{"id":4517,"date":"2024-07-12T14:29:09","date_gmt":"2024-07-12T18:29:09","guid":{"rendered":"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/?p=4517"},"modified":"2024-07-16T08:25:32","modified_gmt":"2024-07-16T12:25:32","slug":"desculpe-o-transtorno-mulheres-em-greve","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/desculpe-o-transtorno-mulheres-em-greve\/","title":{"rendered":"Desculpe o transtorno: mulheres em greve"},"content":{"rendered":"\n<h4 class=\"wp-block-heading has-text-align-center\">No sindicalismo de Mato Grosso do Sul, encontramos hist\u00f3rias de mulheres que foram \u00e0 luta para garantir seu espa\u00e7o em um ambiente predominantemente masculino<\/h4>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center has-accent-color has-text-color has-link-color wp-elements-8bb568ecefbbc4b32df15212cf4e61df\"><strong>Texto: Geovanna Bortolli | Jo\u00e3o Vitor Marques | J\u00falia Barreto<br>Fotos: Geovanna Bortolli<\/strong><\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\"\/>\n\n\n\n<p>No alto dos palanques, comandando os megafones ou liderando as reuni\u00f5es, nos anos 1980, eram os homens que ditavam as regras no movimento sindical. Contudo, ao longo das d\u00e9cadas, diversas mulheres pavimentaram um tortuoso caminho para normalizar a presen\u00e7a feminina nesses espa\u00e7os. Aqui, contamos as hist\u00f3rias de duas sindicalistas, separadas por diferentes \u00e9pocas, realidades e desafios, mas que se fizeram presentes na luta, cada uma a seu modo.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Estela e o batismo sindical<\/strong><\/p>\n<p>\u201cSim, sofrer era coisa de fracos e n\u00f3s mulheres sindicalistas t\u00ednhamos que ser fortes, n\u00e3o chorar, falar alto, usar sempre cal\u00e7a jeans e camiseta larga. Era uma \u00e9poca que feministas n\u00e3o cantavam e dan\u00e7avam, compet\u00edamos com os homens no modo rude do sindicalismo. As feministas precisavam de outros espa\u00e7os\u2026 nos sindicatos n\u00e3o era hora\u201d. Tomamos a liberdade de trazer um trecho do texto \u201c\u00c0s feministas, a viol\u00eancia como batismo sindical\u201d, de Estela Scandola, para come\u00e7ar a contar um pouco da trajet\u00f3ria da pr\u00f3pria autora.<\/p>\n\n\n\n<p>Uma hist\u00f3ria entre o movimento sindical e o movimento popular. A hist\u00f3ria de uma mulher definitivamente engajada. Estela M\u00e1rcia Rondina Scandola. Assistente social, especialista em Sa\u00fade do Trabalhador, especialista em Psicologia Social, mestre em Sa\u00fade Coletiva e doutora em Servi\u00e7o Social. Latino-americana, feminista, militante dos Direitos Humanos e educadora popular. M\u00e3e, sogra e \u201cquadriv\u00f3\u201d. Como ela mesma se define.<\/p>\n\n\n\n<p>Questionadora, apesar de criada por uma fam\u00edlia amorosa e em um mundo, como ela mesma define, \u201ccor-de-rosa\u201d, na cidade de Itapor\u00e3, no interior de Mato Grosso do Sul (MS). Na Pastoral da Juventude, um dos ramos da Igreja Cat\u00f3lica, Estela conheceu o Documento de Puebla. Criado no final da d\u00e9cada de 1970, o documento afirma, entre outras coisas, que a pobreza n\u00e3o \u00e9 \u201cevang\u00e9lica\u201d, mas \u201canti-evang\u00e9lica\u201d, sin\u00f4nimo de explora\u00e7\u00e3o, de opress\u00e3o e de situa\u00e7\u00e3o desumana. Ali, ainda menina, come\u00e7ou a compreender as mazelas da desigualdade. Um divisor de \u00e1guas em sua vida.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cA Igreja Cat\u00f3lica foi a grande respons\u00e1vel pelos movimentos de esquerda no pa\u00eds durante a Ditadura. Quase todos n\u00f3s militamos em movimentos de igreja e essa era a forma que t\u00ednhamos de ser de esquerda\u201d. Da Pastoral da Juventude para a Pastoral Universit\u00e1ria e logo depois para o Movimento Estudantil. De estudante \u00e0 profissional de Servi\u00e7o Social. Da Pastoral do Menor ao Movimento Nacional de Meninos e Meninas de Rua, que foi o grande precursor do Estatuto da Crian\u00e7a e do Adolescente (ECA). Da Associa\u00e7\u00e3o Nacional de Assistentes Sociais para a Central \u00danica de Trabalhadores (CUT).