza que cientistas clim\u00e1ticos j\u00e1 previam e tentaram alertar.<\/p>\n<p>Parte do conjunto de Mudan\u00e7as Clim\u00e1ticas que acontece h\u00e1 alguns anos, as chuvas causadoras do aumento dos rios no RS s\u00e3o resultado do aceleramento natural do aquecimento global. O impacto da a\u00e7\u00e3o humana, que tem colaborado para esse aquecimento, junto ao fen\u00f4meno El Ni\u00f1o, contribuiu para o aumento da intensidade e frequ\u00eancia das chuvas no Sul. De acordo com um estudo publicado no grupo World Weather Attribution, daqui para frente, as chuvas ser\u00e3o de 6% a 9% mais extremas.<br \/>Frente a esse cen\u00e1rio sem precedentes, que fez centenas de v\u00edtimas no estado, o governo apresentou emendas para minimizar a calamidade: um investimento bilion\u00e1rio na reconstru\u00e7\u00e3o do estado sulista, o perd\u00e3o da d\u00edvida p\u00fablica de R$90 bilh\u00f5es, promessa de compra de casas para fam\u00edlias desabrigadas, antecipa\u00e7\u00e3o de Bolsa Fam\u00edlia, e a lista segue. Isso significa deixar as exig\u00eancias dos docentes de lado? De certo modo n\u00e3o, afinal a proposta na qual o governo insistia propunha reajuste zero para 2024 desde antes dessa trag\u00e9dia.<\/p>\n<p>A empatia pelo RS \u00e9 quase unanimidade, mas algumas opini\u00f5es exteriorizadas em di\u00e1logos sobre a greve, e para al\u00e9m, em grandes manifesta\u00e7\u00f5es, pensam nas enchentes como um entrave \u00e0 causa da educa\u00e7\u00e3o. Na Marcha dos Trabalhadores em Bras\u00edlia, no dia 22 de maio, por exemplo, enquanto se refor\u00e7ava o sentimento de solidariedade, alguns declararam que \u201cas enchentes colocaram os docentes de escanteio\u201d. Os mais dr\u00e1sticos, afirmam que tirou o foco das reivindica\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Pensamentos como esse s\u00e3o perigosos, provocam apoiadores da causa a deixarem a empatia de lado. A Associa\u00e7\u00e3o dos Docentes da UFRPE (Adufepe), por exemplo, foi uma das que anunciaram o fim da paralisa\u00e7\u00e3o no dia 19\/06. Ent\u00e3o, neste contexto, a resposta \u00e0 pergunta inicial se torna, de fato, ret\u00f3rica. Uma greve se sobrep\u00f5e a uma trag\u00e9dia? De um jeito ou de outro, a pauta perde espa\u00e7o na m\u00eddia e nas prioridades governamentais mais urgentes. Dificilmente se sustenta uma mobiliza\u00e7\u00e3o dessa import\u00e2ncia em meio a um desastre sem precedentes. Ainda n\u00e3o conseguimos mensurar a extens\u00e3o dessa greve. Para o bem ou para o mal, a paralisa\u00e7\u00e3o vai acabar. Este ano, n\u00e3o haver\u00e1 mais vit\u00f3ria para ningu\u00e9m.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-buttons is-content-justification-center is-layout-flex wp-container-core-buttons-is-layout-16018d1d wp-block-buttons-is-layout-flex\">\n<div class=\"wp-block-button\"><a class=\"wp-block-button__link has-background-color has-accent-background-color has-text-color has-background has-link-color wp-element-button\" href=\"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/projetil-103\/\">VOLTAR PARA A EDI\u00c7\u00c3O 103<\/a><\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Texto: Emilly NunesIlustra\u00e7\u00e3o: Jo\u00e3o Ant\u00f4nio A resposta \u00e9 simples. Mas antes, \u00e9 necess\u00e1rio entender o cen\u00e1rio geral. Uma luta hist\u00f3rica, o reajuste salarial dos docentes \u00e9 um tema discutido no m\u00ednimo uma vez por ano. 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