<\/p>\n\n\n\n<p>Em 1986, Estela assumiu a Secretaria Geral da CUT-MS. Nessa \u00e9poca, j\u00e1 sonhava com a Assembleia Constituinte, realizada somente anos depois, em 1987, e se dedicava \u00e0 pauta dos direitos da inf\u00e2ncia, das mulheres e da sa\u00fade. As raras mulheres na CUT, por\u00e9m, eram Estela e o grupo de assistentes sociais que a acompanhava na luta. Entre elas, a amiga Cidoca, Maria Aparecida de Assun\u00e7\u00e3o Ribeiro, sua colega de profiss\u00e3o e de luta. \u201cUma vez em uma plen\u00e1ria ela chegou toda arrumada e bonita, o que \u00e9 pr\u00f3prio da Cidoca, e o dirigente sindical perguntou \u2018t\u00e1 fazendo o que aqui?\u2019 \u2018t\u00e1 pensando que \u00e9 passeio?\u2019, Cidoca falou \u2018eu venho do jeito que eu quiser vir\u2019, mas, olha, era muito dif\u00edcil\u201d.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"600\" height=\"800\" src=\"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2024\/07\/Foto-Estela-PB-2-online.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-4539\" srcset=\"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2024\/07\/Foto-Estela-PB-2-online.jpg 600w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2024\/07\/Foto-Estela-PB-2-online-225x300.jpg 225w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2024\/07\/Foto-Estela-PB-2-online-400x533.jpg 400w\" sizes=\"auto, (max-width: 600px) 100vw, 600px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Estela Scandola, assistente social e sindicalista<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Naquela \u00e9poca, Estela conta que tudo no sindicalismo era voltado para o masculino. Mesmo as categorias de maioria absoluta de mulheres, eram comandadas por homens. Na hist\u00f3ria de quase 40 anos da CUT estadual, todos os presidentes foram homens. \u00c0s mulheres, restavam os cargos de secret\u00e1rias e as fun\u00e7\u00f5es de ajudantes da mobiliza\u00e7\u00e3o. \u201c\u00c9 quase como se voc\u00ea varasse cercas e fosse o tempo inteiro riscada e machucada. Ser mulher no movimento sindical \u00e9 uma dor permanente\u201d. <\/span><\/p>\n\n\n\n<p>Acostumada a tomar \u00e0 frente, Estela fazia quest\u00e3o de colocar a m\u00e3o na massa, como nos piquetes de greve &#8211; bloqueios, por grupos de trabalhadores, dos acessos ao local de trabalho. \u201cNunca tinha feito piquete na minha vida, mas eu ia e, quando eu chegava l\u00e1, os homens achavam que algumas coisas dos movimentos sindicais n\u00e3o eram pra mulher, mas eu falava \u2018eu vim fazer piquete e eu vou fazer piquete\u201d, relembra. A primeira greve que puxou, contrariando o machismo que reinava, foi a dos trabalhadores da constru\u00e7\u00e3o civil de Campo Grande, em 1986. Ali, assumiu o comando do megafone.<\/p>\n\n\n\n<p>Na Kombi do sindicato, com um alto-falante, Estela e outras sindicalistas faziam o que precisava ser feito, mesmo em uma \u00e9poca em que tudo era proibido, resqu\u00edcios da Ditadura Militar. \u201cA gente (mulheres do Servi\u00e7o Social) ia sair para pichar, para panfletar, para colar cartazes, nos carros, \u00e0 noite, mas tinha que sair o marido de uma junto, porque a gente achava que algu\u00e9m ia falar\u201d. O ex-marido de Estela n\u00e3o ia, ficava em casa cuidando das crian\u00e7as (no caso, os filhos de Estela, hoje j\u00e1 adultos).<\/p>\n\n\n\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Mesmo dentro do movimento sindical, que luta pela conquista de direitos, os relatos de Estela apontam que o corpo da mulher era constantemente fiscalizado. Essa parecia ser a forma encontrada para tentar frear os avan\u00e7os femininos dentro do sindicalismo, reverberando a fala de Estela: no sindicalismo n\u00e3o existia espa\u00e7o para o feminismo. \u201cA vida da gente, a vida sexual, a vida moral era colocada em cheque o tempo todo\u201d.<\/span><\/p>\n\n\n\n<h5 style=\"text-align: center;\"><span style=\"color: #ff0000;\"><span style=\"font-weight: 400;\">\u201c<\/span>N\u00e3o adiantava voc\u00ea ser uma boa dirigente sindical, o tempo todo estavam perguntando se voc\u00ea estava botando chifre no marido, se era l\u00e9sbica\u201d<\/span><\/h5>\n\n\n\n<p>Estela considera seu \u201cbatismo\u201d sindical, o momento em que foi vaiada por mais de 200 pessoas em uma assembleia. Era uma tratativa para convencer os trabalhadores da Associa\u00e7\u00e3o Campo-Grandense de Profissionais (ACP), ligados \u00e0 Prefeitura Municipal, a se filiar \u00e0 CUT. \u201cE eu, com esse jeito sincero de ser, disse: \u2018fomos na ACP, mas n\u00e3o d\u00e1 jeito, \u00e9 muito pelego por l\u00e1\u201d. Pelego, para quem n\u00e3o sabe, \u00e9 um termo pejorativamente usado para descrever algum agente disfar\u00e7ado do governo que procura agir politicamente nos sindicatos de trabalhadores. A fala foi seguida de vaias e gritos de \u201cfora!\u201d de todos os presentes.<\/p>\n\n\n\n<p>Mesmo nessa situa\u00e7\u00e3o, o seu pensamento era de que tudo iria passar e que o sindicalismo venceria aquela luta. Em sua jornada, Estela aprendeu a ser muito dura, a n\u00e3o sentir nada. \u201cTem muita coisa que eu passei no movimento sindical que eu n\u00e3o \u2018saquei\u2019 o sofrimento que foi aquilo pra mim, s\u00f3 hoje em dia consigo falar dele\u201d, desabafa. \u201cH\u00e1 uma vis\u00e3o de n\u00f3s mulheres sindicalistas como se a gente fosse algo para ser agredido, n\u00e3o algo para ser acolhido, amado, querido\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas, nem s\u00f3 de percal\u00e7os se faz a hist\u00f3ria de uma mulher sindicalista. Estela, ao longo da vida, conseguiu sempre fazer as tr\u00eas coisas que mais gostava: a Educa\u00e7\u00e3o (ela \u00e9 educadora, mestre e doutora); o Servi\u00e7o (na linha de frente dos atendimentos e com trabalhos de rua); e o Movimento Sindical (em que unia as tr\u00eas coisas e colocava em pauta os assuntos que percebia nas ruas, na assist\u00eancia social ou em suas pesquisas).<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"800\" height=\"600\" src=\"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2024\/07\/Foto-Estela-PB-1-online.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-4542\" srcset=\"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2024\/07\/Foto-Estela-PB-1-online.jpg 800w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2024\/07\/Foto-Estela-PB-1-online-300x225.jpg 300w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2024\/07\/Foto-Estela-PB-1-online-768x576.jpg 768w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2024\/07\/Foto-Estela-PB-1-online-400x300.jpg 400w\" sizes=\"auto, (max-width: 800px) 100vw, 800px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p>Ao todo, foram duas d\u00e9cadas como dirigente da CUT e outras tantas em movimentos feministas, de trabalhadoras e pela sa\u00fade. \u201cEu sa\u00ed em 2003 ou 2004 (da diretoria da CUT), por a\u00ed, mas ainda hoje vou nas plen\u00e1rias, nos congressos e, quando eu chego, o pessoal ainda fica olhando, pensando \u2018vish\u2019\u201d. Ao refletir sobre quanto tempo esteve envolvida com o sindicalismo, Estela percebe que nunca saiu do movimento sindical, j\u00e1 que, na realidade, \u00e9 ele quem est\u00e1 dentro dela &#8211; e n\u00e3o o contr\u00e1rio. Hoje, ela conta suas hist\u00f3rias no blog Vida Mulherida (vidamulherida.wordpress.com) e at\u00e9 pensa em escrever um livro.<\/p>\n\n\n\n<p><b>Adriane e o equil\u00edbrio sindical<\/b><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Enquanto Estela encerrava sua trajet\u00f3ria ativa no movimento sindical, a t\u00e9cnica em enfermagem Adriane Maier iniciava. Desde o in\u00edcio de sua carreira no Hospital Universit\u00e1rio Maria Aparecida Pedrossian (HUMAP), em 2002, Adriane mostrou-se extremamente atuante em greves, mobiliza\u00e7\u00f5es e outras atividades sindicais. E fez isso por 12 anos. Em 2014, tomou uma dif\u00edcil decis\u00e3o: abdicou de seu lugar no movimento sindical para se dedicar a um novo papel, o de ser m\u00e3e. Naquele ano, com o nascimento de seu filho, a maternidade se tornou prioridade em sua vida.<\/span><\/p>\n\n\n\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Ser m\u00e3e solo e sindicalista n\u00e3o seria uma tarefa f\u00e1cil. Ela compartilha suas experi\u00eancias, destacando a complexidade de equilibrar os pap\u00e9is de m\u00e3e, profissional e ativista sindical ao mesmo tempo. Durante uma d\u00e9cada, enfrentou o afastamento do sindicalismo, lidando com as demandas desafiadoras do cotidiano. A dificuldade em gerenciar o trabalho, o engajamento no sindicato e os cuidados com o filho a levou a fazer concess\u00f5es. A responsabilidade aumentou com a maternidade,&nbsp; especialmente sem uma s\u00f3lida rede de apoio.<\/span><\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"600\" height=\"800\" src=\"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2024\/07\/Foto-Adriane-02-online.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-4544\" srcset=\"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2024\/07\/Foto-Adriane-02-online.jpg 600w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2024\/07\/Foto-Adriane-02-online-225x300.jpg 225w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2024\/07\/Foto-Adriane-02-online-400x533.jpg 400w\" sizes=\"auto, (max-width: 600px) 100vw, 600px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Adriane Maier, t\u00e9cnica em enfermagem e sindicalista<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Em 2024, com 46 anos e um filho de 10, Adriane retornou com vigor ao movimento sindical. Sua volta \u00e9 marcada pela atual greve dos servidores p\u00fablicos federais, paralisa\u00e7\u00e3o que reivindica uma recomposi\u00e7\u00e3o salarial que n\u00e3o ocorre h\u00e1 cerca de 10 anos. Como servidora p\u00fablica e membro do Sindicato dos Trabalhadores das Institui\u00e7\u00f5es Federais de Ensino do Estado de Mato Grosso do Sul (Sista-MS), ela aderiu \u00e0 greve e luta para que os objetivos sejam alcan\u00e7ados.<\/span><\/p>\n\n\n\n<p>\u201cA greve n\u00e3o se faz de papel. A greve se faz com a\u00e7\u00f5es\u201d, afirma Adriane. Desde que ingressou na universidade, ela entende que, para ser ouvido, o movimento grevista precisa interromper certas atividades; \u00e9 necess\u00e1rio lutar pelos direitos a partir de uma parceria m\u00fatua entre homens e mulheres.<\/p>\n\n\n\n<p>No hospital, por exemplo, seguimos uma escala de trabalho para garantir que o atendimento n\u00e3o pare. Nosso objetivo \u00e9 impactar, sim, mas de maneira a conquistar melhores condi\u00e7\u00f5es para todos&#8221;, enfatiza Adriane.<\/p>\n\n\n\n<p><span style=\"font-weight: 400\">A participa\u00e7\u00e3o de mulheres em atos grevistas deixou de ser abstrata e passou a ser mais vis\u00edvel e aceita pela c\u00fapula, que \u00e9 majoritariamente formada por homens. Assim como outras sindicalistas, Adriane relata as disparidades que sofre. Em pleno s\u00e9culo 21, ela ainda enfrenta discrimina\u00e7\u00e3o simplesmente por ser mulher em um campo dominado por homens<\/span><\/p>\n\n\n\n<h5 style=\"text-align: center;\"><span style=\"color: #ff0000;\">\u201cEnquanto<\/span><span style=\"color: #ff0000;\"> m<\/span><span style=\"color: #ff0000;\">ulher,<\/span><span style=\"color: #ff0000;\"> a gente acaba recebendo aquela deprecia\u00e7\u00e3o: &#8216;Vai trabalhar, vai fazer alguma coisa \u00fatil&#8221;<\/span><\/h5>\n\n\n\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Coment\u00e1rios como esse deixam expl\u00edcito o machismo intr\u00ednseco que ainda se faz presente na sociedade. A capacidade de lideran\u00e7a, o conhecimento intelectual e outras qualidades pr\u00f3prias femininas s\u00e3o colocadas \u00e0 prova pelo simples fato de serem mulheres\u201d, desabafa.<\/span><\/p>\n\n\n\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Na a\u00e7\u00e3o grevista dos t\u00e9cnicos, da qual Adriane est\u00e1 \u00e0 frente, ficam evidentes as duras cr\u00edticas que ela faz \u00e0s pessoas que se posicionam, fazem ofensas e coment\u00e1rios depreciativos, mas se escondem atr\u00e1s da tela do celular ou de um computador. \u201cA gente sempre fala o seguinte: estar atr\u00e1s de um computador ou de uma tela, metendo o pau no sindicato, \u00e9 f\u00e1cil. O duro \u00e9 vir aqui, colocar a cara a tapa, usar o microfone e se indispor com os demais\u201d.<\/span><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"600\" height=\"800\" src=\"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2024\/07\/Foto-Adriane-01-online.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-4545\" srcset=\"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2024\/07\/Foto-Adriane-01-online.jpg 600w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2024\/07\/Foto-Adriane-01-online-225x300.jpg 225w, https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2024\/07\/Foto-Adriane-01-online-400x533.jpg 400w\" sizes=\"auto, (max-width: 600px) 100vw, 600px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Adriane acredita que o engajamento ativo e a presen\u00e7a f\u00edsica s\u00e3o essenciais para que o movimento sindical seja eficaz. Ela ressalta a import\u00e2ncia de mostrar for\u00e7a e unidade, especialmente em um cen\u00e1rio onde a discrimina\u00e7\u00e3o de g\u00eanero ainda persiste. As mulheres no sindicalismo, como Adriane, est\u00e3o rompendo barreiras e provando que a luta por direitos \u00e9 um compromisso de todos, independentemente do g\u00eanero. Ela continua a ser uma voz ativa, inspirando outras mulheres a se unirem e participarem do movimento sindical e refor\u00e7ando a ideia de que a igualdade e o respeito s\u00e3o conquistas di\u00e1rias que exigem a participa\u00e7\u00e3o de todas\/os. Sua jornada \u00e9 marcada por desafios superados e vit\u00f3rias compartilhadas, mostrando que a for\u00e7a coletiva \u00e9 capaz de transformar realidades.<\/span><\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-buttons is-content-justification-center is-layout-flex wp-container-core-buttons-is-layout-16018d1d wp-block-buttons-is-layout-flex\">\n<div class=\"wp-block-button\"><a class=\"wp-block-button__link has-accent-background-color has-background has-text-align-center wp-element-button\" href=\"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/projetil-103\/\">VOLTAR PARA A EDI\u00c7\u00c3O 103<\/a><\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>No sindicalismo de Mato Grosso do Sul, encontramos hist\u00f3rias de mulheres que foram \u00e0 luta para garantir seu espa\u00e7o em um ambiente predominantemente masculino Texto: Geovanna Bortolli | Jo\u00e3o Vitor Marques | J\u00falia BarretoFotos: Geovanna Bortolli No alto dos palanques, comandando os megafones ou liderando as reuni\u00f5es, nos anos 1980, eram os homens que ditavam [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":35,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[39],"tags":[],"class_list":["post-4517","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-reportagem103"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4517","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-json\/wp\/v2\/users\/35"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=4517"}],"version-history":[{"count":18,"href":"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4517\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":4818,"href":"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4517\/revisions\/4818"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=4517"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=4517"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/jornalismo-faalc.ufms.br\/projetil\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=4517"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}